Notas iniciais
Perdoem-me o palavreado, mas.... Finalmente terminei de escrever saporra de cap, com o bloqueio gigante que eu tô, fiquei até surpresa que ficou desse tamanho, de longe o cap mais comprido da fic. Bem, eu espero que minha demora tenha valido a pena para vocês. Divirtam-se ou chorem, a escolha é de vocês, neste penúltimo cap. :)

Fukano desenhava. Como ele gostava de desenhar... Na verdade ele gostava de fazer muita coisa, mas aqueles desenhos que vinha fazendo a algum tempo tinham razões especiais para existir, e não somente aqueles desenhos, o menino escrevia muito e não soltava sua câmera Polaroide, tirando foto de tudo e todos, e colocando tudo dentro de um grande livro. Ninguém sabia ao certo o que o menino fazia, só sabiam que fazia.

Ele sorria, não era burro, sabia que estava morrendo aos poucos e de forma dolorosa, talvez, sempre soubesse que iria morrer, mas nem por isso parava de sorrir e isso afetava muito as pessoas a sua volta, não era raro as enfermeiras ou até mesmo os médicos saírem chorando de seu quarto. Fukano era um menino doce e gentil, sempre alegre, sempre sorrindo, parecia estar de bem com a vida, não sentia raiva, remorso, tristeza ou medo, apenas expressava alegria. Pessoas em estado semelhante ao dele estariam culpando tudo e todos, lamuriando-se 24h por dia, se perguntando porque Deus a abandonara, mas o pequeno Amamiya não, ele estava sempre transmitia uma força e felicidade que muitos procuravam entender como podia existir.

De fato, ele sempre soube que um dia iria morrer. Um dia todos morrem. Ele só não sabia quando e agora que sabe, ao contrario do esperado, ele não se queixava, ficava triste com muitas situações, mas quem olhasse diria que ele estava contente com a vida curta.

Só que ainda faltava uma coisa.

Mais um dia longo e cansativo de expediente, Shun estava cada vez mais arrasado, física e emocionalmente. No caminho do quarto de Fukano, Shun encontrou mais uma enfermeira chorando, ela estava cercada pelos colegas que tentavam acalmá-la de todas as formas, mas de nada adiantava, o virginiano mais velho sabia disso, Fukano tinha esse efeito sobre aqueles que o cercavam, mesmo que por apenas um dia.

Entrou no quarto, encontrando o menor encarando a janela com os fones do MP3, ele parecia absorto em pensamentos. Shun deixou o avental sobre a cômoda do quarto, afrouxou o aperto da gravata no pescoço e se deixou cair na cadeira, jogando a cabeça para trás e suspirando cansado, totalmente exausto e se preparando para mais uma vigília. Se ele desmaiasse de cansaço não seria surpresa alguma, não sabia nem como estava sendo considerado uma pessoa sã da cabeça.

¬ Papa...

Shun ergueu a cabeça e encontrou o olhar opaco, porém alegre de Fukano.

¬ Yo. — ele esboçou um sorriso cansado. — Como está?

¬ Bem. — respondeu sorridente. — Falar hoje. Mas... Papa... — o menino pareceu recear.

¬ Diga. — instigou.

Fukano estava com um claro receio de prosseguir, ele tinha medo da resposta de Shun e por uma boa razão, ou melhor, por uma conversa que teve com Asuma naquele mesmo dia. Ele não era burro, fez questão de dar ênfase nisso durante a conversa, queria saber a verdade. Quão mal ele estava? Asuma achou justo contar a verdade ao menino, contou-lhe que o tratamento não estava dando certo, mas que ainda havia esperança, mínima, porém havia.

Ele respirou fundo, tomando toda coragem necessária, sabia que a reação do mais velho, dependendo do nível de estresse em que se encontrava, poderia ir do choque à um acesso de raiva digno do Cavaleiro de Fênix. Ah, por Atena! Ele era um Amamiya, lidar com as explosões de seus iguais era fichinha.

¬ Papa. — chamou novamente. — Quero sair.

Shun demorou um pouco para reagir, pensou não ter escutado direito.

¬ NANI!? — reação totalmente compreensível.

¬ Onegai. — pediu. — Quero sair. Não ficar. Onegai. Quero mar. Areia. Grama. Mata. Céu. Arvore. Terra. Sair. Onegai.

Shun abaixou a cabeça, negou, escondeu o rosto, bufou e respirou fundo. Aquilo era loucura! Como podia levar o filho para longe de um hospital, sabendo que ele estava muito doente, sabendo que corria risco de morte, sabendo de tudo isso, como ele seria capaz? Ele bagunçava os cabelos, tentava respirar fundo várias vezes, contava até mil e um, só que isso não ajudava em nada, só parecia piorar a pressão que sentia. Ele agora encarava o olhar decidido de Fukano com uma expressão que misturava cansaço com amargura, estava com os braços cruzados e tentava a todo custo valer-se de sua autoridade, o que de nada estava valendo, o menino era tão teimoso e persistente tanto quanto ele.

¬ Você têm alguma noção do que esta me pedindo? — inqueriu de maneira severa.

Pela primeira vez viu lágrimas de tristeza e muita dor escorrerem pelo rosto do filho. Ver aquelas pequenas gotículas escorrerem de forma vagarosa pelo rosto contorcido do menor foi capaz de tirar-lhe o ar, de roubar-lhe o chão.

¬ Onegai. — pronunciou-se de maneira chorosa.

Shun não disse nada, acabaria cedendo a vontade do filho, teve de sair, fechou a porta atrás de si, deixando um triste Fukano para trás e dando de cara com alguns convidados inesperados. Hyoga, Seiya e Shiryu deviam ter acabado de chegar de seus respectivos trabalhos, estavam encostados a parede e não pareciam muito felizes, Asuma estava os acompanhando e parecia igualmente irritado.

