Eu vim do barro

E fui moldada pelas sua mãos, para me tornar a estátua mais bonita do seu jardim

Você me deu braços e pernas, me colocou em várias poses

Mas nunca me deu uma voz

Você me endureceu com suas palavras rudes e atitudes frias

Você me enfeitou com lindas flores, tecidos finos e joias brilhantes

Mas pintou minha pele em tons de violeta

Você se gabava de ter a estátua mais linda entre todas, exibia sua obra para que todos pudessem ver

Mas seus olhos não deixam o jardim vizinho

Você começou a apontar meus defeitos, minhas rachaduras e trincos, minha pele pálida e desbotada e meus olhos sem vida

Eu era a estátua mais linda do seu jardim, até o dia que deixei de ser

Você colocou outra entre as flores que eram minhas

Você a cobriu com as joias e tecidos que haviam sido meus

Você me substituiu por alguém melhor, e enquanto ela estava sob o sol

Você me desmontava na escuridão

Quebrando meus pedaços e me tornando aquilo que eu havia sido um dia

Terra, mas não boa o suficiente para ser nova

Apenas um amontoado de poeira, que seria carregada pelo vento e se desfaria em lembranças

Notas finais
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