Estranhas flores

3 Uma estranha viagem


Notas iniciais
Perdão pela demora de 1 mês para publicar este capítulo. Fico feliz que gostaram. Boa leitura. <3

A viagem iria percorrer por quase toda Europa, mais de 10 países e viagem de barco até chegarem na Noruega. Total de 10 dias de viagem a cavalo. O mais novo não acreditava que o Duque de Oslo fizesse esse mesmo caminho três vezes para o ver.

A carruagem era confortável, mas balançava demais, antes de embarcarem na viagem, Minos pagou por um alfaiate na cidade para providenciar roupas novas. Albafica não queria, mas como perdeu todas as suas vestes, aceitou apenas esse agrado do nobre.

Minos respeitou o espaço de Albafica ficando em silencio boa parte das primeiras horas de viagem. Até mesmo a visão do campo vista pela janela da carruagem o distraia um pouco. Nesse momento o lorde apenas ficava observando cada detalhe do outro, da maneira tímida que ele reagia quando percebia que estava sendo observado, como ele segurava seus braços cruzados ou tentando encontrar alguma posição confortável no acolchoado do assento do banco.

Para Minos, tudo nele era perfeito à medida que ia descobrindo mais sobre ele.

— Então... Você não é de falar muito. Eu presumo. — Puxou assunto. Viajar somente ouvindo os passos dos cavalos era entediante.

-...

— Em meu relógio estamos a três horas de viagem – Ele segurava um relógio de pulso preso a uma corrente de seu bolso. Temos bastante tempo até parar para descansar, não é bom viajar de noite por essas estradas. Muitos saqueadores...

Tudo que o mais novo queria era não ter que passar por mais uma realidade chocante em sua vida, capaz de nem resistir a outra desgraça. Suspirou.

— Daqui a algumas horas, antes do sol se pôr, podemos ficar numa estalagem. Não é de luxo, mas a habitação é adequada para uma noite. Não se preocupe com alimentação, eu cuidarei de tudo. Visto que passaremos 10 dias ou talvez 9 noites viajando... Até lá teremos bastante tempo para nos conhecer. O que você acha?

— Eu... Eu ainda não sei por que eu...

— Oh, você se lembrou da conversa que tivemos naquele dia.

— Eu... Ainda não acredito... Nem nos conhecíamos.

— Mas podemos nos conhecer. Posso começar? Sou Minos de Griffon. Assim como você, eu também tenho outros dois irmãos. — Albafica teve sua atenção quando disse isso. — Sou o mais velho.

— Você tem irmãos...?

— Sim. Estão espalhados pela Europa, cada um com sua vida, e eu buscando a minha. — Deu ênfase na sua última fala, justamente se referindo ao mais novo. — E então, e você. Albafica?

— Bem... Tenho 21 anos, sou o irmão mais novo da família. Eu morava com meus irmãos até eles... Irem embora. Eu trabalho... Quer dizer, trabalhava, não sei mais, na floricultura de minha família desde que me conheço por gente... Eu gosto de flores e plantas. Não tenho muito o que falar sobre minha vida... É só isso.

— Eu reparei que em seu pescoço tem um colar com pingente.

— Sim... — Mesmo escondido para dentro da roupa, ele reparou que Minos era bem observador. Ele retirou e mostrou um pingente de uma gema translúcida. -Era de meu pai, quando ele faleceu ele ficou para mim.

Seu pai... Sentia falta de sua família de como tudo era antigamente, a sua vida normal com seus irmãos.

Naquela época as coisas eram tão fáceis... Era uma vida tão gostosa de se viver...

— Bem, eu também possuo uma coisa que foi herdada para mim. -Desviando o assunto, visto que o mais novo estava desconfortável. Retirou do bolso o mesmo relógio que usou para ler as horas. — Este relógio está na minha família há gerações. Nele está gravado uma constelação da estrela celeste, que significa a Nobreza. Meus outros irmãos também possuem o mesmo relógio, mas com gravações diferentes.

— E o que significa isso?

-Você vai entender quando chegarmos de viagem.

...

Tempos passaram e já era de noite, pararam numa estalagem luxuosa de uma cidade em algum canto da Grécia. Comeram e se retiraram para os aposentos.

Albafica não conseguiu dormir ou imaginar estar com sono. De noite estava fugindo de um incêndio na noite anterior e de dia estava chorando, de tarde estava numa carruagem com um nobre viajando para sua nova vida. O que o destino estava fazendo com ele?

