Mesmo que Jane estivesse bem, ela estava diferente mais magra, com os cabelos ralos e curtos, Maura via Jane deprimida por estar perdendo cabelo e tudo mais que a quimioterapia trazia. E na intenção de deixar a amiga melhor ela já não era tão preocupada com roupas e saltos por mais incrível que pareça. Maura continuava impecável porem de uma forma mais simples, literalmente desceu do salto por Jane para que ela não ficasse encanada com a aparência.

Fazia tanto tempo que Maura não via Jane feliz, feliz de verdade como ela estava naquele momento elas estavam saindo do hospital, a fase de indução tinha terminado e o resultado do mielograma tinha sido melhor que o esperado, o doutor nem estava acreditando em como Jane estava respondendo ao tratamento, deu a noticia para elas muito feliz e como Maura mantinha Jane na linha ele até liberou que elas voltassem para Boston para matar a saudade de todos, já que estavam longe a pelo menos um mês.

Foram para casa trocaram de roupa e seguiram para o aeroporto elas estavam felizes conversavam animadas sobre tudo, decidiram chegar sem avisar para fazer uma surpresa a Ângela, Frank e Tommy. Quando chegaram Jane foi tomada por uma insegurança, medo de rever a família ela estava tão diferente elas estavam na verdade, Jane quis fugir como sempre, Jane e sua mania de fugir como se isso resolvesse as coisas. Então Maura a trouxe para realidade de novo pegaram um taxi e foram direto para casa de Maura já que Ângela com certeza estaria lá, no carro Jane tentava escapar do reencontro sem sucesso.

- Eu estou cansada hoje Maur... Eu quero só ir para o meu apartamento estou com saudade dele e de dormir sozinha também. – Jane disse fazendo uma cara de coitada e rindo de sua ironia sobre dormir sozinha.

- Você vai para seu apartamento depois de ver sua mãe ela esta louca de saudade, e não precisa se preocupar em dormir sozinha Jane. – Maura fez uma cara de eu também não agüentava mais. – Pretendo deixá-la durante todos esses dias em seu apartamento descansando de mim já que você terá no meu lugar a dona Ângela pra te controlar. Ela provocou.

Quando chegaram em casa, Maura abriu a porta e foi entrando assim que Ângela viu a filha ela correu e a abraçou tão forte que tirou o ar de Jane, Maura parou e ficou olhando aquela cena que para ela era a coisa mais linda do mundo.

- Jane! Você esta aqui como senti sua falta filha

- Oi ma, também senti sua falta. Jane disse se entregando ao abraço e retribuindo realmente havia sentido falta da mãe.

- E como você esta filha me conta? Maura nunca me dá detalhes de nada.

- Eu estou bem ma, o tratamento é pesado, mas estou me saindo bem o doutor disse que esta sendo melhor do que ele esperava.

Ângela então se afasta da filha e vai abraçar Maura, que estava olhando o reencontro de mãe e filha com um sorriso enorme.

- Oi Maura como você esta? Você não sabe como estava fazendo falta, quando você foi pra Nova York de repente e depois disse que não voltaria tão cedo fiquei preocupada e meio confusa.

- Estou bem! Eu imagino Ângela mais foi necessário, pra falar a verdade nem pensei só fiz.

- E como Jane se comportou? Ela te deu trabalho?

- Bom Jane é a Jane nada muito fora do comum – Maura disse rindo.

- Ma! Sério! Você tinha que perguntar isso pra mim ela me enlouqueceu com todas aquelas comidas naturais e horários pra tudo. Teve momentos em que pensei em matá-la enquanto ela dormia do meu lado. Ironizou.

- Jane eu estava cuidando de você. E saiba que vontade eu também tive, mas quando via você dormir tão tranqüila e vulnerável eu acabava esquecendo que durante o dia inteiro você tinha se dedicado a me tirar do serio. Maura disse com carinho.

- Sabe o que é pior de tudo Maur eu também fazia o mesmo, sempre que via você dormir esquecia como me enlouquecia acordada. Jane sorria

- Vocês dormiam juntas? Ângela estava confusa.

- Sim ma a casa em Nova York não é grande na verdade é do tamanho do meu apartamento e só tem um quarto com uma cama de casal.

