Estranha Sensação

44 Sob as estrelas (+18)


Notas iniciais
⚠️ ALERTA ⚠️ Capítulo com descrição do ato sexual.

Y cómo decirte

Que no quiero que este amor sea pasajero

Que de pronto se dé un día y yo te espero

El destino no nos tiene que importar

Y cómo olvidarte

Si la vida me enseñó que vas primero

No me importa la distancia, yo te quiero

Y al final sé que a mi lado vas a estar

Cómo Mirarte— Sebastián Yatra

***

Heriberto sabia ser um homem romântico. Essa habilidade não vinha de ter vivido toda uma vida rodeado por mulheres e ser um conquistador, até porque sua vida havia sido o oposto disso. O romantismo de Heriberto vinha da sinceridade de seu amor, da paixão por Victoria, de tudo que só ela lhe podia despertar. Se depois do que eles viveriam aquela noite, eles não terminassem verdadeiramente unidos, é porque seu amor já não tinha remédio.

Victoria entrou no táxi e viu quando ele orientou o motorista bem baixinho, todo misterioso antes de se acomodar ao lado dela e sorrir ao segurar sua mão. Cada passo dele a fazia vibrar e, como ela havia dito a Antonieta, ao lado dele todas as dúvidas se desvaneciam e ela chegava a acreditar que o improvável era possível: ser feliz para sempre com o homem de sua vida.

— Você não vai mesmo me dizer onde estamos indo? — Ela indagou tentando entender o que ela poderia estar armando.

— É uma surpresa, meu amor. — Ele disse com aquele sorriso matador brincando com o queixo dela. — Só te adianto vou te levar para um lugar onde toda a realidade vai estar em perspectiva. Te garanto que essa vai ser uma noite inesquecível.

Ela sorriu e se viu de novo sonhando como uma adolescente, mas, àquela altura, já desfrutava quase se esquecendo de seus medos daquela sensação. Quando o táxi chegou à baía ela acreditou entender os planos de Heriberto, mas ele tinha ido muito mais além do que ela podia imaginar.

— Esta noite eu quero que você se esqueça do mundo, das maldades, mentiras e armações. Victoria, esta noite, só existimos você, eu, esse céu e esse mar.

Ela ainda o olhou hesitando, havia uma nuvem de insegurança em seus olhos. Ele então a puxou pela cintura e a beijou de um modo que Victoria se sentiu tão mulher que desejou fugir do mundo e viver unicamente aquele amor. Agarrou seu pescoço quase imediatamente, cada sensação daquele beijo a tirava do eixo e a fazia flutuar, era tão difícil não entregar-se e pensar depois. Mas ela sabia que não estava correto deixar tudo nas mãos do destino porque ela sabia o que queria. Ou, pelo menos, pensava que sabia.

Ao fim da baía, estava atracado um grande barco de Cruzeiro, completamente iluminado, cercado pela imensidão do mar, só de vê-la já se era possível sonhar. Victoria imediatamente recordou o quanto havia sonhado em fazer um cruzeiro em sua vida. Logo na entrada, foram recebidos por um homem muito bem vestido, provavelmente era o maître do lugar, que, Victoria entendeu se tratar de um restaurante que funcionava em um navio e tinha por objetivo transportar as pessoas, ainda que por algumas horas, para o universo de um cruzeiro, no meio do mar. Ao ouvir o nome de Heriberto, o homem os conduziu para uma varanda de uma cabine que propiciava privacidade e muito romantismo.

A sacada estava decorada de maneira muito romântica, uma mesa no centro, velas decorativas cilíndricas, um jantar em um carrinho ao lado da mesa que o mantinha aquecido e um vinho no gelo já os esperava para uma noite perfeita. Os olhos de Victoria brilhavam a cada novo espaço do ambiente descoberto, o maître desapareceu em segundos e Heriberto puxou a cadeira para que ela se sentasse.

— Uau! — Ela suspirou quando ele se sentou diante dela. — Isso é perfeito, Heriberto.

— E você ainda não viu tudo! — Exclamou ele misterioso.

De repente, o Cruzeiro começou a navegar e ela foi vendo a margem ficando lentamente distante, a cidade de Miami iluminada e olhou para Heriberto sorrindo interrogativa.

— É um restaurante-cruzeiro. — Ele explicou. — Nós vamos passar toda a noite velejando em alto mar e, amanhã de manhã, ele vai aportar do outro lado da baía aqui mesmo em Miami.