¬ Shun... — começou o aquariano. — O que custa fazer, o que pode ser, a última vontade do seu filho?

¬ Está nã...

¬ Shun! — cortou o sagitariano. — Asuma nos contou o estado de Fukano. Não somos médicos, nem nada, só que não somos idiotas. — afirmou.

¬ Sabemos que o tratamento não esta dando certo nem de longe. — completou o libriano. — Se um doador de medula não aparecer logo, ele certamente irá morrer.

¬ Ele não vai morrer!

¬ Ele VAI morrer! — ditou Asuma. — E você sabe disso. Ele ainda tem uma mínima esperança, mas até essa última esperança esta sumindo. Você é médico, Shun! Acorde! Veja a verdade, não se finja de cego! Seu filho esta morrendo e por mais que escondamos isso dele, Fukano sente que sua hora está chegando e ele só quer ver o mundo lá fora uma vez mais. — todos podiam ver as lágrimas escorrendo pelo rosto do virginiano. — Essa pode ser a última oportunidade dele.

Shun não desviava o olhar, chorava, mas não seria dobrado com tanta facilidade. Era Fukano de quem eles estavam falando, era o filho dele. ZEUS!! COMO ELES PODIAM DIZER ESSAS COISAS?! Eles sabem muito bem como o virginiano é, sabem muito bem como ele esta se sentindo com isso tudo e vem falando uma coisa dessas. Falando que ele devia encarar a verdade, como se ele já não estivesse fazendo isso há muito tempo. Falando que não tinha mais escapatória, como se ele não visse a vida de Fukano se esvair aos poucos todos os dias. Falando que já estava na hora de deixar o menino ir, por favor, essa parte não merece nem comentários.

Se o objetivo deles era rasgar o coração do menor, eles estavam obtendo sucesso.

¬ Shun. — chamou-lhe Hyoga. — Eu sei pelo que você está passando. De uma forma diferente, mas eu sei. — ele aproximou-se de Shun com um olhar mais condolente. — Sei o quanto é doloroso só ver uma pessoa que você ama morrer e você não poder fazer nada para ajudar, somente assistir. Sei que ninguém aqui esta preparado no caso do pior acontecer, mas você deve entender que isso é uma possibilidade e você deve aceitá-la, mesmo não sendo em nada agradável. — o lábio inferior de Shun tremia um pouco, era óbvio que ele estava segurando o choro. — Shun. Fukano é seu filho, tenho certeza que você deseja o melhor para ele, sendo capaz de matar e morrer por aquele menino, só que você não esta vendo que o melhor para ele, muitas vezes, pode ser apenas fazê-lo feliz. — explicou pacientemente. — Sei que ele sorri todos os dias, todas as vezes que venho ele está sorrindo, mas ele não quer apenas sorrir, ele quer ser feliz.

¬ Ah, é?! — questionou. — Como você sabe o que ele quer?

¬ Porque ele me contou. — respondeu. — Ele contou para todos que entraram naquele quarto. Ele quer sair, Shun. Ele quer ver o mundo além desse hospital nem que seja mais uma vez. Ele quer experimentar o mundo nem que seja mais uma vez. — declarou. — Ele quer se sentir livre como era antes de entrar nesse hospital uma vez mais.

O silencio reinou por um longo tempo, pareciam que eles tinham parado no tempo.

¬ Eu te odeio. — comentou Shun. — Sabia? — aquelas palavras fizeram o russo sorrir.

¬ Sei. Você sempre me diz isso quando tenho razão. — afirmou. — Agora. De meia volta e vai falar com o menino.

Shun deu um pequeno sorriso e virou-se, para voltar a falar com o filho. Encontrou-o chorando silenciosamente, sentindo o coração bater forte contra o peito, se aproximou de Fukano enquanto limpava os últimos resquícios de que também tinha chorado. Sentia o cosmo dos amigos bem próximos a porta, o que não era nenhuma surpresa, eram todos curiosos.

Sentou-se na mesma cadeira com um longo suspiro, Hyoga estava certo, mas também não deixava de estar errado. Fukano precisava daquele tratamento para continuar seguindo em frente, porém não merecia ficar preso à um leito, não merecia passar todos os dias olhando para um teto ou paredes brancas, não merecia ter que dormir embalado pelo som das maquinas que acompanhavam seu batimento cardíaco e sua atividade cerebral, não merecia ter o incomodo de ficar com agulhas espetadas no braço, ele não merecia nada daquilo. Nada. Porque logo ele? Porque? Certa vez, ele respondeu que era o seu destino, ele só existia para conquistar a Armadura de Sírius e mais nada, do contrario, não teria nascido na época tão precisa e nem tão forte quanto era, ele só estava ali como um figurante da história, entra e sai sem que ninguém perceba.

De onde raio aquele menino tinha tirado uma coisa dessas?!

¬ Fukano... — o menino levou um susto e secou as lágrimas o mais rápido que podia.

¬ Nani?! — outro suspiro do mais velho.

¬ Esteja pronto amanhã bem cedo. — ditou. — Nós vamos à um lugar importante.

Fukano o encarou espantado. Não estava acreditando no que ouvia, agora pouco poderia jurar que Shun gritaria Não aos cinco ventos.

¬ E-eu... sair?

¬ Hai! — um sorriso carinhoso adornou os lábios do mais velho.

