Notas iniciais
Sei que demorei horrores, para postar esse capitulo, mas daqui pra frente as coisas vão melhorar =D.

Acordei assustada.

Eu realmente odeio despertadores, odeio muito. Como alguém pode ter um “bom dia” sendo acordada por um som metálico e estridente. Pego o odiado objeto e o jogo na parede com toda a força que se pode ter às seis horas da manha. Deito de novo no travesseiro e me ajeito melhor na cama. Estou concentrada em fazer meu corpo se levantar, estou mesmo, e é ai que escuto vozes no corredor, não entendo o que elas estão dizendo, mas o fato de ter alguém conversando no corredor me deixa em alerta. Não há mais ninguém me casa alem de eu e do Emmett, começo a entender algumas palavras quando escuto uma gargalhada que fez meu coração vacilar uma batida. Edward.

Fico totalmente acordada no mesmo instante, ainda deitada abro meus olhos, esse não é meu quarto. É um cômodo muito bem decorado, mas está obviu pelas caixas e moveis nos cantos que ele não é muito usado, sinto uma fisgada de dor na minha lombar e tento me ajeitar na cama, e é quando me lembro que não estou dormindo na minha cama, me viro no sofá-cama e fico encarando o teto. Meu coração já não está mais acelerado e uma súbita agonia me atinge.

-Estou no quarto de hospedes dos Cullen – Resmungo, fala faz meu celebro acostumar com a ideia que agora não tenho mais uma casa só minha.

Admito que esse lapso de memória de manha não foi previsto, faz semanas que estamos discutindo a nossa vinda permanente para a casa dos Cullen, mas eu sinto tanta falta da minha casa. Era como se fosse minha casa mesmo, já que meu pai Charlie quase não ficava com a gente e era eu e Emmett que cuidávamos de tudo, até acabávamos pagando uma ou outra conta no banco.

Decido que é melhor causar uma boa impressão no meu primeiro dia com os Cullen, me forço a sentar no sofá e sinto mais ainda as dores de uma noite dormida em um sofá cama e sinto uma saudade imensa da minha confortável caminha. Olho em volta todas as coisas que estão no quanto de hospedes, uma boa parte das caixas de papelão são minhas da mudança, alguns moveis que precisão de concertos num canto, algumas caixas plásticas que provavelmente contem documento dos Cullen, uma bancada de estudos com uma cadeira estofada bonita, uma móvel de apoio para uma TV, o sofá-cama onde estou e uma criado mudo de madeira muito bonito onde coloquei meu caderno/diário, meu colar, um porta retrato com minha família e o despertador, que está em algum lugar atrás das caixas de papelão.

Suspiro e levanto em direção a minha mala para pegar alguma roupa para vestir. Estou me sentido tão desanimada. Não que eu não goste dos Cullen, na verdade eu os amos, posso dizer que me sinto muito a vontade com eles, e que eles realmente são uma família para mim, mas não são A minha família, e essa não é A minha casa. Mas bem lá no fundo eu sei o por que do meu desanimo e que ele vai passar assim que eu ver o sorriso enorme do meu irmão.

Abro a minha mala e pego a primeira roupa que vejo, uma calça jeans e uma blusa de listras largas amarela e branca com uma estampa desbotada na frente, coloco a meia e meu tênis branco da Nike. Meu allstar está mais perto, mas ele não é tão confortável, e hoje o que eu menos quero é me sentir irritada com alguma coisa. Dou uma rápida olhada no espelho, meu cabelo está uma bagunça, passo os dedos nele para dar ficar mais homogenia e estou pronta. Eu até que gosto do meu cabelo meio bagunçado, coloco meu colar e relógio e saio do quarto.

Não posso negar Esme tem um talento e tanto para o design de interiores, na verdade foi ela quem me inspirou a fazer Arquitetura. O corredor está vazio, mas posso escutar as conversas no andar de baixo, sigo então para a escada e as vozes vão aumentado e logo percebo que estão falando sobre mim.

-... você precisa ver como ela acorda de mau humor de verdade, ela já chegou a quebrar um vaso porque ele “estava no caminho dela”, mas na verdade acho que ela estava no caminho dele – Disse Emmett gargalhando.

-Então é melhor você não estar no meu caminho hoje – Disse entrando na cozinha de cara fechada. Pude ver que Carlisle e Esme trocaram suas risadas por um sorriso mais contido e de “bom dia” aposto que eles não iam me desejar bom dia em palavras depois da historia do Emmett e da minha entrada nada amigável. Senti que estava traindo sua hospitalidade e deixei a carranca de lado por meio minuto para ser educada com quem estava me acolhendo.

-Bom dia Esme, Bom dia Carlisle.

