Estranho Conhecido

26 Capítulo 26 – Descobrindo o passado – parte 3


Notas iniciais
4º EDIÇÃO – 21-03-14

Capítulo 26 – Descobrindo o passado – parte 3

— O que vai querer comer? – ela perguntou abrindo a geladeira.

Inuyasha espiou a geladeira também. – Não sei – respondeu.

Kagome então decidiu – Já sei, vamos comer ramen instantâneo. – Inuyasha sorriu para ela e ela correspondeu ao sorriso. – Tenho seu sabor preferido. – afirmou e foi até o armário pegar os pacotinhos.

Inuyasha encostou-se à mesa e observou-a pegar as panelas, colocar água e ligar o fogão e só então se aproximou dela. Kagome sentiu Inuyasha abraçá-la por trás. Ele beijou-a no pescoço e perguntou – Você está bem mesmo?

Kagome encostou as costas no peito dele e suspirou antes de responder – Estou bem sim, é só que... Deve ser tão horrível para você.

— É horrível! – ele respondeu e roçou os lábios no pescoço delgado – Mas é passado, não há como mudar o que já aconteceu – ele suspirou e o ar que saiu de sua boca fez com que Kagome se arrepiasse. Inuyasha sorriu diante a reação dela e mordiscou-lhe o pescoço.

— Inuyasha – Kagome sussurrou, sabia que ele estava tentando distraí-la para aliviar a tensão que se instalara nela e certamente ele estava conseguindo. Virou-se de frente para ele e beijou-o na boca envolvendo os braços ao redor do pescoço masculino. Inuyasha beijou-a com paixão, queria que ela parasse de pensar no passado dele, ele ainda tinha coisas para contar e não queria que ela ficasse concentrada no que lhe acontecera. Afinal passado é passado, por mais que doesse não havia o que pudesse ser feito. Ele puxou Kagome pelo quadril e levou-a para longe do fogão, sentiu suas costas encostarem-se à mesa e concentrou-se em dar o melhor de si no beijo.

Kagome inspirou pelo nariz e permitiu que Inuyasha lhe explorasse a boca enquanto fazia o mesmo com ele. Sentiu-se quente, beijá-lo era sempre tão bom e percebia que ele estava dando tudo de si através do contato entre seus lábios e era uma sensação incrível, ele beijava como ninguém! Inuyasha mordeu-lhe o lábio inferior e ouviu um gemido escapar de Kagome. Ele afagou-lhe os quadris e desceu as mãos até a carne macia do bumbum da morena. Kagome ofegou e sentindo-se febril quis corresponder à carícia que ele estava lhe dando, desceu as mãos pelas costas largas e apertou os glúteos masculinos, sentiu que ele sorria contra seus lábios e abriu os olhos. Inuyasha a olhava divertido e sussurrou com os lábios roçando os dela – Gosta da onde está pegando?

Kagome sorriu e involuntariamente corou – Gosto – sussurrou de volta e capturou o lábio inferior dele entre os dentes, dando-lhe uma pequena mordida. Inuyasha voltou a beijá-la apaixonadamente, as mãos ainda acariciando-a.

Eles ouviram o barulho da água fervendo e Kagome afastou-se dele.

Inuyasha sorriu contrariado e assistiu enquanto Kagome abria os pacotes de macarrão e os despejava dentro das panelas. O sabor que escolhera para si era diferente do que escolhera para Inuyasha. Kagome mexeu o conteúdo da panela e depois deixou o garfo na pia, voltando-se para Inuyasha. Ele a viu se aproximar e agarrou-a pela cintura, unindo seus lábios novamente, num beijo devorador, as mãos passeando pelas costas da morena, a apertando firme contra seu corpo. Kagome sentiu a dureza do peitoral dele contra seu corpo, sentia-se quente, os seios doloridos e pesados prensados contra ele, nunca havia sentido essa sensação antes, ela agarrou-se a Inuyasha lhe explorando a boca, as mãos sentindo-lhe os músculos das costas, ele era todo firme, não o havia visto sem camisa por isso não sabia dizer se ele era musculoso, mas sentindo o corpo assim contra o dele poderia jurar que não havia uma grama de gordura nele.

