Estranho Conhecido
12 Capítulo 12 - Revelações
Paradas na porta da boate Sango exclamou: — Olha Kagome, aqui tem uns gatinhos, ein... – ela disse observando um garoto alto e moreno, com cabelos compridos e negros presos numa grossa trança. Seus olhos azuis brilhavam no escuro. – Ele não para de olhar para cá. – ela sorriu para o garoto, que abriu um largo sorriso em resposta.
Kagome observou a cena, com um sorriso brincando em seus lábios. A Sango não tinha jeito, sempre atraía os mais gatos. Apesar de estar sofrendo com a falta do namorado Sango se esforçava para parecer a vontade e até flertava para demonstrar isso.
Quando chegaram enfim a entrada da boate, mostraram a identidade e entraram. O espaço estava lotado de gente, uma atmosfera de fumaça e luzes tomava a cena, a música alta vibrava nas caixas de som.
As duas sorriram uma para a outra e se juntaram a galera, dançando animadamente.
A musica era eletrizante, a fumaça e as luzes de neon piscando não permitiam que fosse possível enxergar com clareza os corpos que se agitavam na pista de dança. Kagome se sentia livre como não se sentia a muito tempo! Somente deixando o corpo balançar ao ritmo do som.
— Sango, vou pegar algo para beber. – Kagome disse no ouvido de Sango por causa da música. Já estavam dançando há algum tempo. Ambas se encontravam suadas.
— Ta legal – gritou Sango continuando a dançar.
Kagome se enfiou no meio do pessoal, indo em direção ao balcão de bebidas.
— Oi. Me vê uma Smirnoff ice. – disse ela, entregando o papel à balconista para que fosse marcado o consumo.
A balconista loira com cara de tédio entregou a ela sua bebida.
Kagome se encostou ao balcão e ficou observando o movimento, muitos garotos estavam parados ao lado dela, olhando-a sugestivamente. Ela sorriu para eles e deu um longo gole em sua bebida gelada. Não dando bola aos rapazes, voltou a pista de dança.
Naquela noite estava afim de dançar. Só dançar, o ritmo da música era contagiante, sentia-se livre finalmente, livre de seus problemas, livre de todos os sentimentos confusos que haviam se apoderado dela nesses últimos tempos. Só havia ela e a musica.
Alguns rapazes se aproximaram para dançar com ela, e o mais educadamente possível ela os dispensou. Não queria mais saber de ninguém, precisava ficar sozinha por uns tempos, devia ser a única solução para seu coração já muito ferido.
A luz piscava com intensidade em seus olhos e o suor escorria por sua testa e costas. Já era quase meia noite quando Kagome informou Sango de que iria ao banheiro.
Kagome entrou no banheiro que por incrível que pareça, estava vazio. Analisou seu rosto no espelho, apagando com a ponta dos dedos os traços de maquiagem que já estavam borrados por causa do suor. Lavou as mãos e o rosto, sentindo o frescor da água gelada. Sorriu para seu reflexo no espelho, finalmente depois de tanto tempo sentia-se leve sem que o peso do mundo estivesse sobre seus ombros, seus problemas temporariamente esquecidos.
Quando saía do banheiro, algo negro entrou na sua frente, por causa do escuro não conseguia ver o que era, tentou ir para o lado, e percebeu que era um homem muito alto que trancava sua passagem, receosa ela ergueu os olhos.
Jamais teria imaginado encontrar aquele homem novamente! Gelo se espalhou por suas veias e ela sentiu o coração parar, pânico tomando conta de si.
— Nos encontramos de novo, princesa. – ele falou com um sorriso nos lábios, impediu a passagem dela a rodeando com seus braços fortes, prendendo-a contra a parede. – Dessa vez você não escapa.
Kagome sentiu um frio na barriga, medo cru tomava seu corpo, estava paralisada. Conhecia bem aquela voz asquerosa, aqueles olhos frios e doentios, aquela voz; a voz do homem que quase a estuprara, a voz de seu padrasto!