-Bom dia Bella.

-Bom dia querida, você quer suco ou leite agora de manha – Falou Esme já levantando e indo para o balcão da cozinha. Tinha como não ama-los? Talvez eu não sentisse tanta falta de ser “dona de casa” como eu estava lamentando na hora que acordei.

-Leite e achocolatado, mas pode deixar que eu preparo Esme.

-Ah não, não, não. Eu preparo o café da manha da Alice e do Edward desde que eles nascerão e vou fazer o mesmo com você e o Emmett. Vocês são como filhos pra mim, desde... – Esme engasgou, eu sabia o que viria, “...desde que sua mãe morreu”. Mas Esme não engasgou por minha causa ou a de Emmett, na verdade mal conhecemos nossa mãe, ela morreu quando eu tinha 3 anos e Emmett 5, ela engasgou na verdade por que minha mãe era mais que uma irmã para Esme, era uma irmã escolhida, era uma companheira. Esme era tranquila e organizada minha mãe era agitada, bagunceira e animada. Dizem que uma era o equilíbrio perfeito da outra. Esme sentiu mais que ninguém a morte da minha mãe. Talvez não mais que Charlie. Às vezes me pego pensando que talvez esse fosse o motivo de Charlie viajar mais que Carlisle, ele não suportava voltar para casa e não ver minha mãe cuidando da gente, e por isso eu e Emmett tivemos que amadurecer tão rápido. Mas eu amava Charlie mais que tudo, e pensar que ele não ligava pra gente era uma injustiça total.

-Ok então, mas um dia você vai ter que nos deixar cuidar de vocês também – Disse sorrindo, tentando quebrar o clima pesado que tinha formado sobre Esme. Um sorriso apareceu no seu rosto em formato de coração e ela balançou a cabeça me concordância. Foi me sentar ao lado de Emmett.

-Bom dia Bells – Desejou Emmett, e finalmente a angustia saiu do meu peito. Escutar meu irmão falando Bells como meu pai me chamava, sempre fazia as nuvens negras saírem de cima de mim.

-Bom dia Emm, dormiu bem? – Perguntei tentando puxar assunto, sentei na mesa de refeição rápida e apoiando minha cabeça nas mãos, era tão difícil acordar.

-Maravilhosamente bem e você? – Isso me lembrou das dores nas costas que estava sentindo, instintivamente endireitei a coluna e a alongue, estalos foram ouvidos na cozinha.

-Bella! – Exclamou Esme colocando o leite e torradas na minha frente – Ainda não a credito que está dormindo no quarto de hospedes, era para a reforma no quarto da Alice já ter terminado junto com a do Edward, mas aquela menina quis ampliar mais ainda o quarto de vocês que tivemos que criar pilotis e uma nova laje. Mas prometo para você que em uma semana já estará tudo pronto.

-Com a Alice exigindo tanto dos pedreiros acredito que até quarta você já pode se mudar – Comentou Carlisle rindo.

-Alguém tem que ter punho forte nessa família não? – Alice entrou marchando e com um biquinho muito fofo na sua cara irritada – E se tudo der certo eles terminam até segunda. Conversei com o pintor ontem e eles disseram que podem vir hoje de manha para terminar de pintar o quarto, o piso laminado vai ser colocado hoje as 16h e o eletricista vai terminar de colocar os spots no closet hoje as 19h – Alice terminou mudando drasticamente sua cara de irritada para uma orgulhosa. Tive que rir. Essa menina é fogo.

-Você fez os operários trabalharem no final de semana filha? – Perguntou Carlisle divertindo com a situação, e com uma pitada de orgulho na voz – Se você fosse uma abelha o ecossistema seria mudado drasticamente de tanto mel que seria produzido.

Todos rimos com a ultima frase de Carlisle, mas Alice apenas ignorou e respondeu a primeira.

-Claro. Acha que vou deixar minha irmãzinha dormir por muito tempo naquele sofá horrível – E ao dizer isso Alice alargou ainda mais o sorriso e veio quicando para sentar ao meu lado. Como eu queria dez por cento dessa disposição toda as 7h30 da manha – Você vai amar o nosso quarto Bella e vai ter um... Não isso eu não posso falar, mas ficou ótima a cor... Também não vou falar a cor, deixa eu ver o que eu posso falar – Alice parou de falar e fez uma cara muito pensativa, seus olhinhos se comprimirão e ela até enrugou um pouquinho a testa, olhei em volta e todos estavam esperando ela falar alguma coisa, Esme sorria e fazia as torradas para Alice, Carlisle, a admirava e sorria, mas isso parecia muito comum, só Emmett que imitava a fisionomia de Alice, com os olhos fechados e a testa toda enrugada, acho que ele estava tentando entrar dentro da cabeça dela. Tive que rir da cena.

-Ahhh não vou te contar nada se você quer saber. Quero ver sua cara de surpresa quando entrar pela primeira vez nele – Concluiu roubando uma das minhas torrada, peguei o copo de leite e comecei a tomar ainda com um sorriso, Emmett ficou visivelmente decepcionado.

No fundo tenho um certo medo do que Alice estava planejando tanto nesse quarto.

Ficamos em silencio por algum tempo apenas tomando o café da manha, teríamos muito trabalho hoje, como a mudança minha e de Emmett foi feita ontem à noite ainda teríamos que voltar para minha antiga casa e fazer uma limpeza geral assim Carlisle poderia entregar a chave para a imobiliária para eles vende-la, Esme insistiu muito para que contratássemos uma faxineira para esse serviço, mas eu insisti em fazer isso, sempre foi Emm e eu que limpávamos a casa, e eu queria fazer isso pela ultima vez, sei que é um pouco nostálgico e desnecessário, mas Emmett concordou comigo e eu sei que no fundo ele pensa o mesmo que eu: Será a ultima vez que vamos ver os lugares que brincávamos, há muitas lembranças lá que merecem um ultimo adeus.

-Onde está o Edward? – Perguntou Alice me tirando dos pensamentos. Só de escutar o nome dele meu coração muda de batida. Tenho que fazer ele se controlar, agora vivemos na mesma casa.

-Foi compra outra bola de basquete – Respondeu Emmett com a boca cheia já que ele pegou minha ultima torrada e a enfiou na boca. Que nojo.

-Porque? O que aconteceu com a nossa? – Alice.

-O papai aqui joga muito bem – Ele finalmente engoliu a torrada mostrou os bíceps e os beijou. Será que eu acreditei mesmo que meu querido irmão ia ter modos na casa dos Cullen? Ingenuidade a minha.

Edward. O que eu posso dizer dele que todos já não saibam? Ele tem a idade do Emmett vinte e cinco anos, faz faculdade de medicina, é a pessoa mais linda, doce, sem vergonha, cafajeste, e amoroso do mundo. Tudo isso em proporções certas. Ele faz meu mundo virar sempre que passa e me olha. Que mais posso dizer? Ah sim, é minha grande e ridícula paixão platônica desde que eu tinha 3 anos, nunca vou esquecer quando aquele pequeno menino ruivo são sardas chegou pra mim e para Charles no velório da minha mãe e disse com toda a sabedoria de uma criança de 5 anos pode ter. Que na verdade Deus tinha tirado minha mãe de nós por que ele precisava de alguém no céu pra cuidar das crianças que morriam, porque minha mãe era a mãe mais alegre e divertida que Deus podia querer. Ainda não sei de onde ele tirou isso, mas lembro que eu finalmente tinha entendido que minha mãe nunca mais ia voltar e não fiquei triste. Essas palavras também fizeram Esme e Charles chorarem mais ainda, mas eles sorriam também. Essa é a primeira e a mais forte lembrança que eu tenho do Edward.

-Ok, ok, ok... Vamos logo antes que você durma Bella adormecida, assim quanto mais rápido formo mais rápido eu ganho do Edward – Emm me arrastou, literalmente, para fora da cozinha, ele pegou a chave do carro e fomos embora.

Fizemos o caminho todo em silencio, assim como toda a faxina, se é que pode se chamar de faxina varrer um chão já limpo e ficar sentados apenas conversando e rindo das lembranças que tivemos nessa casa.

-Lembra aquele dia que você abriu a mamadeira e jogou todo o leite em cima do sofá? Mamãe ficou louca da vida – Emmett ria em quanto ele apontava um canto da sala onde ficava nosso sofá.

-Claro que não seu besta, eu tinha um ano. E eu com certeza não fiz isso eu amo leite.

-Amava nada, mamãe ficava danada por que você não tomava o leite, tínhamos que ligar a TV num programa idiota em quanto papai cantava e dançava junto com o personagem, mamãe te ninava e eu tocava a mamadeira na sua boca.

-Isso é uma total mentira Emm, papai nunca me contou isso, e você não é a fonte mais confiável do mundo – Disse fazendo bico, na verdade essas minhas batalhas contra a comida quando eu era bebe são bem famosas, hoje minha batalha e contra a gravidade da terra que faz com que todas as balanças indiquem que eu estou engordando cada vez mais.

-Bella você é muito cabeça dura sabia, igual o papai – Emmett ainda ria da cena que estava na cabeça dele, que eu ainda duvido ser verdadeira já que ele tinha 5 anos e lembra do ocorrido com uma quantidade muito duvidosa de detalhes.

