Espada de Jade - Sonhos Paralelos
2 Episódio 2: Prólogo II
Notas iniciais
No episódio anterior...
— Lembrem-se do nosso treino, e deixemos nosso mestre orgulhoso. — Disse Dart, com o peito cheio de ar.
Então todos se juntaram novamente, e avançaram para o corredor que dava prosseguimento a torre. Porém... Os esqueletos começavam a se mexer. Lentamente, levantando.
— Preparem-se. — Disse Dart, em um tom sério.
E então, todos se viraram para a morte...
Espada de Jade – Sonhos Paralelos
EP2 — Prólogo II
— Isso vai ser um excelente aquecimento! — Profanava Dart, com um sorriso sádico no rosto, enquanto estava quebrando e cortando vários ossos do esqueleto a sua frente.
Manx estava em desvantagem nesta luta. Suas facas não faziam muito efeito em corpos reanimados que não tinham sequer carne, ou órgãos vitais para ser atingidos, e por causa disto, ficava na retaguarda, apenas com sua katana em punhos.
Scarf tirava muito proveito do campo. Sua agilidade e treinamento são excelentes. Fazia isto enquanto obliterava múltiplos esqueletos em golpes sucessivos, e despistava-os com seu corvo.
Eu sou o que tenho mais condicionamento físico que os outros, mas naquela hora, eu não estava tão motivado para lutar. Um ou dois esqueletos, e não mais do que isso, para proteger alguns de meus companheiros.
Porém, algo estava errado.
Não importa o quanto lutássemos, sempre brotava mais esqueletos na sala. Pareciam que eram infinitos. Estava lutando com um, quando Manx, atrás de mim, falou:
— Parece que não tem fim para esses caras!
— É, você tem razão.
Scarf utilizou o seu golpe de assinatura. Dart o reconheceu logo no primeiro movimento que ele executava o tal golpe. Eu apenas observava-o pulando bem alto, e logo depois, sacando a Vonnegut de sua bainha, tão rápido que saia até faíscas. Logo depois, a espada começou a emitir uma aura bem escura. Não demorou muito até que Scarf finalmente fazia um arco gigantesco com sua espada, por onde várias ondas de energia foram disparadas, fazendo impacto nos esqueletos, que apenas eram destruídos no processo. Algumas ondas eram tão fortes, que chegavam até a fazer buracos no chão.
Ele pousou graciosamente no chão, em uma queda suave, ficou agachado. A poeira abaixava, revelando-se a montanha de ossos que Scarf tinha produzido. “Hm, impressionante. Então esse é o poder da Vonnegut?”, pensei.
— Tem mais deles chegando! — Gritou Dart, que tinha avistado mais, nos cantos da sala.
Estavam aparecendo cada vez mais. Parecia que isto não tinha fim. Logo, sugeri.
— Vamos ter que recuar para a sala seguinte.
— Parece ser uma boa ideia. Vamos lá.
Dart concordou comigo. Então, todos prosseguiram para a próxima sala, e logo depois, empurramos a porta de pedra, para impedir o avanço dos outros inimigos.
Era um corredor, fazendo uma curva a direita. Demos progresso até o final, que deu em uma sala do mesmo tamanho que as outras. Possuía quatro mesas, dispostas simetricamente na sala, cada uma com uma espécie de inscrição talhada, em uma língua antiga. Esse atalhamento estava também disponível nas paredes desta sala.
Andamos até o meio dela, e então paramos para descansar.
— Espere, eu preciso de um tempo para me acalmar. — Disse eu, ofegante.
— Você sempre tem esse tanto de ansiedade em momentos como esse? — Dialogava Dart, com uma espécie de desconfiança.
— Sempre.
— Isto faz com que você pareça fraco. Esconda o seu medo com força, este é o único jeito de tornar mais forte.
— Irei tentar.
E então todos mudaram o foco em Scarf.
— Nós deveríamos mandar uma pessoa avançar primeiro, pelo menos para evitarmos andar diretamente para o estômago da besta. — sugeriu Scarf.
— Vou cuidar disso. — Manx, sem ao menos hesitar.
Manx caminhou tranquilamente para o próximo corredor. O restante resolveu esperar por respostas, lendo algumas das inscrições da sala, enquanto que eu ainda estava no centro dela.
Resolvi falar um pouco com Dart, para passar o tempo.
— Você está bem? — respondeu Dart, ao meu gesto.
— Estou melhor.
— Não sabia que você era assim. Deveria ter percebido isso.
— Desculpe por não ter te falado antes. Não acho que eu nasci para fazer esse tipo de coisa.
— Fale desta forma, e você nunca fará. Se você acha que é um fracasso, você será um fracassado, não importando de fato se você é ou não; é assim que funciona.
— Eu sei, eu sei, mas isso não é fácil.
