Espelho

4 Capítulo 4


“Ninguém irá suspeitar.”

Sangue.

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Len Kagamine, ou eu, está dormindo.

Não é certo o fato de estar ou não sonhando. O mundo, agora caótico devido às suas recentes experiências, não é mais algo em que se possa crer. Assim, como o simples fato de dizer “Len Kagamine, ou eu, está dormindo” pode ser simplesmente um equívoco de sua mente. Alias, não se sabe mais o que é dormir ou estar acordado, e seu maravilhoso e oportuno dom de distinguir a diferença entre realidade e sonho agora parece algo distante e tolo, que nunca foi necessariamente real. Chegamos a conclusão, então, que Len Kagamine, ou eu, finalmente caiu nas graças e desgraças desta farsa que chamamos de vida. E, agora, resta a Len Kagamine, ou eu, decidir qual é seu papel.

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Palavras são realmente necessárias?

Lá estava eu, em frente ao meu belo e ornamentado espelho, olhando fixamente para um reflexo. Meu reflexo?

Por que, repentinamente, tudo aquilo pareceu absurdo demais?

Por que ri e em meu cérebro, aceitou-se o fato de que eu estava devaneando?

Por que os traços femininos ficaram um pouco mais másculos, o cabelo se prendeu e o olhar foi de choroso para espantado?

Fora meu próprio reflexo refletido? Foram palavras inventadas por minha mente, fora uma imagem falsa produzida por meus olhos?

E, meu cérebro, aquele velho companheiro nada confiável, sorriu amigavelmente. E disse-me, em tom tranquilo e acalentado: “Você está ficando maluco”. E meu eu externo riu-se, e disse para si mesmo, em voz alta, que talvez aquilo fosse verdade. Afinal, estava conversando comigo mesmo, naquele exato momento.

E talvez, antes, também estivesse falando comigo mesmo.

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- Cara, repete a última parte.

- Cabelo solto e traços femininos.

Sim, eu estava bancando o bom shota e desabafando com meus amigos.

Lá estavam Kaito, Gakupo e Piko, todos olhando pra mim com uma cara risonha. Não demoraria até que um deles perguntasse o que eu tinha bebido.

A sorveteria onde estávamos era movimentada. Até demais. Em meu íntimo, apesar das gozações de meus amigos, eu queria ir para um lugar mais reservado. A conversa, a meu ver, era séria.

Mas o Kaito estava lá, e para ele uma sorveteria é o lugar ideal pra qualquer situação.

- No espelho? – disse um Piko segurando o riso – Depois de horas de sono e bebidas? Tipo um “você” com cabelo solto?

Bufei.

- Traços femininos e cabelo solto. – repeti.

- Quanto ao ‘traços femininos’, todos aqui tem certeza de que era você.

- Baka... – resmunguei, enquanto em minha face um leve rubor começava a se espalhar.

Nenhum deles levava a coisa a sério. Era só uma ilusão causada pelas bebidas, trauma pela prisão recente, sentimento de culpa... Cada um vinha com uma hipótese diferente. Mas, que fora real? Aquilo sequer passava pela cabeça deles.

E por que diabos eu estava tão incomodado com isso?

Não era um eu totalmente confiante que estava repetindo pra si mesmo “Você está maluco”? Não tinha me convencido de que era apenas um jogo de ilusões de minha cabeça?

“Esqueça isso” – disse para mim mesmo.

E, de fato, esqueci. Ou coloquei no canto mais profundo de minha mente, inalcançável, inacessível, e selado com todos os argumentos realistas que havia ouvido. Dali aquilo não sairia mais.

- Mas enfim. – disse um Gakupo mais interessado nas garotas ao redor do que em meus dilemas – A SeeU é boa de cama?

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Perdão pela interrupção, mas Len Kagamine, ou eu, crê que certas coisas precisam ser citadas.

Ao dizer que vedou o acontecimento em sua mente, Len Kagamine, ou eu, mentiu pra si mesmo. É fato, óbvio, de que certas coisas não podem ser esquecidas. O cérebro de Len Kagamine, ou eu, está em dúvida sobre qual setor arquivar tal memória. A mente é capaz de avaliar boas e más lembranças. E esta quase teve um colapso ao notar que o jovem Len Kagamine, ou eu, não estava em condições de afirmar a beleza ou o terror de certos fatos. Assim sendo, guardou, não selado, pois o que aconteceu jamais pode ser esquecido, mas sim em um setor pequeno, minúsculo até, que continha apenas três ou quatro recordações.