— Kagome – ele sussurrou e ela beijou-lhe o queixo, descendo em seguida para o pescoço masculino, ela mordicou-o de leve e um suspiro escapou dos lábios dele. Ele tentou de novo – Kagome, o ramen. – ele alertou.

— Droga! – ela exclamou sentindo o cheiro de queimado. Ela se afastou dele e desligou o fogo – Não queimou muito não – afirmou mexendo o macarrão com o garfo.

Ela o sentiu atrás dela. – É da para comer. – ele resmungou espiando o conteúdo sobre o ombro da morena.

Kagome emburrou-se com o tom dele. E virou-se de frente para ele, beliscando-o em seguida. – Isso é culpa sua – acusou.

— Ai – ele reclamou esfregando o braço. – Eu vou comer! Mesmo queimado! – exclamou fazendo uma careta de dor.

Kagome sorriu e voltou-se para o fogão, pegou dois pratos despejou o conteúdo de cada panela no recipiente, passou por Inuyasha e deixou os pratos sobre a mesa. Voltou a gaveta pegou os hashis e mandou que ele sentasse.

Inuyasha se sentou e ela se sentou ao lado dele.

— Que foi? – ela perguntou quando ouviu um soluço.

Ela olhou para ele e viu que ele segurava o riso. Inuyasha a olhou e desatou a rir.

— Que foi? – ela repetiu curiosa.

— Só você para me obrigar a comer ramen queimado. – ele riu.

— Oras, a culpa foi sua – ela disse e sentiu-se corar. Inuyasha riu mais ainda da vermelhidão no rosto dela e voltou a comer em silêncio.

Eles permaneceram quietos por uns minutos e os pensamentos de Kagome voltaram ao que eles haviam discutido sobre a vida de Inuyasha

— Então, foi daquela maneira que você conheceu Yura? – ela indagou.

Inuyasha assentiu antes de engolir – Sim, foi. Sabe a Yura não é uma garota má Kagome – ele afirmou e Kagome arqueou as sobrancelhas.

— Sabe por que comecei a sair com ela? – Kagome negou com a cabeça e ele disse – Desde que nos conhecemos naquele primeiro dia quando Naraku nos pegou, Yura tem sido boa para mim, uma amiga, e ela sempre quis ter algo comigo, mas eu nunca quis, eu não queria garota nenhuma Kagome, você era quem eu amava. Mas um dia Kagura começou a demonstrar interesse por mim, ela é a uh...como vou dizer esposa do Naraku, não é bem isso, mas é nesse sentido. – ele olhou Kagome nos olhos e disse num tom muito sério – O Naraku é do mal, ele é um monstro, sem coração ou piedade, ele teria me matado se Kagura tivesse ficado comigo, por que ela ia se forçar em cima de mim e eu ia me ferrar totalmente, foi então que num dia a Yura se insinuou para mim, foi uns seis meses antes de você voltar, e eu vi que ela podia ser minha salvação, eu fiquei com ela para afastar Kagura de mim, entende? Nós brigávamos bastante, acho que ela sempre soube o porquê de eu ficar com ela, e as discussões eram constantes... quando você voltou eu terminei com a Yura e ela percebeu e começou com as ameaças eu me vi obrigado a voltar para ela. – ele respirou fundo.

— Mas como ela te ameaça?

— Ela sabe que tenho sentimentos profundos por você, ela te odeia por isso. Ela me seguiu e descobriu onde você mora, me disse que vai contar ao Naraku que você é a razão de eu chegar atrasado, de não estar fazendo meu trabalho, de quando ele me procura e não me encontra é por que você está me atrapalhando e não quero Kagome – ele largou os hashis na mesa e segurou o rosto de Kagome — Não posso e não vou permitir que algo te aconteça por minha causa! Eu não sei se Naraku faria ou não algo contra você, entende? Ele poderia te matar! – ele a soltou e olhou para o prato a sua frente, respirou fundo não aguentando ver o olhar atordoado de Kagome — Yura é sobrinha dele e se acha a protegida, mas algo anda estranho ultimamente, ela começou a se afastar de mim sem motivo algum..e Naraku também não tem sido visto... – Inuyasha de repente ficou com o olhar perdido, raciocinando sobre o que estava acontecendo, algo não andava bem.

Kagome o fitou sem saber o que pensar sobre a notícia de estar sendo ameaçada de morte, ela voltou a comer tentando não ficar com medo.

Depois de alguns minutos comendo em silêncio. – Então é por isso que não pode larga-la...agora eu entendo.

— Eu te disse que não era tão fácil, mais cedo você perguntou por que eu simplesmente não saia dessa vida...eu não tenho como...acha que já não tentamos fugir? Naraku nos perseguiu, nos deu uma surra tão grande que achei que ia nos matar... para fugirmos teríamos que ter bastante dinheiro..e como vamos arranjar? Quando... – ele respirou fundo largou o prato na mesa e se levantou, começou a andar pela cozinha. – Quando eu estou vendendo as drogas, não posso ficar com o dinheiro para mim...o mínimo que Naraku nos permite ficar só dá para nos vestirmos e comer, e olhe lá... – ele respirou fundo – Eu odeio o que eu faço, odeio ter que vender aquele lixo para os pobres coitados, ver eles venderem a casa inteira, famílias se acabarem...eu morro de vergonha por fazer isso, deve deixar você enojada não é ? — ele tomou fôlego e duas lágrimas rolaram por seu rosto e então Kagome estava lá o abraçando

— Não Inu, eu sei que você não faz isso por querer...e-eu entendo..deve ser muito difícil mesmo, não consigo nem imaginar o quanto – ela sussurrou contra o peito dele.

— Você não faz a mínima ideia...a banda me ajuda bastante, arrecadamos pelo menos um pouco de dinheiro que nos ajuda a não passar fome...até hoje não sei por que Naraku me permitiu isso...sabe fazer parte duma banda...ele até assiste aos shows, lembra que você foi num show meu? Ele estava lá, com Sesshoumaru.

Kagome arregalou os olhos se lembrando – Eu lembro! Ele falou comigo! Ele mexeu comigo...queria as minhas bebidas e Sesshoumaru falou para ele me deixar em paz e que eu era só uma criança...

— Sério? Eu não vi isso...não me lembro disso e Sesshy não me disse nada...que estranho...

— Vai ver ele não me reconheceu talvez...

— Não sei... — ele ficou em silêncio por uns segundos.

— Então aquele cara que é o Naraku... – Kagome afirmou.

— Sim, aquele é o cara...ele não parece tão ameaçador, mas as coisas que já vi ele fazer... – Inuyasha balançou a Kagome e todo seu corpo estremeceu como se tivesse levado um choque. Ele respirou fundo e abraçou Kagome de encontro ao corpo — Naraku tentou de todo jeito nos tornar viciados, mas Sesshoumaru colocou bom senso na minha cabeça, ele não permitiu que eu fosse usuário...devo muito ao meu irmão Kagome... – ele balançou a cabeça pensativo, suspirou — Desde que você voltou ao Japão, não tenho feito meu serviço corretamente...todas as vezes que eu sumia e me afastava de você, era por que eu temia que alguém me descobrisse vindo aqui ao invés de fazer o meu trabalho, Sesshy me aconselhou a me afastar de ti Kagome, mas eu não consigo.

— V-Você acha mesmo que eles me matariam por isso?

— Sim...eu acho que sim, talvez só pelo fato de pensarem que você sabe de algo. Temo por sua vida Kagome...eu nunca devia ter me envolvido contigo, mas como já te disse eu não consigo! É mais forte do que eu! Desde que você chegou tenho estado a sua volta como se eu fosse um viciado e você a minha droga.

Kagome sorriu com a comparação dele. O abraçou apertado e ficaram em silêncio uns minutos.

Ele parecia tão frágil e deprimido que Kagome não sabia o que pensar. Ela respirou fundo e tratou de pensar em outra coisa para perguntar à ele, para não vê-lo tão angustiado — E seu pai continua na cadeia? – perguntou.

— Sim, o demônio...continua lá. Mandando no tráfico pelo celular. – ele fechou a mão em punhos — O Naraku faz tudo que ele manda, eu não entendo por que!

— E como seu pai entrou nessa? – ela indagou.

— Eu não sei Kagome...acho que foi antes até dele conhecer minha mãe...eu realmente não sei...

— E Shippo sabe sobre a mãe dele?

— Não, eu nunca tive coragem de contar...

Kagome o soltou – Vem, você não terminou de comer – ela o puxou até a mesa e os dois se sentaram novamente. Inuyasha voltou a comer e ficou imaginando o que se passava na cabeça da garota. Ambos comeram em silêncio e de repente Kagome indagou:

— E a banda? Como começou?

— A banda – ele parou para pensar — Bem, eu conheci o Bankotsu quando eu tinha treze anos, ele adorava rock e a mãe dele sempre o incentivou a tocar, ele então disse que queria montar uma banda, mas eu não fazia ideia de como tocar um instrumento musical, na época eu já escrevia os meus textos lá, mas nem havia pensado em transformar aquilo em músicas e quando mostrei pro Ban, ele se interessou; a mãe dele me apresentou a uma amiga dela que era professora de musica e ela me perguntou que instrumento eu queria tocar...sempre achei as guitarras o máximo, então ela me ensinou, logo em seguida conhecemos as gêmeas e o Ramires e de repente a banda estava formada, o Ban e eu somos muito bons na criação de melodias, ritmos, as letras ele deixa para mim mesmo, e eu adoro escrever...e o Ramires e as garotas são muito gente boa.

— É eu gosto muito do som que vocês fazem e as letras são incríveis. – ela sorriu.

Ele sorriu – É, 90% sou eu quem escrevo.

— Eu sei, e olha você consegue colocar seus sentimentos para fora através de suas musicas. É bom isso, agora consigo entender um pouco o que as letras significaram.

— É...eu passei por tanta coisa, a musica foi meu consolo. – ele disse, de repente ele olhou para ela – Me lembrei de algo que eu fiz...eu ameacei o Inumaru. – ele soltou de uma vez.

— O quê? – ela perguntou.

— Sim, é que bem... ele estava me seguindo, alguém poderia ver isso e ele podia se dar mal...e além disso não quero que ninguém além de você saiba da vida que tenho. Apesar de agora ele saber que ando armado. – ele titubeou.

— Espera. O que exatamente você fez? – Kagome perguntou com os olhos arregalados.

— Ah, nada demais – ele disse sem fita-la nos olhos – Lhe dei uma chave de pescoço e pressionei o revolver nas costas dele. – percebendo que Kagome continuava de olhos arregalados ele continuou – Eu não fiz nenhum mal à ele, veja bem! Poderia ter lhe dado uma surra e olha que ele mereceria por ter me seguido! Humpf! – ele cruzou os braços em frente ao peito de forma defensiva — Mas não fiz nada, só lhe dei um ultimato para que me deixasse em paz! Podia ter tido consequências graves, por sorte foi somente Yura quem o viu, foi ela que me alertou na verdade.

Kagome fechou a cara à menção do nome da outra, mas soltou um suspiro longo e resignado então disse – Ok, mas ele parou de te seguir? Eu bem que notei que ele estava mudado, muito estranho na verdade.

Inuyasha lhe mandou um olhar culpado – É...agora você sabe por que ele estava estranho, a ameaça foi bem eficaz. – ele disse coçando o queixo.

Kagome balançou a cabeça, só Inuyasha para fazer algo assim, mas ia relevar, nada de mal acontecera. – Mas você acabou revelando para ele algo com isso né?

— Lógico, mas ele foi esperto e depois que percebeu o perigo, não me incomodou mais desde então, e eu permiti que ele fosse seu amigo, eu disse para ele que não ligava para isso.

— Ah, você permitiu é?

