Espadas de Prata
3 Capítulo 3 Samus, o Anjo Caído
Notas iniciais
[1] Anjos corrompidos, que passam para o lado dos Demonios.
[2] Castas de Anjos, cada um com sua função. Virtudes são responsáveis por humanos na Terra, proteger e manter em silencio os magos e demonios que andam fora da linha. Dominações são os Anjos que atuam em emergencias, sempre prontos para luta, rebeldes e independentes. São bastante fortes.
[2] Castas de Anjos, cada um com sua função. Virtudes são responsáveis por humanos na Terra, proteger e manter em silencio os magos e demonios que andam fora da linha. Dominações são os Anjos que atuam em emergencias, sempre prontos para luta, rebeldes e independentes. São bastante fortes.
Agora sim, ele estava prestando atenção em mim. - Samus? — ele perguntou.Sorri, mesmo que sem querer, ele era imprevisível. Mesmo convivendo muitos anos juntos, e acredite muitos mesmo, ele ainda conseguia me suspreender.- Sim. Samus está tentando passar do Limbo para a Terra por uma passagem mística. Está recebendo ajuda de um Anjo, e Rafael acha que é um Virtude.Ele me olhava com atenção, e quando terminei, desviou o olhar virando de costas para mim. Amarrou as longas e negras mechas de cabelo em um rabo-de-cavalo alto.- Vamos então.Eu concordei com a cabeça e saimos, os dois, pela janela do apartamento dele.Chovia bastante ainda, raios ao longe iluminavam parte da cidade. Trovões e ventos fortes. Eu já estava desconfiado que aquela chuva viraria uma tempestade. E se virasse, significaria que teríamos ajudas, muito especiais, contra os Demonios.Voamos, com um tanto de dificuldade, até o local onde outros Virtudes e Dominações [2] já se encontravam, atracando-se com Demonios e Anjos Caídos [1]. Era um cemitério, muito antigo, do séc. XVII. Desci lentamete até o chão, ficando atrás de uma lápide e senti Zeziel do meu lado.- Escute — ele disse — Fique longe do confronto direto, não vá para mais perto da passagem e cuide dos que não conseguirem mais lutar.Eu balancei a cabeça impaciente. Na verdade estava com medo. Anjos também sentem medo. Medo de perder as pessoas queridas. E Zeziel era uma delas para mim.Senti que ele se afastava, e procurei, no escuro e debaixo dos grossos pingos de chuva, amigos feridos.Aquela parte do cemitério estava um caos. Demonios de toda espécie e tipo de atracavam com Anjos. Os Anjos Caídos, com suas asas negras ou avermelhadas lutavam em pé de igualdade com os Dominações. Vários Virtudes usavam-se do seu poder de transformar suas asas em afiadas asas metálicas, e retalhavam Demonios alados. Haviam outros Anjos de outras Castas também, lutando com suas espadas de prata. E no meio de toda essa bagunça, eu e os outros Querubins cuidavam dos que caíam. Muitas vezes, sem ter o que fazer, pois já estavam mortos. Seus corpos sendo pisados por outros Anjos enquanto lutavam.Ouvia gritos de raiva, e urros vindo dos demonios que me deixavam arrepiado. Gritos de agonia e dor também podiam ser ouvidos. Eu estava a pelo menos 5 metros da passagem, já estava perto demais. Dois Querubins já tinham sido mortos, decapitados por pequenos, mas letais e ageis demonios. Eu estava curando, pelo menos tentando, um Arcanjo ferido, quando olhei para cima e vi Zeziel. Fiquei sem ação, olhando para o alto, no meio de toda aquela batalha. Zeziel abriu as asas e subiu ao ar, indo de frente com Samus, o Anjo Caído líder. Os dois se chocaram e começaram a lutar. Muitos dos que lutavam no chão pararam para olhar. Algo surreal. Zeziel carregava sua espada e golpeava Samus frenetica e violentamente. Samus apenas defendia, um sorriso cínico no rosto. Percebi que Zeziel estava ficando cansado. Golpeava e golpeava, e não o acertava. Samus era rápido e agil. Desviava dos golpes com facilidade, batendo as asas negras no ar. Eu estava achando muito estranho, ele desviava mas não atacava. Estava tentando ganhar tempo, enquanto a passagem se abria mais, e quanto mais aberta, mais Demonios saíam dela, deixando desigual para com o numero de Anjos. Se não derrotassemos Samus rapido, logo o cemitério estaria tomado por seus Demonios e Anjos traidores.Desviei o olhar por um segundo para o Arcanjo que antes eu curava. Depois de ajuda-lo, ameacei avançar para o lugar onde estavam Zeziel e Samus, para tentar ajudar. Mas antes que eu pudesse me afastar, ouvi um alto farfalhar de asas. Olhei para trás e vi Redael, um Principado de 3 pares de asas — das quais, em uma batalha contra os Templários a alguns séculos, ele perdeu uma — que vinha voando baixo, quase tocando a cabeça dos que lutavam no chão. E logo atrás dele vinha Juliel, um Nimbus, dilacerando membros e esmigalhando ossos inimigos com sua espada de prata. Voltei a olhar para o alto, na direção de Zeziel, quando ouvi seu grito de agonia. Samus, que tinha o poder de transformar seus braços ou pernas em laminas de aço afiadíssimas, usou-se desse poder e cortou a asa direita de Zeziel, separando-a do corpo. Gritei seu nome, enquanto ele perdia o equilíbrio, abraçando o próprio corpo, tavez numa tentativa de amenizar a dor, e caiu, de costas, sobre uma lápide de mármore.