Não houve tempo nem mesmo para piscar os olhos e nem de entender como isso foi possível, mas, Fukano tinha pulado da cama para o colo do pai, rindo de alegria, se acabando em felicidade. Um baque surdo vindo do quarto acompanhado dos gritos de Fukano, fez com que o quarto fosse invadido pelos homens que aguardavam do lado de fora. A cena de um Shun caído no chão junto a uma cadeira enquanto esfregava a nuca com um sorriso e um Fukano explodindo de alegria ao seu lado, foi o bastante para gerar sorrisos e até mesmo alguns risos.

Na manhã seguinte, quando Fukano saio do hospital, o menino mal se aguentava de felicidade, até do ar poluído ele sentiu saudades de tanto tempo que estava naquele quarto de hospital, e também estava muito nervoso, finalmente saíra daquela prisão, porém, não tinha a mínima ideia de onde iria. Saíram cedo e como estava frio, ele ficou o trajeto inteiro de carro enroladinho num cobertor segurando sua Polaroide com força, talvez a intenção fosse que ele dormisse um pouco, mas assim que Fukano viu os demais Bronze entrando no carro ele se transformou numa verdadeira pilha.

Adorava a companhia dos mais velhos, cada um tinha uma qualidade que o fazia sorrir sem parar. O caminho foi repleto de risadas e isso alegrou imensamente o ambiente, não se lembravam nem qual foi a última vez que o menino tinha rido daquele jeito fora do hospital. Shiryu contava-lhe histórias, Hyoga o intrigada com enigmas e charadas engraçadas, Seiya sempre tinha uma piadinha na ponta da língua e Shun não precisava fazer nada, a simples presença dele já deixava o menino feliz, embora ele também entrasse nas brincadeiras dos outros três.

Eles foram para o porto, onde pegaram um barco que os levaria para parte mais afastada da baia de Osaka, onde, pelo que se sabia, tinha uma pequena vila de agricultores, embora fosse pouco conhecida e visitada por pessoas de fora. Somente o virginiano mais velho conhecia o destino e por conta disso, o sagitariano quase foi jogado para fora do barco por não parar de perguntar quando chegariam ou se já estavam chegando.

Quando chegaram, Shun pegou o filho e o colocou sobre os ombros entre risos, este só tirava fotos, e caminhando até o centro da pequena vila na companhia dos amigos.

¬ Olha Papa! — exclamava o pequeno sorridente. — Tocar céu! — todos sorriram com o menino brincando que era um avião.

Eles chegaram ao centro do vilarejo sem problemas, mas estranharam ao ver as crianças se cutucando e correndo na frente deles ou para dentro de casa para chamar os pais. Shun, por outro lado, sorria para todos que encontrava, como se fosse um velho conhecido e pela atmosfera do lugar, era bem capaz que fosse mesmo um velho conhecido.

Logo avistaram as crianças cercando um homem idoso de óculos, ele sorria para todas e pedia que se acalmassem, só que as crianças ficavam cada vez mais agitadas, todas queriam falar. Ao avistar o homem idoso, o sorriso de Shun se alargou, ele firmou mais o aperto em um dos joelhos de Fukano e com o outro braço começou a acenar.

¬ OJI-SAN!! — gritou para chamar a atenção.

As crianças pararam no mesmo instante e correram na direção deles, arrastando-os na direção do senhor com grandes sorrisos. O senhor de idade, por sua vez, ergueu o olhar e estreitou um pouco as vistas para ver quem chegava, ao ver quem se tratava, desconfiou um pouco da funcionalidade da sua visão, porém, logo abriu os braços com um grande sorriso. Shun então passou o filho para o colo de Hyoga e se encaminhou mais rápido até o senhor.

¬ Shun! — o senhor o saudou alegremente. — A quanto tempo não lhe vejo, meu filho. Como vai seu irmão? Ele anda sumido, não o vejo já faz um ano.

¬ Ele está ótimo, Oji-san. — eles se afastaram, mas permaneceram um tempo de mãos dadas. — Agora ele está viajando e o senhor sabe como ele fica quando tá viajando, fora do mapa.

¬ Ah, esse Ikki... — o idoso balançava a cabeça com um olhar nostálgico. — Sempre inconstante. Lembro-me de quando ele era um menininho, tirava sua mãe e pai do sério, mas sempre se livrava dos castigos. — o senhor sentou-se na varanda de uma das humildes casas, devia ser a sua. — Aprontava que só ele, mas no dia em que descobriu que teria um irmãozinho endireitou sua postura e assumiu com orgulho o papel de irmão mais velho. — a risada do senhor de idade lembrava a risada do Papai Noel. — Me lembro da vez em que ele repreendeu os amigos por seus modos a mesa na frente dos irmãos menores e pais. Lembro-me dele dizer todo carrancudo: Modos à mesa seus idiotas! Se não por seus pais, por seus irmãos e irmãs que estão vendo. Vocês são os exemplos se portem como tais!

Imaginar um menino travesso e brincalhão que repreendia os amigos quando eles faziam algo errado na frente dos irmãos como sendo Ikki, o mesmo cara mal humorado e que as vezes dava medo, era hilário aos olhos dos Bronze e do pequeno Amamiya que agora riam com gosto. Aquilo atraio a atenção do senhor de idade.

¬ Shun. — chamou o senhor. — Quem são esses? — o virginiano deu um tapa na própria testa.

¬ Que falta de educação a minha. — comentou enquanto pegava Fukano de volta e o levava para junto do idoso. — Oji-san. Este aqui é o meu filho, Fukano. — o menino sorriu para o homem e dava um oizinho. — Os outros são meus amigos. — o chamou com um sinal de cabeça.

Eles tiveram alguma dificuldade para passar pelas crianças que os cercavam, tinha uma que chegou a se grudar na perna de Seiya. Eles estavam um pouco encabulados com o ambiente, era tão... alegre. Parecia que todos ali eram uma grande família da qual Shun e Ikki faziam parte, suspeitavam que a alegria em recebê-los se devia ao fato de estarem ao lado do virginiano. O primeiro a se apresentar foi o aquariano.

