Espelho de dois mundos
20 Capítulo 20: Etapa final.
A princípio tudo parecia quieto e não sabia se aquilo era bom ou ruim, mas a medida que subiamos por aquilo que me parecia um túnel extremamente sufocante e escuro mas minha visão se acostumou e pude ver por onde seguiamos. Os gritos começaram e foram ficando mais altos até se tornarem algo extremamente desconfortável até mesmo para Shouji. Chegamos ao final daquilo mas para nossa surpresa não havia saída:
-Esperem,o velho me disse algo sobre... -Shouji não terminou a frase, só tateou a parede na sua frente e com um solavanco empurrou a peça que parecia ser feita de concreto. Aquilo caiu no chão e fez um barulho muito alto: -Ai droga! -disse Shouji percebendo o que tinha feito- Eles vão vir! Ace nos proteja! Shouji pegou minha mão e começamos a subir a escadaria com várias portas abertas dos dois lados: -Não olhe pros lados! Corra Reiko o mais rápido que conseguir! Ouviamos os latidos de Ace e percebi que os guardiões tinham chegado até ele, assim como mais cães infernais: -NÂO VAMOS CONSEGUIR! -Gritei apavorada. -Vamos sim! Temos que conseguir Reiko! Corríamos mas aquilo não parecia ter mais fim, os sons de muitas coisas atrás da gente aumentando e gritos indo e vindo. Me esforçava pra não tropeçar, me esforçava pra não olhar para os lados, porque sabia que aquelas portas davam pras salas de tortura, me esforçava o máximo pra não me decepcionar, pra não decepcionar o Ace que já deveria estar no chão e principalmente, pra não decepcionar Shouji. E quando parecia que iamos ser pegos, chegamos a sala principal do espelho que aguardava ao centro, corri como se nunca me cansasse, corri segurando a mão de Shouji e quando cheguei ao espelho ele me soltou, diminui o passo: -O que está fazendo Shouji? Precisamos ir! -Reiko, só você passa por aí, ninguém mais pode,só vivos ou os que chegam. Vai Reiko! Lágrimas se juntaram em torno dos meus olhos, o som dos que estavam atrás de nós se aproximavam: -Não... Não! -gritei e o abracei. -Obrigado Reiko por me fazer ver o lado bom das coisas novamente, obrigado por me fazer criar coragem de enfrentar minhas punições e finalmente ter paz, obrigado Reiko! -SHOUJI! ... Ele me empurrou para dentro do espelho e vi os guardiões e cães na porta, Shouji me deu um último sorriso, e toda aquela cena desapareceu. Eu acordei no chão do quarto ao lado do espelho, bati com toda minha força naquilo chorando até quebra-lo: -Shouji... não... Shouji... obrigada... Minha gata Mimi saiu de trás de mim, como se nunca tivesse entrado naquilo. Eu me perguntei se tudo aquilo tinha sido real.
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