Inuyasha teve a cara de pau de sorrir – Sim, permiti, não vejo problemas em você ter amigos – ele deixou de sorrir e a olhou seriamente — E na época era até bom que tivesse sempre gente de olho em você por causa da ameaça do Justin também.

Kagome assentiu compreendendo. – Entendo, bom pelo menos agora eu sei o por que dele ter ficado esquisito.

Inuyasha assentiu e disse — Antes disso ele tinha me procurado no colégio, veio me bater, mas eu coloquei ele para correr, daí ele resolveu me seguir o idiota!

— Hey! Eu lembro que teve um dia que ele sumiu mesmo e que a Ayame o estava procurando.

— Isso! Ele veio me confrontar, pronto para me bater, o babaca, — ele revirou os olhos — Eu o prendi com uma chave de pescoço e lhe disse para não se meter comigo, mas ele teve a ideia brilhante de me seguir, tive que fazer algo mais drástico.

— Foi melhor assim então, ele continuou meu amigo, apesar de amuado e morrendo de ciúmes, mas deixou de te atazanar. – ela concluiu – E pelo menos ele não corre mais perigo indo atrás de você.

— Claro, por que se ele descobre algo que não deve Kagome – ele balançou a cabeça – Pode dar queima de arquivo, pela ameaça que ele poderia representar. Eu to te contando tudo por que eu confio em você, eu te amo, sei que não vai me prejudicar.

Kagome sorriu para ele – Eu te amo também Inu, nunca faria algo para te prejudicar – ela se debruçou e roçou a boca na dele. Inuyasha se aproveitou e aprofundou o contato lhe segurando pela nuca. Kagome sorriu contra os lábios dele, se perdendo no sabor da boca quente e macia de seu amado. Ela fechou os olhos e permitiu que ele lhe explorasse a boca, explorando a dele em troca com avidez.

Eles se separaram depois que alguns minutos, Kagome suspirou e lhe disse – Hum... Sabe acabei de me lembrar de algo, e a Rin onde que ela entra nessa história? Por que sei que ela sabe de alguma coisa, ela não quis me contar quando estava ensaiando com a banda.

— A Rin – ele respirou fundo pensando em como explicar — Conheceu o Sesshy num dos meus primeiros shows, isso há uns três anos atrás, e depois de um tempo começou a namorar ele. Ela sabe sobre tudo que nos aconteceu e o Naraku e todo o pessoal lá a conhece, mas ninguém mexe com ela, o Sesshoumaru sabe ser muito ruim quando é preciso ser, ele tem que ser durão – tomou fôlego e remexeu no restante do macarrão com os palitinhos e continuou– O Sesshoumaru nunca deixou que ninguém batesse em mim ou no Shippo, ele sempre tomou as nossas dores e nos protegeu, ele amadureceu muito depressa, parece bem mais velho do que a idade que tem, ele nos protege e cuida da gente, ele no fim foi mais pai para mim do que meu pai foi em toda sua vida, apesar dele ser só uns anos mais velho do que eu – ele balançou a cabeça e largou novamente os hashis na mesa – Eu nunca entendi quais foram as intenções do meu pai ao nos mandar para o Naraku, não é como se o cara fosse ser um pai para a gente – ele revirou os olhos – O cara é um monstro, só quer saber de ganhar dinheiro, mata e manda matar sem piedade...eu não sei por que ele obedece as ordens do meu pai, apesar dele não permitir que nenhum de nós tenha contato com meu pai, que é outra coisa que não entendo, tenho medo do que ele vai fazer se descobrir que eu visitei meu pai...– ele falou e Kagome notou quando ele estremeceu.

— Você foi visitar seu pai? – ela perguntou surpresa.

Ele assentiu e disse — Eu fiz algo terrível...

Kagome notou quando ele coçou a cabeça e remexeu os pés, em pleno sinal de nervoso e desconforto. Ela continuou fitando-o interrogativamente e ele suspirou, se levantou e mais uma vez voltou a andar pela cozinha, Kagome o seguiu, ele se apoiou contra a pia e a garota parou ao lado dele.