¬ Alexei Hyoga Yukida. — ele apertou a mão do idoso. — Pode me chamar de Hyoga. É um prazer conhecê-lo senhor.

O próximo foi o libriano seguido do sagitariano.

¬ Nigihayami Shiryu. — curvou-se com respeito.

¬ Seiya. — afirmou sorridente com as mãos atrás da cabeça. — Só Seiya.

¬ É uma alegria para mim conhecê-los meus jovens. Me sinto muito feliz ao saber que Shun tem uma vida tão prospera. — disse o senhor. — Eu sou o ancião desta vila, Sekai Furui. Mas sempre fui chamado de Oji-san. Sejam bem-vindos a vila de Tengoku, também conhecida por Reino do Céu.

O lugar fazia jus ao nome. A vida selvagem era magnifica, nenhum deles se lembrava de terem visto tantas aves e macaquinhos em qualquer outro lugar. A mata verdejante e agradável se estendia até onde a vista alcançava. Os campos de plantação estavam cobertos com as mais variadas leguminosas, verduras e grãos. A águas das lagoas eram cristalinas e podia-se ver todos os peixes que ali viviam, grandes e pequenos, coloridos e foscos. As pessoas sempre sorriam e desempenhavam suas obrigações com prazer. As crianças estavam sempre brincando ou estudando todas juntas debaixo de uma grande arvore. Tinha uma pequena escola ligada ao pequeno hospital e um lugar onde todos se reunião a noite para que o ancião pudesse contar histórias e transmitir sua sabedoria as gerações futuras.

O lugar era lindo, mas uma das coisas que mais chamou a atenção dos visitantes foi uma pedra que tinha no centro da vila, nela tinha um texto entalhado que parecia bem antigo e que certamente regia a vida daquelas pessoas:

Se quer construir um futuro, precisa-se de uma fundação sólida. As leis desta terra jamais devem escravizar o seu povo, pois tirania só leva ao fracasso. Constrói-se um povo, uma nação, como se construí um templo, de baixo para cima. Dando poder a cada homem, a força crescera. Não precisa dar um título para cada um, pois a casa de um homem é o seu santuário.

Justiça deve ser oferecida. Deve ser permitido que cada homem colha para sua família. Que não seja condenado sem uma causa ou preso sem acusação. Que trabalhe, que coma, que viva pelo suor de seu rosto e que seja feliz como puder.

O povo que segue estas palavras é um povo feliz e cheio de amor.

Hyoga fez questão de tirar a câmera de Fukano para tirar fotos da pedra e de toda aquela forma de vida. Shiryu foi conversar com o velho ancião e depois foi ajudar na lavoura jurando que traria Shunrei para conhecer aquele lugar algum dia. Seiya foi puxado quase que instantaneamente para jogar bola com as crianças. Shun e Fukano aproveitaram a distração inicial dos outros bronzes para escaparem de suas vistas.

Fukano nunca apresentou tamanho bem estar desde que entrou no hospital como agora. Ele conseguia dar alguns passos sozinhos, mas ainda precisava de um apoio de vez em quando, por isso não largava a mão do mais velho. Estava conseguindo falar muito bem comparado as outras vezes. E já fazia uma semana que não apresentava problemas com a memória. Estava tão bem que Shun até começou a criar uma mínima esperança de que aquilo podia ser uma melhora creditada do tratamento.

A primeira coisa que Fukano fez ao se ver um pouco distante do mini tumulto que cercou os Bronze foi tirar os sapatos e as meias, deixando-os sobre uma pedra, onde tinha certeza que não esqueceria. Quando colocou os pés na grama, sentiu o manto verde entrar por entre seus dedos e a acarinhar a lateral de seus pés, sua reação foi totalmente espontânea, seus olhos lacrimejaram, mas ele não se permitiu chorar. Agarrou a mão de Shun e o puxou com toda força que poderia exercer.

O menino corria na frente do mais velho. Passaram pelo manto verde que cobria o entorno da vila, passaram pela terra batida que servia de caminho, passaram pelo meio do mato até a praia e por fim chegaram ao mar. Nesse simples trajeto, que duraria menos de 5 minutos e encerrou-se mais de 5 horas mais tarde, Shun vira o filho sorrir mais vezes do que tinha o visto sorrir na vida.

Fukano jogou-se na grama e rolou por ela entre risos, parando vez ou outra apenas para mirar o céu. Correu, pulou e brincou com a grama acariciando sua pele. Se encontrasse algum tipo de forma animal, parava para admirá-la e depois continuava com suas risadas.

Quando chegaram ao centro da vila mais uma vez, a bola com que as demais crianças jogavam bateu em sua perna, em questão de minutos ele estava brincando com o sagitariano mais velho e as crianças da vila. Ao termino da brincadeira suas roupas estavam imundas e seu sorriso radiante.

Na hora que adentraram no mato, Fukano usou Shun de alavanca para conseguir subir em uma arvore, a escalou até o topo, onde pegou uma fruta e a saboreou por um bom tempo, chegou a atirar algumas para o mais velho. Brincou de tudo e mais um pouco naquele espaço, até mesmo de pular de galho em galho, tal como um macaco. Ficava um pouco triste quando via que tinha assustado algum bichinho, porém quando o via voltar para o mesmo lugar como se ele nem estivesse ali o fez sorrir novamente.

