Ikki sumiu, mais uma vez, por semanas. Shun nem dava mais importância, o irmão sempre voltava, mais cedo ou mais tarde.

Era domingo a tarde, dia de folga, Fukano estava brincando no jardim e Shun estava na sala, lendo pela 5° vez, A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick, seu livro favorito. Tudo estava na maior paz.

Ikki adentrou a casa sem cerimonia alguma e saio correndo escada acima, o que chamou a atenção de Shun. Ikki se sentou de frente para o irmão, ele parecia nervoso e não sabia como se expressar.

¬ Shun... — começou. — Você conhece o a Lenda de Órion?

Shun estranhou a pergunta do irmão, Ikki nunca se interessou pela mitologia grega, só se interessava no que era relevante na hora de uma briga.

¬ Conheço, mas me lembro bem vagamente. — se levantou para guardar o livro. — Naze?

¬ Porque isso envolve Fukano.

Shun se sentou e encarou o irmão. Não estava gostando do rumo daquela conversa.

¬ Eu fui chamado pela Saori, tinha que comparecer ao Santuário, ela queria conversar comigo. — prosseguiu Ikki com cautela.

¬ E?

¬ Ela... — Ikki não soube como continuar. — Ela me disse o porque de Fukano treinar para se tornar um Cavaleiro. Ela me contou toda a história e pediu que eu lhe contasse a mesma história.

¬ Desde quando você é uma Fênix Correio? — Ikki soltou um riso com a piada do irmão.

¬ Isso não importa agora, Shun. — Ikki, mesmo soltando um riso, continuava nervoso. — Preciso te contar toda a história.

Shun se mexeu desconfortável no sofá, tinha a impressão de que não iria gostar da história.

¬ Certa vez, a deusa Ártemis se apaixonou por um semideus chamado Órion.

Diz a lenda que Órion e Ártemis se amavam muito e que quase se casaram. Quase. Também se diz, que Órion possuía um cão muito fiel, chamado Sírius.

O irmão de Ártemis, o deus Apolo, por sua vez, se aborrecia com a aproximação entre Órion e sua irmã, chegando a censurá-la diversas vezes sem nunca obter resultado. Apolo era o irmão gêmeo de Ártemis, um irmão muito possessivo e ciumento, não suportava dividir sua irmã com ninguém.

Certo dia Apolo teve a oportunidade de se ver livre de seus aborrecimentos, ele fez com que um escorpião gigante, que tinha por função proteger os deuses, acreditar que Órion queria o mal para Ártemis e o escorpião decidiu matar Órion. Quando o escorpião passou a persegui-lo, Sírius se sacrificou para que o dono tivesse tempo de fugir.

Órion era filho de Poseidon. Foi perseguido pelo escorpião até o mar, onde pensou estar seguro e pulou na água, o escorpião não se arriscaria na água, mas não deixaria que voltasse a terra. Nesse meio tempo, Apolo chamou sua irmão para caminhar na praia, ela aceitou e eles conversaram por um bom tempo. Apolo então se gabou de ser o melhor arqueiro entre os deuses e Ártemis retrucou, dizendo que ela era a melhor.

Apolo agora podia ver Órion apenas com a cabeça fora d’água e, ardilosamente, desafiou sua irmã a acertar o alvo que distante se movia. Impecável em sua pontaria, Ártemis atingiu em cheio seu amado. O corpo, já moribundo, de Órion foi conduzido à praia pelas ondas do mar. Percebendo o engano que havia cometido, Ártemis, em meio às lágrimas, pediu para Zeus colocar Órion, Sírius e o escorpião arrependido entre as estrelas.

Órion e o escorpião se tornaram constelações, enquanto Sírius se tornou a estrela mais brilhante do céu e passou a fazer parte da constelação Cão Maior. Ártemis ficou satisfeita com a honraria prestada à Órion, mas não com o destino de Sírius.