— Então o torne fácil. Você está bloqueando seu próprio caminho. Eu já testemunhei o que você é capaz de fazer; você não tem nada o que temer. —Dart voltava a ler as inscrições, tateando a parede. — Além disso, eu sempre soube que você foi o discípulo favorito dele… todos sabiam disso.
Parecia até um balde de água fria. Mas eu me senti melhor depois disso. Resolvi falar com Scarf desta vez.
— Pensar sobre coisas que eu gosto me ajuda a relaxar. — Disse Scarf, analisando algumas das inscrições nas mesas.
Ficava apenas em silêncio.
— O que tem de errado?
— Eu me sinto mal por ter deixado Katina para trás. Espero que ela ainda não esteja morta.
— Então, nesse caso, desculpe-me. Acho que esse conselho não te ajudou muito…
— Na verdade até ajuda; eu tenho que saber o que aconteceu com ela.
— Então não deixe isto te cegar. Quer dizer, se estiver tudo bem para você em se ocupar com estas, não sei… talvez se você…
Interrompia o Scarf, que estava meio que atrapalhado.
— Não se preocupe, eu entendo. “Fique focado”, certo?
— Sim, foco, foco é a chave!
Scarf era brincalhão às vezes. Não é muito social, mas ele é uma boa pessoa. Resolvi fazer igual eles, e tentar ler as inscrições, sem sucesso; um monte de linhas, e desenhos que não fazem sentido para mim. Só podia traduzir um pouco daquilo.
Era sobre o monstro que criou este lugar. “Grinlow”
(…)
Ninguém sequer pisou perto deste lugar, por séculos, e em sã consciência, ninguém tentaria de qualquer forma, ou pelo menos, os que conhecem sobre história.
“O que eu estou fazendo aqui?”
Este lugar não foi a sua fortaleza, mas sim o local de seu nascimento. Mas, durante certo tempo, ele fez este lugar como tal.
Ele criou uma espécie de “monumento eterno” para aqueles “lembrarem e sofrerem”. Não consigo traduzir o restante.
Não consigo mais olhar para isto. Já estou com receio. Tenho que me manter forte!
(…)
Manx voltou…
— O que você achou? — Disse Dart, imediatamente após a chegada.
— O caminho sul termina em uma sala com alguns monstros fracos, mas eu não sei se poderemos prosseguir sem sofrer algum tipo de dano. E o oeste termina em uma espécie de monstro gigante, que está acorrentado. Poderemos passar por ele furtivamente, mas se ele acordar, estaremos com um grande problema. — Manx fazia uma longa pausa. — Os dois caminhos terminam no mesmo lance de escadarias.
— Vamos pegar um caminho qualquer, e daremos prosseguimento. —Dart enviando as ordens para a equipe.
Todos então se juntaram novamente. Não era uma decisão tão difícil. Escolhemos o caminho do monstro acorrentado.
Quando chegamos à sala, avistamos. Era de fato, enorme, parecia uma estátua de um gorila. A sala em si, possuía muitos cascalhos. Os supostos movimentos de “respiração” faziam com que algumas das juntas da estátua se friccionassem, ocasionando uma espécie de barulho de duas pedras se esfregando, e algumas das correntes tinindo. Mesmo com esse lance de ruídos, ainda sim, pisar em alguns dos cascalhos no chão seria fatal, uma vez que cascalho se quebra muito fácil, e faz muito barulho.
— Quietos; pisem com cuidado. — Dart, examinando com a sola das botas, o solo.
Todos caminharam com cuidado. Manx não tinha muitos problemas com isso, mas Scarf era todo desajeitado. Ele tinha pisado em um cascalho durante o caminho, mas a rocha era pequena demais para fazer muito barulho. Todos olharam para ele, com cara de aversão, e então continuávamos a passar pela sala. Acabamos fazendo várias curvas, e em uma delas passamos muito perto da estátua.
Terminamos bem o desafio.
Chegamos até uma sala com um enorme buraco em forma retangular no meio dela, e uma escadaria no final. Ignoramos o mesmo, e avançamos diretamente.
As escadas passavam por fora, ao redor da torre. Não tinham sequer um corrimão. Caminhamos com cuidado, até o final. Cheguei até a escorregar por causa de um degrau quebrado, mas Manx pegou minha mão imediatamente.
— Tome cuidado, ainda precisamos de você.
— Irei.
Finalmente chegamos ao segundo andar da torre. Aparentemente, as salas são quase todas do mesmo estilo e visual. A primeira sala continha quatro pilares no fundo, igual à primeira sala do primeiro andar da torre. O que diferenciava, é que esta continha restos de uma criatura espalhados em todo lugar; algo como uma gosma verde e viscosa.
— Está fresco. Provavelmente deve ter um “gelatinoso” por perto. Tomem cuidado.
