Notas iniciais
Para os meus poucos leitores que talvez ainda estejam acompanhando: Gente, meu laptop explodiu e esse é o motivo por eu não ter escrito nada nesses últimos quatro, cinco meses porque esse era o único modo de postar qualquer coisa aqui. Eu espero que o imprevisto não aconteça de novo. Ainda tenho um pouco da história na minha cabeça e, esperançosamente, pretendo acabar isso antes do próximo milênio.

Se existe algo que deixe Dylan mais chateado que empousas raivosas é o Sr. Bush gritando com ele.
Ele sabia que nem deveria estar ali pra começo de conversa e, já que tinha insistido em ficar deveria ter ao menos a decência de avisar a seus amigos sobre a missão, porém não avisara.
Dylan queria ter dito mas ele sabia que não sairia do acampamento tão cedo para buscar outros semideuses, ele só queria aproveitar mais seus momentos com Aaron e até mesmo Nádia — mesmo não gostando muito dela — mas, agora ele tinha estragado tudo de novo e se repreender por isso só piorava tudo.
O sátiro: Bush, como gostava de ser chamado — embora estando mais pra uma árvore adubada com esteroides do que um arbusto — estava guiando Aaron e Nádia para a porta recém arrancada do banheiro feminino. Dylan escutava mesmo sabendo exatamente o que o Sr. Bush iria dizer, ele havia ensaiado isso no espelho umas milhares de vezes.
– Aaron. Nádia — disse o sátiro para os meninos no banheiro — Como vocês deveriam saber algumas semanas atrás e, já que fui obrigado a vir aqui vou dizer logo tudo de uma vez — Bush tomou fôlego — Vocês são semideuses e intregarão a missão destinada especialmente a vocês. Que maravilha, não? Vocês vão permanecer no acampamento por tempo o suficiente para o treinamento básico de vocês e irão embarcar na missão antes que bóreas sopre a partir do sol nascente no solstíc...
– Espera. Como espera que a gente aceite isso numa boa? — perguntou Nádia interrompendo o sátiro. Suas pernas estava tremendo e Dylan achava que não era porque uma porta tinha caído em cima delas — Eu sei que sou uma bóreade, eu tive um sonho ontem á noite.
– Você também? — Aaron embargou.
– Olhe vocês dois — Bush estava perdendo a paciência, Dylan saba que ele ia acabar perdendo mais cedo ou mais tarde, desejara que fosse mais tarde — Se vocês me interromperem mais uma vez eu juro que não me responsabilizo pelos meus atos... Como eu ia dizendo?
– Sólstício — disse os dois filhos dos ventos.
– Ah, claro. Quando o bóreas soprar a partir do sol nascente vocês já terão que pôr fim a missão e espero que a tenham concluído antes disso... A próposito pegue isso — o sátiro estendeu a espada na direção de Aaron — está meio suja de sangue mas vai servir.

Depois de todo aquele falatório os quatro: Aaron, Nádia, o Sr. Bush e Dylan seguiram até a porta de entrada da escola, já haviam contactado o acampamento por meio de uma mensagem de Íris e os pégasos iriam aparecer a qualquer momento.
Aparentemente a empousa e a dracaenae apareceram porque Nádia tinha proucurado ''boréade'' no Google e isso é como um sinalizador para o radar monstro.
Nenhuma palavra foi dita durante o caminho, até que dois meninos apareceram no corredor e sussuraram:
– Assombração.
Ao ouvir isso Dylan sentiu uma pontada de raiva. A névoa deveria ter disfarçado os cascos de bode e todo o resto mas ele só queria ir até aqueles dois e os dar um pontapé caprino. Aaron não se importava com aquilo, achava que só debochavam dele por não ser um dos mais inteligentes e que usavam seus cabelos claros e sua pálidez como desculpa para as brincadeiras, mas Dylan sabia a verdade.
Aaron Rangel era filho de Éolo, o senhor dos ventos, naturalmente o ar resvala a seu favor, abafando o som de seus movimentos — o que pode ser mais do que suficiente para assustar algumas pessoas — podendo até ocultar seu cheiro. Deveria ser por isso que nenhum monstro havia aparecido até agora.
Faltavam dois dias para as férias de verão e os pégasos já haviam chegado. Levantamos vôo para o acampamento meio-sangue.