Espelho de dois mundos

12 Capítulo 12: Conflito.


Estávamos a uma longa distância da casa do Sr. Akemi e passávamos escondidos por onde podíamos, acabamos chegando bem perto do nosso objetivo por algumas ruas estreitas e seguíamos agora por uma trilha, olhei no mapa e chegaríamos se entrássemos em um alçapão ou algo do tipo.

Enquanto não chegávamos eu só conseguia olhar para aquelas custuras no braço de Shouji, era incrível o modo que não parecia doer nem um pouco pra ele, e acho que ele acabou percebendo:

—Eu consegui fazer com que eles tomassem outro rumo... -disse ele olhando pra mim escondendo o braço- Mas quando pensei que estava tudo seguro um deles me puxou e me perguntou onde você estava, eu não respondi e em troca ganhei um novo machucado.

Ele riu um riso forçado e continuou depois de um tempo de silêncio:

—Ele me disse pra não te ajudar mais e não sobraria pra mim. Mas eu vou... Reiko.

Eu olhei pra ele com cara de espanto. Eu não esperava ouvir aquilo.

Ele só olhava pra frente, eu não sabia o que se passava na cabeça dele e nem na minha, era uma mistura de coisas naquele momento. O que eu mais pensava ainda era o porque ele fazia tudo aquilo por mim, nunca o vi em vida. Eu estava inquieta, senti minhas bochechas quentes:

—Ei espera! -Eu gritei.

Shouji levou um susto:

—O que foi? Você ficou louca ou o quê?

—É que...

—Por quê está tão vermelha?

—PARA DE FALAR ISSO!! -eu fiquei sem graça e não sabia mais o que estava falando, eu só queria enfiar minha cabeça em um buraco e esquecer que eu existia. Por que estava agindo daquele jeito?

—Ei pare de gritar! Vai chamar a atenção de todo mundo!

—Você que está gritando comigo!

—Você que começou e a culpa é minha?

Então veio três homens horrivelmente cadavéricos:

—Ali está a garota -disse o do meio pros outros dois.

—Viu só o que você fez? -Gritou Shouji pra mim.

—Ei não adianta ficar brigando comigo!

Mas os três homens já estavam correndo pra cima da gente com facões em suas mãos. Shouji entrou na minha frente, o primeiro atacou e ele desviou me empurrando pra trás e senti a lâmina passar a alguns centímetros do meu rosto, Shouji pegou o braço do homem e o torceu para o lado fazendo com que soltasse a lâmina e se ajoelhasse de dor, imediatamente Shouji pegou-a do chão e a infincou no ombro do homem bem fundo, não perdendo tempo retirou o facão do ombro e foi para o segundo cara dando-lhe uma rasteira e cravando o facão no seu rosto, o terceiro já estava em cima de Shouji e o derrubou no chão o imobilizando.

Eu precisava fazer algo, apesar de tensa não tinha tempo pra pensar, peguei o facão do segundo cara caído no chão e cravei o mais fundo que pude nas costas do homem que estava em cima de Shouji ouve um respingo de sangue no meu rosto e o cara caiu no chão dando um grito e Shouji terminou o serviço, eu olhei a minha volta e só aí vi o tanto de sangue que havia ali, com todos os corpos e as recentes feridas gigantescas eu nunca tinha visto algo como aquilo:

—Vamos! Eles não estão mortos -Disse Shouji.

—Não... aquela hora que gritei foi porque notei que aquele alçapão do mapa é aqui -e apontei pro chão a um metro de onde estávamos para uma pequena portinha de madeira na terra.