Esquadrão Inexistente
1 Capítulo 0 - República Militar Brasileira
A noite estava quente. Não era como as outras noites na cidade que uma vez foi chamada de maravilhosa. Os corajosos que ainda caminhavam às pressas na rua, suavam feito corredores de maratonas olímpicas. Alguns carregavam leques ou “mini-ventiladores” para se refrescar, mas não era eficiente. Depois que o Presidente Hernest M. Garruzto aumentou a jornada de trabalho nas fábricas, o calor aumentou gradativamente na cidade. As chaminés pintavam o céu de negro até a meia noite e após isso, um grande alarme soava tão alto, que era capaz de acordar todos os bairros próximos das fábricas. O alerta indicava que a jornada de trabalho finalmente acabara, mas não para todos. Umas das medidas estabelecidas pelo Presidente Hernest M. Garruzto era a de que os prisioneiros que fossem capturados por “incitação a revolução”, “crimes contra a pátria e ao país”, “circulação ou posse de material proibido”, “formação de grupos com ideais adversos” ou membros de partidos contrários ao sistema de governo, seriam mandados para trabalhar nas fábricas. Porém uma grande parcela dessas pessoas era inocente. Os Oficiais Pacificadores, homens altamente armados e protegidos que patrulhavam as ruas da cidade em busca de subversivos, eram os responsáveis por investigar, deter e aplicar a punição adequada para as pessoas que fossem pegas no exercício de uma prática ilegal. O chefe de todos os OP (oficiais pacificadores) era o General Filipi Müller, um homem extremamente inteligente e muito frio. Lutou em diversas batalhas em nome do Presidente Hernest M. Garruzto, sendo que a mais notável lhe rendeu o cargo de chefe do departamento dos Oficiais Pacificadores. Era um excelente atirador, um exímio piloto de avião e um torturador terrível.
As torturas eram permitidas. O presidente Hernest M. Garruzto as autorizou sob o argumento de que “os inimigos da pátria têm o conhecimento de informações sigilosas, porém são altamente treinados para não revelá-las”. Esse discurso pendurou por cerca de quinze anos, até que não havia mais nenhum inimigo para combater.
O país se tornou um grande governo ditatorial, centralizador e com um governante poderoso e autoritário. Os partidos que eram contra a ascensão de Garruzto ao poder, antes do grande golpe das usinas de fusão a frio, foram completamente dizimados e obrigados a se dividirem. Seu primeiro Ato Institucional como presidente, foi fechar todas as fronteiras do País e limitar o acesso.
Antes do país se tornar República Militar Brasileira, ele um dia fora chamado de República Federativa do Brasil, e era completamente diferente do Brasil de 2135. O último presidente eleito democraticamente foi Plínio Veloso, que ficou conhecido como “O pai dos direitos humanos”. O presidente elevou a educação, a cultura e os direitos básicos dos cidadãos brasileiros ao máximo, tornando o Brasil a quarta economia mundial. Seu mandado durou cinco anos, e nas eleições seguintes, Plínio Veloso não conseguiu se eleger.
O vitorioso foi Hernest M. Garruzto. Já em seus primeiros anos como presidente eleito em uma eleição democrática, articulou os militares para um possível golpe, que ficou em segredo. Transformou também o país em uma grande nação bélica e uma excelente produtora de energia, criando usinas de fusão a frio.
Garruzto firmou também parcerias com nações internacionais, sendo a mais concreta com os Estados Militares Unidos da América do Norte ou, EMUAN. (Military United States of North America, no inglês). Em seu governo, surgiram os grupos contrários a seus ideais, sendo que o mais conhecido era o ERA ou, Esquadrão Renovador Armado, que tentava combater, com o uso de artifícios bélicos, a repressão e o governo de Garruzto. Ao fim de seu mandato, o golpe foi iniciado. Alegando uma falha nas usinas de Fusão a Frio, o presidente decretou estado de alerta e de emergência, aceitando a ajuda de uma nação aliada, os EMUAN (Estados Militares Unidos da América do Norte). Como o país estava em estado de alerta e calamidade, correndo risco das usinas de fusão a frio se tornarem instáveis e explodirem, o presidente tomou o controle de tudo, centralizando cada órgão em sua mão, e começou, com a ajuda dos EMUAN, a colocar o golpe em prática.
O povo ficou desesperado. Temiam que suas vidas fossem ameaçadas, mas o presidente transmitia mensagens de paz e de esperança, o que começou a acalmá-los. Não houve greves, passeatas e nem muito medo nos três anos que seguiram. E ao fim do terceiro ano, com todos os poderes concentrados na mão de Garruzto, foi estabelecida a ditadura no país. Sindicatos foram dissolvidos, contrários ao governo foram oprimidos e o um período negro se iniciou no país que foi nomeado República Militar Brasileira, a comando do Presidente Hernest M. Garruzto.
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