Na praia o menino repetiu boa parte das coisas que fizera na grama e além disso fez castelos, desenhou e escreveu na areia. Andou um pouco e colheu conchinhas. Ajudou uma estrela-do-mar a voltar para água. E deu várias gargalhadas com o susto de Shun ao ver uma tartaruga sair do meio da areia. Por fim, foi até o mar, onde nadou e brincou de pender a respiração, apostou corrida e jogou água nos outros.

Ao final do dia, ele estava com um sorriso enorme no rosto, todo molhado, sentando em um pano e sentindo os últimos raios de sol banharem seu rosto alegre. Shun estava ao seu lado, enquanto Seiya, Shiryu e Hyoga estavam mais atrás, sentados no topo de um barranco, apenas observando os dois virginianos com um sorriso.

¬ Tenho muito pra te contar. — Shun pronunciou-se do nada. — Minha origem humilde, a morte dos meus pais, como Ikki e eu fomos parar nas ruas de Tóquio, como fomos encontrados pelo avô da Saori, como foi nosso treinamento, como nos distanciamos, como nos reaproximamos, como foi nossas vidas, basicamente. Mas contando ou não contando, nada irá mudar. — suspirou. — Tudo o que vivi ou deixei de viver foi verdadeiro, porém, houveram coisas que eu não tinha percebido até te conhecer, Fukano. Uma dessas coisas e a que eu quero que você sempre se lembre está relacionada ao nosso verdadeiro lar. — o menino prestava toda a atenção nas palavras do mais velho. — Antes eu achava que o verdadeiro lar era o lugar onde você nasceu e cresceu, mas, depois que você aterrissou de paraquedas na minha vida, eu percebi que o verdadeiro lar é onde as pessoas que você mais ama estão.

¬ Nem um outro lar é melhor que o seu, pois ele pertence a você. — disse Fukano no máximo esforço. — Era o que Mama sempre dizia. Que eu sempre teria um lugar para voltar, um lugar onde ir e ficar quando mais necessitasse, um lugar assim. — ele estendeu as mãos para o entorno, mostrando que era dali que se falava. — Um lugar para ficar e chamar de lar, que independente de minhas escolhas, sempre terá família para me amar e apoiar. — concluiu. — Me trouxe aqui, por que este é seu lar, e você quer mostrar que se eu quiser, este também pode ser meu lar. — ele sorriu de canto. — Era isso que queria dizer, Papa? — inqueriu com um olhar carinhoso.

Shun apenas abraçou o filho pelo ombro e voltou a admirar o por do sol com ele, ergueu o rosto e viu a primeira e mais brilhante estrela do céu aparecer, dizem que se você fizer um pedido, ele pode se realizar. De tudo o que ele poderia ter pedido, ele desejou que aquele momento nunca acabasse, ou que ao menos se prolongasse.

Quando voltaram ao hospital, Asuma os recebeu de braços abertos, Shun apenas estalou um beijo na testa do filho e deixou que Asuma o guiasse até o quarto enquanto ele se preparava para trabalhar. O menino ainda parou no meio do corredor, sorriu e acenou para eles antes de sumir na curva do corredor.

Uma semana depois, fez-se a festa de aniversário do menino, já que no dia, todos estariam trabalhando e não poderiam comparecer, então decidiram fazer no fim de semana. Tinham levado bolo, pizza, refrigerante, suco, salgados, todo o que havia de direito, mas em pequenas quantidades, pois não eram tantos.

¬ E ae, garotão?! — Seiya adentrou o quarto escandaloso como sempre e abraçou o menino. — Parece que você tá bem melhor, hein!? Logo, logo você vai estar novinho em folha para jogar futebol comigo e não pense que eu vou facilitar para você não, viu?! — ele riu.

¬ Você figura, Seiya. — afirmou sorridente vendo o mais velho se jogar na poltrona que tinha ali.

O próximo foi Hyoga, que chegou com algo de grande interesse do menino. Algo que os dois amavam e os demais não entendiam uma só palavra.

¬ Te trouxe aquele HQ do Assassin's Creed que eu te falei. — Hyoga cantarolou enquanto balançava a revista na frente do rosto, o menino estendeu os braços tentando alcançar o objeto, mas este se afastou. — Ahh! Primeiro responda as questões. — exigiu. — Qual é o credo? — perguntou serio.

Como sabia que não ia conseguir falar tudo e ainda mais de uma forma digna daquele jogo que tanto amava, fazemos jus aos seus personagens excelentes e carismáticos mesmo ele gostando do rabugento Altair , ele pegou seu bloquinho de notas e escreveu as respostas.

1° — Detenha sua lâmina contra um inocente. 2° — O que nos dá força é a invisibilidade. Deixar que as pessoas o encubram para que você se torne mais um na multidão. 3° — Jamais comprometer a Irmandade, direta ou indiretamente.

¬ O que é verdade? — questionou.

Nós colocamos fé em nós mesmos. Vemos o mundo como ele realmente é, e esperamos que um dia toda a humanidade talvez possa ver a mesma coisa.

¬ O que é o mundo, então?

Uma ilusão, a qual podemos nos submeter, como faz a maioria, ou transcendê-la.

¬ E o que é transcender?

Reconhecer que leis se originam não da divindade, mas da razão. O credo não nos manda ser livres. Ele nos manda ser sensatos.

Hyoga abriu um sorriso que ia de orelha a orelha e entregou a revista ao menino, que quase a rasgou tamanho seu desespero para ler.

¬ Esse é o meu garoto. — disse bagunçando os cabelos de Fukano e se afastando para o canto do quarto.

Shiryu trazia o bolo e Shurei trazia as bebidas com a ajuda de Shoryu, eles deixaram tudo sobre a mesa e foram dar atenção ao menino. Fukano já conhecia a chinesa e o garoto fazia um tempo, gostava muito deles e quase saio da cama para abraçá-los.

