Espelho
5 Será que estou me apaixonando?!
Notas iniciais
Eu fiquei muito surpresa com o beijo e acabei virando o rosto.
O Maycon pareceu bem envergonhado e abaixou o rosto, eu não consegui ficar olhando para aquela carinha que só ele conseguia fazer.
Levantei seu rosto para que ele olhasse pra mim, tirei seus óculos, aproximei meu rosto do dele lentamente e o beijei.
Foi um beijo bem calmo.
Ele ficou me olhando confuso.
—Baka, você acabou de roubar meu primeiro beijo *falei fazendo bico*
Ele me olhou envergonhado e passou a mão a traz da nuca.
—Toma seu óculos
—O-obrigado
—Tchau, vou pra casa agora e não me siga.
Fui o caminho inteiro pensando no ocorrido, aquilo me deixou muito envergonhada e confusa.
Sempre vi o mayc como um irmão mais velho, nunca pensei nele de outra forma, mas por outro lado ele sempre esteve comigo, eu confio muito nele e não consigo me imaginar sem ele.
Cheguei em casa, me joguei na cama e tentei dormir.
—Porquê Deus, eu beijei ele?! Porquê?! *pensei cobrindo o rosto com a mão*
Com que cara eu vou olhar pra ele agora?!
E assim minha noite passou, não dormi quase nada.
Levantei cedo, tomei banho, vesti uma calça jeans, uma blusa preta um pouco grande e folgada e um colete jeans, meu tênis de sempre e sai.
Cheguei cedo na escola e as meninas já estavam lá.
Contei tudo pra elas, as duas ficaram bem surpresas.
—Não acredito, e o que você vai fazer agora? * perguntou Stella*
—E eu não acredito que você chamou o bonitinho pra sua casa tão cedo. * a Emilly disse em tom brincalhão* -Isso não vem ao caso agora, eu sei que eu fui ingênua e não pensei direito, não sei se devo confiar naquele garoto, mas de alguma forma sempre que eu olho nos olhos dele eu sinto que já os vi em algum lugar, só não sei onde. Isso me transmite um pouco de segurança.
—O foco aqui é o meu melhor amigo que eu sempre vi como irmão e acabei de descobrir que ele gosta de mim.
—Eu acho que você deve dá uma chance pra ele
—É, você conhece ele bem, sabe de todos os defeitos e qualidades dele...
—Sabe que pode confiar nele. * completou Emilly*
—Eu tô tão confusa
—Você já se apaixonou alguma vez?
—Acho que não...
—Acha?! Como assim? ou é sim ou é não. *falou Emilly fazendo bico*
—Eu não sei, sempre tive só ele de garoto na minha vida...mas...
—Mas? *perguntou Stella*
—Quando eu tinha 14 anos eu conheci um garoto...bom eu não conheci, só vi ele, mas eu não lembro bem do rosto dele, só lembro dos olhos...
—As vezes eu penso nele e fico confusa...
—Isso parece coisa de filme
—Amor a primeira vista. *completou Stella*
Continuamos a conversa até a hora de ir pra sala.
As aulas passaram rápido e logo já era hora de ir pra casa.
Me despedi das meninas e fui pra casa com minha irmã.
Quando já tinha saído da escola ouvi uma voz conhecida me chamar.
—Let, espera
—Deivi?!
—Oi meninas. *ele falou sorrindo pra mim e piscando pra Pérola*
—Deivid querido, achei que não te veria hoje
—Desde de quando vocês ficaram tão próximos assim? *perguntei arqueando a sobrancelha* -Desde sempre ue, ele já até foi lá em casa, não é Deivid? *falou piscando pra ele*
—Desculpe interromper, mas eu acho que ele tinha algo a dizer
—Sim, por isso estou aqui...
—Então?
—Nada, só queria te ver mesmo...e dizer que o Haru tá bem.
—Haru?
—Nosso coelhinho... quer dizer seu...bom que seja, o coelho, eu dei esse nome pra ele.
—Legal, gostei desse nome
—Então...eu já vou...hoje eu vou jogar um pouco com uns amigos e depois tenho aula de música
—Ah tá, legal...
—Um dia convida a gente pra ver um jogo. *a Pérola disse sorrindo*
—Sintam-se convidadas.
Fomos o caminho todo conversando sobre coisas aleatórias.
Chegando em casa fui direto pro meu quarto, troquei de roupa e deitei na cama. Tentei dormir, mas não consegui.
—Pérola *a chamei batendo na porta do quarto*
—Entre
Entrei e fechei a porta.
—Pois não minha querida irmã o que deseja? *falou em tom brincalhão*
—Eu não quero nada, não posso vim te ver sem motivo?!
—Pode, mas eu te conheço e sei que você só me procura quando quer alguma coisa.
Nos duas rimos, eu e ela éramos como melhores amigas.
Contei pra ela sobre o mayc.
—Finalmente ele falou com você, sempre soube que ele gostava de você, na verdade todo mundo sabe, só você que não percebe
—Por que você nunca me falou nada?
—Porque você precisava descobrir sozinha, senão você não iria acreditar.
—Affs, estou tão confusa.
—E só pra saber...como fica o Deivid nessa história?
—Eu não sei...acabei de conhece-lo
—Mas com ele é diferente...digo, você confia nele e até mesmo fala com ele normalmente...geralmente você já teria mandado ele pra lua como você sempre faz.
—É verdade, eu sinto que posso confiar nele...mas mesmo assim tenho medo...sabe sempre que eu olho nos olhos dele sinto que já os vi em algum lugar...
—Quem sabe né?! Um dia talvez você lembrará...
Continuamos conversando um bom tempo e acabamos dormindo juntas.
(Alguns dias depois)
Eu quero experimentar o amor, nunca me apaixonei antes, por medo de ser magoada, mas eu tenho que começar a enfrentar meus medos.
Desde aquela dia eu não vi mais o mayc, falei que precisava de um tempo pra pensar.
Hoje eu e minha irmã vamos ver um jogo do Deive, ele nos convidou faz uns dias.
Acabei descobrindo que ele faz parte de um time de basquete.
Ele sempre tem treino na quarta e na sexta-feira e tem aula de música na quarta, depois do treino.
Vesti uma calça preta, uma blusinha regata branca e uma camisa de manga longa xadrez, preta com vermelha por cima.
Sai de casa com minha irmã, pegamos o ônibus e chegamos lá alguns minutos depois.
Estou ansiosa, eu sempre gostei de ver jogos, mas o mayc não gosta muito de esportes.
Sentamos em um lugar da arquibancada que dava pra ver a quadra bem.
Esperamos alguns minutos e logo o jogo começou.
O jogo foi muito emocionante, o deive jogou muito bem. Ele fez várias cestas, algumas até de três pontos.
O outro time também jogava muito bem, mas o time do Deive venceu por 5 pontos.
Quando o jogo acabou ele olhou pra mim e pra minha irmã e acenou antes de entrar no vestiário.
—Nossa seu futuro namorado jogou muito bem.
—Pérola, ele é só um amigo e eu ja te falei isso mil vezes
—Amigo?! Sei, me engana que eu gosto
Revirei os olhos
—Oi meninas. *falou Deive nos interrompendo*
—O-oi
—Olá, parabéns você jogou muito bem
—Obrigado, hoje eu me senti mais motivado porque tinha alguém especial torcendo por mim.
—Quem? *perguntei confusa*
—Você. Baka. *falou bagunçando meu cabelo de forma afetuosa*
—E você também Pérola, gostei de ver as duas entusiasmadas torcendo por mim *piscou*
—E para comemorar a vitória quero levar as duas em um lugar especial.
—Desculpe, não poderei ir. Mas a let pode. * falou sorrindo alegremente*
—Então fica pra próxima
—Pode deixar. *falou se despedindo da gente*
—Eu só vou ali tomar uma duxa e trocar de roupa, já volto.
Concordei com a cabeça e deitei na arquibancada esperando ele.
Alguns minutos depois ele chegou acompanhado de uns amigos.
—Let? Levantei
—O-oi...
—Aqui são meus amigos do time, eles queriam te ver
—Ah então ela que é sua namorada? * um garoto loiro falou*
Olhei pro Deive esperando sua resposta.
