Notas iniciais
Fora do castigo :P

–Aonde nós vamos? — pergunta enquanto a arrasto para a parte mais isolada da praia.

–Buscar respostas, ma chérie — continuo lhe puxando, mas paro — espera, você fala francês também?

–Estou aprendendo, mas sei o que significa ma chérie.

–Ah, que ótimo então — volto a lhe puxa e ela acompanha meu ritmo.

Estávamos próximas ao porto quando finalmente paro. A praia estava escura, era iluminada apenas pela lua e algumas estrelas.

–O que viemos fazer aqui? Vai me levar pra velejar? — pergunta e ri.

–Eu nem sei velejar.

–Como uma filha de marinheiro não sabe velejar? — se surpreende.

–Ele nunca me ensinou. Tem medo que eu me machuque tentando, não sou muito boa como locomoção — digo.

–Mesmo assim você deveria saber. Quem sabe um dia eu te ensine...

–Se me ensinar, eu te ensino francês.

–Você sabe falar francês?

Antes de responder tiro a sandália e o vestido. Ela fica me encarando curiosa.

–Vamos brincar na água — digo com um sorriso enorme e encaro a correnteza.

–Há essa hora? Está frio. Mesmo assim eu não vim com roupa de banho.

–Vamos Taylor, do que vale a vida se não nos aventurarmos de vez em quando?

–Tá bem — ela se rende e dou pulinhos batendo palmas.

Seu short vai ao chão... Suas pernas brancas me chamam atenção, são um pouco grossas, muito bonitas. Volto a olhar seu rosto e ela está vermelha.

–Falta a blusa — digo disfarçando o meu estranho incômodo.

Ela tira a blusa devagar e desço os olhos pelo seu corpo. Por que diabos eu estou encarando os seus seios? Não faço ideia, mas sinto uma pulsação abaixo do ventre. Percebo que estou olhando tempo demais e desvio os olhos para o mar.

–Vamos? — pergunto e sem esperar resposta eu corro para o mar.

A água está um gelo. Assim que ponho o pé o meu corpo todo arrepia. Mas mergulho assim mesmo e sinto a minha temperatura diminuir. Ando até que a água fique na altura de minha cintura.

–Espero que você não tenha a imunidade baixa, essa água tá muito fria — Taylor fala logo atrás de mim e me viro pra olha-la.

Tadinha dela. Seus lábios estavam adquirindo uma cor escura e tremiam. Os braços envoltos do peito era um nítido sinal de que ela estava com muito frio.

–Quer voltar? Não quero que fique doente por minha causa — me aproximo e ajeito um pouco do seu cabelo molhado.

–Não, eu estou bem. Só não vá longe, ok? A corrente pode levar você.

Riu e me aproximo um pouco mais dela.

–Se eu fosse você não me preocuparia tanto comigo. Seus lábios estão roxos e você está tremendo de frio. Vamos voltar...

Viro-a para a praia e passo o braço sobre seus ombros.

Pegamos nossas roupas e voltamos para o luau.

–Espere aqui, vou lhe trazer uma toalha.

Saiu e lhe deixo no carro onde sentamos mais cedo. Entro na barraca do Jó usando apenas meu biquíni. Pego a mochila que fica sempre embaixo no balcão e a levo até onde Taylor está.

–Eu estou com frio — fala.

Pego a toalha dentro da mochila e ponho sobre seus ombros.

–Me desculpa Taylor, eu não devia ter insistido nisso.

–Não, tudo bem. Foi até legal, mesmo que você não tenha me dado resposta nenhuma.

–Qual você quer? — visto o vestido e ponho um blusão por cima.

–Sobre o que eu diria a morte agora que eu não poderia dizer antes.

Penso um pouco, não sabia o que responder. Mas não podia dizer um "não sei".

–A morte é fria... Vejamos, você não se dar bem com coisas frias. Então você podia dizer: "Eu não vou com você porque você é fria."

Ponho a mochila nas costas e a vejo sorrir satisfeita.

–Você é uma garota muito maluquinha — Taylor senta ao meu lado, já na barraca.

–Nem tanto quanto você.

–Eu? Por quê?

–Por me acompanhar nessa maluquice.

–Ah, mas eu não disse que você era maluca por tomar banho de praia há essa hora. É mais pelo o que você diz. A forma que você pensa...

–E o que tem de maluco no que falo e em como penso? — lhe olho desafiadora.

–Não sei exatamente. Mas você parece está sempre tentando mostrar o melhor de tudo para todos, como se não houvesse tristeza e dor no mundo.

–E você acha isso de mim em uma noite? — encaro o copo de refri em minhas mãos sobre o balcão. Não era aquilo que eu queria que ela pensasse sobre mim, eu só queria mostrar quem eu sou.

–Hey, não faz essa cara — ela toca meu braço e lhe encaro. Aqueles olhos castanhos me miram por longos segundos.

–Que cara? — pergunto.

–De quem desapontou alguém.

–Não estou com cara nenhuma — viro para frente e tomo um pouco da bebida.

–Olha, Paula, eu não sei se disse as coisas do jeito certo. Mas eu não te acho uma lunática, ou seja lá o que for. Acho você uma garota incrível... Eu juro.

Eu realmente não devia ter levado aquele comentário a serio, ela está certa.

–Eu sou mesmo incrível, não é? — digo e lhe jogo um sorriso brincalhão. Sua face preocupada dar lugar a um sorriso aliviado e divertido.

–Com toda certeza...

–Então por isso, porque eu sou uma pessoa incrível, você vai me pagar umas batatas fritas...

Ela apenas ri e pede ao Jó as minhas batatas.