Escuridão do passado
46 Capítulo- 46
Notas iniciais

O lobisomem correu em minha direção. Seus dentes terrivelmente grandes estavam à mostra.
Eu estava paralisada, então ele pulou em cima de mim, me derrubando no chão coberto de folhas secas.
Quando Alec foi tentar impedi-lo de me machucar, outro lobisomem partiu para cima dele.
Neste momento, me veio à imagem na cabeça. Luke e Henry tinham uma tatuagem idêntica. Então... Aquela tatuagem deveria ter algo haver com o fato de eles serem lobisomens.
Deduzi que o outro lobisomem era Henry.
Não tive tempo de pensar em mais nada, pois senti uma dor cruciante. Gritei de dor.
Olhei para o meu braço esquerdo na boca do lobisomem. Sim, ele havia arrancado o meu braço.
–NÃO. –gritei. –Meu braço. –lamentei.
E então, eu reagi.
Juntei todas as minhas forças, e chutei fortemente o Luke, bem na barriga.
Ele bateu contra a árvore. E parecia que ele havia ficado mais irritado ainda.
Olhei para o lado, procurando por Alec. Mas ele havia sumido. Henry, ainda em sua forma de lobisomem, estava desmaiado perto das samambaias.
Como Alec pôde me trair assim? Nunca imaginei que ele me abandonaria em um momento desses.
–Alec, seu covarde! –resmunguei.
Tornei a olhar para frente e Luke já estava pronto para me atacar novamente, quando algo o impediu.
Era Alec.
Suspirei aliviada.
–Quem é covarde? –ele perguntou enfurecido.
–Não o machuque. –pedi.
Enquanto Alec cuidava de Luke, eu fui em direção ao meu braço. Eu nem sentia mais dor. Mas eu precisava dele. Creio que Carlisle poderá dar um jeito.
O achei no meio das folhas amareladas. Era outono, então a floresta estava um mar de folhas secas.
Peguei o braço, e fiquei encarando-o, com medo de que Carlisle não pudesse fazer nada.
Alec tocou o meu ombro com delicadeza.
–Nós vamos conseguir dar um jeito nisso. Não se preocupe. –ele falou carinhosamente.
Olhei para Luke. Ele também estava desmaiado.
–Eles vão ficar bem? –perguntei.
–Sim. Quando o sol nascer eles vão acordar e voltar ao normal.
Assenti.
–Obrigada! –sussurrei para ele.
–Pelo que?
–Por me ajudar.
–Any, te ajudar é como uma função para mim. Eu sempre vou te proteger. Não duvide disso. Ah, e lembre-se disso da próxima vez, antes de me chamar de covarde.
Dei risada.
–Desculpe... Eu só...
–Shhh. Vamos ver se Carlisle concerta o seu braço.
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–Você é um imã para problemas. Assim como sua mãe. –Emmett ria. –Vocês são hilárias.
Carlisle havia conseguido colocar meu braço de volta ao lugar. Vampiros têm suas vantagens, e uma delas é ter seu braço de volta.
–Menos, Emmett.
–É serio. Vocês conseguem ser mais engraçadas que eu.
Eu sorri.
–Tudo bem. Nós já entendemos. –Mamãe falou, entrando no meu quarto.
–Oi mãe.
–Filha, você tem visita. Seth veio te ver.
Corri em velocidade máxima, até a sala.
Quando nos encontramos, acabamos caindo no chão por causa do impacto.
Nós rimos, e eu fiquei encarando-o. Ele era tão lindo. Sorri internamente. Com um lobo desses, eu viro a chapeuzinho vermelho.
O que? Rauany, cale a boca!
Voltei à realidade.
–Olá, Seth.
–Oi, Any.
Ouvi Alec rosnar.
Revirei os olhos.
–O que faz aqui? –perguntei sem parecer grossa.
–Eu vim te ver. Eu soube do seu braço. –ele apontou para o meu braço esquerdo.
–Ah, já está tudo resolvido.
–Que bom. –ele disse e sorriu.
(Flashback on)
Era de manhã, e antes de ir embora, Luke se desculpou.
–Me desculpe, Any. Eu não estava sob controle.
–Tudo bem Luke. Já resolvemos isso. Meu braço já está de volta.
Ele abaixou a cabeça.
Perguntei:
–Você sempre foi assim?