Ainda mantinha meu bico de falsa zangada com ele parou de rir e falou:

-Lembra a primeira vez que a mamãe desmaiou?

Tirando a lembrança de Edward no funeral da minha mãe essa é outra lembrança muito forte que eu tenho. Acompanhei o olhar do Emmett e olhei para a porta de entrada. Era como se a cena estivesse acontecendo novamente. Eu estava sentada brincando eu acho, no chão perto da arvore de natal, Charles estava na cozinha fingindo que estava lavando louça, e Renné entrou pela porta carregada de presentes. Depois eu descobrir que ela tinha tirado eles do esconderijo de natal porque Charles ia viajar a negócios durante o Atal e o ano novo e ela ia dar nossos presentes antecipados. Lembro que minha mãe abriu a porta e estava sorrindo, muito feliz como ela sempre era, mas quando abriu a boca para falar alguma coisa ela caiu no chão. Depois disso não lembro mais nada.

Emm me conta que Renné desmaiou mais três vezes até descobrirem o coagulo que ela tinha numa veia do cérebro, mas ela morreu antes de qualquer interversão cirúrgica. Charles ainda não se perdoa de ter ido viajar naquele final de ano.

-Nó prometemos Emm, sem lembranças triste, sem lagrimas – Disse tentando esquecer uma das poucas lembranças que tenho de minha mãe. E fazer com que as lagrimas que dançava me meus olhos não caíssem.

Fez-se silencio mais alguns minutos e decidimos ir embora. Levantamos, pegamos nossas coisas, saímos juntos da nossa velha casa, Emmett colocou a chave na maçaneta e juntei minha mão com a dele e giramos a chave, trancando nossas antigas lembranças junto com elas.

-Adeus casinha. Vou sentir sua falta – Falei fazendo carinho na porta.

-Tchau casinha. Que aguento minha primeira transa.

-EMMETT – Gritei.

-O que? Você falou sem lembranças tristes. Ok, ok. Acabou oficialmente a fazer nostalgia

-Eu realmente não precisava saber disso. – Falei virando de costas e caminhando até o carro.

-Mas é bom você começar a querer saber dessas coisas. Começamos a morar oficialmente com o Edward agora.

Congelei. O que ele queria dizer com isso? Será que ele sabe que eu amo o Edward desde sempre? Que eu já imaginei nos dois aos beijos diversas vezes? AI MEU DEUS.

-E o que isso tem a ver? – Perguntei tentando parecer despreocupada. Abri a porta do carro ainda com meu coração acelerado.

-Tem a ver que ele fode muito mais que eu.

-EMMETT – Gritei novamente – Que droga de palavreado é esse? Você faz o favor de não falar isso na casa dos Cullen – Repreendi meu irmão. Mas na verdade eu estava brava com outra coisa, uma coisa que eu não tinha pensando até agora. Eu realmente vou ter que conviver com todos os lados do Edward. Sentei e coloquei o cinto de segurança, cruzei os braços e emburrei.

-Ok, ok... – Emmett veio dizendo em quanto em quanto ligava o carro – Você fala como se o Ed não falasse essas coisas na casa dele, mas vou fazer de conta que vou me comportar até essa TPM ou transtorno bipolar acabar ok! Puta merda Bella. Como você consegue mudar de sentimento tão rápido assim

-CALA ESSA BOCA Emmett – Gritei. Não pela mudança de sentimentos, mas sim pela minha burrice, até agora só tinha pensando nas coisas boas de morar com o Edward, mas parece que com ele vem às vagabundas junto.

-Vamos fazer assim, vou passar em alguma lanchonete e te comparar o maior Mike Shake de chocolate, está bem assim?

Não respondi, por que na verdade nem estava escutando o que Emmett estava dizendo, no em como eu ia acabar com as vagaba que o Edward trazer para casa, minha casa agora. Minha casa, quer dizer que eu tenho acesso livre a tudo, sorri. Elas que me aguardem.

-Oh, um sorriso. Então ai vamos nos Mike Shake...

-É Milk shake seu idiota – Corri meu irmão, fechei a cara de novo. E escutei ele resmungar um “bipolar”, não respondi.

Ainda estou triste pela mudança, pelas lembranças que vão ficar dentro daquela casa, por Charles não ter conseguido voo para se despedir da cassa também, então vou me permitir ficar de luto esse final de semana, porque na segunda a operação “Edward vai ser meu” vai começar.

Notas finais
Sei que demorei horrores, para postar esse capitulo, mas daqui pra frente as coisas vão melhorar =D.
Tristes não? Precisava desse começo. Agora Bella tem um novo começo... =D...
Espero que gostem
B-jusss