Espelho de dois mundos

6 Capítulo 6: Amigo ou inimigo?


A caveira deu a volta em uma das construções e desapareceu, junto a ela foram na mesma direção mais duas que desapareceram também, o homem então me puxou pra dentro da construção que mais parecia com uma casa, apesar de bem velha ainda tinha portas e janelas então me soltou e fechou a porta.

Ele se virou pra mim e pude olhar com mais calma, ele tinha mais ou menos 1,80 de altura, cabelos brancos e lisos mas com a aparência de alguém de 20 e tantos anos e olhos cinzas. O que mais me assustou foi ver seu rosto, pensei ter visto coisas por causa do susto que levei mas ele realmente tinha a parte esquerda da boca em carne viva e seus dentes amostra, era como se alguém tivesse arrancado a pele naquele local:

–O que uma humana faz aqui?

Levei um susto quando ouvi isso, e acabei cambaleando e quase caindo pra trás, peguei um pedaço de madeira que havia soltado de uma das paredes e apontei pra ele:

–Quem é você? -Minha voz saiu tremida, e quando percebi meu corpo também tremia- Que lugar é esse?

Ele pareceu ficar confuso:

–Você não sabe? Como veio parar aqui, afinal?

Eu não conseguia me mexer, não sabia no que havia me metido, se aquele cara era do bem ou do mal, não tinha nem ideia do que ele poderia fazer comigo se confiasse nele:

–Ei! Diga logo, como uma humana veio parar aqui?

Vi que não tinha muita escolha, era dizer algo ou esperar um milagre:

–Eu... eu acho que atravessei um espelho e...

–Espelho? Um espelho? -Ele pareceu pensar- O que eu estou fazendo aqui? Isso não é assunto meu. Se eles souberem que estou com uma humana vai sobrar pra mim.

Ele se virou e colocou sua mão esquerda na maçaneta:

–Espera! -Gritei sem pensar.

Ele se virou e me encarou:

–Por favor... por favor me ajuda, eu só... só segui minha gata e entrei no espelho, eu vim parar aqui e... eu quero voltar! Quero voltar pra minha casa, quero sair daqui.

–Não vou ajudar uma humana.

Eu então segurei seu braço e notei que estava muito gelado então soltei rapidamente, eu estava começando a entrar em pânico, tentei me conter mas a única coisa que pensei em fazer era ajoelhar e chorar:

–Isso... isso só pode ser um sonho... por favor que seja um sonho! -Levei minhas mãos ao rosto- O que foi que eu fiz pra merecer isso?

–Não é um sonho. -Ouvi do homem que agora estava ajoelhado na minha frente- Nada aqui é, se fosse, seria um pesadelo.

Levantei minha cabeça e olhei fundo nos olhos dele:

–Como eu saio daqui?