Este Inferno De Amar
1 Capítulo Único
Notas iniciais
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Emma já não tinha mais lágrimas a derramar. Não sabia há quanto tempo estivera sobre aquela ponte chorando e a única coisa que se ouvia junto ao correr vagaroso do rio eram seus soluços de dor.
Sua mente se fixava na imagem repugnante que vira há pouco tempo. O aperto que se formava em seu peito parecia esmagar lentamente seu coração, a dor lancinante não era real, mas se fazia presente da pior maneira possível em forma de lembranças.
Seus sentimentos confusos mudavam-se a cada momento: ora raiva, ora tristeza e ora repulsa. E mesmo assim não conseguia deixar de amar aquela mulher.
Afeto. Para algumas pessoas acontece à primeira vista, parece que é o destino exercendo sua magia. E é ótimo quando acontece, mas para outros é um pouco menos romântico, é complicado e confuso. E assim era o relacionamento de Emma e Regina, com momentos raros e oportunidades perdidas pelo simples fato de não saber o que dizer, quando era preciso dizer. Mas de vez em quando por obra do acaso, alguma coisa acontece e as empurra pra frente fazendo-as pensar que talvez não fosse tão ruim tentar.
Emma não sabia o que a esperava quando encarou aquelas cobres negras e profundas que a fizeram hipnotizar no primeiro momento.
De que adianta viver num sonho onde tudo parece harmonioso e em paz quando não se tem objetivos? Ela precisava de algo para começar a viver e aquela morena havia se tornado seu sonho.
Esse sonho se concretizara, pelo menos em parte.
Depois de tempos de relutância e medo, as duas decidiram se entregar ao que tanto lhes apertava o coração: a paixão.
Emma lembrava-se de cada furtiva noite que se deleitava com a linda morena em seus braços e não se arrependia, pois quando estava com Regina, seu mundo estava completo. Queria tê-la para si todos os dias, mas ela era comprometida com Graham e isso deixava Emma aturdida e em parte nervosa. O relacionamento das duas não passava de passadas no escritório da prefeita e madrugadas no quarto da mesma sem que ninguém soubesse, e era bom — deuses como era — mas Emma queria algo mais do que apenas sexo. Ela queria saber se Regina sentia o mesmo que ela.
Nada pior que ter um amor não correspondido. E disso a loira temia. Ela dizia para Regina desistir de Graham e a morena a prometera, mas nunca o cumpriu. O tempo só passava e Emma já não conseguia ter apenas rapidinhas com a prefeita sem lhe falar o que sentia. Foi então que resolveu se abrir e tirar esse peso do peito.
A respiração ofegante das duas era incontrolável e o cheiro de sexo no ar era inconfundível. E foi ali, no chão do gabinete exuberante da prefeita que aquelas três palavras soaram firmes e apaixonadas da boca da loira. Como um sopro elas chegaram ao ouvido da morena que encarava a sub-xerife com uma expressão de confusão. Tudo que Regina queria era corresponder a loira a seu lado e dizer que também a amava, mas seus sentimentos eram confusos demais para serem compreendidos até por ela mesma. Tinha que por tudo em ordem primeiro, não era nada fácil cuidar de dois relacionamentos. A verdade era que Regina já tinha ouvido um “Eu te amo” no mesmo dia, de Graham. Não conseguiu lidar com ele e acabou fugindo, e o que faria agora?
O silêncio durou minutos que se pareceram horas para Emma que ansiava pela resposta da morena. Um baixar daqueles olhos castanhos foi o suficiente para a loira entender que não era correspondida. Apenas pegou suas roupas e jurou para si mesma com lágrimas nos olhos de nunca mais entrar naquela sala novamente.
Como pode o amor ser uma força, uma antítese, construtiva e destrutiva? O amor é vida, mas quando se frustra ou se transforma em paixão, pode levar à destruição, à infelicidade.
O juramento de Emma pode ter perdurado, mas a tormenta e a inquietação não a deixaram nem por um segundo sequer. Esperava de verdade que Regina, que agora sabia ser amada por ela, fosse se separar de Graham e quando isso acontecesse, a morena iria se declarar.
Quão ingênua.
Seu filete de esperança se esvaiu no momento em que viu Graham segurando a mão de Regina em plena praça pública à noite. Não havia mais ninguém na rua e espera... Ele estava de joelhos? As lágrimas vieram instantaneamente ao ver um anel ser posto no dedo anelar da mão esquerda de Regina. A repulsa chegou quando os dois selaram os lábios em um beijo apaixonado.
O vazio e a angústia se apossaram de Emma e ela sabia que havia perdido Regina para sempre.
Dirigiu vários quilômetros com seu carro sem rumo até chegar à ponte abandonada no meio da floresta e lá ficou sendo consumida pela dor e o vazio, sem esperança. Quando parou de chorar Emma resolveu abraçar sua solidão que por mais pesarosa que fosse fazia parte de quem ela era. Antes de conhecer e se deixar levar por Regina, antes de tocar o amor, sua vida era um sonho sereno e doce do qual foi despertado. Depois de ter essa paixão atormentada e viver fortes emoções marcadas por uma luta entre contrários, a loira se conformou por isso, afinal, ela mesma dizia que só começou a viver de fato depois de ter conhecido o amor num dia em que a lua dava muita luz.