¬ Ei! — chamou o libriano que estava sendo ignorado devido a presença de Shurei e Shoryu. — Vê se melhora logo, você ainda tem muito o que viver. — disse pegando-lhe a mão e a apertando. — Tá legal? Promete que melhora? — ele confirmou. — Prometi mesmo? — ele riu.

¬ Prometo.

Shurei apenas beijou, abraçou e desejou-lhe melhoras acompanhadas de muita felicidade, tinha certeza de que se falasse algo mais ia acabar chorando, sorte que Fukano entendia muito bem seu estado e não exigiu mais nada dela. Shoryu por outro lado, fez questão de subir na cama dele e ficar brincando com ele e falando coisas de moleque, enquanto seus pais se sentavam no sofá e conversavam com o aquariano.

Shun nem entrara no quarto, só levou os convidados até lá, deu uma olhadinha e foi esperar o entregador de pizza do lado de fora do hospital. Deu uma risada tristonha ao se lembrar que pediu a pizza favorita de Ikki, mas nem ali ele tava, onde será que ele foi? No momento, não importava, ele sempre foi assim...

Shun tinha acabado de entrar no quarto com as caixas e já era atacado pelos famintos de plantão, sem nem ter tempo de perguntar: Quem vai querer pizza?

¬ Eu quero dois pedaços. — gritou Seiya já pulando de seu lugar pra cima do menor.

¬ Vocês querem do que? — perguntou o libriano as seus acompanhantes já se levantando.

¬ Quero pizza de calabresa! — Shoryu afirmou todo contente.

¬ Tem quatro queijos ai? — Hyoga demorou um pouco pra chegar, porque tava do outro lado do quarto.

¬ Ei! — Shiryu protestou ao sentir que tinha sido praticamente atropelado pelo amigo. — Eu também quero! E você Shurei? — perguntou mais educado.

¬ Mussarela para mim já esta bom. — sorriu gentil.

¬ Oe! — Fukano chamou. — Deixem espaço pro bolo e um pouco de quatro queijos pra mim!

Todos riram, comeram, brincaram e cantaram os parabéns. Agora Hyoga estava com dor no rosto de tanto rir, Seiya estava com dor de barriga de tanto que comeu e ainda sim continuava a falar, Shiryu ninava o Shoryu, que praticamente desmaiou depois de acompanhar Seiya na comilança, Shurei organizava a bagunça monstra que ficou e Shun a ajudava, já Fukano ainda estava saboreando seu quarto pedaço de bolo, segundo ele o mais gostoso que já comera na vida, também, depois de passar meses comendo remédio em forma de comida, até pedra é gostosa.

¬ Não se esqueça que ainda tem o vídeo. — informou Hyoga.

¬ Vídeo? — indagou o pequeno. — Que vídeo?

O aquariano se levantou, desembrulhou um pacote pequeno de correio e colocou uma fita na TV que tinha no quarto do menino, primeiro teve um chuvisco e depois ele viu o Santuário. Logo a câmera virou e mostrou a cara de Jabu de Unicórnio.

E ai, Fukano? Onze anos! Cara, você está ficando velho, daqui a pouco as meninas, especialmente as Amazonas, vão lhe parecer muito agradáveis. Ele sorriu brincalhão e continuou andando pelo Santuário. Acho melhor avisá-las para tomar cuidado. Fukano riu da observação sussurrada.

Viu Jabu caminhando até a arena de treinamento, onde estavam alguns amigos de Fukano, que cresceram ao lado dele e se meteram em encrencas com ele.

E ai, galera? Ele chamou a atenção deles, alguns acabaram sendo atingidos por algum golpe ao darem atenção para o mais velho. Vish.. Desculpa, ai. Mas vocês tem alguma coisa para dizer ao nosso aniversariante que tá no outro lado do mundo? Eles deram de ombros.

FELIZ ANIVERSÁRIO!! Gritaram felizes o que havia de mais óbvio.

Além disso... a voz de Jabu demonstrava certa desanimação.

Cresça e deixe de ser nanico! Disseram alguns.

Eu vou ganhar de você da próxima vez que lutarmos! Afirmou outro.

Estamos com saudades! Vem nos visitar logo! Disseram mais alguns.

Trás mangá pra gente! Gritaram outros dois.

E não conquiste as nossas garotas! afirmou outro.

E o principal... MELHORA LOGO!! ditaram em uníssono.

Eles não mudam mesmo. Jubu ditou enquanto voltava a andar.

Ele andou por mais algum tempo e avistou Aldebaran subindo as escadarias que levariam as Casas do Zodíaco, então correu para alcançá-lo e gritando para chamar sua atenção.

DEBA!! Finalmente, o brasileiro olho para ele com uma expressão curiosa, o fitando enquanto este recuperava o fôlego.O que tem a dizer pro Fukano?

Esse vídeo vai pra ele? Questionou verdadeiramente interessado.

Yes! — Aldebaran soltou uma de suas gargalhadas contagiantes.

Quando você voltar vou fazer aquela feijoada que você tanto ama e vou te ensinar capoeira como prometi. Afirmou em meio a um sorriso, logo voltou a vista para cima e ergueu os braços. EI!! MU!! Gritou escadaria acima, pelo jeito o ariano tinha colocado a cabeça para fora de sua casa devido a gritaria. VEM CÁ!!

Puderam ver Mu descer a escadaria com sua calma natural, porém a curiosidade modelava seu rosto, tanto que quando chegou seu olhar foi dirigido automaticamente para câmera. Pela sua cara, ele podia conhecer e saber o que era uma câmera, mas parecia nunca ter visto uma na vida.

O que é isso, Jabu?

