Notas iniciais
Consegui atualizar relativamente cedo! Agora com as férias vai ser mais seguido, espero ^^ http://www.youtube.com/watch?v=yESm5xiNH5s Dinho pelas ruas Agradeço mil os comentários, as favoritações e as indicações ^^

Ao ver Vitor se afastar daquela maneira, e percebendo o que havia feito, a Lia só lhe restava uma coisa a fazer.

– Ai! — Dinho exclamou ao receber o tapa da ex-namorada.

– Isso foi por me beijar! E isso...

– Lia! — Adriano levou a mão ao outro lado do rosto.

– Por ter sido na frente do meu namorado. — Enfurecida, a roqueira girou onde estava e partiu, acompanhada às pressas por Ju e Gil.

– Dinho, você não vai revidar? Nenhuma resposta que core a marrentinha, que vire o jogo? — Orelha questionou, confuso.

– Não é preciso, meu caro Orelha, ela sabe muito bem o que aconteceu. — Apoiando-se no amigo, um cambaleante Adriano respondeu, dando curtos tapas no ombro do nerd.

– Foi mal, Fatinha. A gente estragou a sua festa. — Dinho se desculpou.

A periguete afastou o rosto do hálito alcoolizado do melhor amigo e riu.

– Não seria o meu casamento se não causasse, né? E como eu sou a noiva e devo me comportar, que bom que foi você. E, por mais que eu goste do Vitor, eu não podia pedir melhor presente de casamento que você e a Lia tendo uma recaída na frente de todo mundo. — Fatinha completou o último detalhe às gargalhadas. — Agora dá licença, meu amor, que tá na minha hora de ficar com o amor da minha vida... O outro amor da minha vida, é claro. — Maria de Fátima acrescentou sorridente.

– Pode deixar que eu cuido dele, Facinha. — Orelha acrescentou ao perceber o olhar preocupado da funkeira para o estado de Dinho.

– Valeu, Orelha. — Fatinha agradeceu com um olhar de cumplicidade e correu para os braços de Bruno, que a pegou no colo, levando-a à limousine ao som dos gritos e assobios de seus amigos.

–x-

– Vitor! Eu pensei que fosse te encontrar aqui. — Lia se aproximou, entrando no jardim secreto do motoqueiro.

– Aposto que o Dinho tem um esconderijo mais legal. Por que você não vai atrás dele? — Vitor questionou, pronunciando o nome do rival com desprezo.

Ele me beijou! Não foi nada do que você está pensando que viu! Eu quero aquele idiota longe de mim! — Lia protestou.

– Você esqueceu a resposta mágica. — Vitor concluiu sarcasticamente.

– Q-que resposta? — Lia perguntou confusa.

– Que não foi atrás dele porque sou eu quem você ama, porque ele não significa mais nada e o beijo foi só um susto incômodo... Mas seria uma mentira, né? Eu vi como você ficou mexida com aquela música, naquele palco. Eu vi bem, e de camarote, assim como o beijo. Aquele maldito beijo ao qual você correspondeu como se estivesse tão bêbada quanto ele.

– Eu bebi na festa, ou você acha que não? Por que você acha que eu não estava bêbada? — A roqueira questionou, tentando parecer injustiçada como pôde.

– Não mente, Lia! Não era você que detestava mentiras?! Essa não é você! A Lia pela qual eu me apaixonei não era falsa desse jeito! Talvez por isso dizem por aí que vocês combinavam tanto, né? Dois sem caráter! Dois traidores! — Vitor gritou, assustando a garota, que não estava acostumada a vê-lo perder a compostura. — Foi só esse cara voltar! Dois segundos, e você já foi correndo pros braços dele! Essa não é a minha Lia, e essa Lia me dá nojo!

– Surpresa! Sim, essa sou eu! Essa é a verdadeira Lia! Eu minto, eu minto muito! Eu não sou perfeita como você! Eu sou humana, eu sou Lia Martins, a esquisita, — Lembrou-se do momento com Dinho na sala de robótica e teve que se controlar para não demonstrar fraqueza com a memória distante. — a marrentinha, — Outra lágrima controlada. — a mesma que traiu a melhor amiga por amar um cara que provou ser um canalha! — Nenhuma outra fora controlada. Lágrimas corriam rebeldes pelo rosto da loira. — E que, mesmo não prestando, ainda consegue mexer comigo! Não é algo que eu queira, nem um sentimento que eu possa controlar, e você vai ser também um canalha se me deixar sozinha nessa!

