Estrela De Um Céu Nublado
6 Capítulo 6
Fazia uma semana que Finn tinha ido ao teste falso em NY, ainda estava meio abatido apesar de ter superado e se convencido de que na cidade dos sonhos era devorar ou ser devorado. Tinha aprendido a lição.
Nessa semana Rachel estava algumas vezes no seu apartamento, disse que ele precisava continuar praticando a dança para que não perdesse o ritmo e começasse mal o próximo semestre que iniciaria em duas semanas. Passaram um bom tempo juntos, praticando, vendo filmes, jogando conversa fora, praticando mais. Teria sido perfeito se não fosse um detalhe: Weston. O estúpido namorado da amiga não dava uma folga e parecia estar respirando no seu cangote o tempo todo, só esperando uma desculpa para esmurra-lo sem que Rachel ficasse contra ele.
Era sexta feira e o final de tarde chuvoso pedia atividades caseiras.
Finn, Rachel e Brody estavam espremidos no pequeno sofá vendo um seriado qualquer sobre médicos, uma bacia de pipoca rodava de vez em quando entre os três – quando Rachel o soltava. Brody estava posicionado do meio para evitar ‘atitudes inapropriadas’ do ex-jogador para cima de sua namorada. “Eu não confio em ninguém que fica babando nas pernas da minha garota quando ela é humilde e gentil o bastante para ensinar um bambu de cutucar estrelas, feito você a se mexer sem parecer que está tendo um ataque epilético.”, fora a explicação do rapaz antes de abraçar protetoramente a morena. Para Finn parecia que Brody tinha um sinal luminoso na testa escrito ‘Mantenha distância’.
_ Essa não! – Rachel deu um pulo do sofá assustando Finn e Brody que quase dormiam. Ela corria pela sala procurando tudo que pudesse ser dela.
_ O que foi amor, por que a pressa? – Forçava a vista para despertar, era tão bom sentir o calor da namorada ao abraça-la que a calma que ela lhe trazia quase fez com que esquecesse quem estava com eles.
_ Eu esqueci que meus pais vêm me visitar hoje. Eles vão chegar ao aeroporto às 19h, já são 18h, precisamos ir ou vamos nos atrasar. – Rachel colocou o casaco e se enrolou no cachecol grosso. Estava muito frio na rua àquela hora. _ Tchau Finn. – Ela se inclinou para beijar o rosto do rapaz que estava mais dormindo do que acordado por isso nem tinha tentado se levar.
_ É bundão, tchau. – Brody deu um tapa na nuca de Finn, tão forte que ele foi lançado para frente, quase caindo do sofá. Rachel, que já tinha saído do apartamento e deixado a porta aberta, não vira. Ele sorriu ao ouvir os xingamentos desconexos antes de dar as costas e sair, fechando a porta.
Finn procurou o controle pelo sofá e desligou a TV. Precisava ir para cama, mas sair do sofá estava fora de cogitação. Deitou o mais confortavelmente que conseguiu e voltou a dormir. Rachel e aulas de dança mais o teste de sanidade constante que Brody lhe fazia eram cansativos... Muito cansativos.
xXx
Finn acordou com um barulho alto e insistente dentro do cérebro. Sentiu todos os músculos do corpo protestarem quando se sentou. Passar a noite no sofá definitivamente tinha sido má ideia. O barulho incômodo voltou. Alguém batia na porta com tanta força que ela tremia, Finn temeu que ela pudesse cair.
_ Já estou indo. – Ele gritou para a porta antes de levantar, esticou os braços para o alto o máximo que conseguiu. Soltou gemidos sôfregos quando ouviu – e sentiu – suas juntas estalando e voltando para o lugar. Ainda meio grogue de sono tropeçou a até a porta antes que ela caísse com as batidas.
Não teve tempo de identificar quem estava de pé em frente ao seu apartamento antes de sentir algo se chocar contra o seu olho direito.
_ Seu cretino filho da mãe. – A chuva o de socos e pontapés parecia vir de todos os lados. Aquela voz era familiar, mas estava zonzo demais para tentar reconhecer. As mãos tentavam proteger o rosto cegamente enquanto Finn andava para trás. A parte de trás dos joelhos bateu em algo e ele caiu sentado. O agressor montou em cima dele socando a sua cabeça. _ Eu vou matar você. Desgraçado, imbecil. Qual o seu problema, babaca? – Cada palavra era pontuada por um soco.
_ Eu que pergunto, qual o seu problema? – Finn encontrou a voz depois daquilo. Finalmente reconhecera a voz. Como sentia falta daquela voz. O peso saiu de cima dele e os socos pararam.