–Não. Começou esse ano. A família do papai é assim. Todos os homens da família estão destinados a isso.
–Então papai é...?
–Sim.
–Por isso que nas noites de lua cheia vocês saiam de casa.
Ele concordou.
E então me lembrei de Henry.
–A família de Henry também é assim?
–Não. Quando um de nós morde um humano na noite de lua cheia, esse humano... Também vira um lobisomem. Henry me encontrou na minha primeira noite de transformação. Perdi o controle. Agora ele também é um.
–Mas você me mordeu. Eu também vou...?
–Não. Os vampiros não se transformam em lobisomens.
(Flashback off)
Descobrimos o segredo de Luke. E nada mais justo do que ele saber o nosso. Ele sabia que vampiros existiam. Mas não sabia que nós éramos. Ele nunca havia visto um de perto.
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Seth foi embora. Ele era um grande amigo. E eu me sentia bem em sua presença. Eu me sentia ainda mais bem, do que com Jacob.
Depois da saída de Seth, chegou outra visita.
Carlisle foi abrir a porta.
Eu sabia que eram mais de um. Mas não sabia quem.
Depois de um tempinho, a visita chegou na sala, e eu pude ver quem eram.
Deviam ser as Denali.
Eram duas loiras. Carlisle já havia me contado delas, e claro sua história. Eu sentia muito, pela mãe delas. E elas já ficaram sabendo da reencarnação do Ed.
Faltava Irina. Eu fiquei triste quando me lembrei do que Carlisle havia me contado.
Logo atrás veio um casal. Suspeitei ser Carmen e Eleazar.
Eles cumprimentaram todos com um oi, e estranharam o Alec sentado ao meu lado. Como não me conheciam ainda, todos vieram se apresentar.
–Você deve ser a Rauany. Oi, eu sou a Tanya. –a vampira se apresentou.
–Olá.
–E eu sou a Kate. –a outra falou.
–Oi, Kate.
Olhei para o casal atrás delas, e falei:
–E vocês deve ser Carmen e Eleazar. Estou certa?
Os dois sorriram.
–Sim. É um prazer. –Eleazar falou.
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Conversamos muito. As Denali e eu tornamo-nos grandes amigas. Passamos horas conversando. Elas eram bem divertidas. E eu fiquei sabendo que há tempos atrás, Tanya tinha uma paixão platônica pelo Edward.
Eu morri de rir com isso. Mas de certa forma, fiquei triste por ela.
Eles ficaram uma semana aqui em casa. E hoje foram embora. E antes de irem, me pediram para vista-los.
Neste momento eu estava com Alec na escada de fora. Estávamos observando a floresta em silêncio, até que Alec fala:
–Any, vamos para Volterra?
–Mas e Ed?
–Ele fica.
Revirei os olhos.
–Eu quis dizer, que duvido que ele vá deixar.
Ele riu.
–Eu sei. –ele parou e pensou. –Bom... Não custa tentar. De qualquer forma, eu terei que ir embora hoje. Não posso abusar da liberdade que Aro me deu. Se Ed não deixar você ir, em breve eu venho te ver.
–Mas vai demorar muito, Alec.
–No ano novo.
–Vai demorar. –falei emburrada.
–Estamos em outubro. –ele suspirou. –Aro não vai me liberar tão cedo assim, Any. Eu posso pedir a permissão dele para vir no ano novo. Fiquei sabendo que Carlisle vai fazer uma festa.
–Vai?
Ele assentiu.
–Óbvio que a Alice é quem vai organizar tudo. Terá comida, bebida, música. –ele disse.
Como ele sabia dessas coisas, e eu não?
Espera. Comida e bebida?
–Comida e bebida? Para deixar de enfeite? –perguntei confusa.
Ele riu e negou.
–Não. Carlisle chamará os lobos, Charlie, Sue, Billy...
Está explicado.
–Tudo bem, Alec. Vou pedir para meu pai deixar eu ir à Volterra com você.
Ele sorriu.
Entrei em casa. Quando eu abri a boca para perguntar, Ed foi mais rápido:
–Não.
Bufei.
–Ed vai. Deixa. Por favor!
–Não.
–Ed eu não vou ficar lá muito tempo. Só uma semaninha.
–Não.
–Papai? Deixa?
–Não.
–Você só sabe falar não?
–Não.
Saí pisando duro.