—Cala a boca *falou dando um soco de leve no ombro do mesmo*
Ele me apresentou pra eles e se despediu logo em seguida.
Saímos e fomos para uma lanchonete.
Chegando lá nos sentamos em uma mesa perto da janela e fizemos o nosso pedido que chegou pouco tempo depois.
—Eu amo esse lugar, venho sempre aqui depois dos treinos.
—A comida daqui é muito boa e os sucos também...e você é a primeira pessoa que eu trago aqui... *falou um pouco sem jeito*
—Fico feliz pela consideração
Continuamos comendo e conversando sobre coisas aleatórias por um tempo.
Saímos de lá e fomos nos sentar em um banco numa praça lá perto.
—Espera um minutinho que eu vou ligar pro meu pai vim buscar a gente.
Concordei com a cabeça e ele saiu logo em seguida.
De longe eu fiquei olhando pra ele e pensando no jogo de mais cedo.
Ele jogou tão bem e ele fica tão lindo jogando. Ele é magro, mas nem tanto, é forte e tem os músculos bem definidos e ficava tão lindo sorrindo com um ar vitorioso depois de cada cesta que fazia.
—Pronto, ele já tá vindo. *falou interrompendo meus pensamentos*
E eu me assustei levantei de uma vez e bati a cabeça num galho de árvore.
—Ai *falei passando a mão no pequeno corte*
—Desculpa, te assustei?não foi minha intenção...eu só...
—Não foi culpa sua, eu sou bem desastrada e esse tipo de coisa vive acontecendo comigo... *falei o interrompendo*
—Deixa eu ver como ficou. *falou tirando uma mecha do meu cabelo e colocando atrás da orelha*
—E-espera, eu vou buscar um ban-deid...
Falou saindo correndo e voltando logo em seguida
Ele tirou meu cabelo do rosto e colocou o ban-deid com cuidado.
—Pronto tá melhor?
—S-sim...obrigada...
—Boba, você tem que tomar mais cuidado...não quero que você se machuque. *falou com o rosto ainda muito próximo do meu*
Ficamos alguns segundos nos olhando e ele aproximou seu rosto ao meu fechando os olhos. Quando seus lábios estavam quase tocando os meus ouvi o som de uma buzina.
Empurrei ele assustada.
—Desculpe...é meu pai...vamos...
—S-sim
—Pai essa é a let, let esse é meu pai
—O-oi * falei envergonhada*
—Oi, prazer em conhece-lá
—Filho sua namorada é muito fofa e bonita. *falou dando um tapinha em seu ombro*
—Pai...
—Okay, okay, não tá mais aqui quem falou
Entramos no carro e sentamos no banco de trás.
Alguns minutos se passaram e eu comecei a sentir muito sono.
Senti o Deive ajeitar minha cabeça em seu ombro e dormi.
—Chegamos ruivinha
Acordei um pouco confusa e sai do carro.
Deive saiu logo em seguida.
—Tchau pai, obrigado pela carona, eu vou ficar um pouco aqui e já vou pra casa.
—Então, gostou de hoje?
—Gostei, você fica muito bem jogando...d-digo você joga muito bem.
—E a sua testa, tá melhor?
—Tá sim, não foi nada de mais...
—Que bom...
—É...você vai entrar
—Preciso ir, tenho que descansar...
—Entendo
—Tchau *disse dando um beijo na minha bochecha e indo embora antes que eu pudesse dizer alguma coisa*
Senti meu rosto ficar vermelho de tanta vergonha, é a primeira vez que um garoto além do mayc beija minha bochecha. Na verdade é a primeira vez que eu deixo um garoto ficar tão próximo assim de mim.
Fui entrar dentro de casa e bati de cara com a porta.
—Ai
Abri a porta e entrei.
Quando estava indo pro meu quarto tropecei na capa do sofá e bati a cintura na quina da mesinha.
—Ai, que droga
—Tá nervosa por que?sempre que você tá assim seu nível de desastre sobi horrores. *Pérola falou do sofá rindo*
—E-eu não tô nervosa...
—Não?! então por que você tá assim, toda vermelha?
Coloquei a mão no rosto
—Cala a boca.
Subi pro meu quarto e me joguei na cama.
Será que estou me apaixonando?
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