Eduardo sempre foi uma pessoa esforçada, queria ser o orgulho da família, até porque as expectativas que estavam sobre ele eram gigantescas. Ele estava matriculado em tudo que podia preenchendo todo o seu tempo livre. Ocupava-se em tudo, cada vez mais fazendo coisas que ele pensava ser obrigatórias.

Com seu pai médico e sua mãe advogada, ele tinha que ser o destaque de tudo até porque ele não recebia apoio da família, ele recebia ordens. Algo que o mesmo julgava ser necessário pois como ele seria alguém na vida? Seus pais mesmo falavam isso. Com o tempo ele foi percebendo que não gostava de todas aquelas tarefas mas as que chamavam sua atenção não eram aquelas que agradariam seus pais. Pois aquilo era apenas lazer, e não trabalho de verdade. Então ele ia suprindo essa necessidade com suas tarefas.

Mas ele sabia que não era aquilo que queria, mas sabia que não poderia se opor agora.

Então ele aguentou.

Mas aguentou por muito tempo, pois desde criança ele já era disciplinado a fazer tudo aquilo que ele tinha que fazer, a vida dele era cronometrada e organizada até o dia da sua maturidade. O que ele não sabia é que aquilo ia adoecer ele. Entretanto seus pais viam aquilo como preguiça pois ele não estava dando tudo de si, e que alguma coisa estava tirando o seu foco. Com isso, seus pais o tiraram de seu lazer, que era aquilo que ele se empenhava a fazer e dava de alguma forma uma válvula de escape para ele, o que o fazia pensar em si um pouco e que o sustentava para enfrentar todo o resto.

Com o tempo, ele adoeceu de verdade, foi parando de comer, de entender as coisas que estava fazendo, até chegar ao ponto de ter crises de pânico e ansiedade. Ele já não entendia mais nada, pois era tudo o que “ele sonhou”, pensava ele, mas esse não eram seus sonhos, eram os de seus pais. Pais esse que não o viam como filho, e sim como um troféu, um prêmio a ser exibido para todos de uma família perfeita.

Ele não estava mais conseguindo sustentar tudo isso, ele chorava pelos cantos, se desesperava pois não conseguia mais manter seu ritmo e com mais medo ainda de decepcionar os pais. Mas não passava na cabeça dele que o problema foi o excesso de responsabilidade que os pais dele impuseram sobre ele. Isso já o maltratava tanto que ele não sabia mais quem era, se questionando se era verdadeiramente bom o suficiente, se comparado com seus pais.

Viu em um anúncio um concurso de desenho, ele acabou se inscrevendo sem contar aos seus pais. Ele foi e acabou ganhando o concurso, ele não conseguia acreditar naquilo, pois ele estava sentindo algo que não era só tristeza dentro dele, ele queria o mais rápido contar para seus pais sobre o feito. Mas já estavam sabendo disso pela televisão, eles não pareciam estar muito felizes com essa escolha dele. A cara deles era de desapontamento. E isso o quebrou de todas as formas possíveis. Tal ato o fez ter vergonha do seu próprio trabalho, fazendo-o abandonar esse lado dele que ascendia como energia solar, emanava brilho.

Era algo que ele era realmente bom.

Suas crises retornaram e seus pais já não o entendia

— Eu não entendo. Onde erramos? Ele era perfeito. — A voz de sua mãe ressoava enquanto sua visão estava borrada de lágrimas após outra crise. — Qual o problema com ele?

Isso já era insustentável para ele, o fazendo assim não desejar mais estar aqui.v