Espada de Brumas
7 Murphy
Notas iniciais
"Você está sonhando com o nosso encontro ou estamos nos encontrando num sonho?", Sandman, Neil Gaiman.
Depois de deitar ele sonhou: Névoa se apaziguava ao fundo, ocultando montanhas e qualquer outras coisas que não quisessem ser vistas. Sentia cheiro de ozônio, como em um parque de diversões, Não se pode sentir cheiros em sonhos, pensou, mesmo sabendo que não era bem verdade.
– Pai — disse o menino. Mas nada obteve em resposta.– Você está sonhando com o nosso encontro ou estamos nos encontrando em um sonho? — perguntou uma voz familiar em meio ás indistintas sombras que agora se projetavam sob sua cabeça, sobre seus pés e a seu redor — Sabe — continuou a voz conhecida — Sendo o deus dos sonhos eu posso aparecer como alguém que você tenha afeição. Me indago como devo me mostrar. Murphy pensou em alguém mas decidiu não dizer. A névoa se tornou mais espessa, até chegar a um ponto em que esta se mesclou com as sombras, tornando tudo escuro e sombrio. Ele queria falar mas estava paralisado.– Meus domínios refletem a mim, assim como eu os reflito — o cheiro de ozônio ficava mais forte — E, nesse momento, estou muito irritado — Um trovão atingiu alguma coisa em algum lugar no sonhar — Morfeu, Ícelo, Fântaso: sonho, pesadelo e fantasia, você tem o poder de todos nessa algibeira. Pensa que só está aqui porque tem treze anos e foi reclamado? Não, meu filho, eu tenho planos para você. Era verdade. Morfeu havia dado a ele aquele saco cheio de areia, mesmo sem nunca o ter ensinado a usar. Só sabia que teria que usa-la quando o pedissem que o fizesse. Murphy acordou. Sabia que estava acordado porque não estava mais com medo. Sentiu o volume da algibeira amarrada no cinto de sua bermuda.– Bom dia Aiden — bocejou Clovis em um movimento atrapalhado ao se mexer no seu saco de dormir. Seu nome era na verdade Aiden Murphy, mas as pessoas costumavam confundi-lo com Aidan Murphy, o treinador dos Greensboro da carolina do norte — sua cidade natal — por isso começou a se apresentar apenas como Murphy, porém ele disse seu nome a Clovis. Queria ser amigo dele.– Oi — disse ele, fingindo um bocejo apenas pra se enturmar. Todos no chalé de Hipnos bocejavam constantemente, o que, na opinião dele, parecia algum tipo de linguagem secreta — Você não vem tomar café? — Murphy colocava sua camisa laranja do acampamento, não estava com vergonha de ficar sem camisa porque ninguém estava exatamente olhando. A maioria estava com a cabeça enterrada no travesseiro.– Mais cinco minutinhos — murmurou Clovis enquanto voltava a dormir — É assim que é ser um filho do joão pestana. Murphy riu. Disseram a ele que os deuses ficavam zangados quando semideuses zombavam deles, mas achava que Hipnos estava com sono de mais pra se importar. Clovis roncava, pelo visto Murphy teria que tomar café sozinho. O menino olhou pra trás antes de deixar o chalé: Umas cinco crianças entre treze e quinze anos; a árvore com gotas do rio lete — o símbolo de Hipnos — pingando em um balde e inúmeros cobertores jogados no chão. Um bom lugar pra se viver, pensou. No caminho para o pavilhão refeitório passou pelos outros chalés. Viu Nádia e Aaron, á distância, discutindo em frente ao chalé de Éolo: Uma construção em tons de violeta e azul cheia de buracos — como uma grande ocarina — algumas partes eram mais densas e indistintas que as outras. Talvez por causa do vento. O Sr. Bush, o sátiro, apareceu na sua casa na Carolina do Norte, logo após ser reclamado. Estava com pressa, dizendo algo sobre um sátiro burro em Nova York, montou Murphy em uma carruagem dirigida por dois pégasos e depois de uma hora ele estava no acampamento meio-sangue. Nem tudo foi um grande choque, seu pai, Morfeu, conversava com ele em sonhos várias noites antes do seu aniversário. A principio pensou que estava só fantasiando com um pai, já que ele não tinha um, não de verdade — Murphy vive com a mãe em Greensboro, ao menos era assim até ontem quando chegara ao acampamento — Mas agora, nas férias de verão estava conspirando com Morfeu qualquer coisa que ele tem em mente e ainda não o contou. Tudo isso martelava em sua cabeça, e a manhã mal começara. Subiu as escadas até o pavilhão, como Quíron tinha dito ontem. Sentou na mesa do chalé de Hipnos. Vazia... Pelo menos estava vazia até Travis e Connor Stoll se sentarem com ele.– O que estão fazendo aqui? — perguntou Murphy– Hoje é o primeiro dia de verão, vários semideuses estão voltando de casa hoje — disse Travis, ou talvez Connor. Ele não fazia ideia, eram muito parecidos — Só estamos aqui para que as outras mesas não fiquem lotadas.– Mas Quíron disse que cada chalé tem sua própria mesa.– Quíron está muito ocupado na casa grande, com todos esses semideuses chegando... Ele não vai se importar com esses detalhes. Além disso, semideuses, filhos de deuses menores, costumavam ficar no nosso chalé e, já que o chalé do seu pai não está pronto, você meio que está na mesa errada, mas isso não importa.– So me digam o que vocês querem.– Ei, não seja tão rude. Travis e eu só estamos te fazendo companhia — disse Connor, ofendido. Agora sabia que era Connor falando porque ele mencionou Travis, ou o menino tinha confundido o próprio nome, mas isso era menos provável .
Murphy olhou as várias mesas vazias. Estavam sozinhos no pavilhão.– Desculpa. Ele não queria ser indelicado, mas tinha muita coisa na cabeça. – Está tudo bem — disse Connor– Ei — continuou Travis — Sabe o que o bebê-hipno bebe?– O que o bebê-hipno bebe- respondi.– Lete em pó. Lete, sacou?... Pareceram-se poucos minutos de conversa, Porém o sol já estava alto no céu e pessoas subiam as escadas do pavilhão do refeitório. Murphy deu por si falando de seu nome inteiro ''Aiden Murphy'' e do time de futebol de sua cidade.– Bob, o primo de Aaron estuda em Greensboro — disse Travis, Murphy começava a aprender diferenciar os irmãos Stoll — Guilford College , eu acho.– Você falou com o Aaron?– Nós conversamos com ele antes de virmos pra cá. Ele estava meio perturbado. Dito isso os ventos se agitaram, como em um vendaval, um som abafado, um rumor alto e agudo fazendo todos se virarem para a direção dos chalés. O chalé de Éolo para ser exato.
Notas finais
Para os que não entenderam a piada infame do ''Lete em pó''. Só lembrem-se do Rio Lete
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor