Espelho Quebrado

16 Taylor - Capitulo Especial


Notas iniciais
Gnt, combinei que de 5 em 5 capítulos seriam outros pontos de vista, só q esqueci. O 15 deveria ser da Taylor, mas não foi. Então esse será. Quem não tem muita afinidade com a língua inglesa, peço q leia com um dicionario ou tradutor kkk são poucas palavras, mas de qualquer forma seria bom.

Aquele machucado na bochecha era o de menos. Minhas costas doíam da queda sobre um mesa. Pelo menos aquele idiota vai sofrer muito com a perna quebrada, só assim aprende a respeitar os outros.

Quando entro no quarto com Chris tenho uma sensação estranha. Meio que de abandono. Eu não costumava me sentir assim do nada, mas eu senti.

–Vamos tomar banho antes de cuidar do seu rosto — Chris chama e pega a toalha no encosto da cadeira.

Of course, no banheiro daqui?

–Não, no dos garotos. Não tou afim de olhar pra Bea mais do que o necessário.

Acabo rindo do mal-humor dela.

–Por que você não gosta dela? — pergunto assim que entramos no banheiro.

–Ela não é uma pessoa muito legal, você deve ter percebido. Vive amedrontando geral na escola...

–Menos você. Why?

–Porque eu não sou otária — escuto sua risada na cabine vizinha.

–Vocês duas brigam muito? Já pensou em conversar com ela?

Passo sabonete com corpo e sinto um desconforto quando toco a parte das costas que me machuquei.

–Conversar com aquela ali, nem morta.

Terminamos o banho em meio a conversas sobre o mesmo assunto. Ela me contava as armações de Bea e como elas sempre acabavam discutindo.

De volta ao quarto ela me pede pra sentar na cama enquanto limpa minha ferida.

–Não acho que vá ficar uma cicatriz — diz colocando um curativo — caso fique, você pode fazer uma cirurgia ou usar aqueles cremes que passam na TV.

Sorriu sem querer, ela é engraçada. E eu não fazia ideia de algumas coisas que ela falavam. Ás vezes acho que ela esquece que não estou nesse país há tanto tempo quanto ela.

Thank's– agradeço quando ela se poe de pé.

–Por nada.

Viro de costas para vestir a blusa e sem querer deixo a toalha cair, por sorte já estava de short.

–Taylor, que foi isso? — ela diz assustada e viro pra ver o que é, mas ela apenas me encara.

What's?

–Suas costas... Tá bem machucada — ela me vira e levanta a minha blusa — isso dói?

Aperta um ponto e me contorço de dor.

Yeeeh. Don't touch, please– acabo falando em inglês, culpa do analgésico que tomei pra dor, ele me deixa grogue — Sorry, não toque. Por favor.

–Vamos passar um pouco de gel nisso.

Ela meche em sua mochila e volto a sentar.

–Deita ai — pede e obedeço.

Chris levanta minha blusa e passa o gel gelado na parte do meu quadril e esfrega por boa parte da região. Eu sentia uma leve dor pela pressão que ela colocava.

–Aaaut — gemi quando tocaram pouco acima da minha bunda — it's hurting.

–Desculpa — pede — isso não tá muito legal. O que houve?

–Um dos caras me jogou sobre uma mesa.

–E o que você fez com ele?

–Quebrei sua perna.

–Antes ou depois dele te jogar?

After.

–Prontinho...

Só agora eu tinha percebido que ela conversava comigo para me distrair da dor. Agradeceria muito a mim mesma se tivesse lembrado de guardar um dos meus kits na mochila antes de vim.

Thank you so much. You saved my life– digo ainda zonza pelo remédio.

–Não agradeça, você estava defendendo minha melhor amiga.

–E faria de novo se fosse preciso.

Viro-me e encaro o teto. Aquela era a mais pura verdade, eu estava com medo do que sentia por Paula. Era visível que os sentimentos dela eram dirigidos a outra pessoa, mas eu não conseguia entender o motivo de EU ESTAR AMANDO AQUELA GAROTA.

Eu queria sair na rua e gritar o mais alto possível que aquilo era uma grande piada. Queria entrar em uma briga e descontar tudo aquilo em alguém. Eu queria poder fazer alguma coisa... Mas eu não posso, não é?

–Você gosta dela? — Chris pergunta de uma vez.

Ye-yes– tava tão na cara assim, tento me acalmar — ela é divertida. Foi uma otima amiga desde que eu cheguei aqui.

–Você entendeu o que eu quis dizer...

–Eu não sei, ok? — digo por fim.

–Pelo o que eu vi, você não é a unica na disputa do coração da Paulinha.

–Tenho um forte concorrente? — pergunto.

–Ainda não sei, vou descobrir. É coisa demais pra um só dia... Descubro que minha melhor amiga fica com garotas, que teve um caso ou algo do tipo com a piranha da escola, que minha nova amiga também tá afim dela e que eu sou a ultima hétero do planeta.

Foi impossível não rir mais um vez da cara seria com que ela disse isso tudo. Mas acabei mexendo demais de senti o machucado incomodar.

–Fica quieta garota — ela manda.

Ok, mom.

–Não sou sua mãe — bate de leve em meu ombro e ri — e fale mais português, nem todo mundo pode lhe entender.

Sorry... Quero dizer, desculpas. Eu tomei um remédio e ele não faz muito bem pra cabeça. Me surpreendi por não está falando mais de duas línguas e misturar tudo.

–Dorme um pouco que passa — ela vai para própria cama e se cobre com o lençol — boa noite Taylor.

Good night– bocejo.

Antes de dormir, pego meu celular e desbloqueio. Duas novas mensagens. Abro a primeira, enviada por Adam.

"Cuide da minha namorada, fique de olhos em quem se aproximar dela. Faça bem seu papel de prima, hahahaha... Divirta-se Tay. Xoxo"

Acabo rindo de sua mensagem e passo pra outra. Jessica. Uma nova mensagem com foto.

Clico em abrir. Uma foto se Chloe aparece no visor. Ela estava deitada de mal jeito no chão com o rosto sujo de sangue e vários hematomas. Suas roupas também estavam sujas. De um enorme corte em seu braço escorria o sangue pela blusa amarela que vestia.

Malditos. Ela tinha que agir rapido. Com o temperamento de Chloe ela se mataria logo logo.
Abaixo da imagem dizia

Você foi trabalhar ou se divertir? Faça logo o seu trabalho e pare de moleza. É a nossa unica chance.

E não era para menos. Eu perdi o foco e estava fazendo besteira. Tinha que agir rápido e não seria beijando Paula que eu a levaria comigo. Amanhã as coisas iam mudar.

Jessica estava enfurecida comigo e já deve ter falado com os meus pais. Mike e Renata seriam avisados logo e a pressão sobre mim só tende a aumentar.
Karen merece isso. Eu prometi a ela que esse seria o seu presente de aniversario. Não se pode decepcionar os mortos.

Notas finais
Capitulo completo