Vídeo pro Fukano. Pra ele tudo se resolvia com essas simples palavras. Quer dizer alguma coisa? Mu abriu um sorriso nostálgico.

Ah, me lembro do dia em que você nasceu, afinal, eu era uma das pessoas que te ajudou a vir pro mundo. Nunca vi tanto sangue na minha vida, e por mais que odeie admitir, eu quase desmaiei. Ele soltou um pequeno riso. Você era tão pequenininho e frágil, que, honestamente, eu achei que você não iria sobreviver. Mas você me provou o contrario e agora é um dos garotos mais fortes que conheço e um dos Cavaleiros de Atena mais admiráveis.

Quem olhasse para Fukano podia ver que ele estava segurando as lágrimas e que sorria alegre e inocente.

Agora, até eu chorei, Mu. Jabu fingiu secar uma lágrima e se despediu, a procura de mais vítimas para o seu vídeo.

Na verdade ele só desceu dois degraus quando viu Milo saindo do Coliseu e saiu correndo atrás dele da mesma forma que correu atrás de Aldebaran, aos berros.

MILO!! Este parou e quase foi atropelado pelo mais novo, a câmera estava a centímetros do rosto do mais velho. Mensagem pro Fukano? Milo apenas sorriu de canto antes de começar seu discurso animado.

Você era um encrenqueiro de plantão, mas sempre por culpa minha, era eu que te metia nas encrenca e geralmente era eu quem te salvava delas. Falava como se isso fosse a coisa mais natural do mundo e logo sorriu carinhoso. Você é o irmãozinho que eu nunca tive, Fukano. E espero que curta sua vida ao máximo para depois me contar tudo, hein?! Ele piscou para câmera e saio andando, não antes de apontar para trás.

Jabu se virou quase que automaticamente e deu de cara com o mais belo homem daquele Santuário, Afrodite de Peixes, que lhe dirigia um olhar intrigada e ao mesmo tempo cúmplice, parece que já sabia a razão daquilo.

Afrodite, tem algo a dizer pro Fukano?

O pisciano tirou uma rosa vermelha de ninguém sabe onde e ficou brincando de arrancar suas pétalas enquanto fazia seu relato.

Eu assisti seu nascimento junto a Mu e Shaka, mesmo sendo uma das coisas mais assustadoras da minha vida, eu nunca me arrependi e o tenho como um filho. Quando você nasceu, seu pai nem sabia que você existia, então eu me ofereci para ajudar sua mãe no que desse e viesse. Ele olhou para câmera e sorriu, assoprando o resto das pétalas na direção da lente. Você é como uma das minhas valiosas rosas, meu pequeno, e saiba que sempre pode contar comigo para o que for.

Afrodite! Este virou o rosto para quem o chamou, assim como Jabu, que acabou filmando Máscara da Morte descendo a escadaria um tanto apressado na direção deles.

Afrodite. Você vi... Que é isso? Somente quando chegou perto é que se deu conta de que estava sendo filmado.

Tem algo a dizer para o Fukano?

Mask soltou uma gargalhada assustadora, parecia que tal coisa era ridícula para ele, mas ao contrario do esperado, ele se colocou a falar.

HA! Afrodite é um linguarudo, em menos de um mês, todos os Ouros sabiam de quem você era filho, mas isso pouco importou para nós. Ai! Seu protesto se deu pelo beliscão que levou do sueco, decidiu ignorar e continuou. Todos lhe viam você como filho ou irmãozinho. Teve uma vez que eu zelei tanto tempo pelo seu sono, que sua mãe me expulsou do seu quarto a base dos chutes. Aquilo tirou riso do câmera e de quem estava vendo o vídeo na hora. E quando você cresceu, mesmo sendo o menor, tomava as dores dos outros pra você, eu via tudo e ficava calado, achando que assim você viraria homem, só que não precisou de nada daquilo. Por isso eu lhe peço desculpas. Isso era um pouco assustador vindo do canceriano. Desculpa eu deixar os outros Aspirantes magoarem você. Desculpa não ter cuidado de você. Devia ser o contrario, porque era você quem cuidava de mim, sempre me tirando das brigas que eu arrumava. Ele riu da lembrança. Você é um menino de Ouro, Fukano. Seja assim para sempre, ouviu?!

Você sabe quem são os pais dele? Jabu perguntou curioso.

Sei e eu não vou te contar.

Ahhh... Mask! Me conta cara... Já me basta ninguém saber quem é o misterioso peguete do Camus.

Você não sabe? Afrodite pareceu surpreso.

Você sabe?!

Sei e não vou te contar.

Afrodite enlaçou o braço de Mask e saio andando com ele, deixando um Jabu curioso para trás.

Afrodite! Mask! Voltem aqui caras! Me contem! AFRODITE!!! MASK!!!

Jabu ainda tentou persegui-los, mas não adiantou nada, então voltou a falar com os demais residentes do Santuário. Todo mundo apareceu naquele vídeo. Inclusive Ikki, o que assustou todos os presentes, quando aquele vídeo foi feito afinal?

Eu tenho mesmo que falar? Questionou o leonino.

Mas é claro! Jabu afirmou um tanto exasperado. Você devia estar lá oferecendo todo apoio do mundo! Mas não, você tá aqui e se eu não soubesse os seus motivos, eu certamente já teria te chutado daqui. Ikki o fuzilou com o olhar.

