Estrela Polaris
1 Escravos do porto, escravos das estrelas
— Quando voltamos para casa? — pergunta meu irmãozinho de 4 anos encarando tristemente suas algemas
— Não temos mais uma casa, Gabe. — suspiro — Vamos para onde alguém quiser nos comprar
— Teremos novos pais?
— Acho que essa não é a intenção de alguém que compra pessoas como nós
Já fazia cerca de 2 semanas que eu e meu irmão, Gabe, tínhamos sido vendidos por nossos pais para traficantes interestelares, ficamos num navio escuro, nojento e frio esse tempo inteiro, hoje era o primeiro dia desde então que tínhamos saído de dentro dele, agora estávamos num porto, colocaram todos os escravos algemado perto do navio sendo vigiados por um homem alto e magrelo com uma lança afiada em mãos. Éramos 10 escravos no total, 2 crianças (meus irmão é uma garotinha de 8 anos), 3 garotas adolescentes, e 5 homens (2 eram adultos e 3 adolescentes). Olhei para os lado procurando pelo capitão do navio, o vi entrando num bar junto com outros tripulantes, essa seria nossa única chance de fugir dali antes que fossemos vendidos para algum louco.
— Polaris... — Gabe me chama — Quanto tempo mais ficaremos nessa viajem. — eu o encaro por um tempo e suspiro
— Nem mais um dia, irmãozinho. — sorrio para ele e começo a observar o guarda responsável por nós, tive certeza que poderia derrubá-lo com um chute forte, mesmo sendo menor em tamanho e tendo minha forças pela metade por não comer bem nessas últimas 2 semana, eu ainda parecia mais forte
Me afasto um pouco do homem para conseguir impulso e derrubá-lo, dou uma grande joelhada no homem e ele cai de joelhos jogando a lança no chão, se encolhe puxando seus bigodes brancos e longos enquanto aqueles pés de cachorro se agitavam freneticamente se arranhando no chão de pedra. Num movimento rápido abaixo meus pulsos e consigo arrebentar as correntes das mãos com a lança, faço os mesmos com os pés e depois ajudo Gabe a se soltar, solto um dos homens e dou a ele a lança para que ele ajude os outros prisioneiros. Carrego Gabe no colo e começamos a correr, nos escondemos perto de uma caixas grandes ao lado de outro navio, o capitão e os tripulantes foram chamados pelo guarda magrelo e estavam tentando segurar os escravos que corriam com todas as suas forças.
— Vamos. — digo para Gabe enquanto corro para dentro do outro navio, naquela altura eu achava que qualquer coisa seria melhor do que voltar para aquele lugar nojento
Entramos no navio e logo todos nós encararam, homens grandes e estranhos rosnavam para nós entre barbas peludas, outros nos apontavam suas garras de caranguejo tentando nos ameaçar, alguns com espinhos venenosos nas costas prontos para nos matarem e o maior deles saindo da cabine do capitão de braços cruzados tinha tentáculos no lugar de de pelos, tanto na cabeça quanto na face e nos braços (apesar desses serem menores). Atras do grande e ameaçador homem sai uma mulher, ela era mais baixa que todos, tinha uma espada presa no cinto e os cabelos negros saiam por de baixo do chapéu de capitão.
— Viva, capitã. — grita a tripulação abrindo espaço para que ela passe
— Ora, ora, parece que temos alguns intrusos, rapazes. — ela diz sorrindo encarando a mim e meu irmãozinho
Engulo em seco quando ela passa por entre os homens e nos encara bem de perto, ela roda em volta de mim e mexe em meu cabelo.
— Qual o seu nome? — ela me pergunta
— Polaris Warlo....
— A garota tem cabelo branco e NOS chamam de aberração. — ela dá um riso irónico e o resto da tripulação cai na gargalhada
— Não tem nada demais em ter o cabelo branco quando sua tripulação tem garras no lugar de mãos e tentáculos no lugar de pelos. — bufei
— Quantos anos tem?
— 17
— O garoto, quem é?
— Meu irmãozinho, Gabe, ele tem 4. — acaricio os cabelos curtos e castanhos do garoto
— E o que fazem aqui?
— Nossos pais nos venderam para o capitão Delas, íamos ser levados como escravos para o planeta 7H48...
— E decidiram fugir assim fazendo o pobre homem perder dinheiro? Imagino o quanto ele pagaria para os ter de volta
— Não nos faça voltar, por favor! — imploro a ela
— Não precisamos de crianças nessa viajem, você morreram em menos de 3 dias
— Por favor, nos deixe ficar, faremos o que for necessário
— Pois bem. — ela se vira voltando para sua cabine — Dem os materiais de limpeza para eles rapazes, ganhamos novas empregadas
Os grandes homens fazem uma algazarra com a notícia, vários deles pulavam para lá e para cá como louco, alguns vinham nos abraçar e todos gritavam "bem vindos a família". Depois da confusão eles nos deram os esfregões e produtos de limpeza, amarro meu cabelo com um pano e começo esfregando o deque, enquanto Gabe jogava água onde eu esfregava.