Não aguentava mais. Havia fingido por muito tempo ser outra pessoa. Não gostava de rosa, nem de maquiagem como as produções de Juliana no dia a dia, muito menos de roupas menores e mais coloridas que as de Fatinha. Era a esquisita que vestia a primeira roupa que encontrasse pela frente, que lavava o rosto, que no máximo aplicava uma maquiagem simples por insistência de Juliana, e ia para o colégio como estava. Era a marrentinha que respondia a tudo com uma resposta irônica e raramente era simpática de graça. Era a mesma Lia Martins que detestava filmes românticos e ia ao cinema com o namorado para ver filmes de terror — ou não ver, claro. Não era a namorada fofa e princesinha de Vitor. Havia se adequado o possível para começar do zero, para esquecer tudo que a lembrasse de Adriano, para que um príncipe como Vitor Machado a merecesse e a tratasse muito melhor do que Dinho a tratara.

Após o beijo de Adriano, porém, vendo o par dos sonhos à sua frente, enfim percebia que não queria um namorado perfeito, apenas aquele que amava, aquele que não era quem a encarava com dois decepcionados olhos azuis. Aquele que a conhecia e a amava como era, como Lia, a esquisita. Aquele que a chamava de marrentinha. Ainda que soubesse quem queria, no entanto, tampouco queria sofrer novamente. Por maiores que fossem as alegrias ao lado do garoto que amava, maior também era o sofrimento cada vez que o perdia, e não podia confiar que não o perderia novamente. Precisava ser forte, ignorar seus desejos e viver sua felicidade plástica ao lado de Vitor. Facas de plástico não cortam. Antes uma vida inofensiva de mentira, a sangrar novamente.

– Vitor, me escuta. — Lia segurou as mãos do namorado, que hesitou. — É claro que eu ainda gosto dele, o que aconteceu entre a gente foi muito forte, mas eu quero recomeçar. Foi por isso que eu mudei, é por isso que você não conhece a mesma Lia que eles, a Lia que eu era. Eu quero deixá-la no passado e preciso da sua ajuda pra que isso dê certo. Eu posso ter correspondido por causa desses malditos sentimentos que não vão embora, mas é com você que eu quero estar.

– E como eu posso ter certeza que você não vai me trair assim que encontrar o Dinho pela rua de novo?

– Se ele veio por mim, foi uma viagem em vão. Eu estou em outra e não pretendo cometer os mesmos erros do passado. — Lia tentou sorrir, beijando o namorado em seguida.

O beijo não lhe surtira nenhum efeito. Podia não sentir amor, nem desejo por Vitor, mas, pelo menos, tampouco sentiria dor.

–x-

Orelha havia se distraído com uma loira, e, enquanto Morgana cobrava satisfações, Dinho escapou da vista do nerd. Já havia aproveitado para matar a saudade dos amigos, e, por mais que tivesse sentido a falta de todos, sentia-se vazio. Não via Lia em lugar algum, e os olhos castanho-esverdeados da loira ainda assim o perseguiam. Precisava vê-la novamente, precisava tocá-la, beijá-la, tê-la consigo, como nos velhos tempos. Sua garganta ardia, sua cabeça dava voltas, mas precisava encontrá-la. Acompanhado de uma nova garrafa, roubada do bar do casamento, seguiu pelas ruas escuras e úmidas do Botafogo, procurando-a em cada canto. E a via em cada canto. Quando se aproximava, no entanto, a imagem fugia novamente.

Tropeçou no meio-fio e caiu de bruços sobre a calçada. Pôde salvar a garrafa, para seu alívio. Gritou, xingou, ouviu vizinhos reclamarem de suas janelas, e xingou de volta. Nenhuma das vozes era a dela, e todas eram. Lia Martins o assombrava como o assombrara todas as noites desde que partira. Bebia para esquecer o que havia feito e bebia para ouvi-la. Para vê-la nos anônimos rostos que não lhe interessavam, para encontrá-la no Marrocos, na Libéria, no Niger e pelo Saara adentro. Para tê-la ao seu lado antes de dormir e enquanto dormia, apenas para sentir sua falta ao acordar e voltar a beber como café-da-manhã, almoço e jantar. A bebida era-lhe como água, e Lia, sua sede, mas a sede nunca sanava.

E então a viu. Não era uma miragem, mas desejara que fosse. Quando finalmente a encontrou, preferia não tê-la encontrado. Não com ele, não naqueles braços. Foi quando sentiu a dor da queda, somada à dor de cabeça e à dor na garganta. Foi quando sentiu a garrafa escorregar e a ouviu se estilhaçar. Era o som que ouvia seu corpo emitir. Estilhaçava-se como a garrafa metade vazia de champagne, mas estava vazio por inteiro. Ali deitou, e, pela primeira vez desde que a conhecera, desejara haver deitado sozinho.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Mesmo se sentiram um aperto no peito como eu senti ao escrever esse capítulo, mas dias melhores virão, aguardem ;) críticas, sugestões e xingamentos por ter feito isso com o Dinho, ali embaixo no espacinho para escrever comentários ;) bJúús!!!