— Você disse que não queria segredos entre nós, mas acho que depois disso não vai nem querer saber mais de mim. – ele disse com a voz triste, e olhou para os próprios pés. Kagome se aproximou dele e pegou-o pelo queixo obrigando-o a fita-la nos olhos.

— O que foi? – ela indagou com o coração apertado.

— Eu fui ver meu pai... – ele respirou fundo e fechou os olhos, não tinha coragem de dizer olhando nos olhos dela – Eu fui até a cadeia...

— Inuyasha... – o homem de cabelos brancos e cumpridos o cumprimentou quando o garoto se sentou na cadeira em frente a janela de vidro que os separava.

O garoto olhou nos olhos do homem sem acreditar que estava olhando novamente nos olhos do assassino frio e nojento de sua mãe. Ele parecia muito diferente da imagem que ele guardava na cabeça, parecia muitos anos mais velho não somente cinco, o rosto duro, o olhar totalmente gelado...Inuyasha não pode evitar lembrar-se da ultima vez que olhara naqueles olhos..ele acabava de ter matado sua mãe e estava indo para mata-lo, as mãos fortes lhe agarrando o pescoço.

Sem perceber Inuyasha colocou a mão no pescoço como se sentisse a dor novamente.

— Quanto tempo garoto, Naraku tem ordens para não deixar nenhum de vocês me visitar. Portanto o que faz aqui?

Inuyasha o fitou cheio de ódio, concentrou-se no que deveria dizer e não em responder ao maldito e jogar-lhe na cara todo o ódio que sentia – Preciso de um favor seu. — Inutaisho arqueou as sobrancelhas e o garoto continuou – Nunca te pedi nada, você sabe disso. Tem um cara que foi preso esses dias, ele está aqui com você, o nome dele é Justin é um estuprador de crianças...eu quero que você dê cabo dele.

Inutaisho o olhou com expressão neutra, Inuyasha por um instante pensou que o pai negaria.

— E por que eu deveria fazer isso?

— Por que estou te pedindo...você já tirou tudo de mim...não me deixou nada...faço tudo que você manda...minha vida é sua...o que mais você quer? – sua voz soava baixa e neutra pelo telefone, suas emoções completamente ocultas, não revelaria ao pai como o simples fato de olha-lo nos olhos o abalava.

Inutaisho continuou a fita-lo por uns instantes. – Feito, mas por que o quer morto?

— Não basta saber que ele abusa de crianças?

— Não, para você vir aqui, sabendo que lhe é proibido, para você se arriscar a tanto, deve ser algo importante.

Inuyasha o olhou e mentiu – Ele tentou abusar de Shippo.

Por um instante a expressão de Inutaisho ficou dura e desconfiada.

— Não creio que algo assim possa ter acontecido, Naraku teria me dito.

Inuyasha sentiu o corpo gelar, devia ter pensado antes de vir fazer essa loucura.

— Sei que mente garoto, e muito mal, mas não vou questiona-lo mais, considere feito, para que saiba que sei ser generoso. Gosto de ver que finalmente se tornou um homem e não um moleque chorão atrás das saias da mamãe, teve coragem de vir até aqui, isso é bom sinal. – o homem se levantou e deixou o garoto paralisado olhando para a cadeira vazia sem ter a chance de responder.

Ele terminou de falar e Kagome se afastou dele deu uns passos para trás se sentindo zonza. Ela encostou-se na pia e antes que caísse no chão Inuyasha a segurou.

Kagome acordou sentindo algo gelado tocando suas bochechas. Afastou a coisa indesejada de si abrindo os olhos um tanto confusa.

— Graças a Deus você acordou – ouviu Inuyasha dizer soltando um suspiro de alívio.

Assim que seus olhos ganharam foco viu que estava deitada em sua cama com Inuyasha sentado a seu lado de frente para ela, descobriu o que era o objeto gelado, um pano molhado que estava nas mãos dele. – Quase que eu entrei em pânico, você apagou e me deu o maior susto, eu não sabia o que fazer, imagina se sua mãe me pega lá na cozinha com você desmaiada e... – ele tagarelou visivelmente nervoso.