- É mesmo me esqueci que quando você foi para Nova York estava com Casey.

- Sim ma.

- E o que aconteceu Jane? Eu ainda não entendi porque Casey voltou para o exército e a Maura não me explicou nada.

Nesse momento o clima que estava ótimo começou a pesar Jane mudou na hora que ouviu o nome de Casey ela estava com raiva já tinha esquecido o que havia passado com Casey, fazia semanas que não pensava nisso e agora sua mãe perguntando sobre isso fazendo ela relembrar tudo que sofreu.

- Eu não quero falar disso ma.

- Mas filha e o casamento como vai ficar com ele de volta no exército?

- Não vai ter casamento, acabou ma. Ele me deixou assim que fui internada na primeira semana em Nova York, e eu não quero falar sobre isso.

Jane estava quase descontrolada, Ângela estava confusa não sabia que Casey e Jane haviam terminado eles pareciam tão apaixonados ela queria saber o que havia acontecido entre eles, Maura vendo o estado de Jane se aproximou dela a confortando.

- Como te deixou? O que ele disse para você?

- NADA! ELE NÃO DISSE NADA! — Jane disse praticamente gritando sendo envolvida pelos braços de Maura.

- Como não disse nada? Isso não faz sentido Jane ele foi embora sem dizer nada não acho que ele seria capaz.

- Tem razão ma. Ele mandou uma enfermeira me entregar isso. — Disse jogando um papel na mesa – agora eu vou embora porque estou cansada da viagem e com saudade do meu apartamento. Tchau Maur... ma.

E saiu batendo a porta atrás de si deixando Maura e Ângela para trás uma olhando para a cara da outra. Maura sabia o que era aquele papel a carta de Casey, mas pensou que Jane tivesse jogado fora ou guardado em algum lugar não achou que estaria com ela, Jane não havia mostrado a carta para ela nunca soube o que Casey estava dizendo a Jane antes de ir. E agora a carta de Casey estava ali jogada na mesa.

- Maura o que é isso? – Ângela perguntou ainda sem entender.

- A carta que Casey deixou para Jane no dia que foi embora.

- Você sabe o que ele escreveu pra ela?

- Não Ângela, ela não me mostrou, seja o que for que esteja ai ela guardou só pra ela.

- Vamos ler Maura eu quero saber o que ele disse pra minha filha. – Ângela pegou o papel.

- Não acho uma boa idéia, Ângela isso é coisa da Jane.

- Ela é minha filha e sua amiga é coisa nossa e eu quero saber o ele disse antes de ir.

Com o papel na mão se aproximou de Maura e começaram a ler.

“ Jane sinto muito por tudo que esta acontecendo, amor eu sei que você não merece passar por nada disso, dói tanto de ver assim sofrendo, e sei que eu prometi estar com você nisso mas sinto que estou fazendo você sofrer mais... quando estamos juntos só sabemos brigar por tudo e eu vejo que você não esta feliz. Mas como poderia estar com tudo que esta acontecendo agora, vejo você chorando de madrugada quando pensa que eu já estou dormindo, e sinceramente amor... isso acaba comigo, queria ter o poder de acabar com todo esse sofrimento, mas eu não tenho, e também nem me sinto capaz de fazer com que tudo que você sente seja amenizado por eu estar aqui ao seu lado.

E eu te amo muito Jane mais do que tudo e por isso não posso ficar vendo você sofrer sem poder fazer exatamente nada para te ajudar. Se eu pudesse estar no seu lugar eu estaria, mas não posso... E não posso continuar vendo você se acabar desse jeito Jane eu não consigo.

Espero que um dia você me perdoe pelo que estou fazendo agora. Mas eu estou com medo... Tenho medo de te perder e eu não poderia ver isso acontecer você esta se entregando e precisa lutar e sei que sou um covarde, mas agora eu prefiro enfrentar uma guerra a ver você se entregar sem lutar para essa doença. Sinto que eu não sou a pessoa certa para te ajudar a passar por isso, e queria ser... Queria de verdade.

Mas acho que você vai ficar melhor sem mim.

Me perdoe Jane por favor, eu precisei escrever porque jamais conseguiria falar.

E nunca... Nunca conseguiria te dizer adeus Eu Te Amo...

Casey.”