Esperança.
1 Capítulo 1
A morte é a única certeza que temos durante nossa vida, mas se estaremos preparados para isso ou para presenciar a morte de pessoas a nossa volta é uma questão que nunca saberemos. Chorar e gritar são algo comum durante a guerra, talvez o silêncio durante as mortes seja a melhor solução já que não temos como evitar a violência, ou será que temos?
Com o país dividido entre militares e ativistas os que sobram acabam morrendo ou escondidos na busca de segurança, muitos escolhem um dos lados para sobreviver por mais algum tempo mesmo estando a beira do perigo eminente, ou talvez para encontrar algum parente do outro lado, mas infelizmente aqueles que amávamos a maioria foi morta nos primeiros dias do golpe de estado e logo após a morte do presidente em sua pose foi instalado o caos no país.
Se você postou ou fez propaganda para algum lado você foi morto nos primeiros dias, se você cruzou o caminho de algum deles provavelmente foi morto nos primeiros dias. Como muitos sobreviveram? Cidades do interior era muito mais fácil de conseguirem se esconder por causa do campo pelo simples motivo dos militares não conseguirem controlar e os ativistas não conseguirem se deslocar, então não eram deslocados e muito menos eram incomodados conseguindo sobreviver cultivando seu próprio alimento sendo assim isolados da confusão, porém não sinto inveja deles pois são apenas covardes que não nos ajudaram e preferem se esconder da luta.
Assim que nossa comunicação começou a ser um meio de matança onde todos investigavam e matavam aqueles que postavam qualquer tipo de mensagem de grupos governamentais, assim eram torturados e mortos, a internet começou a ser nosso passado até para tentar encontrar alguém. A imprensa começou a ser ignorada a todo custo por terem pessoas dos ambos os lados que poderiam distorcer suas palavras e convicções . Nosso alimento era separado para cada grupo e para quem não fazia parte era preciso roubar de grandes postos de alimento a noite, pois o que era entregue não era suficiente, isso quando conseguíamos chegar nos postos. Pessoas indecisas que não tem um lado não precisa de comida para a guerra, e os órgãos governamentais só estava interessado em quem ganharia e não em quem está perdendo mais vidas.
Nas ultimas semanas começaram a passar videos de artistas famosos fazendo seu posicionamento em redes sociais, os únicos que não eram mortos. Ou estavam em outro país, ou em alguma fortaleza do grupo, se eram pressionados ou não para mostrar seu lado não sabemos mas de qualquer forma eles também não são de algum lado. O único artista que teve coragem de comentar que era distinto como nós, era um cantor chamado Henry porém você só descobriria se fosse procurar a fundo pois nenhuma noticia foi divulgada.
-Nayla?- perguntou o líder do nosso esconderijo me fazendo me despertar e parar de comer o prato de ração que comemos todos os dias – você pode ajudar a pegar os suprimentos hoje? Sei que essa não é sua tarefa mas estamos cada vez com menos membros.
Olhei para ele um momento e então me levantei da cadeira e fui até mais perto do senhor grisalho com seu óculos redondo enfeitando a ponta do nariz enrugado pela velhice.
— Achei que Alexa estaria no comando – perguntei confusa.
Foi quando o senhor olhou para direção da irmã de Alexa de 9 anos com um uniforme militar me fazendo entender o que tinha acontecido. Alexa era uma jovem de 17 anos que tinha acabou virando líder de suprimentos fazendo estrategias para buscar comida e remédios quando precisávamos, porém fazia 1 semana que havia visto seus pais marchando para o quartel perto da prefeitura a qual foi impedida de seguir por estar em choque pois não os via desde que a guerra começou o que fazia dois anos.
— Eu vou e deixo ela no quartel provavelmente Alexa encontre ela no meio do caminho
Comecei a caminhar em direção da pequena Sara e depois de uma breve conversa peguei em sua mão e comecei a organizar a equipe de suprimentos para partir assim que anoitecer. Antes de sairmos recebi as coordenadas de Alexa por um rádio militar antigo, nosso único meio de comunicação com outros acampamentos como chamávamos.
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