_ Qual o meu problema? Meu problema? Não fui eu que abandonei os amigos quando me mudei. O que foi? Decidiu que era bom demais na casa nova para ter amigos brejeiros? Não somos mais ‘bons o bastante’ pra você? – Finn o olhou a figura grande parada na sua frente. O rosto duro e as mãos trêmulas só significavam uma coisa. Seu melhor amigo estava muito, muito, muito puto com ele.
_ Não foi nada disso Puck. Eu só não tive muito tempo para gastar nos últimos meses al- – Finn foi interrompido por uma nova avalanche de socos na cabeça. – PORRA PUCK. PARA. ISSO DOI, MERDA.
_ É para doer mesmo. – Puck se afastou de Finn e começou a andar de um lado para o outro na frente do sofá. Tremia da cabeça aos pés e seu rosto estava suado e vermelho de raiva. _ ‘Eu não tive tempo para gastar Puck’ – Repetiu a desculpa de Finn com uma voz fina e desagradável. _ VOCÊ TEVE SEIS MESES, IMBECIL. Como você pôde fazer uma coisa dessas comigo? Achei que fossemos amigos. – Puck sentou no chão, abatido. Nunca se sentira tão traído na vida. Seu melhor amigo, seu único irmão, fora embora atrás de um sonho prometendo nunca deixa-lo, mas invés disso partiu e nunca mais deu notícias. Não respondia seus e-mails e o celular estava sempre desligado. Finn o deixou sozinho.
Finn olha atônito o velho amigo sentado no chão do seu apartamento. Sentia-se um lixo, estivera tão concentrado em tenta fazer seu sonho se tornar real que esqueceu que tinha pessoas em Lima que se importava com ele, até com sua mãe era difícil que falasse. Mandava um e-mail por semana, isso se lembrasse.
Deslizou lentamente pelo sofá até estar no chão, de frente à Puck que tinha a cabeça baixa como se olhar para os próprios pés fosse melhor do que olhar para ele. Talvez fosse.
_ Eu sinto muito Puck... Eu sei que eu não tenho sido um bom amigo, nem um bom filho. Eu sempre ouvi as pessoas de Lima me criticando, me chamando de desprezível, burro, filhote de baleia assassina e tentando de todas as maneiras possíveis me convencer de que eu não era bom o bastante... Tentando apagar tudo isso, acho que acabei esquecendo que também tinha pessoas que se importavam comigo. Me desculpa... – Finn sentiu a lágrima quente fazer um caminho úmido na sua bochecha, esperava de verdade que Puck o perdoasse.
_ Você ainda é um imbecil por ter me esquecido. – O murmúrio quase inaudível foi o suficiente para um sorriso largo se espalhar no rosto de Finn. Ele se tirou para frente em um abraço de urso que quase os derrubou no chão. Conhecia seu melhor amigo melhor que ninguém e sabia que aquele era um jeito de Puck lhe desculpar ser dar o braço a torcer.
_ Eu também amo você Puck. – Puck empurrou Finn para longe e se levantou bruscamente dando a volta no sofá, se distanciando dele.
_ Sai fora cara. Que papo é esse de ‘eu amo você’, tá me estranhando!? Eu sou Noah Puckerman, eu não amo ninguém e muito menos outro macho. Entendeu?
_ Tudo bem Puck. Ei, o que acha de jogarmos vídeo game? — Finn e Puck trocaram um sorriso imenso antes de correm para o quarto do aspirante a ator buscar o aparelho.
Sentados na sala, os dois tentavam jogar e conversar ao mesmo tempo. Seis meses era muito e tentavam colocar todos os acontecimentos de suas vidas em poucas horas. Puck disse que conseguira um emprego como auxiliar do técnico de futebol do McKinley High e – se conseguisse provar que tinha mesmo talento – poderia ser o próximo técnico. Finn contou sobre o recente fiasco com Jesse St. James e Puck jurou que quebraria a cara dele se o encontrasse. Viu-se falando também sobre Rachel e Brody.
_ Então... Deixa ver se eu entendi: Você conheceu essa garota Rachel, certo? – Finn acenou positivamente, ambos olhavam fixamente para os gráficos animados na TV. _ E ela tem esse namorado que te batia, mas desistiu porque ele não queria que essa Rachel descobrisse e terminasse com ele? – Outro aceno positivo. _ Por que você não tenta algo com ela? Pelo o que você me falou ele pode ser o cara mais legal do mundo na frente dela, mas na verdade é um canalha.