Quase 3 horas esfregando aquele navio, eu estava esgotada assim como Gabe, me sentei encima da um dos barris de madeira e olhei para o lado de fora, o navio voava pelo mar de estrelas, era estranho estar quase sempre de noite enquanto velejávamos, passei tanto tempo em navios nessas semanas que estava com saudades do sol, escutei a porta da cabine da capitã se abrir e todos ficarem em formação.
— Viva, capitã. — todos gritam
— Descansar. — eles voltam a suas atividades normais, a capitã vem até mim — Parece que fez um com trabalho, Warlo
— Obrigada, capitã
— Capitã Lena Zerman
— Preciso falar o nome inteiro, capitã?
— Não precisa ser tão formal, eu só peço que me chame de capitã na frente de outros piratas ou quando eu der ordens
— Sim,..... Lena. — ela sorri
— Hora do jantar, recruta
Ela caminha em direção a uma porta que levava a parte inferior do navio, eu a sigo junto com vários outros tripulantes, haviam 2 andarem na parte de baixo, o andar mais a cima era o quarto, todos dormiam juntos, haviam várias redes nele, o andar mais embaixo era a cozinha, o lugar para onde fomos e escuto alguém falar da cozinha.
— Venham, venham, o jantar será servido. — diz um homem gordo atras da chapa, só conseguia vê-lo por uma janelinha na parede que separado a cozinha das mesas, conseguia ver que ele usava um avental sujo que estava passando de branco para amarelo, ele era careca, risonho, tinha bigodes de gato e uma barbatana saindo de seu traseiro — Hoje temos minha especialidade, sopa de lula gigante
Vejo o homem servindo a sopa para os tripulantes, um deles recebeu um olho no meio da sopa com vários pedaços de lula é um outro conseguiu um tentáculo, todos comiam felizes.
— E quem é você, jovenzinha? — me pergunta o cozinheiro
— Eu sou Polaris e esse é Gabe, somos novos aqui
— Ah, recrutas, bem vindos a família! — ele diz nos dando nossas tigelas de sopa
Sentamos ao lado de um homem alto e musculoso de pele escura, ele era careca e tinha muitas tatuagens em seus braços, se apresentou como Jonathan, mas disse que todos ali o chamavam de John-John, o que não parecia um apelido adequado para alguém com a aparência dele. Mesmo parecendo mal ele era um cara bem gentil e amigável, ele ensinou para Gabe sobre várias aventuras que eles. Já tinham vivido naquele navio, o que fez os olhos de meus irmãozinho brilharem.
— Com licença. — enterompo John-John — Pode nos dizer para onde o barco vai? — escuto Lena se levantar de seu assento e bater na mesa atras de nós, o que fez com que todos se calassem
— Os recrutas querem saber para onde vamos, homens! — ela grita e os outros começam a fazer barulho de novo — Estamos em busca do maior tesouro dessa galáxia, recrutas, não estamos falando de ouro, nem jóias, muito menos da famosa pedra da vida eterna, nós vamos roubar o coração do sol! — os homens se levantam e começam a bater na mesa agitados
O coração do sol era o nome que os antigos povos de um planeta de sábios tinham dado para uma estrela, uma estrela tão pequena e brilhante que poderia gerar luz o suficiente para iluminar 6 sistemas solares ao mesmo tempo por mais de 40 trilhões de anos, mas ela era como uma lenda, ninguém nunca havia a encontrado e todos achavam que ourela não existia ou ela era uma lenda.
— Vão ter que ser bravos para enfrentarem todos os perigos dessa galáxia, acham que dão conta? — Lena nos pergunta
— Somos bravos, somos bravos! — grita Gabe
— Bem,.... acho que um pouco de treino não faria mal
— Boa resposta. — ela me joga uma espada — Treino amanhã depois do trabalho, recruta, seu irmão vai ajudar a tripulação treinando para ser o próximo cozinheiro, não vamos mandar o pequeno para o campo de batalha até ele fazer 16
Terminamos o jantar, todos foram para cima e deitaram em suas redes, John-John consegui mais uma para nós, Gabe deita junto comigo e me abraça forte pegando num sono logo depois, faço carinho na cabeça dele e encaro o teto por um tempo, respiro fundo e fecho os olhos, eu achava incrível como eu podia me ver entre as estrelas quando deitava para dormir, eu me sentia em casa e tudo em volta sumia de repente, aquele mundo era meu, aquelas estrelas faziam parte de mim, ali eu estava..... viva.
Fale com o autor