Seus pensamentos foram interrompidos com Minos, apenas de calça perguntando se ele iria se recolher para adormecer. Apenas deu uma desculpa que estava sem sono, e ficaria na janela olhando as estrelas.

Minos fez uma breve caminhada até ele e abaixou-se, aproximando seu rosto até o outro, Albafica reagiu indo para trás.

O que ele iria fazer tão perto!? Por que assim tão repentinamente?

Minos apenas riu e levantou-se.

— Está bem. Eu respeitarei o seu espaço...

Você não está pronto ainda.

— Só vim desejar boa noite – se afastou. — Até lá... Descanse, Albafica. Temos muita trilha pela frente até chegarmos no castelo.

O mais novo corou, não sabia o que ele iria fazer, se iria beijar ou apenas... ou beija-lo. Estava envergonhado quando observava o mesmo deitando e se cobrindo na cama.

Então era isso que casais faziam? Mas espere, não aceitou ser um casal com Minos, apenas iria morar com ele no castelo...

Lembrou o que Afrodite disse, “Se fosse comigo eu iria aceitar sem pensar duas vezes”.

Aquele novo mundo era muito estranho para ele, era tudo tão... Rápido, como as coisas aconteciam.

Minos gostava mesmo dele? Se não gostasse, porque ele passaria duas semanas para vir vê-lo? Por que era tudo tão confuso? Seria então assim que é estar em um relacionamento?

A noite passou e Albafica não conseguiu dormir, de manhã ele estava tentando se equilibrar enquanto sentado no banco da carroça e tentando cochilar ao mesmo tempo.

Minos riu.

Albafica ficou vermelho.

— Percebo que não conseguiu dormir a noite, o meu lado da cama estava vazio.

— Eu... Não sou acostumado a dormir com outra pessoa, eu sempre dormi sozinho.

— Não precisa se sentir desconfortável com isso. Você aprende a dormir acompanhado com o tempo.

Albafica se avermelhou.

Momentos depois ele estava ficando zonzo de sono, mas não queria dormir. Minos estava sentado à sua frente o observando, isso era estranho.

— Albafica – chamou-o. — Se quiser pode se encostar em mim e descansar.

— Não precisa.

— Não seja assim tão casto. Eu não mordo, não agora... – Disse malicioso. Ele que estava sentado no meio do assento, afastou pro lado convidando o mais novo para sentar ao seu lado. — Venha, só enquanto você descansa.

A barriga de Albafica gelou, nunca sentira isso antes, sentia-se envergonhado por estar com sono na frente dele. Ainda não estava acostumado com demonstração de afeto, ainda mais vinda dele. Para o mais novo, ele era um operário, um simples jardineiro, em contraste com ele, um nobre que viveu no luxo.

Eram de mundos completamente diferentes.

Albafica aceitou sentar do lado de Minos, mas timidamente se aproximava dele, e então o mais velho passa seu braço e o trás para mais perto assustando o florista.

Minos riu e o loiro olhou para cima com o rosto corado.

Seu rosto estava tão perto, estava para sentir a respiração, mas abaixou a cabeça apoiando em seu ombro.

“O que ele faria? O que fazer nessas horas? É assim que tem que ficar? Somos um casal de verdade? Mas estamos juntos a um dia, é assim que casais fazem? “

— Você tem cheiro de terra.

— M-me desculpe. Não tive tempo de me lavar.

— Não, não se desculpe. Eu também sinto um aroma de grama cortada vinda de você.

— Desculpe pelo cheiro.

— Não peça desculpas, eu gosto disso.

A diferença era que Albafica tinha cheiro das coisas que ele trabalhava, como terra, fertilizante, planta e flores, e Minos cheirava a perfume amadeirado.

Um turbilhão de pensamentos e sentimentos arremessava o florista e o obrigava a retornar.

Ficaram assim até Albafica esquecer a noção do tempo se acostumando com o contato do ombro de Minos e adormecer.

...

Segundo dia de viagem, meio dia.

Albafica acordava com um salto ao perceber que estava adormecido nas pernas de Minos como se fossem travesseiros. Estava envergonhado, não sabia quando foi que deitara. Se afastou do maior como se tivesse feito algo de errado.

— Não se preocupe, não é nada demais. — Sorriu. — Vamos embarcar para almoçar.

— Quantas tempo eu fiquei dormindo? — Ainda com as mãos no rosto cobrindo sua vermelhidão.

— Digamos que umas 5 horas.

— 5 horas? E você ficou esse tempo todo sem se mover?

