Esperança

3 Kara e Conner


— Vou deixá-los a sós. Espero que possam se dar bem. — Cat saiu da nossa vista, finalmente.

— Oi, Kara. — Conner falou, baixinho. Eu estava surpresa com sua presença — É bom te ver.

— C-Conner, o que faz aqui em National City? Não deveria estar protegendo pessoas?

— Bom, digamos que o Superboy tem tudo sob controle agora. — Sussurrou — Eu queria te fazer uma visita. Daí eu soube que o Superman estava por aqui também, então...

— Tem certeza que o Clark ficaria feliz em te ver? — Perguntei, preocupada. Conner era um clone do Superman, projetado pela Cadmus para substituí-lo quando morresse. Por ter o DNA dele e de Lex Luthor vagando por suas veias, o garoto considerava Clark como um pai.

— Não custa tentar. Então, Kara Danvers, o que temos de especial nesse local?

Não pude evitar de sorrir. Levei Conner para fazer um tour pela Catco. Ele conheceu até a sala onde costumavam ficar as imagens do Superman, seu "pai". Ele olhava algumas delas com convicção.

— Um dia, eu quero ser como ele. — Disse. Gostaria que eles pudessem se dar bem. Seria legal tê-los por perto.

Prometi ao garoto que o levaria para um cinema e outras coisas que ele quisesse, afinal, tinha poucos meses de vida.

— Então... você... tem algum namorado? — Perguntou, coçando a cabeça. Seus cabelos começaram a ficar bagunçados.

— Está tentando me paquerar, idiota? — Como resposta, eu lambi meus dedos e os deslizei em seus cabelos, procurando ajeitá-los. Ele esquivou.

— Urg! Você é nojenta. E eu já tenho uma namorada. Mas não costumo falar muito dela.

— Hmm, sei. — Ri — Ei, você gostaria de treinar comigo depois do trabalho? Posso te apresentar ao DEO.

— Sério? Seria incrível!

— Claro. Ao menos que você seja um espião, eles irão te tratar como eu trato você.

— Com cuspes e ousadia? Prefiro ficar aqui, então. — Rimos, observando o por do sol. Era muito bom ter alguém como eu ao meu lado.

Nos despedimos da srta. Grant e de outras pessoas que resolveram falar com Conner. Depois de ter colocado meu uniforme, fomos para a DEO.

. . .

Tinham mais agentes do que o normal na estação. Parecia que algo sério estava acontecendo. Perguntei o que seria isso, mas responderam que era só Lucy Lane, visitando a base para uma entrevista.

— Já pensou se eu chamasse a Lucy de tia? Qual seria a reação dela? — Conner riu e eu fiquei mais preocupada.

— Você está tomando essa coisa de família muito a sério, Conner. Você está bem mesmo? — O garoto olhou para o chão e ficou balançando o pé.

— Eu já cheguei a imaginar como seria a minha vida se eu fosse mesmo o filho do Clark. — Falou — Seria legal chegar todos os dias da escola e chamar Lois Lane de "mãe". Clark Kent, de "pai".

— Ei. Se isso ajuda, você é como um irmãozinho pra mim. — Beijei sua cabeça e me preparei para o rio de perguntas que Hank faria sobre o garoto.

Andei até o meu chefe, recebendo olhares de dúvida sobre o garoto fofo de óculos que me acompanhava.

— Quem é esse, Supergirl? Sabe que não é permitida a entrada de estranhos à DEO. — Hank nos olhava.

— Sim, eu sei. Esse daqui é Conner Kent, mais conhecido como Superboy no lugar onde vive.

Hank estava pasmo, assim como as pessoas perto dele. Era como se eu tivesse dito que ele era filho do presidente dos Estados Unidos.

— Superboy, hein? Tem alguma relação com nossa Supergirl?

— Somos primos, tecnicamente. — Conner respondeu por mim. É... "tecnicamente".

— Bom, seja bem-vindo ao departamento. Você tem os mesmos poderes de Supergirl ou do Superman?

— Mais ou menos. — O silêncio nos abordou de surpresa. De longe, vi Winn me olhando com uma expressão séria, como se tivesse enciumado. Ele sussurrou algo, tenho certeza que Conner ouviu.

— Uh... licença. Eu preciso falar com o Winn. — Disse, me afastando deles.

— Kara! — Winn falou com uma voz baixa, mantendo o tom supostamente discreto — Quem é ele?

— Aquele é o clone do Clark, o Superboy. — Meu melhor amigo nem parecia ter ficado tão chocado. Normalmente ele teria um ataque fanboy pra cima do Conner — O que você quer falar?

— Preciso te mostrar algo. — Winn me puxou para a sala de computação, suas mãos estavam geladas. Ele sentou-se na frente de um dos computadores e apontou para uma cadeira ao seu lado — É melhor você se sentar. Eu descobri algumas coisas interessantes sobre o seu cara da ponte.

— Credo! Eu nem conhecia o garoto. — Fiz uma careta de incômodo. Winn continuava sério demais, ainda lançando olhares curiosos para Conner.

— Acho que depois dessa, você não vai dizer o mesmo. O menino não é daqui de National City, duvido que seja até um humano.

— Por que acha isso? — Winn apontou para tela, dando zoom em uma das imagens.

— Essas são imagens das câmeras de segurança de um poste da ponte. O garoto tem uma tatuagem incrivelmente pequena no pescoço. É um "C" pintado de vermelho escuro. Eu pesquisei o lugar de onde essa logo deveria pertencer.

— E então?

— É a sigla de um local chamado Cadmus e adivinha só. Eles fazem experiências macabras com pessoas. — Meu coração pulsou com mais força.

— Você tem uma imagem do rosto dele? Com uma boa resolução? — Na hora, Winn procurou pelo que eu pedi, mostrando-me uma das várias amostras.

Pedi para Winn dar zoom em seu rosto e me assustei quando percebi de quem se tratava.

— Kon-El...