Esperança
6 A mensagem de Jonathan K
Eu estava ficando preocupada. Já se passaram nove dias que Conner não deu sinal de vida. A última vez que eu o vi foi quando Clark se revoltou com o garoto. Eu já tentei ligar pra ele umas 200 vezes, ele deveria estar aqui, comigo.
— Kara, ligue a TV no noticiário. Agora! — Alex gritou do quarto de nossa casa. Quantas vezes ainda eu teria que ouvir essa maldita frase?
— O que foi agora? — Questionei, abocanhando um pedaço de pizza e molhando a garganta com um milkshake de morango — Mais alguém querendo empalar a Supergirl porque ela "provocou a morte um garoto inocente"?
— Acho melhor ver por si mesma.
Roubei violentamente o controle da mão de Alex e pressionei o botão vermelho. Já estava no canal que eu precisava.
— O jogo teria virado para Supergirl? — Era o que estava escrito na headline — Uma semana após o terrível incidente na parte central da cidade, um vídeo surpreendente foi enviado à nossa emissora. Nele um indivíduo, identificado como Jonathan K, assume ser o garoto que supostamente teria tirado a própria vida na Golden Bridge. Confira a mensagem.
No mesmo instante, a imagem da silhueta de uma pessoa se formou na tela. Não era possível ver seu rosto.
— Eu sou o causador de toda a discórdia lançada nas costas de Supergirl. — Uma voz eletronicamente distorcida afirmou — Ela não merece isso. Tudo foi uma farsa, eu não cometi nem tentei cometer suicídio. Meu objetivo principal era chamar atenção da Garota de Aço e eu consegui, mas da pior maneira possível. Eu não fui atirado ao mar. Logo abaixo da ponte havia um colchão inflável que conseguiu amortecer a minha queda.
"Colchão inflável? Sério?", pensei, num deboche "Esperava mais de alguém como ele"
— Acho que não estou entendendo muito bem... — Alex suspirou. Pelo visto, eu teria que explicar tudo depois.
— Desculpas seria o mínimo que eu deveria pedir para a grande heroína de National City. É por isso que eu sairei dessa cidade e vou carregar minha vergonha para o resto da minha vida. Adeus.
— Seja lá onde Supergirl estiver, eu espero que ela esteja vendo isso. Saiba que nós, cidadãos, estamos em estado de arrependimento por cada gesto de agressão contra a incrível Garota de Aço.— A repórter adicionou.
O vídeo teria acabado. As reportagens continuaram rolando pela TV. Eu não sabia muito bem o que sentir, se bem que o meu coração era uma bola de confusões ambulante. Estaria feliz pelo povo ter me aceitado novamente? Triste por Conner não nos dar notícias? Furiosa por sentir uma ponta de culpa no peito?
— Quem é aquele garoto da TV e por que ele fingiu ser o Conner? — Alex me abordou com as perguntas. Ela ficou perto de arrancar a pizza das minhas mãos e de entrar em coma.
— Não entende, Alex? Aquele era o Conner. — Ela ergueu as sobrancelhas e eu suspirei, cansada.
— Mas a repórter disse que o nome dele é "Jonathan K".
— Exato! E é por isso que eu sei que era Kon no vídeo. Jonathan Kent era o nome que Clark escolheria para o filho dele, se ele e Lois tivessem um. — Expliquei — Ele não quis se revelar como Conner.
— Mas por que ele faria isso? Se as pessoas algum dia descobrissem quem ele é, elas o matariam quando tivessem oportunidade. — Alex disse, referindo-se ao fato de Conner ter forjado a própria morte.
— Não sei. Talvez ele só queria se redimir. — Fiquei cabisbaixa, meu coração martelando contra o peito. Peguei meu celular e comecei a discar alguns dígitos.
— Pra onde está ligando? — Minha irmã perguntou.
— Quero tentar falar com o Conner mais uma vez. — Coloquei o celular contra minha orelha, enquanto só ouvia o agonizante "beep" da caixa postal. Decidi deixar uma mensagem. Talvez ele pudesse ouvir depois — Conner, sou eu de novo. Por favor, venha logo pra casa, você está me deixando preocupada. Eu vi o vídeo que você gravou. Na verdade, quem não teria visto? Bom... obrigada e sinto muito se eu ou Superman dificultamos sua estadia aqui, em National City.
Após ter enviado a mensagem, acabei largando o celular no chão. Alex fitou o objeto como quem tivesse uma ideia.
— O quê?
— Kara, podemos tentar localizar o chip do celular dele. Na sorte, encontraremos Conner. — Me senti idiota por não ter pensado nisso antes. Talvez por toda a pressão das pessoas e da culpa.
— Vamos pra DEO. Preciso pedir isso pro Winn.
. . .
— Está querendo que eu encontre um cara que desapareceu há mais de uma semana? — Winn Schott questionou. Identifiquei um pouco de raiva em suas palavras.
— Basicamente, sim. — Respondo, segurando o que deveria ser um pingente — Por favor, eu preciso dele.
— Droga, quando eu vou conseguir dizer um não pra você? — Bufou. Eu o abracei na mesma hora, arrancando um sorriso dele.
Winn passou uns 10 minutos procurando o que eu tinha pedido. Após murmúrios, suspiros e palavrões, parece que ele tinha conseguido.
— Aqui está. — Sussurrou, apontando para a tela do computador — Acontece que eu não sei o que de importante tem nesse endereço. Parece até que apagaram as informações do lugar.
Cheguei mais perto do computador, encarando uma luzinha verde que piscava a cada 2 segundos.
— Eu sei exatamente onde ele está. — Pigarreei nervosamente — Mas vou precisar de ajuda. Alex, ligue pra Clark. Isso é pior do que pensei.
Ela me lançou um olhar de dúvidas, mas fez o que pedi. Esperei apenas 4 minutos para sentir uma rajada de ar forte no departamento. Era Superman.
— Whoa! Isso foi impressionante. Vocês viram o mesmo que eu? — Winn gritou, tento o ataque fanboy que me fazia rir. Pena que dessa vez eu não tive vontade de expressar alguma felicidade.
— Clark, preciso da sua ajuda. — Ignorei Winn.
— É, ficou bem claro quando sua irmã pediu. — Ele estava com uma aparência carrancuda.
— Será que pode superar seu ódio pelo Conner somente agora? Ele está em perigo! — Clark abriu a boca para falar algo, mas fechou novamente e abaixou a cabeça.
— Vamos, então.
Saímos voando da DEO, literalmente. O céu parecia mais escuro, como se soubesse o mal que poderia cair sobre nós. Eu guiei Superman até o endereço que Winn me mostrou. Quando finalmente tocamos o solo do lugar mostrado pelas cordenadas, até ele ficou surpreso.
— Então é isso mesmo? — Perguntou, sem retirar os olhos do enorme prédio.
— Queria que não fosse, mas não temos escolha.
Andamos até a porta que nos levaria até o subsolo do local, o centro de pesquisas da Cadmus.
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