— Claro, para não o acordar... Eu fiquei te olhando enquanto dormia, pensando nas coisas que faremos quando chegarmos ao castelo. — Disse maliciosamente. Albafica tremeu.

A carruagem parou e o cocheiro abriu a porta e então os dois saltaram. Albafica estranhou porque a carruagem estava andando sem eles e Minos respondeu que era para dar água aos cavalos.

O florista nunca tinha viajado para fora da Grécia ou da sua cidade natal, estavam num país com um país diferente, mas Minos dominava tão bem fluentemente o idioma local que no restaurante pediu um almoço caprichado.

— Aqui na Sérvia eles tem o costume de fazer linguiça recheada de carne móida, já comeste?

— Eu não tenho o costume de comer carne, só de frango e peixe, as vezes carne de cabra.

— Então esqueça o passado e experimente esta iguaria.

Albafica foi fisgado, foi fisgado como um peixe ao experimentar a comida, era uma nova culinária que experimentava, novos sabores, novos temperos e novas estradas.

Foi aí então que percebeu o caminho novo que sua vida estava seguindo. Embora quisesse continuar morando com seus irmãos, deixou um recado aos vizinhos caso um de seus irmãos voltarem para casa que estava morando com o Duque. Era tudo tão novo, ainda o assustava, mas estava sendo bom essa mudança.

O Duque de cabelos prateados cuidava tão bem dele, ele é uma boa pessoa, e seria um bom companheiro. Não sabia como seria sua vida a partir de agora, mas desde que Minos entrou em sua vida tudo estava tão bom.

Talvez deveria aceitar o afeto dele, mesmo que seja difícil para si. Mas como ele disse, talvez ele aprenda com o tempo.

Na viagem a tarde Albafica pensava nos casais que iam a floricultura, a maioria do tempo eram rapazes comprando flores para dar de presente a quem amava, donas de casa comprando arranjos de flores para enfeitar a casa. Era um misto de sentimentos e vontades, mesmo trabalhando desde pequeno com flores, nunca parou para viver um sentimento só seu.

Ou será que nunca se permitiu antes?

Na carruagem, como se já estivesse acostumado com o conforto do ombro de Minos, Albafica se permitiu em se aconchegar mais um pouco. Estava tendo mais confiança do Duque a passos lentos, e o mais velho dava sinais de que o acompanharia em seu ritmo.

...

Ao anoitecer pararam numa estalagem no interior da Hungria, nesse ritmo de viagem chegariam a Alemanha em dois dias ou 3.

— Você fez esse trajeto de ida e volta três vezes só para ir na floricultura? — Perguntou Albafica.

— Não, eu geralmente estou viajando pela Europa, ou a serviço ou a lazer e coincidiu de eu encontrar você na Grécia. Eu já estava a um tempo naquele país, mas não esperava te encontrar.

— Sabe... Ainda é difícil para eu acreditar na história de amor à primeira vista.

— Existem várias formas de amor, sabia? Assim como existem vários tipos de flores.

— Eu sei – Mentiu. Falando em flores, faz tempo que ficava fora de seu trabalho, havia perdido tudo e era estranho ficar sem trabalhar ou sem ter contato com flores, era tão presente em seu cotidiano que essa quebra de não fazer nada era muito estranho para ele.

Será que os nobres sentiam-se entediados já que não faziam nada ou trabalhavam?

-Sabe... Você sempre está me chamando pelo meu nome, eu sei se é apropriado eu chama-lo pelo seu nome.

— Pode me chamar de Minos, sem exigência alguma da minha parte.

Minos vestia uma camiseta social de seda branca e calça preta de linho. Albafica ainda vestia o sobretudo preto que o Duque comprou na alfaiataria da Grécia, já era o segundo dia usando apenas aquelas peças de roupas.

O de cabelos prateados se aproximou por trás do mais novo encostando seu peito em suas costas. A diferença de altura entre os dois eram mínimas, mas Minos era mais alto que Albafica.

O mais novo ficou olhando de lado o mais velho, até que ele se permitiu colocar uma de suas mãos em seu rosto e traze-la para perto da sua boca.

Foi o primeiro contato físico entre eles, um pequeno e delicado beijo.

Já tinha visto casais se beijarem na rua ou dentro da loja, mas nunca fizera isso. E agora era sua vez.

Era normal sentir frio na barriga? Uma pulsação no ventre.

