Estilhaços de Nós
1 Enlace Rompido
Ainda não sei ao certo o que aconteceu entre a gente, as vezes penso que fomos tempestade na vida um do outro, em outros momentos, penso que fomos brisas de uma primavera repleta de sonhos e flores, em outro, acredito que tenhamos chegado ao estágio de árvores secas com suas folhas e esperanças no chão... Mas em dias como hoje... Tudo que consigo sentir é o frio do inverno, atravessando cada camada da minha pele e chegando no mais fundo possível... Meu coração.
E de todas as formas fico ansiando que o verão me visite e traga com ele um pouco de calor para aquecer minha saudade, para me fazer, por breves instantes, descongelar do estado em que me encontro agora. A sua falta tem me feito sangrar, mais do que qualquer ferimento exposto. Sua falta me tem trazido à tona dores antigas, mágoas passadas e a sensação de não ter de volta aquilo que tanto almejei por anos e anos a fio...
Nos dias em que choro, lembro do seu sorriso... Nos dias em que minha alma se torna inquieta, lembro dos seus abraços apertados e aconchegantes... Nos dias em que sinto o peso do mundo nas costas, lembro do calor do seu corpo no meu... E nos dias em que sinto a solidão se apossar de cada pedaço de quem sou, lembro da sua voz sussurrando suave em meu ouvido "Estou aqui!", e então desabo! Olho pro meu lado e a cama está vazia, nada tem mas cor, nem graça, nem jeito, nem nada...
E então me dou conta que depois da sua partida tudo que me restou foi o nada... O vazio, a saudade, as lembranças, as dúvidas, tudo se transforma em um enorme "nada" porque não há você... Não há conversa, não há reconciliação, não há nada mais para consertar.
Fomos quebrados, e requebrados, e esmagados em mil pedaços dolorosos espalhados por cada lugar em que passamos juntos... Estamos estilhaçados pelos bares da cidade que frequentamos sozinhos na intenção de apagar a falta que sentimos... Fomos transformados em partes vazias em uma ventania.
Busco na memória uma forma de recomeçar, uma maneira de me reconectar com o mundo, mas como me ligar novamente com os outros se já não estou conectado a mim? Meu eu, já não é meu... Foi embora contigo... Foi com seu coração no dia do adeus.
E ficou com você naquele maldito dia, quando seus braços me apertaram ao ponto de sentir que nunca mais me soltaria... Quando seu sorriso mergulhou em mim e ficou marcado na minha mente como uma tatuagem... Quando sua voz me jurou amor eterno... Quando seus lábios encontraram os meus pela última vez em uma despedida muda de quem sabia que estava tudo ruindo ao nosso redor e em nós.
E o abraço que pra mim foi casa, se transformou em construção destruída. Os beijos que me acalentavam e me atiçavam se tornaram lembrança amarga. O sorriso virou sombra no rosto endurecido. A voz virou uma brisa sem força passando por mim apenas para dizer que não voltaria. E as mãos que seguravam meu mundo... Soltaram-me no vazio. E já não adiantava me acalentar sozinho, já não adiantava gritar seu nome em silêncio em pensamentos pelas madrugadas gélidas, já não adiantava lembrar do que éramos... Tudo foi reduzido a pó... Menos a saudade.
Não sei se fomos um mal necessário na vida um do outro, se fomos a experiência que faltava para aprender algumas lições... Mas sei que foi o amor que eu não precisava sentir para depois não ter. Sei que foi o carinho que eu não precisava ter para depois despertar no vazio. Sei que era o calor que eu preferia não conhecer para depois não achar o mesmo em nenhum lugar.
E não importa o quanto eu busque, outras bocas não me completam, outros abraços não me aconchegam, outros corpos não me saciam, outras vozes não eriçam minha pele... Outros sorrisos não me trazem paz. E ninguém se compara a você.
Ainda me questionou qual finalidade tivemos nesse tempo, acreditei que iríamos e estaríamos na mesma direção, planos, sonhos, anseios, e me percebi sozinho no meio da estrada. E onde achei que era morada, se transformou em contrato com prazo para acabar... E o final... Devastador. Nos levou tudo, destruiu tudo, mas mesmo que eu siga negando, o amor se mantém intacto!
Um pouco mais maduro, mais cheio de marcas, com algumas dores e lembranças dolorosas das vezes em que nos machucamos com palavras, mas o amor permanece em mim, como uma flor que brota no meio das pedras, e ainda que com as pétalas machucadas, sem folhas, sem o viço natural, sigo firme alimentando e me atormentando com esse sentimento que só faz se avolumar em mim ao ponto de me sufocar e me fazer desejar que tudo acabe.
Não sei ao certo o que me mantém vivo, Lionel, nem sei se realmente estou vivo, mas sei que ainda o amo, como nenhum outro jamais conseguirá. Esse Alejandro, talvez não se pareça com aquele que conheceu numa biblioteca ao acaso, mas ainda mantém a essência de dizer que te amar é o meu maior e mais belo pecado!
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