Espelho
3 Capítulo 3
Len Kagamine, ou eu, gostaria de esclarecer algumas coisas.
Primeiro, é obviamente claro que vossa senhoria provavelmente está intensamente zangada com o narrador que lhe fala, por interromper de maneira tão abrupta e nada sutil uma narração que certamente muito revelaria. Porém, como nosso patético Len Kagamine, ou eu, está neste instante em dilemas internos, os quais se resumem em quebrar um espelho, correr ou apenas voltar para a cama e esperar aquilo desaparecer. Logo, como imagino que isto haveria de ser intensamente entediante, além de que haveria de ocupar muitas linhas desnecessárias, iremos substituir tais dilemas por informações mais interessantes.
Len Kagamine, ou eu, tem um número variado e instável de amigos. É certo que os próximos sejam muitos, e existem muitas “mais próximas”, então, aqui colocaremos apenas uns principais, que tiveram um grande papel na vida de Len Kagamine, ou eu, e garotas que não foram para a cama acompanhadas de certo loiro. Tendo em vista de que esse fato é realmente difícil (afinal, sabia usar seu charme), suas amigas mulheres eram poucas.
Começaremos pelos amigos homens. Por amigos, quero dizer aqueles que jamais se aproximaram dele com a intenção de obter “dicas” ou para reciclar uma já usada.
Listando sem ordem específica, vamos começar.
Temos o Piko, por exemplo. Um garoto com curiosos olhos ímpares e cabelo branco. O garoto sempre fazia Len Kagamine, ou eu, se meter nas piores encrencas. E depois saía de fininho. Como em certa vez que o ‘olhos-bicolores’ desafiou-o a pedir casamento de alguma garota do evento. Posso lhes garantir que não é exatamente agradável ter que falar com sua tecnicamente futura sogra e ser linchado.
Kaito é outro com o qual Len Kagamine, ou eu, tem uma relação que parece verdadeira. Claro, devido a sua baixa e incômoda estatura, era em muito atormentado pelo de cabelos azuis. E imaginem quão irritante deve ter sido para Len Kagamine, ou eu, ser tratado como bebê na frente de sua mais nova e relativamente difícil conquista.
Gakupo era um pecador. Pura e simplesmente. E tinha o mal (ou bom, dependendo de vossa opinião) hábito de arrastar pessoas para esse universo da luxúria. Em parte, era por culpa do de cabelos lilás que Len Kagamine, ou eu, era, foi, é e será do jeito que é hoje.
Len Kagamine, ou eu, graças principalmente a esses três trapalhões, foi feliz por um certo tempo de sua vida.
As mulheres, amigas femininas, ou o que se pode chamar de ‘anti-shota’, eram (e talvez sejam) as seguintes:
Havia Gumi, a estressadinha em pessoa. Bastava um pequeno comentário, brincadeira ou simples vontade de cutucar a ferida aberta... A de cabelos verdes virava uma fera. Len Kagamine, ou eu, perdeu a conta de quantas vezes viu sua vida passar diante de seus olhos quando perto da garota.
Também existia Miku, a garota que dormia a maior parte do tempo. Era graças a ela que Len Kagamine, ou eu, resolvia seus problemas de forma tão banal e desinteressada. Apesar disso, a garota tinha boas ideias. Após tomar bastante café e comer alguns vegetais, é claro.
Luka era uma estranha, e nenhuma outra palavra a descreveria melhor. Segundo ela, tinha inveja do tempo, do tempo passado, do presente, do futuro, do tempo das pessoas que viviam e do tempo que iriam viver. Era uma amante e ex do relógio. Sempre dizia que há tempo pra tudo, ao mesmo tempo em que diria “Desperdício!” para alguém que se atrasasse.
Tenha em vista que acabou de conhecer um pouco do passado de Len Kagamine, ou eu, e que essa pequena peça do quebra-cabeças será fundamental para obter a imagem completa.
Len Kagamine, ou eu, adora charadas.
–-
Meu espelho falou?
Um som intensamente agudo cortou o ar. Percebi segundos depois que eu tinha gritado. E que continuava gritando.
Meus olhos. Eu sentia-os praticamente saírem das órbitas. Arregalados ao máximo, e mesmo assim os fechei e abri novamente. Minha boca estava aberta, o queixo caído, meu grito irritante ainda se fazendo por ouvir. Meu cérebro estava dando voltas e a razão tinha saído pra tomar um cafezinho. Meus braços estavam colados do lado de meu corpo, este pendendo levemente pra trás, numa tentativa inconsciente de me afastar o mais rápido possível do perigo iminente.
