Eskalith
4 Pretensão
Notas iniciais
ele era grande demais e eu resolvi modificar algumas coisas.
E bluh, vou tentar postar o próximo capitulo ainda hoje anoite u3u
Suzuno Fuusuke me olhou boquiaberto, parecendo tão incrédulo como se eu houvesse dito "eu sou sei pai" ao invés de "eu gosto de você". Sua expressão era irritada, como se eu tivesse o ofendido ou coisa do tipo.
O vento soprava com mais força.
Eu senti um desconforto no peito, como se meu coração apertasse e se contorcesse dentro de mim. Minhas pernas estavam tremulas, e eu sentia uma vontade absurda de sair correndo mesmo assim, com raiva e arrependimento. Eu me sentia como se tivesse revelado a ele o meu pior segredo, e agora ele o usaria contra mim da forma que desejasse.
Seus olhos azuis me fitavam, como se esperasse que eu dissesse que era uma brincadeira. Eu podia ver que ele não estava acreditando no que eu estava lhe dizendo, e estava irritado com tal ideia.
Você é louco? — ele perguntou. Sua voz saíra tão baixa, que tive a impressão de que ele disse apenas para si mesmo ouvir.
Abri minha boca na esperança de que alguma palavra saltasse para fora, mas antes que pudesse emitir qualquer som, o sinal para a próxima aula ecoou por todo campus. Senti como se aquele som agudo viesse de dentro de meu próprio ouvido, causando-me um desconforto enorme. Suzuno se levantou num pulo.
Ele me lançou um ultimo olhar sério, apático, e saiu em direção ao prédio.
Passei um tempo sem me mover. Minha cabeça ficara cheia de repente, impedido que meu cérebro respondesse a qualquer ação.
" O que eu fiz? Fiquei louco?" Perguntava a mim mesmo.
A reação de Suzuno não era o que me deixara nesse estado. Na verdade, era algo que eu imaginei que aconteceria.
O que havia me deixado tão nervoso, tão sem ação, era a maneira como o olhar dele penetrava em mim, como se visse através de mim. Como se lesse meus pensamentos. A sensação de um congelamento interno que ele me passava, como se estivesse me punindo por pensar que um dia eu o teria. Era como se toda informação sobre minhas intensões com ele tivessem escapado e chegado até ele. Tudo o que eu desejava. Todo meu sentimento obsessivo e egoísta, de que um dia ele seria meu, apenas para provar a mim mesmo que eu poderia ter tudo o que eu quisesse.
"Suzuno era capaz de fazer isso? Ou é apenas paranoia minha?" comecei a me perguntar.
Um vento mais frio bateu em meu rosto como se me desse um tapa para acordar. Porém, quando recuperei o controle de mim mesmo, eu podia sentir algo sendo aquecido em meu peito.
Se o calouro era capaz de fazer isso, ele provavelmente era ainda melhor do que eu imaginei. Ainda mais intrigante do que qualquer outra coisa da qual eu já tenha realmente me interessado em possuir. Enquanto eu conseguia reorganizar meus pensamentos, senti o frio interno sendo derretido dentro de mim, me reanimando.
Abri um leve sorriso com tal pensamento.
Naquele momento, eu sabia que não poderia desistir dele, e o teria a qualquer custo.
Corri pelo corredor até a classe de Língua Portuguesa. Eu devia estar alguns minutos atrasados, graças a meu emparelhamento de pensamentos que precisavam ser reorganizados. Eu tinha um raciocínio meio lento, e precisava parar para entender o que era preciso para mim entender. Eu não enxergava isso como um defeito ou desvantagem. Para mim, era apenas mais uma das características que provavelmente me tornava diferente de todo mundo.
Para mim, minha lentidão não era por eu ser estupido ou lesado, e sim porque eu tinha um turbilhão de pensamentos e sentimentos sobre coisas que a maioria das pessoas ignorava e não via importância, ou simplesmente não eram capazes de se quer tentar entender. Minha arrogância me fazia pensar nisso, que eu entendia as coisas melhor do que a maioria, por pensar com mais cuidado.
Mas a verdade é que eu era muito medroso, e o medo me fazia parar para pensar o tempo todo antes de qualquer ação.
Entrei na sala, tentando ignorar os olhares arrastados para mim. Eu odiava a sensação de todos estarem me olhando, falando sobre mim. Andei o mais rápido que pude até minha carteira. Olhei para Suzuno, que parecia ter sido o único que não havia feito questão de virar a cabeça para mim quando eu entrei.
E o resto da aula eu o observei, me ignorando.
Ele fora o primeiro a se levantar e sair quando o sinal tocou. Eu joguei meu material de qualquer jeito de volta a mochila, para poder alcança-lo. O corredor se encheu de alunos, louco para sair para fora, para ir embora daquele lugar. Eles faziam uma festa de barulhos irritantes, risos e passos fortes no chão. Eu tive a impressão de ser capaz de ouvir até mesmo o som dos zíperes de suas bolsas sendo fechados. O aglomerado de alunos tampava-me a visão, e eu não conseguia enxergar Suzuno no corredor, então eu apressei ainda mais o passo, esbarrando em quem quer que se colocasse em minha frente.
Eu o alcancei no portão. Andei alguns passos atrás dele, sem ele me notar. O sol já estava fraco, e o vento começara a ficar cada vez mais gelado.
Seus passos naquela tarde eram longos e ligeiros, como se ele almejasse estar logo em casa. Os vestígios de raios de sol batiam em seus cabelos e davam-lhes uma coloração meio amarelada, mas não como as dos cabelos de Shigeto, era como se eles simplesmente tivessem brilho amarelo alaranjado em alguns fios.
Eu sempre tive a sensação de que as cores dos ambientes ficavam mais vivas ao final da tarde. O contraste que as calças escuras de Suzuno e seu moletom vermelho — que eu não o tinha visto usar antes — faziam ele parecer estar em uma fotografia, realçado.
- O que você quer agora? — ele perguntou, enfezado, quando finalmente percebeu que eu o estava acompanhando.
- Estou indo para casa, oras.
- Eu nunca vi você passar por aqui.
- É porque geralmente eu vou de ônibus — respondi, tentando parecer amigável.
Porém, Suzuno continuou apático. Ele deu de ombros e voltou a andar, fingindo que eu não estava lá.
Eu tinha que admitir que estava desconfortável com o fato de estar andando para um lugar que eu não costumava ir. A estrada era de chão, e havia uma boa quantidade de árvores. Aparentemente ele passara a vir por aqui depois de ter sido perturbado no caminho principal. As casas em toda a rua eram pequenas, algumas de madeira velhas e caindo aos pedaços, outras era um tanto arrumadinhas e com a pintura preservada. Uma variação entre cercados velhos e pintados, e poucas com muros.
Andamos por mais uns 15 minutos por tal paisagem, até que Suzuno entra em uma rua que parecia muito diferente. Havia mais casas grandes, e muros. Alguns estabelecimentos velhos, e terrenos vazios. Em algum momento, ele olhou para mim por cima do ombro, apenas para conferir se eu ainda estava por perto.
- Você vai me seguir até em casa? — perguntou ele.
A verdade era que eu não havia realmente pensando nisso. Eu apenas pretendia acompanha-lo o máximo que eu podia, até que ele desviasse por algum caminho do qual eu saísse do caminho de casa. Mas ver onde ele morava não era tão má ideia.
- Não, na verdade — falei, timidamente.
- Ótimo.
Ele voltou a apressar o passo. A um bom tempo eu não passara um dia tão cansativo. Talvez teria sido melhor eu acompanha-lo outro dia, já que eu estava desde cedo na rua. Minhas pernas começaram a se sentir cansadas e me causar desconforto. Viramos mais uma rua.