— Hey... – Kagome sussurrou tentando se sentar, ele a ajudou a sentar-se e indagou-a:

— Como se sente?

— Um pouco tonta... – Kagome afirmou com as mãos no rosto. – O que houve?

— Você desmaiou – ele hesitou – Quando te contei o que fiz... – ele mordeu o lábio apreensivo.

Kagome respirou fundo para retomar o fôlego, lembrou-se do que ele dissera e ficou em silêncio por uns segundos.

Então seus olhos se arregalaram quando percebeu que ele a carregara até o quarto – Você me trouxe até aqui?

— Claro, não ia te deixar largada lá no chão né? – ele retrucou.

— Eu sei, mas você poderia ter me deixado no sofá, ou sei lá. – ele não respondeu e sentou-se de frente para o armário, sem saber mais o que dizer.

O silêncio se instalou entre eles. A única coisa audível no cômodo eram as respirações um tanto aceleradas do casal.

— I-Inuyasha, você fez mesmo aquilo que me contou? – Kagome perguntou num sussurro.

Ele assentiu – E-Eu fiz, estava com tanto ódio. Com tanta raiva daquele cafajeste! – ele disse e Kagome o viu fechar as mãos em punhos. – Eu sei que o que fiz foi totalmente errado, mas, eu tava tão louco da vida naquele dia... E quando vi que ele ia ser levado para a mesma cadeia onde meu pai está...eu... Não pensei direito, fui até lá, e pedi pro meu pai para acabar com a vida daquele filho da puta. – ele disse e se levantou da cama, começou a andar em círculos, estava tão apreensivo, na certa Kagome o odiaria. O que poderia fazer sem ela na sua vida? Estava perdido... Arruinara tudo...

— O Justin está morto? – Kagome perguntou num fio de voz.

Inuyasha assentiu e não olhou para Kagome por medo da reação dela.

Silêncio.

Kagome refletiu sobre o que ele lhe contara por alguns minutos.

— Kagome, e-eu vou embora, s-se você não me quiser aqui, eu saio e... –Inuyasha ia dizendo indo em direção à janela, mas Kagome se levantou e o impediu.

— Não, eu não quero que você vá, eu só estou confusa – Não sabia se sentia-se aliviada ou horrorizada por saber que seu amado era o mandante da morte de seu ex—padrasto e quase violador e também ficara nervosa com as coisas que o pai dele dissera à ele – Me abraça? – ela pediu.

Inuyasha a abraçou e respirou fundo nos cabelos de Kagome. – V-Você me perdoa? – ele perguntou num mero sussurro.

— E-Eu não sei, não sei o que estou sentindo – ela afirmou olhando nos olhos dele – Acho que ainda estou em choque – ela fez uma pausa – O Justin está morto... Eu me sinto em conflito, uma parte de mim está aliviada que não tenho mais que me preocupar com ele, a outra... Eu não sei, não acho que seja certo o que você fez... Eu... – ele colocou um dedo sobre os lábios dela.

— Não é certo o que eu fiz, de forma alguma, ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa, Kagome – ele afirmou seriamente e seus olhos ficaram tristes – Mas já está feito. De certa forma eu me sinto sujo como se o tivesse matado com minhas próprias mãos. Eu senti vontade de fazer isso no dia que o peguei de calça arriada e vi você naquele banheiro – ele suspirou – Mas não o fiz, pensei nas conseqüências na hora, eu não quero ser preso, mas daí então eu senti tanto ódio, tanto, mas tanto que fiz algo que nunca pensei que faria, eu olhei nos olhos do assassino maldito que é meu pai e pedi que ele tirasse a vida de outra pessoa, e-eu não presto Kagome... Eu não te mereço.

— Inuyasha – ela chamou, colocando as mãos de cada lado do rosto dele – Eu sei que o que você fez é errado, não aprovo de forma alguma, mas...acalme-se ok?

