Estranha realidade
1 Uma breve leitura de algo antes da história
Era o primeiro dia no ônibus que me levava à escola, embora tivesse quase na segunda semana de aula no colégio novo. Ao entrar, não havia muito bem onde sentar, todos os bancos estavam ocupados, exceto um, do lado da janela do lado esquerdo próximo ao menino que não parecia, a meu ver, alguém estranho, mas que beirava vagamente a solidão. Sentei- me e calado fui até o penúltimo quarteirão anterior a entrada do colégio. A sua voz baixa e lenta, perguntou:
—Você é novo por aqui?
—É, sou novato, tanto aqui, quanto na escola. — Respondi, tentando causar boa impressão a quem não causava à ninguém
—Tá gostando da experiência?- indagou tentando manter a comunicação
—É pra falar a verdade? — Falei, na tentativa de não ter que responder novamente
—É cara, pode falar! — refutou
—Olha, realmente não estou gostando- falei com ar de reprovação
—Não se preocupa, é só uma questão de tempo pra sua adaptação- falou buscando me reanimar
—É, assim espero,né?- respondi, buscando toda a minha esperança
Chegamos na escola, não nos vimos mais até a apresentação do sistema e dos funcionários e professores do estudantil na quadra, que o colégio faz em todo novo ano letivo, me aproximei do garoto como quem não quer nada
—Vem cá , como que é seu nome?- perguntei, tentando retomar a conversa
— Rafael, sem o ph mesmo e o seu?
—Ditan, mas escreve-se D-E-A-T-H-O-N — soletrei contra um dos motivos que mais me deixam enfurecidos em relação ao meu nome.
Era o primeiro amigo que conseguia em duas semanas, e meus 15 minutos de intervalo teriam sido preenchidos por conversas jogadas ao vento sobre leis físicas e histórias que geralmente, não apresentam lógica, mas são engraçadas.
Apesar de não ter me acostumado com o horário novo, sabia que ao fim do dia era o treino do time de hóquei da escola,pela primeira vez tinha decidido a ficar no campo, assistindo e vendo a seletiva dos jogadores no treino junto a Rafa, principal responsável pela minha presença ali.
Porém, Rafa havia descido para ver o jogo mais de perto, e eu tinha decidido a ficar ali e torcer para aquele time que primeiro começasse na frente do placar. Foi o de azul, apesar da promessa, mal prestei atenção no jogo, tava reanalisando alguns aspectos da minha caminhada até aquele dado momento. Até escutar uma gritaria que vinha do campo: Um atleta do time amarelo tinha se ferido e seu nariz tava sangrando, assustado com tamanha algazarra, fiz uma face de espanto sobre a situação que me era proposta. Um rapaz ao meu lado, que beirava uns 17 anos( idade alta para uma média de idade do 2° ano ,que eu atingia, de 15 anos) falava:
—Se acostume, é essa bagunça toda semana.
É sempre assim, você obrigatoriamente tem de se acostumar com aquilo que a vida lhe proporciona. E nós somos os únicos seres capazes de nos acostumar a tudo, e em sumo, é isso que os humanos fazem o tempo todo, se acostumam.
O jogo findou, tal qual placar foi 7x4 pro time de azul que cujo nome: Dalton blue, só descobri 3 horas mais tarde e era arquirrival do Derby yellow, time perdedor naquela noite. Só a crédito de curiosidade participar destes times tornava seus jogadores de certa forma, populares.
Fui para casa, não fui capaz de jantar ou passar meia hora dignamente acordado, dormi. No segundo dia da semana, dia de aula de cálculos, tudo normal,se não fosse a dor de cabeça que me causava um certo incômodo. Assim, de modo tranquilo, permaneceu as próximas duas semanas. O estranho ocorreu na semana seguinte, na quarta, algo me pareceu estranho e exatamente na hora de dormir.
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