Minos o virou para sua frente abraçando-o, agora os lábios estavam cada vez mais se preenchendo. Sentia o calor do corpo do mais velho, guiando-o com o corpo como se beija com mais intensidade.

Quando o menor entreabriu os lábios Minos introduziu sua língua tocando a outra. E então se separaram, Albafica se assustou.

Minos sorriu.

-Então, hoje irá querer dormir na cama?

Albafica não respondeu

-Bem, então irei me trocar para descansar. Deixarei com você a escolha.

Ele se virou e começou a retirar suas roupas ficando apenas com uma fina calça preta.

O mais novo fazendo o mesmo, começou a desabotoar os cintos e retirando o sobretudo revelando uma camiseta branca por dentro.

Mesmo crescido entre homens, era estranho tirar sua roupa na presença de outro de uma forma tão intima.

— Oh, então decidiu vir dormir comigo?

— Não, não é isso... Minos – pediu com delicadeza.

— Sim?

— Podemos dormir... de mãos dadas? É que eu ainda não sei como é dormir com outra pessoa... De forma de casal.

— De forma de casal? — Minos sorriu e Albafica se encolheu timidamente. -Bem, eu posso te ensinar como se dorme como um casal... Se você quiser.

Um estranho arrepio percorreu o corpo do menor.

— Há há há, estou brincando. — Se sentou na cama e ergueu a mão. — Venha.

Albafica ficou segundos sem reação ofendido pela risada do outro, mas resolveu acompanhar Minos e deu sua mão a ele, guiando-o a deitar-se na cama ao seu lado.

Deitado como uma pedra de tão tenso que estava, o mais velho se divertia.

— Quer mesmo saber como que se dorme como um casal? — O outro nada respondeu. — Você já dançou alguma vez na vida?

— Já. Danças típicas de festivais quando mais novo.

— Não nesse sentido. Você nunca dançou com alguém na cama?

— Como se dançaria numa cama? – foi uma pergunta genuína, sem sarcasmo ou ironia.

Minos riu. O outro fechou a cara, ele estava sempre se divertindo.

— Primeiro relaxe, vamos com calma... Depois nos aproximamos um do outro – Minos subiu ficando em cima do mais novo na cama que arregalou os olhos. — Primeiro um beijo de cumprimento – E beijou os lábios do menor. Albafica apenas cerrou os olhos sem se mover, não tinha par aonde fugir. — E agora, beijarei em outros lugares... — Se levantou e então afogou-se no pescoço entre a pele e a gola da camiseta, a aproximação fez o corpo do mais novo eletrizar e se afastar do mais velho.

— Vamos com calma... talvez você nunca tivera contato com outra pessoa assim antes, estou correto? – nenhuma resposta do outro lado, Minos estava falando com um Albafica de cara fechada. — Você, por acaso... nunca beijou antes?

Agora foi a reação do loiro azulado se reprimir na cama envergonhado. Não iria responder aquilo, embora já tinha presenciado Cardinale beijado outras garotas em sua presença e entre outras coisas como sexo... Das vezes que ele trazia alguém para casa a noite e pela manhã Afrodite as expulsaram.

O irmão do meio nunca conseguiu um relacionamento, por conta do seu temperamento, mas já teve tempos que ele preferia homens à mulheres, mesmo assim só poucos aguentavam uma relação com Afrodite. Já o mais novo, nunca. Aquilo era um mundo muito grande para alguém tão pequeno quanto ele.

A facilidade do irmão mais velho, a dificuldade do irmão do meio é a nula experiência do mais novo.

— Tudo bem não responder, mas não tem nada de cavalheirismo deixar alguém sem resposta na cama quando se estão deitados “como casal”

Albafica o fitou com a pequena iluminação da vela na cabeceira da cama. Como responder ele sem ser no automático? Devia sua vida a ele, pensou. Se não fosse por Minos, viraria um mendigo na cidade de Athenas, sem ter lugar para dormir ou comida para saciar sua fome.

— E-eu... não sei explicar... me perdoe. Mas eu não sei o que deu em mim. – escondeu seus olhos atrás das Palmas das mãos para esconder a face de choro.

“Se fosse comigo...”

Recordou de seu irmão, e pensou no que ele faria em seu lugar. Se entregar-se-ia a ele por inteiro. Seria possível um casal não se amar e estar junto?

Albafica não conseguia seguir em frente, realmente não amava ou sentia algo pelo nobre, só estava com ele porque teria um lar para ficar, e nessas lágrimas habitavam o sentimento de vergonha pois não queria revelar isso a ele, não agora que estavam tão longe da cidade Natal do mais novo. Não tinha mais para onde voltar.