Só se começa a viver quando se começa a sofrer de amor. Essa frase se passou na mente de Emma e ela se decidiu. De que adianta viver sem o amor se ele equivale apenas a um sonho distante e insípido?
Emma que por sua vez se encontrava sentada na beira da ponte com os pés balançando a beira do abismo, se levantou e se pôs a olhar para o rio que ainda corria vagarosamente entre as pedras lá embaixo. Aos poucos foi tirando suas botas seguidas de sua jaqueta vermelha. As lágrimas que há tempos havia sessado agora voltavam manchando seu rosto branco e angelical. Não queria prolongar mais aquele sofrimento, apenas fechou os olhos e respirou fundo pronta para a queda que viria em seguida.
- EMMA! – aquela voz ecoou em sua mente a fazendo despertar – Emma, não faça isso. Por favor!
Regina gritava ofegante. O desespero se tornou ainda maior ao ver Emma quase se jogando do alto da ponte.
- O que você está fazendo aqui? – Emma perguntou seca – E não chegue perto de mim. – ela repreendeu Regina que tentava se aproximar aos poucos.
- O que eu estou fazendo aqui? Eu estou te impedindo de acabar com a sua vida. O que te deu na cabeça?
- Você ainda pergunta o que me deu na cabeça? A culpa é sua Regina, e você sabe muito bem disso. – as lágrimas agora se tornavam incontroláveis.
- Emma... não complique mais as coisas. Podemos ir embora, por favor? – Regina estava a uns cinco metros de Emma e tentava se aproximar devagar, pois sabia que se chegasse rápido demais a loira certamente não pensaria duas vezes antes de pular.
- Não chegue perto de mim! – Emma gritou e Regina decidiu obedecer – O que você acha? Que eu sou seu cachorrinho pra ficar obedecendo a ordens quando lhe convém? Pois saiba que eu não sou o Graham e eu faço o que eu quiser com a minha vida. – suas palavras saiam cheias de mágoa e ela se virou novamente para a beira da ponte evitando olhar para Regina.
- O que você quer que eu faça? Eu já terminei com Graham, não era isso que você queria?
Emma revirou os olhos diante da mentira. – Se aceitar um anel de noivado significa terminar um relacionamento me explica como funciona porque isso é muito novo pra mim.
- Emma eu falo a verdade. Graham me pediu em casamento sim, mas depois que ele colocou o anel no meu dedo eu percebi que ele não era e nunca será... – Regina estava relutante em falar, não queria perder Emma então ela disse apenas o que estava em seu coração – a pessoa que eu amo.
Emma virou para encontrar os olhos de Regina. Ela chorava e o arrependimento estava estampado em seu rosto. A loira ainda processava o que acabara de ouvir. Regina tinha dito que a amava?
- Você disse que me a...
- Sim Emma. Sim! Eu te amo. Demorei tempo demais pra pensar nisso e eu me odeio todos os dias por ter feito você sofrer. Desculpe-me. Eu não quero te perder. – Regina disse fraca.
- Eu também não quero te perder. – Emma se sentia enfim feliz. A dor que apertava seu coração foi se esvaindo dando lugar a tranquilidade e a certeza de ser correspondida.
- Então não fique longe. – Regina foi se aproximando novamente e desta vez Emma não reclamou, porém continuou parada onde estava à beira da ponte – Vem, vamos sair daqui. – Regina estendeu sua mão para Emma ficando a poucos centímetros da loira. Emma abriu um sorriso e deu meia volta para ficar perto da morena, mas em um descuido seu pé escorregou na beirada da ponte e ela sentiu cair.
- EMMA! – Regina se desesperou e rapidamente estendeu sua mão agarrando a loira pelo braço.
Por pouco Emma não cai da ponte. Regina foi levantando-a devagar até ela ficar em pé novamente.
- Meu Deus, não faça isso nunca mais. Você quase me matou do coração. – repreendeu Regina ainda se recuperando do susto. Emma também tinha se assustado, mas um susto não se comparava a alegria que ela sentia.
- Você me salvou. – Emma segurou o rosto de Regina e depositou seus lábios nos da morena. Era um simples selar de lábios. Um agradecimento.
Elas se separam e logo ambas se abraçam matando a saudade uma da outra.
- Eu não sei o que faria se você tivesse se jogado dessa ponte. – Regina falava em meio ao abraço chorando. Seus olhares se encontraram novamente. Testa na testa – Eu te amo tanto.
Emma limpou uma lágrima solitária que escorreu no rosto da morena – Eu também te amo. Com todas as minhas forças.
Os lábios se escovaram num beijo calmo e apaixonado apenas para selar a certeza de que elas nunca mais iriam se separam.
O amor é sinônimo de sofrimento, mas também é a razão maior da própria vida.
Notas finais
Xoxo :)
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