— Eu pensei que fosse um restaurante comum, que ficaria parado ali e, depois de jantar iríamos embora... Heriberto isso é... — não pôde evitar suspirar — perfeito!

— Esta noite, esse mar, esse céu e esse luar são todos nossos. — Ele disse romântico. — Assim como essa varanda e a cabine atrás dela. Um brinde a isso! — Ele convidou sorrindo com a taça de vinho na mão.

Depois do jantar foram para um grande sofá na mesma varanda privativa e ficaram ali tomando vinho ao som da maresia, observando o céu, sentindo a brisa do mar, acalentados pelas estrelas exalando amor de modo que era impossível não senti-lo no ar, em cada detalhe.

— Eu acho que nunca tive uma noite assim. — Ela comentou acomodando-se no peito dele sentindo seu cheiro, seu aconchego, seu desejo pulsante no ritmo de seu coração.

— Então é porque você nunca foi amada como eu te amo. — Ele respondeu emoldurando o rosto dela para que ela o olhasse. — É porque você nunca foi amada como você merece, Victoria.

A declaração precedeu a beijos intensos e devoradores, uma entrega que começa muito antes da penetração, uma paixão que ocupa o ambiente, fica no ar e entra no corpo através da respiração que vai ficando agitada conforme o corpo pede ainda mais contato de pele, conjunção de almas gêmeas que só se satisfazem na consolidação completa do desejo.

O sofá era redondo, perfeito para que um casal flamejante se deleitasse com a paixão que desbordava deles, mais que suficiente para que eles pudessem fazer explodir todo aquele desejo que os consumia interna e intensamente. Um calafrio de prazer percorreu o corpo de Victoria quando depois de vigorosas preliminares, Heriberto puxou suas pernas e encaixou seu pênis à sua vagina enxarcada. Estremeceu com o suave movimento do navio sobre as ondas e foi maravilhoso sentir o membro de Heriberto deslizando na entrada de sua feminilidade que o recebia desejosa, satisfeita com ele dentro dela.

Sob as estrelas, ele lhe enchia de prazer dos pés à cabeça com beijos, carícias e instintos selvagens enquanto Victoria se sentia levitar até aquele céu iluminado à cada estocada de seu homem, sensação da qual ela podia desfrutar até o amanhecer e depois, fim de semana adentro sem se cansar. O mar estava calmo, diferente do tsunami que acontecia dentro daquela cabine, em cima daquele sofá, dentro de seus corpos que esbraseavam-se em suor tamanho o calor à que estavam expostos, calor proveniente do fogo da paixão.

Os gemidos de volúpia foram ficando mais intensos enquanto seu pênis inchado de prazer deleitava-se por entre suas paredes em movimentos de contração até que aquele intenso formigamento do orgasmo fez com que Victoria gritasse agarrada ao ombro de Heriberto e visse aquelas estrelas do céu movimentarem-se no ritmo da pulsação do auge quase como se elas a envolvessem. Ele também não demorou muito a urrar ao sentir o peso que vem com a ejaculação apertando a cintura dela com toda àquela força do desejo enquanto ela sentiu o peso de seu corpo cansado sobre ela, suada, cansada, satisfeita e acalentada pelas estrelas.

— E então? Se arrepende? — Indagou ele aninhando-a em seus braços observando o céu que parecia ficar ainda mais bonito a cada minuto daquela noite.

— Eu só me arrependeria de não ter vivido esse momento. — Ela respondeu sorrindo acariciando seu peito coberto por pelos em parte grisalhos. — Heriberto, eu te amo. Te amo muito mais do que um dia eu imaginei amar alguém e é por isso que...

— Eu sei! — Ele respondeu compreendendo a hesitação dela. — Eu sei exatamente o que você está sentindo e tudo de que você tem medo. É por isso que eu preciso te dizer que essa noite não acabou.

— Não? — Ela indagou com um sorriso. —Ainda há mais surpresas?

— Sim! Uma muito importante.

Ele esticou a mão até o bolso do terno que estava na borda do sofá-chaise onde estavam acomodados e tirou uma caixinha quadrada vermelha, da cor da paixão que vibrava forte entre eles. Se afastou para sentar-se, acomodado seguido por ela, pegou sua mão direita e, com o olhar fixo no fundo dos olhos dela, fez a pergunta que ela havia esperado vinte anos para ouvir dele:

— Victoria Sandoval, você quer se casar comigo?

***