Foi surpreendido pela mão do ariano que pegou cuidadosamente a sua e beijou-a. Com olhos fechados, ele se desculpou.

— Sinto muito. Percebo que estou indo muito rápido com você.

Afinal, você não está pronto.

Albafica o fitou, era a segunda vez que ele dizia isso a ele. O que ele queria dizer com isso?

Minos se ajeitou na cama saindo de cima do mais novo e apagou a vela sem falar nada. Entendeu aquilo como um boa noite, porém não conseguiu dormir naquela noite

Pensava que fizeram algo de errado, e que ele estava com raiva.

...

O dia começou e Albafica só conseguiu pegar no sono momentos antes de baterem na porta chamando-os para o desjejum da manhã.

Nesse dia não aconteceu nada excepcional durante a viagem. Nenhuma conversa iniciada pelo nobre, apenas alguns intervalos onde o cocheiro visava que os cavalos precisavam descansar ou para ambos almoçarem em alguma estalagem pela estrada.

Albafica não sabia onde estava, sua orientação geográfica fora de sua cidade Natal era péssima mas não perguntou a Minos.

Um de seus devaneios era a respeito de um sonho estranho que tivera durante um cochilo no percurso da carruagem. Esperava ter alguma lembrança de seu pai ou alguma aparição de seus irmão, mas tudo que lembrava que todo o azeite de oliva da cidade fora usado para encher uma única piscina. Isso foi uma loucura, queria compartilhar seu sonho com alguém, e esse alguém seria seu pai. Seus irmãos não eram tão chegados assim aos seus pensamentos e imaginação.

— Azeite de oliva... – falou inaudível sem reparar.

— O que?

— Não, nada. Eu não disse nada. – Enrubesceu. Foi pego no pulo sem perceber.

— Tive a impressão que você tinha dito algo. Mas deve ter sido minha imaginação. Você está a tanto tempo sem dizer algo.

Albafica ficou mais vermelho.

— Sinto muito por ontem...

— E pelo quê sentiria?

— Eu... eu não sei nada sobre relacionamentos. Embora meus irmãos sabem das coisas melhores do que eu... Eu pensei em várias coisas. De como minha vida mudou, eu não tenho mais pais, meus irmãos sumiram e perdi meu lar... e está sendo aqui com você que eu percebi que sem eles, eu não seria ninguém nessa vida.

Minos escutou tudo com atenção e em silêncio.

— Tudo mudara de um dia pro outro. Antes de ontem meu irmão mais velho, Cardinale sumiu, ontem meu irmão Afrodite também sumiu. E hoje eu perdi minha casa, meu emprego e agora eu estou aqui sentado esperando ir para sua residência morar... Eu não cheguei a agradecer a você... Minos, mas sem você eu provavelmente viraria um pedinte na ruas de Atenas.

— Você gostava de seus irmãos?

— Sim... muito.

— Se importaria de contar sobre eles?

— bem... Cardinale é o mais velho, ele era o único de nós três que tem olhos verdes. Ele era boêmio, nunca estava sem alguém, sempre com uma companhia. Afrodite era mais esquentado, mas ele tinha bom coração. O problema que ele era muito cabeça dura comigo....

E a melancolia veio.

-Minos...-pediu

— Sim? Sou todos a ouvidos.

— Será que na próxima cidade, eu poderia mandar uma carta? Caso algum deles voltem para a residência e encontrar ela toda destruída. Eles saberão onde eu estou.

— Mas é claro. Ao ver meu relógio estamos próximos do jantar. Os cavalos não andam a noite.

Pararam numa estalagem depois de algumas horas, já ultrapassando o limite dos equinos de descansarem.

A Nobreza pediu um prato que não estava no cardápio, fazendo com o que o estaleiro mandassem seus criados para comprar ingredientes e matéria prima Para o jantar.

Enquanto isso Albafica saboreava pão seco com azeite acompanhado com chá para forrar o estomago.

Naquela noite o pisciano revelou seu primeiro sorriso desde que saíra de casa ao olhar um vidro de azeite de oliva. Sorriso este que não foi perdido pelo grisalho.

— Você gosta de azeite de oliva?

— Sim, tive um sonho engraçado com ele.

Minos não elaborou, se aquilo o deixava feliz, não importava. Gostara do sorriso.

...

..

.


Notas finais
Este capítulo da viagem será dividido em dois. Obrigada por ter chegado até aqui. <3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.