Naquela época, Atena e Ártemis eram boas irmãs. Atena, no intuito de amenizar a dor se sua irmã, mandou que uma armadura em homenagem à Órion fosse forjada, ela também compartilhava da ideia de que Sírius merecia uma constelação própria por mostra tamanha lealdade, mas ele era apenas uma estrela, então uma armadura não pode ser feita para Sírius.

Ártemis achava que Sírius merecia ter uma armadura, não só por gostar do animal, mas também por saber que Órion adorava o cachorro e admirava sua lealdade. Então, as escondidas, mandou que uma armadura, feita de metais raros e sangue de semideuses, fosse forjada em homenagem a Sírius e em consideração ao carinho que Órion tinha pelo animal.

Era a primeira vez que uma estrela ganhava uma armadura, uma armadura muito poderosa, comparável as Armaduras de Ouro dos Cavaleiros de Atena, o que a tornava absurdamente rara e cobiçada.

Zeus, após saber da existência de tal armadura e sabendo que todos os deuses a queriam, tomou a armadura de Ártemis e propôs um acordo aos deuses. Cada um escolheria um Campeão, incluindo a própria Ártemis, eles lutariam um contra os outros. O Campeão que saísse vitorioso, ganharia a armadura e honraria seu deus. E assim foi decretado, todos os deuses, com exceção do próprio Zeus, poderiam competir pela Armadura de Sírius.

A cada 600 anos, em media, lutas são travadas ao redor do mundo para se determinar o Campeão, qualquer um poderia tentar, mas há um porém. Todos que estão atrás dessa armadura tem forças inimagináveis, o Campeão teria que ser o mais forte.

Atena e seus Campeões tem conseguido manter a Armadura de Sírius, mas uma nova batalha pela armadura se aproxima e um novo Campeão deve ser treinado para batalha.

A expressão de Shun era ilegível, só se tinha uma certeza quanto aquilo, ele não estava acreditando.

¬ Eu não acredito. — viu? — Não tô com uma boa sensação quanto essa história e já tenho uma ideia muito ruim do porque me contou ela.

¬ Shun. — Ikki sabia que aquilo era um: Não! — Tente entender.

¬ Entender como, Ikki!? — Shun parecia a beira de um colapso. — Até onde eu estou entendendo, tão querendo que eu coloque meu filho no fio de uma lamina. Vocês querem que ele lute contra oponentes de forças absurdas para conquistar uma armadura que nem se quer faz parte do que conhecemos. Isso é loucura!

Shun queria começar uma briga e Ikki queria terminar com uma birra.

¬ Engraçado como o homem que mais quis distancia de Fukano, agora quer mantê-lo longe do perigo. — comentou venenoso. — Essa é a responsabilidade dele como Cavaleiro.

¬ Você sempre soube que eu não queria me apagar a ele por medo de perdê-lo. — Shun respondeu no mesmo tom. — Agora que eu formei um laço com aquele menino vocês querem tirá-lo de mim!? E Cavaleiro, Ikki!? Fukano ainda é um Aspirante!

¬ Ele é um Cavaleiro e eu não estou mandando o meu sobrinho para morte! — Ikki se irritou com a acusação.

¬ Como não!? — e Shun se irritou pela simples ideia de Fukano lutando contra monstros, já que não sabia definir os futuros adversários.

Um grande estrondo foi ouvido pelos dois, que correram para fora da casa. Puderam ver Fukano dentro de um buraco na arvore que costumava socar e um menino de 12 anos com um sorriso sádico no rosto frente a Fukano.

¬ Fukano Amamiya. — ele apontava para Fukano. — Eu, Relinde Di Ângelo, servo do Imperador Hades, te desafio para uma luta pela Armadura de Sírius!

Shun estava mortificado, mas pode ver o irmão perder o ar.

¬ Kuso! Já começou.

Notas finais
Espero que tenha gostado ^.^