Samus sorria, como se vitorioso, enquanto Zeziel agonizava e tentava se levantar. A asa branca, no chão, se desfalecia em um brilho prateado e sumia aos poucos. Olhei para Zeziel e abri minhas pequenas, mas ageis, asas.Tudo aconteceu simultaneamente, e em segundos.Enquanto eu avançava na direção de Zeziel, este se levantava, suas costas sangrando muito e abrindo a asa esquerda sobre o corpo, em forma de escudo. Samus, num só impulso, avançava em sua direção com os braços em laminas e pronto para acerta-lo. E Redael passou sobre minha cabeça. Tudo muito rápido. Redael estendeu e abriu suas 5 asas, entre Samus e Zeziel. Samus parou em pleno voo quando as 5 asas se fecharam e golpearam o ar.Não sei dizer se ele, por conta própria, se afastou ou se foi a força do movimento das asas de Redael que o empurrou para trás, longe. - Redael! — gritou ele, no alto, numa expressão de espanto, mas que logo mudou para raiva — Sempre intrometendo-se no que não é de sua conta!Redael baixou as asas, mas as manteve abertas. Zeziel, recolheu sua asa esquerda e enquanto segurava o ferimento com a mão esquerda, apoiou-se na lápide coma direita. Voltei minha atenção a ele, e cheguei perto. Redael discutia com Samus, um no chão e outro no ar. Os outros Anjos e Arcanjos terminavam de matar os ultimos Demonios. A passagem entre os dois Planos agora vazia. Nada mais saía dela.- Continue segurando o ferimento — toquei seu ombro frio e molhado — Consegue se levantar?Ele não me respondeu. Não prestava atenção no que eu dizia. Estava distraído, como antes de sairmos de seu apartamento, como quando voavamos até o cemitério e como quando lutava contra Samus. E o resultado desta distração fora uma asa perdida. Uma asa, para um Anjo, é como um membro para um humano. Perde-las, ou mesmo uma delas, vai muito além da dor carnal, também tem a sentimental. Zeziel se levantou, segurando sua espada com a mão direita. Passou por mim e ficou ao lado de Redael.Perto do Principado de cabelos curtos e castanhos claro, alto e forte com aquelas 5 asas em suas costas largas, Zeziel parecia pequeno e frágil.Mas mesmo assim, mesmo com as costas vermelhas do próprio sangue e sem uma asa, ele segurava sua espada, seu olhar era firme e desafiador e estava de pé. E eu sabia que ele lutaria até o seu ultimo segundo de força e vida.Com os Demonios e Anjos Caídos mortos, só restava Samus, que agora no chão, desafiava Redael.- Qual será seu premio ao me deter, Redael? Um lugarzinho mais privilegiado ao lado daquele que chamas de Deus? — sorriu sarcástico — Aquele falso e invejoso Deus?Vários dos que estavam atrás de mim se agitaram com aquelas palavras. Até mesmo Juliel, que apertava com força o cabo de sua espada.Mas Redael continuou impassivel, ainda parado entre Zeziel e Juliel, ouvindo em silencio.- Claro! — Samus continuou, erguendo os braços, ainda com seu sorriso — Ele, que trata seus favoritos como filhos e deixa o resto, sim! o resto! — apontou para os outros Anjos/Arcanjos, correndo o dedo por todos até parar em Zeziel — O resto como eu! Como voce, Zeziel! Como nós!Zeziel o olhava com raiva, mas eu sabia que no fundo de seu peito, a dor de ver e ouvir aquilo, ardia e o queimava por dentro como o próprio fogo do inferno. E percebi que Zeziel, apesar de tudo, ainda o amava.Samus desfez o sorriso, ficando sério.- Um dia eu fui como voce, Zeziel. Doce e obediente Àquele que um dia chamei de Meu Pai — abriu suas asas negras — Deveria abrir os olhos, como eu fiz.Juliei não conseguiu se conter, e partiu para cima dele, ignorando completamente as ordens de Redael para que parasse.Antes que ele pudesse chegar até Samus, este agachou-se e bateu suas asas, tomando impulso e indo alto. Sumindo.Redael apenas olhou e recolheu as próprias asas, voltando-se para Zeziel, colocando a mão em seu ombro.- Se ainda o ama — dizia tão baixo, mais baixo que um sussurro — Deveria destruí-lo. — os dois se encararam por um momento — Ou ele irá acabar destruindo a tu, irmão.Ele se afastou, seguido de Juliel.Enquanto os outros, que estavam bem e sem ferimentos graves, recolhiam os corpos dos mortos e feridos, os Dominações cuidavam da bagunça. Peguei na mão de Zeziel, que me olhou.- Vamos para casa...Eu sorri e apertei sua mão. Meu irmão.- Sim...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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