_ Não é bem assim. Eu estive perto deles por seis meses Puck, eu tô te falando: ele é apaixonado de verdade por ela. Quer dizer bem ainda me bate às vezes porque, segundo ele, eu tô tentando me meter no relacionamento deles, mas ele não manda os capangas dele atrás de mim. Ele poderia fazer isso e a Rach nunca descobriria.
_ É, mas-
_ Puck, ela ama de verdade esse cara. Eu não tenho chance alguma. – Finn disse olhando para o amigo, tentando convencê-lo com mais do que palavras.
_ Tudo bem, — Puck se conformou sob o olhar pidão de Finn. _ Mas você poderia conversar com ela sabe? Mostrar que, se o príncipe dela virar um sapo, você vai estar com ela... De todos os modos que ela precisar. – Puck finalizou com um sorriso malicioso mexendo as sobrancelhas sugestivamente para Finn.
_ Cala a boca Puck. – Tentou soar duro, mas não conseguia conter o sorriso que brincava no canto dos lábios. Talvez, apenas talvez, seguisse o conselho.
xXx
Não saíram para tomar café, nem almoçar, passaram o dia à base de lanches rápidos que Finn fazia. Já passava das 18h quando Puck suspirou antes de olhar tristemente para o amigo.
_ Eu tenho que ir embora Finn?
_ Mas... Já? – Finn não estava pronto para deixar o amigo ainda.
_ É. A minha passagem de volta é para o voo das 19:15. Acho melhor eu ir. Você não tem trabalho hoje? – Puck perguntou se levantando do chão. Lembrou que Finn tinha dito que trabalhava à noite e ficou com medo de ter feito o ator perder a hora.
_ Hoje não, estou de folga. Bem... Eu vou com você até o aeroporto. – Finn levantou-se e começou a guardar o vídeo game enquanto Puck catava pelo chão tudo que deveria estar no lixo, mas que eles tiveram preguiça demais para levantar e jogar fora.
Vinte minutos depois, estavam dentro de um taxi a caminho do LAX, principal aeroporto de Los Angeles que ficava no lado Sul da cidade. Meia hora de viagem feita em um silêncio confortável.
xXx
_ Em que aeroporto você vai pousar? – Os dois estavam sentados nos bancos do salão de embarque. Ainda faltavam alguns minutos para o voo de Puck ser chamado.
_ Consegui ir para o Internacional de Dayton em Vandalia, é o mais perto de Lima. – Puck respondeu com um sorriso. Era difícil um voo sair de um aeroporto de porte como LAX e pousar em um tão menor quanto o Dayton. _ Depois pouco mais de uma hora de ônibus até a rodoviária de casa.
_ Você já tem o bilhete do ônibus?
_ É claro.
_ “Atenção. Todos os passageiros do voo 171, com destino à Vandalia, Ohio. Saída às 19horas e 15 minutos. Embarque no portão 24F”.
Ouviram a mensagem se repetir mais duas vezes antes de se levantarem.
_ Bom... É o meu voo. – Puck passou a mão nervosamente pelo moicano.
_ Com certeza ele tem o sem numero. – Finn disse com um sorriso torto que ficou ainda maior com a cara emburrada de Puck. _ Vou sentir sua falta cara, valeu por ter vindo me ver.
_ Não se preocupe man, é só você não esquecer de novo e da próxima vez que nos vermos eu não vou tentar te matar. – Puck disse brincalhão, mas Finn sabia que o aviso era para ser levado a serio. Até porque, sua cabeça ainda estava dolorida dos socos que levou.
_ “Atenção. Todos os passageiros do voo 171, com destino à Vandalia, Ohio. Saída às 19horas e 15 minutos. Ultima chamada. Embarque no portão 24F”.
_ É isso cara, pense em tudo o que eu te falei. Sobre a Rachel e tudo mais. – Deram um ultimo abraço rápido antes de Puck caminhar rapidamente pelo salão de embarque até o portão certo, alguns metros à frente. Finn viu o amigo acenar enquanto seu passaporte era revisado e devolveu o gesto.
A visita de seu melhor amigo era o que faltava para reerguer de vez os ânimos abalados desde o fatídico dia em NY. Estava na hora de Finn voltar ao jogo.
Notas finais
Eu queria pedir desculpas a todos que acompanham a fic. Não era para ter demorado tanto essa atualização, mas eu tive que fazer uma prova importante e logo depois eu passei um período doente. E quando tudo finalmente passou, a minha inspiração foi junto. Esse capitulo não ficou do jeito que eu imaginei, ainda ficaram muitos pontos de fora, mas ele já estava grande demais.
Eu estou realmente precisando estudar uma coisinha muito chata chama linguagem C++, mas vou tentar concluir o próximo capítulo o mais rápido possível.
Fale com o autor