O nome deste setor é “Reminiscências”.

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- SeeU, preciso falar com você.

Eu estava em uma posição ridícula, na verdade. Implorando sofregamente para falar com uma menina. Digo, eu estava falando com uma garota já usada. Não havia mais graça em deixá-la tocar meu rosto ou me abraçar. Algo já conquistado, sem desafios. Humilhante.

Ela tremia.

Em seus olhos, lágrimas, rancor e medo. Estava abraçada aos joelhos, numa posição fetal totalmente irritante. Uma linguagem corporal clara: “Não se aproxime”.

-SeeU... – repeti novamente, vendo a garota se encolher ainda mais.

O quarto de hospital era pequeno. Uma cama, uma janela. E aquele tom de branco doentio. Ao lado da cama, havia um suporte, onde um soro amarelado escorria lentamente por entre as veias da loira. Uma loira pálida. Sem vida. O pouco que podia ver de seu corpo estava coberto por cicatrizes com sangue coagulado.

Repentinamente, ela ergue a cabeça. Permitindo-me ver marcas desfigurando seu antes belo rosto.

- Seu cabelo... – ela olhou para minha cabeça – Preso...

SeeU deu um sorriso, que antes iluminaria o local. Mas agora puxava linhas do rosto, cheias de pontos, transformando-se em uma visão de filme de terror, num rir intenso e horripilante.

- Vão fazer uma cirurgia... Isso vai sair – disse apontando para seu próprio rosto – Não precisa ficar com medo de mim.

- E você? – falei em um tom suave, evitando que ela voltasse a ficar assustadiça – Tem medo de mim?

Suspiro.

- Tenho medo daquele seu reflexo distorcido.

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“Os cabelos eram loiros e soltos. Pálido, ou pálida, não sei dizer. Traços femininos. Parecia você, sabe. Mas acho que um criminoso não viria com tanta cara de pau conversar com a vítima. Ou viria?”

Aquelas palavras ecoavam em minha mente. Traços femininos. Cabelo solto. “Você não se esqueceu de mim, esqueceu?”Você está ficando maluco.”

A memória trancada em minha mente forçou sua saída.

Notas finais
Sinto muitíssimo por meu atraso imenso! O fato é que, realmente, essas caixas de som estão me dando nos nervos. Eu estou com crise de abstinência, a ponto de tremer. PRECISO DE VOCALOID, PRECISO DE MÚSICA. Sem isso, minha escrita tende a piorar, assim como minha concentração. Peço desculpas também pelo capítulo pequeno.
Bom, gogo.
Foi difícil fazer este capítulo, pelo simples fato de que eu não sabia como começá-lo. As primeiras palavras, lá no começo, em itálico, são uma coisa fundamental, que estou até achando que dei de bandeja, mas enfim q-q'
Sim, eu deixei vocês na dúvida sobre a SeeU ser boa de cama e-e'
Reminiscência seria algo como uma lembrança vaga ou totalmente apagada, para os desinformados de plantão. Não os culpo, até hoje de manhã eu não sabia o que era. É.
Piko troll, that's it.
E Kaito precisa estar numa sorveteria, ok? É o melhor ambiente.
Quis introduzir mais esse povinho na história, já que a única coisa que vocês sabem deles é pela descrição do capítulo 3.
SIM, EU FIZ A RIN SUMIR DO ESPELHO DO NADA PORQUE MINHA INSPIRAÇÃO FOI PASSEAR PELO CAMPO E EU NÃO SEI QUANDO ELA VOLTA.
Tive que me contentar comigo mesma cantando Hot Cocoa e Circus Monster, minha situação está tensa.
E eu quis deixar a SeeU feia e com cicatrizes porquee... Eu não vou muito com a cara dela, desculpa.
Assim que voltar pra minha amada casinha com minhas amadas caixas de som me esperando no meu lindo e perfeito PC eu prometo que posto mais rápido. Desculpem, realmente ficar sem música é perturbador.