Passei a notar que não estávamos sozinhos. Vários estudantes pareciam ter surgido do além. Provavelmente havia uma escola ali perto. Havia outros pedestres que eu não havia notado até então. Rostos novos.
Uma garota se aproximou de Suzuno.
- Fuusuke — ela disse, séria, se aproximando dele.
Sua voz era fria. Ela tinha cabelos alaranjados e presos em um coque, e vários fios de cabelo soltos, dos quais ela mexia constantemente. Ela possuía olhos negros,dos quais ela evitada olhar para frente, se aproximando com a cabeça baixa.
Eu lancei a ela um olhar curioso e indiferente, mas ela se quer olhou para mim.
- Levante essa cabeça, Yuki — disse ele, se aproximando dela.
Ele era bem mais alto do que ela, e inclinou-se para olhar seu rosto. Eu senti uma certa pitada de desconforto com isso, por um instante pareceu que ele ia beija-la.
Ela o afasta com as mãos.
- Pare com isso — falou Yuki — o que você esta fazendo aqui?
- Caminhando — respondeu ele.
Deixei escapar um resmungo. Suzuno me fizera andar todo esse tempo, atoa, enquanto eu pensei que ele estava indo para casa.
- Então resolvi passar aqui para ver se você ainda estava frequentando a escola — disse ele.
- Minha mãe te mandou? Ótimo.. — ela balançou a cabeça negativamente — houve um tempo em que ela confiava mais em mim.
- Não a culpe — falou ele — vou indo, te vejo outro dia.
Ela finalmente ergueu o rosto para ele. Ela possuía um rosto bonito demais para esconde-lo, e isso me deixou um pouco mais desconfortável.
Suzuno pousou a mão no ombro dela.
- E vá para casa — falou.
Quando ele começou a andar de novo, eu o segui, tentando acompanha-lo. Yuki pareceu finalmente me notar e me lançou um olhar furioso.
"Qual é o problema dessa garota?" Pensei.
Nem sempre era bom conhecer rostos novos, afinal.
Desta vez, fiquei lado a lado com ele.
- Onde estamos indo? — perguntei, tentando soar como se fossemos bons amigos caminhando juntos.
Ele nem olhou para mim.
- Lugar nenhum.
- Porque você esta me tratando assim?
- Como eu devia tratar um completo estranho? Ainda por cima, um que estas a me seguir?
Coloquei a mão em seu ombro, tentando diminuir sua velocidade.
- Eu sou Nagumo Haruya, não sou um estranho, estou na mesma classe de português que você, — falei — e só estou tentando me aproximar, eu já disse.
Ele pegou minha mão e a jogou. Suas mãos eram frias.
- Eu não estou interessado.
- Porque?
Andei e parei na frente dele.
- Vou te perguntar pela ultima vez: o que você quer, porra? — ele falou. Pude ver que eu o estava tirando do sério, mas não me importei.
Dentro de mim, eu sentia uma chama acessa. Era totalmente diferente do que eu sentia mais cedo. Eu estava animado, confiante. A ideia de fazer alguma estupidez passou a ser algo tentador, e eu me sentia em uma espécie de aventura.
- Você quer saber mesmo o que eu quero? — perguntei, sorrindo.
- Diga-me de uma vez — ele respondeu.
Aparentemente, meu sorriso pretensioso pareceu o irritar da mesma forma que sua expressão de frieza me irritada. Eu estava assumindo o controle desse jogo. Aquela tarde, ele havia me atingido e agora era minha vez. Minha jogada.
- Eu quero você, Suzuno Fuusuke.
Ele repetiu a mesma expressão de mais cedo, parecendo estar olhando para mim como se eu fosse uma abominação, porém, eu a ignorei completamente, respondendo a ele com um puxão, tão rápido para não dar a ele nenhuma oportunidade de se defender, então eu o beijei.
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