Depois a gente conversa sobre isso, Jabu. Seu tom era de ameaça, porém, ele suspirou cansado logo em seguida. Se você acha que meu irmão se assustou com a sua chegada, eu não vou nem comentar como eu fiquei ao te ver, Fukano. Eu preferi até manter distancia, mas acabou se tornando impossível, e quando vi, eu parecia um tio babão de tanto que eu te adorava. Ele riu da própria sorte. Na minha vida, eu arranjei muitos problemas e me meti em muitas confusões. Eu me sentia em tons de cinza, sempre foi assim. Muitas coisas eu já fui e nem sempre com prazer. Houveram mistérios sem explicação em minha vida. Mas tudo isso mudou quando você apareceu. Então eu quero que anote isso que vou dizer, imaginando que Shun já tenha feito o que estou pensando: Saiba que eu vou voltar pra vocês. Porque vocês são o meu lar e nenhum outro lar é melhor que o seu, pois ele pertence a vocês. Ikki sorriu. Você é esperto, tenho certeza que já deve ter descoberto o que estou fazendo, então aguente firme. Eu vou voltar. E partiu sem mais nem menos.

O vídeo durou mais alguns minutos e se encerrou com uma despedida de todos, só que levou alguns minutos a mais para Fukano parar de chorar.

Eles ainda ficaram mais um tempo conversando, sorte que eles conseguiram permissão para ficar mais tempo além do horário de visita, e conforme o relógio corria, os convidados foram indo embora aos pouco, o último foi Hyoga que se demorou por estar falando de Assassin's Creed com o pequeno.

Shun fechou a porta do quarto com um suspiro cansado, foi bom descontrair um pouco, mas isso não mudava o fato de que estava cansado.

¬ Tá bravo? — Fukano perguntou sem olhá-lo, pois estava com aquele livro no colo, parecia que estava embrulhando-o. — É comigo?

¬ Tô bravo sim, mas não é com você. — ele foi até a cama e começou a ajustá-la para que o menor pudesse dormir. — É com o mundo.

O menino se deitou, mas continuou a segurar o livro com força, não queria soltá-lo por nada e aquilo atraio a atenção do mais velho.

¬ O que é isso? — sentou-se na beirada da cama. — Esse livro que você não solta por nada no mundo?

¬ Presente. — afirmou e o empurrou para Shun. — Só seu aniversário.

Shun sabia que era o livro de Fukano, então o deixou junto a suas coisas e voltou até o filho, fazendo carinho em sua cabeça, o menino sorria de olhos fechados, porém esse sorriso logo se transformou em lágrimas. Lágrimas que assustaram em muito o mais velho, porque eram lágrimas de medo, dor e tristeza misturadas a alegria e uma sensação de bem viver, todos, sentimentos contraditórios.

¬ Lembra primeiro dia aula? — o menino perguntou com a voz embargada e as lágrimas manchando o rosto branquinho. — Lembra eu olhando para trás? — Shun confirmou, já sentindo as lágrimas se formando, mas se recusou a deixá-las escorrer. — Eu tinha medo que me deixasse. Porque sabia que quando cheguei, não me queria. — disse o menino. — Mas Papa disse que ficaria, que não me deixaria. — Shun sentiu uma lágrima escorrer. — Papa levou a minha Máscara e disse pra eu levar da Mama, disse que me encontraria assim, desde que eu usasse máscara da Mama e Papa a minha. — um soluço. — Quando voltasse estaria usando ela e você usou. Foi o sinal que você me deu que nunca me deixaria.

Shun deixou um soluço estrangulado escapar por seus lábios, porque o menino estava relembrando isso?

¬ Eu lembro. — respondeu. — Você tinha medo que eu aproveitasse a deixa para sumir no mundo e te deixar, mas eu não o fiz. Eu era incapaz de fazê-lo. — afirmou. — E eu nunca vou te deixar. Jamais. — ditou firme apesar das lágrimas.

Ele agora acarinhava o rosto do filho e secava suas lágrimas teimosas, enquanto este se encolhia sob as cobertas, parecia estar com medo, muito medo. O menino engoliu seco, se sentou e segurou a manga da camisa de Shun com uma das mãos, enquanto a outra limpava o rosto do mais velho.

¬ Papa. — chamou. — Pode, onegai, colocar a máscara de novo?

Shun não aguentou mais, aquele pediu destruiu suas últimas defesas. Ele deixou-se chorar, começou a soluçar e tombou para frente, sendo recebido e sustentado pelos braços do filho, que compartilhava, em menor intensidade, de suas lágrimas e ainda passava a mão por seus cabelos em forma de consolo. Ele sussurrava que tudo ficaria bem, que tudo daria certo, mas aquilo pouco ajudava.

Aos poucos Fukano foi deitando e quando se deu conta, Shun estava deitado com o filho no leito do hospital, abraçado ao menino e chorando sem parar, enquanto este tentava a todo custo consolá-lo.

¬ Eu nunca disse isso pra você. — soluçou. — Nunca disse isso uma única vez, pois achava que demonstrar já bastava, mas... — ele estreitou o espaço entre ele e o filho, abraçando-o com toda sua força e carinho. — Aishiteru, Fukano. Aishiteru, meu filho.

Fukano sorriu e voltou a chorar, dessa vez de alegria, nunca pensou que se sentiria tão bem ao ouvir essas palavras do mais velho.

¬ Aishiteru, Papa. — respondeu.

Shun não soltaria o filho por nada naquele mundo, afundo o rosto em seus cabelos e encheu sua cabeça de beijos até adormecer. Fukano, por sua vez, também abraçou o pai com força, afundou o rosto em seu peito e dormiu profundamente com o zelo de seu pai.

Notas finais
E ai? Mereço pedras ou flores? kkkk Da pra acreditar que eu escrevi tudo isso ouvindo My Heart Will Go do Titanic? Tipo, a música mais triste do filme foi o que me ajudou a escrever num momento de bloqueio monstro, eu tenho que ouvir essa música mais vezes.... Bem, eu espero que tenham gostado que perdoem meu atraso :) Bjs. L :3