Espelho de dois mundos

8 Capítulo 8: Os guardiões.


Andamos por algum tempo e conforme entravamos naquele lugar que parecia não ter fim os restos de construções deixavam de existir dando espaço a casas bem velhas.

Por fim chegamos a outro portão e ele me parou:

–Preste atenção no que vou te dizer. Ninguém pode te ver aqui, você está viva, nós não. Aquelas coisas que você viu, as caveiras, na verdade são os guardiões deste mundo, eles protegem este lugar caso alguma coisa aconteça -ele parou a explicação e pensou alto- mas depois de tantos anos aqui eu nunca vi nada igual... nunca vi alguém vivo aqui...

O interrompi:

–Mas como vocês sabem que estou viva? Quero dizer só por aparência vocês conseguem distinguir?

–Não só pela aparência, mas pelo cheiro. Você não sente seu cheiro nem o meu mas todos aqui sentem e sabem diferenciar. Aqueles guardiões só desistiram porque você estava grudada comigo... entendeu?

–Acho que sim, então quando eu cheguei aqui foi...

–Exato, mas você está comigo agora, por isso não te acharam ainda. -Ele deu uma pequena pausa- Não pense que eles vão desistir tão fácil de você e se não conseguirem te achar em certo tempo vão acabar trazendo coisa maior, não temos muito tempo.

Olhei pra ele:

–Como sabe de tudo isso?

–Eu já vi pessoas sendo caçadas por tentar escalar aqueles espinhos não sabendo nem a onde iam chegar. Elas enlouquecem nesse lugar. A culpa é tão grande pra muitas delas que só querem de algum jeito escapar daqui logo. Você não vai achar tão facilmente alguém aqui sorrindo ou algo parecido.

Olhei mais uma vez para aquele lugar, a sensação era de tristeza só de olhar. Mais a fundo conseguia ver alguns corpos ambulantes parecendo carregar fardos enormes nas costas mas não eram muito visíveis da distancia que estavam:

–O que vamos fazer agora? -Perguntei.

–Você vai ficar aqui, eu vou entrar lá e ver se consigo algo pra fazer com que você consiga passar despercebida.