Aliás, por que não tornar o inconsciente no consciente? Meus olhos se direcionaram para a porta e para a janela, escolhendo a melhor rota de fuga.
E, repentinamente, travei.
Não me pergunte o porquê. Apenas estaquei. E meus olhos pararam de olhar para a porta e começaram a olhar novamente para o vidro com uma fina camada de prata atrás de si. E, mesmo que relutantemente, relaxei a expressão.
Talvez fosse porque a garota não apresentasse perigo, ao menos aparentemente. Talvez fosse por sua expressão chorosa. Talvez fosse porque, quando ela surgiu, o vazio em meu peito desapareceu.
Talvez.
Minha boca se abriu novamente, não para gritar, mas para falar em um tom normal, com um leve e praticamente imperceptível temor.
– Quem... – Oh-oh...Comecei a tremer – É... – Rubro e pálido, rubro e pálido, as cores se alternavam em meu rosto, com uma freqüência desnecessária – Você?
A garota de belos cabelos loiros olhou pra mim com tristeza. Apesar disso, em seus lábios se formou um sorriso forçado, e uma voz de alguém segurando o choro soou no ambiente.
– Devo responder algo para qual já tens a resposta?
Um arrepio percorreu meu corpo.
Era uma sensação de peça faltando. Dentro de mim, eu sabia o nome da dona da voz chorosa. Apenas...
Não conseguia lembrar.
Ou não queria lembrar?
A sem nome, então, colocou sua mão no vidro, e respondeu-me com um sorriso:
– Meu nome – suspirou – é Rin.
–-
Apenas algumas observações de última hora.
Len Kagamine, ou eu, está com o coração a mil, cabeça girando e sua opinião sobre real e irreal foi para o espaço. Incapacitado como está, jamais conseguiria falar uma palavra inteligível.
A garota, Rin, com sobrenome desconhecido, está observando pacientemente suas reações.
Len Kagamine, ou eu, teve um choque realmente imenso ao ouvir o nome do reflexo. E, está, igualmente, perplexo com a sensação de finalmente estar inteiro, sem vazio algum em seu peito.
Len Kagamine, ou eu, apesar de todos os avisos de seu cérebro, sobre perigos, riscos, suspeitas e hipóteses, relutantemente,do lado da garota do reflexo misterioso, pela primeira vez em anos, está se sentindo, finalmente...
Completo.
–-
Perplexo. Isso me definia.
Olhava abismado para meu reflexo. Rin. Um nome, um trocadilho. Estaria o destino brincando comigo?
E então, Rin, a garota dos belos cabelos loiros, sorriu. Um sorriso que me iluminou por dentro, que acalentava, dava a sensação de segurança. E, em choque, percebi que, contrário a tudo que eu sabia, eu queria permanecer ali.
– Você se lembra.
Notas finais
Gogo explicações
Bom, particularmente eu não gostei da maneira como redigi este capítulo. Talvez tenha sido pelo fato de que eu NÃO OUVI NENHUMA MÚSICA ENQUANTO O ESCREVIA. É.
Tendo em vista que estou no momento em uma casa de campo, com um laptop e caixas de som quebradas.
Eu quis contar um pouco sobre os amigos do Len, que logo mais serão usados (E também quis enrolar um pouco pra dar a cartada final, é.)
E... YES! Len é oprimido por seus amigos, digno de um shota.
Eu imagino o Piko sendo um belo dum filho da mãe ferrando a vida do Len. Um filho da mãe gostoso, é claro.
Len tem uma """"relação"""" com o Kaito, hum...
E sim, Gakupo-sama que contaminou nosso (na verdade meu) amado Len. E quem pode culpá-lo? E é claro que eu estava pensando em Madness of Duke Venomania na hora (apenas pensando, malditas caixas de som)
As amigas foram baseadas na série Seven Sins, é. A Luka talvez seja meio confusa, mas enfim. Uma mistura da feiticeira do tempo (Chrono Story) com a Luka de Tailor Shop on Enbizaka, uma invejosa sobre o tempo. Confuso, eu sei, mas veio na minha mente insana, fazer o que.
E um comentário aleatório sem ter muito a ver com a história: Vocês não tem ideia do incentivo que eu ganho quando recebo reviews.
Anyway. Espero que tenham gostado, ainda que eu nem tanto *tapa*
Fale com o autor