Alec entrou em casa, e me encontrou emburrada no sofá. Ele ergueu uma sobrancelha adivinhando.
Ele se dirigiu à Ed, e falou:
–Ed, ela precisa sair um pouco. Você pretende trancá-la para sempre?
–Até ela fazer vinte e um anos.
–Ela nunca vai fazer vinte e um anos. –Alec falou indignado.
–Claro que vai. Daqui oito anos. Ela só não vai ter fisicamente vinte e um.
–Você é ridículo. –Alec acusou.
–Você que é. –Ed falou irritado. –Não acredito que está apaixonado pela minha filha.
Prendi a respiração. Alec estava o que?
–Meça suas palavras. –Alec falou enfurecido.
–Ah, por favor! Todo mundo pode ver o que está acontecendo.
Alec ficou em silêncio. Sua mão estava em punho.
Depois de respirar fundo, saiu de casa.
–Alec. –gritei.
Ele não voltou.
Corri em velocidade vampiresca até a porta.
–Rauany! –Ed gritou.
Então eu ouvi minha mãe falando:
–Deixe-a ir.
Saí em disparada até Alec. Ele estava andando em passos normais agora.
–Eu vou com você. –falei agarrando seu braço.
Ele olhou para seu braço, e falou:
–Acho melhor você ficar.
–Não! Já tomei minha decisão. –falei decidida.
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Chegando a Volterra, Aro nos recebeu no salão dos tronos.
–Querida, Any. É um prazer tê-la de volta. Infelizmente o quarto que você sempre se hospeda, está sendo ocupado por um mais novo vampiro da guarda.
–Ela fica no meu. –Alec falou.
–Como queira. –Aro falou, não tirando o sorriso do rosto. –Fiquei sabendo de seus poderes querida Any. São valiosos. Adoraria tê-los na minha coleção. O que acha?
Ele acha mesmo que eu iria ser uma Volturi? Isso só irá acontecer se eu me casar com Alec.
Espera. O que? Ah, Any. Pare de pensar besteiras.
–Não, obrigada!
Ele suspirou.
–Podem ir. –ele dispensou-nos. –Não vou precisar de seus serviços hoje, Alec.
Ele assentiu.
Ele me arrastou pelo castelo.
–Onde está me levando, Alec? Eu nunca vi esse canto do castelo.
–Você vai ver. Confie em mim, você vai gostar.
Fomos em silêncio.
Depois de subir várias escadas, e passar por vários corredores vazios, chegamos a uma porta pequena.
–Alec, não da para passar por essa portinha.
–Claro que dá. É só passar engatinhando. Eu vou primeiro.
Ele abriu a porta. Esperei ele passar.
–Vem. –ouvi a voz dele.
–O que tem aí?
–Vem logo.
Abaixei-me e passei.
E então eu levantei o olhar para o lugar.
Uau. Era tão lindo. Estávamos no topo do castelo. De lá dava para ver a cidade inteira.
–É lindo. –sussurrei.
–Imaginei que diria isso.
Estava nublado, e a qualquer momento iria chover.
E foi o que aconteceu.
A chuva estava nos encharcando inteiros. Mas nós não ligamos.
O cabelo de Alec caía sobre seus olhos vermelhos. Alguns pingos da chuva ficavam em sua boca perfeitamente moldada.
Passei meu dedo pelos seus lábios vermelhos.
Estávamos tão próximos, que eu poderia...
Não. Nós não podemos.
–Alec?
–Hm?
–Vamos entrar? –tentei sair dessa situação.
–Por quê? –ele falava com a voz rouca me causando arrepios. Seus olhos não desgrudavam de meus lábios.
–Porque está chovendo, e estamos nos molhando. Alguém pode chegar aqui e nos ver. Aro vai descobrir que estamos aqui. E se esse local for proibido? E, além disso, eu quero ir tomar um banho, relaxar, ler um livro, e...
Não pude falar mais.
Alec me calou com um beijo.
Era calmo e apaixonado.
Parecia que havia mil borboletas em meu estômago.
Quando eu poderia imaginar que beijaria Alec? Aquele que eu sempre confiei e era também o meu melhor amigo.
Espantei os pensamentos, e me envolvi mais no beijo.
Enrosquei meus dedos em seus cabelos molhados, e Alec apertou minha cintura, colando ainda mais nossos corpos.
E esse era o meu primeiro beijo de verdade.
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