Recebemos o conselho de Dart, e andamos para o corredor do oeste.
Esta sala não era igual às outras. Tinha seis estátuas no fundo, parecidas com esqueletos, só que com armaduras que cobriam os ombros e o torso, e empunhando machados. Não pareciam se mexer, como a estátua do gorila. Dart não deu atenção a elas; apenas continuamos pelo corredor largo do sul. Manx tinha ficado para olhar… E as estátuas começaram a se mexer. O restante do grupo parou após os alvoroços de Manx.
— Rápido, precisamos correr! Aquelas estátuas estão vivas!
— Não precisa dizer duas vezes, vamos embora! — Proferiu Scarf, já com a mão branda no pomo da espada. Então, todos correram até o final do corredor gigante, com todas as estátuas logo atrás de todos.
. No fim dele, tinha uma estátua, que era diferente das outras, e tinha uma espécie de “capa”, e ao leste, outro lance de escadas. Aproximamo-nos até ficarmos uns 15 palmos perto da estátua a nossa frente. Estávamos ofegantes, e cercados. Todos já tinham sacado suas armas, e preparados para lutar, se necessário.
— Droga, parece que estamos presos… — Novamente, estava no mesmo dilema de antes.
— Não desista, nunca desista! Sempre há uma maneira de vencer. — E novamente, Dart me consolava.
— Bom, se alguém souber dessa maneira, sou todo ouvido. — Dizia Scarf, com a Vonnegut em mãos.
— Eles estão prontos a atacar, estamos praticamente cercados e indefesos! — Pronunciou Manx, com a katana empunhada ao reverso.
Só não percebemos o que de fato está acontecendo. Os monstros que estavam nos perseguindo, sequer nos atacavam. A estátua da frente também não parecia se mexer. Dart foi o primeiro a perceber isso.
— Esse monstro protegendo a saída parece assustar os outros. Talvez possamos usar isso como vantagem, ou então correr para as escadas. Vamos fazer um ataque rápido! — Disse Dart.
Dart desviou o olhar para Scarf, que rapidamente tinha entendido o que fazer. Ele planejava fazer um ataque fulminante, em dupla. Manx apenas olhava pela retaguarda, enquanto eu observava à frente.
Scarf se aproximou da estátua, que parecia um homem com armadura completa, e rangia muito ao movimento.
Dart se aproximou juntamente de Scarf, porém um pouco mais a esquerda, e então, os dois rodeavam a estátua de armadura, em movimentos circulares.
— Já sabe o que fazer, Scarf!
— Sim!
Scarf empunhava novamente a Vonnegut, que dessa vez ficava mais negra com energia recebida. Dart também empunhou sua própria espada. Subitamente, uma das estátuas anteriores, se aproximou dos dois, com um enorme machado.
— Parece que eles precisam de ajuda — Disse isso já sacando a minha própria espada. — Dart, se concentre apenas na estátua principal, ignore esta!
Estava na frente do esqueleto com o machado, aparando o golpe dele. Manx também aparava o golpe comigo, e juntos, empurramo-nos de volta para os outros no corredor.
— Entendido! — Concordou Dart, logo depois mostrando o seu golpe de assinatura.
Scarf utilizava um golpe diferente, que começava com um belo rasante de seu corvo, seguido de uma onda fina e negra de energia, que fazia vários arcos circulares. Este golpe a longa distância foi suficiente para cortar as pernas da estátua, que estava impossibilitada de se mexer nesse momento.
— Agora é a minha vez. — Preparava seu golpe logo após o do Scarf.
Dart dava um pulo bem alto, logo depois fazendo uma espécie de imagem de uma estrela de quatro pontas com os movimentos de sua espada. Esta estrela ficava com um aspecto vermelho incandescente, e se aproximava em uma velocidade média ao inimigo.
Quando esta estrela chegou até a estátua, fez um enorme impacto, que a deixou em pedaços. De fato, um ataque poderoso, mas necessitava de precisão para ser executado, o que foi incrivelmente pensado e executado com a ajuda de Scarf, que tinha imobilizado o inimigo, impossibilitando ele de se esquivar.
Quando a poeira baixou, tudo que se podia ver eram fragmentos do que sobrou do adversário.
— É, parece que funcionou. Foram embora com medo. — Observara a situação no corredor.
— Há, idiotas! — Scarf afrontava os inimigos.
— Isso foi incrível, e foi brilhantemente executado! — Manx, se maravilhando com a estratégia de Dart.
— Eu não acreditava nisso. Achei que fossemos morrer, com certeza.
— Não permitimos que o medo controle nossas ações. Esta que é a diferença entre nós e animais. — Declarava Dart, depois do ataque bem sucedido, guardando novamente sua espada.
Demos prosseguimento ao segundo lance de escadas da torre. Dessa vez, a escada era suspensa, e levava uma torre vizinha…
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