Ela ficou em silêncio simplesmente olhando para ele por uns instantes, enquanto pensava em tudo que sabia agora sobre ele, a vida dele se resumia em dor e sofrimento, e o que ele fizera por ela...era inacreditável, ter a coragem de ir pedir uma coisa dessas ao pai que matou sua mãe na sua frente...é demais para processar...

Depois de alguns instantes ela falou — Se for pensar bem, você fez um favor para o mundo e eu sei que a sua intenção não era nem de feri-lo, mas sim me proteger, não é?

Ele assentiu e duas lágrimas grossas escaparam de seus olhos, Kagome inclinou-se, ficando nas pontas dos pés e beijou as pálpebras dele. – Me sinto tão perdida e confusa, mas não quero te perder Inuyasha, e-eu já havia tomado a minha decisão e eu quero estar contigo, não importa o que você fez, você é humano, assim como eu, todos nós cometemos erros, uns maiores que os outros, ou não. Mas...

— Kagome, o que eu fiz não tem perdão. – ele afirmou balançando a cabeça. – E o pior é saber que eu faria tudo de novo se soubesse que ele tinha a chance de te machucar outra vez – ele acariciou as bochechas de Kagome e impediu que uma lágrima escorresse pelo rosto dela.

— E-Eu acho que sei. Também senti ímpetos de matá-lo, seria em auto defesa, mas tinha tanto medo dele, tanto medo do que ele podia fazer! Sentia-me tão indefesa quando olhava para ele!

— Você não vai precisar sentir isso nunca mais. – ele afirmou olhando fixamente nos olhos dela. – Por minha causa, ele já não está mais entre nós. – ele respirou fundo – Tenho medo do que pode acontecer se Naraku descobrir que fui ver meu pai, eu não sei por que meu pai o proibiu de deixar nós o vermos, apesar que por mim ele poderia apodrecer na cadeia, jamais pensei que eu fosse ir vê-lo por vontade própria, mas eu fui por você Kagome...eu..

Kagome encostou seus lábios nos dele e pediu – Agora já está feito. Águas passadas não movem moinhos, não é mesmo? Pare de ficar se martirizando, o Justin era um cafajeste...eu...ele merecia morrer – ela disse com lágrimas nos olhos e Inuyasha a abraçou forte. Eles ficaram em silêncio e voltaram a se sentar na cama.

Alguns instantes depois ouviram a voz de Rumiko e Souta quando eles entraram em casa e Kagome correu para trancar a porta do quarto. Ela ficou parada com as costas encostadas na porta e olhou para Inuyasha. Seu anjo caído parecia tão deprimido, tão carente e indefeso.

Kagome foi até ele na cama e fez com que ele se deitasse, aconchegou-se ao corpo masculino e pediu – Você pode dormir aqui? Não quero ficar sozinha...eu não sei o que estou sentindo...

— Eu não deveria... – ele disse olhando para o relógio.

— É perigoso você ficar? Não quero te prejudicar...

Ele assentiu – É sim perigoso...mas não quero ir para casa agora – ele falou – Acho que..acho que não tem problema.

— Tem certeza? – ela indagou bocejando.

— Não – ele disse sorrindo – Mas eu fico.

Inuyasha beijou-a de leve nos lábios – Faço tudo por você, Kagome – ele sussurrou.

Ligou então para Sesshoumaru, ouviu um baita de um sermão, revirou os olhos contra o que o mais velho dizia e desligou o telefone.

— Sesshoumaru não aprova que você durma fora. – Kagome afirmou.

— É – ele assentiu – Ele não sabe que fui ver o nosso pai, se soubesse que eu desobedeci o Naraku, ele ia me esganar...mas não quero pensar nisso. – ele disse e se aproximou da cama onde Kagome já o esperava, ele tirou o tênis, deitou-se e a abraçou, Kagome o abraçou também, deu um selinho nele e fechou os olhos, um cansaço enorme se apoderou dela e em poucos minutos sentia-se entregue ao mundo dos sonhos, protegida nos braços de seu amado e dos pesadelos que a vida real reservara para as vidas deles.