Espada de Brumas
5 Dylan
Notas iniciais
Se existe algo que deixe Dylan mais chateado que empousas raivosas é o Sr. Bush gritando com ele.
Ele sabia que nem deveria estar ali pra começo de conversa e, já que tinha insistido em ficar deveria ter ao menos a decência de avisar a seus amigos sobre a missão, porém não avisara.
Dylan queria ter dito mas ele sabia que não sairia do acampamento tão cedo para buscar outros semideuses, ele só queria aproveitar mais seus momentos com Aaron e até mesmo Nádia — mesmo não gostando muito dela — mas, agora ele tinha estragado tudo de novo e se repreender por isso só piorava tudo.
O sátiro: Bush, como gostava de ser chamado — embora estando mais pra uma árvore adubada com esteroides do que um arbusto — estava guiando Aaron e Nádia para a porta recém arrancada do banheiro feminino. Dylan escutava mesmo sabendo exatamente o que o Sr. Bush iria dizer, ele havia ensaiado isso no espelho umas milhares de vezes.
– Aaron. Nádia — disse o sátiro para os meninos no banheiro — Como vocês deveriam saber algumas semanas atrás e, já que fui obrigado a vir aqui vou dizer logo tudo de uma vez — Bush tomou fôlego — Vocês são semideuses e intregarão a missão destinada especialmente a vocês. Que maravilha, não? Vocês vão permanecer no acampamento por tempo o suficiente para o treinamento básico de vocês e irão embarcar na missão antes que bóreas sopre a partir do sol nascente no solstíc...
– Espera. Como espera que a gente aceite isso numa boa? — perguntou Nádia interrompendo o sátiro. Suas pernas estava tremendo e Dylan achava que não era porque uma porta tinha caído em cima delas — Eu sei que sou uma bóreade, eu tive um sonho ontem á noite.
– Você também? — Aaron embargou.
– Olhe vocês dois — Bush estava perdendo a paciência, Dylan saba que ele ia acabar perdendo mais cedo ou mais tarde, desejara que fosse mais tarde — Se vocês me interromperem mais uma vez eu juro que não me responsabilizo pelos meus atos... Como eu ia dizendo?
– Sólstício — disse os dois filhos dos ventos.
– Ah, claro. Quando o bóreas soprar a partir do sol nascente vocês já terão que pôr fim a missão e espero que a tenham concluído antes disso... A próposito pegue isso — o sátiro estendeu a espada na direção de Aaron — está meio suja de sangue mas vai servir.
Depois de todo aquele falatório os quatro: Aaron, Nádia, o Sr. Bush e Dylan seguiram até a porta de entrada da escola, já haviam contactado o acampamento por meio de uma mensagem de Íris e os pégasos iriam aparecer a qualquer momento.
Aparentemente a empousa e a dracaenae apareceram porque Nádia tinha proucurado ''boréade'' no Google e isso é como um sinalizador para o radar monstro.
Nenhuma palavra foi dita durante o caminho, até que dois meninos apareceram no corredor e sussuraram:
– Assombração.
Ao ouvir isso Dylan sentiu uma pontada de raiva. A névoa deveria ter disfarçado os cascos de bode e todo o resto mas ele só queria ir até aqueles dois e os dar um pontapé caprino. Aaron não se importava com aquilo, achava que só debochavam dele por não ser um dos mais inteligentes e que usavam seus cabelos claros e sua pálidez como desculpa para as brincadeiras, mas Dylan sabia a verdade.
Aaron Rangel era filho de Éolo, o senhor dos ventos, naturalmente o ar resvala a seu favor, abafando o som de seus movimentos — o que pode ser mais do que suficiente para assustar algumas pessoas — podendo até ocultar seu cheiro. Deveria ser por isso que nenhum monstro havia aparecido até agora.
Faltavam dois dias para as férias de verão e os pégasos já haviam chegado. Levantamos vôo para o acampamento meio-sangue.
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