Memórias terríveis lhe assomaram a mente num flash rápido. Seus pais se divorciando. Seu pai trocando a mãe e a família pela secretária loira e peituda que trabalhava com ele, o desprezo que o pai tratou a família, preferindo a loira falsa aos filhos e esposa. Sua mãe triste e desamparada conhecendo Justin, um cara alto e forte em seus plenos trinta anos, cinco anos mais novo que sua mãe, bonito e charmoso.
A imagem de sua mãe levando Justin para morar com ela; sua mãe destroçada pela traição do marido, fraca e de coração ferido, apaixonando-se por um canalha psicopata que tudo que queria era ter a ela, a jovem Kagome na cama, a virgem intocada.
A memória do quase incidente lhe percorreu a mente, seus gritos por socorro enquanto ele rasgava suas roupas.
Sua mãe na ocasião estava fora trabalhando, Souta estava na casa de um vizinho a algumas quadras dali e ela sozinha em casa fora pega desprevenida. Justin já havia ameaçado pega-la a força algumas vezes, mas ela vendo a mãe mais feliz depois de conhecer Justin, ficou calada, não sabia o que fazer, tinha medo dele e não sabia se sua mãe acreditaria nela, afinal ele era um doce quando sua mãe estava por perto. Ela mesma não acreditava que um homem tão belo como ele fosse capaz de cometer um ato tão atroz como aquele.
A sorte e Deus estava ao lado dela naquele dia, pois a vizinha fofoqueira que morava na casa ao lado ouvira seus apelos de socorro e a polícia chegara prontamente para salva-la das mãos daquele louco.
Voltando ao presente Kagome viu-se atada aquele homem novamente, uma faca fazia-se sentir na lateral de sua cintura, a frieza da lâmina enviando choques por seu corpo, o escuro não permitia que ninguém visse o que acontecia.
— Se gritar, eu te mato aqui mesmo. Não tenho medo de ser preso, já fugi antes, posso fazer de novo, foi muito difícil seguir seus passos até aqui e não imaginava que você caísse nas minhas mãos tão rápido e de surpresa assim, minha princesa, quase não acreditei quando te vi dançando, tão linda, tão sexy – ele sussurrou em seu ouvido, virando-a para que andasse a sua frente indo para a saída da boate, seu corpo fortemente pressionado ao dela, ela sentia a evidência de seu desejo doentio por ela a pressionando e isso fazia com que seu coração batesse em alta velocidade no peito, o medo tomando conta dela. – Imaginei que voltaria para sua cidade natal, mas não que te encontraria numa boate, você mudou, não parece mais tão inocente, mas isso é bom, isso é muito bom, fique quietinha e sorria, finja que está tudo bem, é só mais uma garota dando mole para o segurança, disfarce e não te machucarei.
Kagome se sentia tão assustada, o medo a assolava de uma maneira que não conseguia raciocinar, estava congelada. Entorpecida obedeceu ao comando de Justin e seguiu em frente em sentido a saída, presa no seu próprio medo e no medo do que iria acontecer dali a diante, Justin permitiu que se afastasse um pouco quando chegaram à saída da boate para não levantar suspeitas e para que ninguém visse a faca guardou-a no cinto e segurou Kagome firme pelo braço.
Quando o frio da rua atingiu seu corpo Kagome pensou que era o seu fim, ninguém a veria sendo levada por Justin, a rua estava consideravelmente vazia, logo chegariam a uma esquina e seria seu fim, ela sentiu novamente a faca em sua cintura, apesar de Justin se manter um pouco afastado, viraram a esquina e ela avistou um jovem a alguns metros a sua frente mexendo no celular, antes que ela pudesse pensar em pedir ajuda ele virou-se para ela e no momento que seus olhos se encontraram ele lhe abriu um largo sorriso. Justin percebendo, começou a se afastar disfarçadamente.
— Kagome! Quanto tempo! – o garoto disse se aproximando correndo e em seguida a abraçou sem perceber o homem logo atrás de Kagome que se afastava, Justin viu que perdera a oportunidade e se misturou com as sombras.
Kagome não sentindo mais a faca na sua cintura olhou para trás e não viu mais sinais de Justin. Abraçou-se com força a Miroku e começou a chorar em desespero.
— Kagome! O que houve, por que chora? – Miroku perguntou confuso e depois abriu um sorriso galante – Sentiu tanta saudade assim de mim? – seu sorriso murchou ao ver o sofrimento estampado no rosto da garota – Kagome? – perguntou preocupado.
Kagome sentia sua voz presa na garganta, congelada ainda de medo não conseguiu falar e agarrou com mais força ao amigo.
— Kagome? Algo errado? – Miroku perguntou mais confuso e preocupado ainda, olhando em volta para ver o que podia ter deixado sua amiga tão estranha.
— Mi-Miroku – ela raspou a garganta tentando falar – Você acabou de salvar minha vida.
— O que? Como assim? – Miroku perguntou atônito.
— Você não viu o homem que estava atrás de mim? – ela perguntou ainda chorosa – Ele ia me violentar. – ela desatou a chorar novamente.
— O que? O segurança? Era a única pessoa que estava atrás de você, mas, cadê ele? – o garoto olhou em volta deles e não viu mais ninguém na rua somente alguns jovens dando risada a uns vinte metros dali na frente da boate. – Aqueles caras ali?
— O segurança, era o Justin, você não viu como ele estava com uma faca na minha cintura? — ela olhou a sua volta subitamente com medo de encontrar o homem novamente — Era o Justin, meu padrasto – ela repetiu em pânico.
— Calma, vamos sair daqui, eu não vi que ele estava tão próximo assim, vi que tinha um cara de preto vestido como os seguranças de boate atrás de você, mas me senti tão aliviado ao vê-la que nem reparei, estava aqui procurando a boate que... a cadê a Sango? Eu cheguei de viagem hoje e a Rin me disse que poderia encontrar você e a Sango aqui, ela me passou o endereço, mas me perdi e.. – ele balançou a cabeça — Cadê ela? O Justin a pegou?
— Não, acho que ele não a viu, ela deve estar lá dentro. – Kagome respondeu limpando as lágrimas, ela ainda estava abraçada a Miroku. De repente ela sentiu mais medo – Vamos voltar, vai que ele a viu, vai que ele a pegou?! Ao meu deus, venha Miroku! – ela virou-se e arrastando Miroku com ela, ambos correram para a boate.
O segurança barrou a entrada dos dois e Kagome desatou a explicar-se – Você viu o outro segurança que saiu a alguns segundos comigo? – mela começou a chorar e Miroku ajudou-a a explicar, o segurança pegou o celular e começou a falar rapidamente, logo mais dois seguranças chegaram e acompanharam Kagome e Miroku para dentro, eles encontraram Sango.
— Kagome, o que houve? Você está chorando? Miroku? O que está fazendo aqui e esses seguranças – Sango perguntou, sem entender nada
— Sango amor, precisamos sair daqui. – Miroku disse.
— Moça precisamos que explique tudo o que aconteceu ao gerente, venha – um dos seguranças falou.
— Como assim? – Sango perguntou.
— Venha, logo você ficará sabendo – Miroku avisou segurando-a pelo braço. Juntos os cinco seguiram para os fundos da boate onde Kagome e Miroku contaram tudo ao gerente, o qual explicou que era a primeira noite de trabalho de Justin que ele havia sido contratado naquele mesmo dia, portanto não sabiam muitas coisas sobre ele, o nome que ele dera era falso, dessa forma todos os documentos que apresentara também eram falsos. O gerente constrangido e nervoso com a situação, pois deveria ter checado os documentos para ver sua veracidade, se sentiu culpado e acompanhou os jovens à delegacia para prestar queixa.
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