Notas iniciais
Demorei (pra caramba), mas cheguei! Desculpa, sério, to atolada com umas coisas, era fim de bimestre, to doente. Enfim... Mas eu cheguei, não?

— Mike? – Raphael disse.

— Sim? – Michael respondeu apreensivo.

— Você sabe o que tem sete palmos de profundidade, não?

— Eu preferia não saber...

— Sr. Laurent? – A professora o chamou.

Michael deu um pulo na cadeira e olhou para a Sra. Grimes.

— Sim?

— O que você e o seu colega estão conversando aos sussurros que o restante da classe não pode saber?

Michael engoliu em seco e olhou para Raphael sem saber o que dizer.

— Nosso amigo Gabriel. – Raphael disse. – Aconteceu um problema com ele e estávamos conversando sobre isso porque estamos preocupados.

— Que problema? – Ela tornou a perguntar.

— Pessoas ignorantes no mundo, professora. – Michael disse, a voz ficando mais grave conforme ele se irritava com a intromissão da professora. – Apenas isso.

A mulher deu-se por satisfeita.

— Deixem a conversa para lá fora, sim?

— Tudo bem. Perdão. – Raphael aprontou-se em dizer antes que Michael abrisse a boca.

A professora voltou-se à sua caderneta novamente e Michael olhou para o amigo desentendido.

— Por que você não me deixou falar, cara?

— Você já estava se estressando. Fiquei com medo que explodisse e acabasse com mais um Boletim de Ocorrência na sua ficha. — Michael bufou.

— Esquece essa história dos boletins, pelo amor de Deus!

— Desculpa, mas é difícil esquecer que meu amigo tem oito B.O’s e em dois você estava armado. Como você conseguiu se safar?

— Um bom advogado, um laudo psiquiátrico que comprova minha fúria explosiva e iminente e serviço comunitário no hospital infantil do câncer. — Raphael franziu o cenho.

— Quando você prestou serviço comunitário que não me lembro?

— Da metade do ano passado até o início desse ano. Lembra que fiquei sem sair com vocês?

— Era isso? Bella havia dito que você andava muito cansado. Ficamos até preocupados, pensando que você estava com uma doença séria, mas você continuou jogando rugby bem, então deixamos quieto.

Michael deu um sorriso torto. A lembrança da primeira noite após o serviço comunitário lhe veio em mente.

Michael subiu a árvore que dava para o quarto de Bella. A ruiva havia pedido para que ele passasse lá de noite, quando todos estivessem dormindo, para que ele lhe contasse o que o juiz decidira sobre todas as ocorrências de agressão.

— Oi Bella. – Michael disse, entrando no quarto e deixando a janela um pouco aberta para que a brisa de verão entrasse.

— Mike! – Bella disse, atirando-se nos braços do amigo. A adolescente estava apenas com um baby doll preto fino, o que fazia Michael se sentir um pouco estranho.

— Calma, vulcão ativo. – Ele disse, pegando na cintura da garota e afastando um pouquinho.

— Como foi lá?

— Na verdade a decisão foi ontem, mas não pude te contar. – a garota o olhou como se fosse rasgar sua garganta. – Não me olhe assim, eu realmente não pude. O juiz aliviou pra mim por conta do laudo do psiquiatra, então eu tive que cumprir serviço comunitário hoje.

— Serviço comunitário? Aonde?

— No hospital do câncer. Na ala infantil.

Bella puxou Michael até a cama e se sentou. O garoto fez o mesmo.

— E como foi?

— Foi bom. Me disseram como as coisas funcionam e me apresentaram às crianças. Elas são tão fofas. Fizeram questão de me mostrar o hospital e me chamam de tio Mike.

Bella sorriu.

— Você fica tão fofo falando assim, sabia?

— Convenhamos, eu sempre fui fofo.

Bella empurrou o ombro do amigo.

— Seu convencido! — Michael riu.

— Desculpa, não resisti.

Bella balançou a cabeça e deu um sorriso caloroso, que Michael amava.

— As crianças gostaram de você?

— Pior que sim. Não sei como, mas elas me adoraram. Elas são tão fofas, me senti bem perto delas.

A ruiva o fitou com um sorriso bobo, deixando o garoto acanhado.

— O que foi? – Michael perguntou.

— Você vai ser um pai tão bom.

— Não tenho tanta certeza depois desse processo.

— Tenho certeza que você nunca iria partir pra cima do seu próprio filho, Mike, assim como você nunca partiu pra cima do Gabriel ou do Raphael.

— Eu tenho medo de mim mesmo, Bella. – O rapaz declarou.

— Eu confio em você. – A ruiva disse tentando acalmá-lo e puxou o rosto do amigo para que ele a olhasse. – Confio em você de olhos fechados e mãos atadas.

Michael sorriu e quando se deu conta o rosto de Bella parecia estar mais perto do que antes.

— Bella? – Ele disse hipnotizado.

— Uhum?

— O que nós estamos fazendo?

— Nada que nenhum de nós dois não queira. – Dito isso a garota o puxou pela camisa e o beijou, deitando-se na cama e fazendo-o deitar por cima dela.

— Mike? Ei, acorda doido! – Raphael estalou os dedos em frente aos olhos azuis do amigo, fazendo Michael acordar do flashback.

— O quê? – Disse atordoado.

— Tava pensando no quê?

— Nada. Só uma lembrança. – Disse e não pode conter o sorriso.

Raphael o olhou e sorriu torto.

— Você nem disfarça.

— Disfarço o quê?

— Que está pensando na Bella. É como se acendesse um sinal neon na sua testa.

O sinal tocou e Michael balançou a cabeça rindo, pegando sua mochila e andando pelos corredores com Raphael.

— Acho que vou ir visitar as crianças no hospital qualquer dia. Tenho que ligar lá primeiro, ver se tudo bem.

— Você tem o telefone de lá?

— Tenho de uma das enfermeiras.

Raphael olhou para o amigo indignado.

— Passando o rodo até quando está cumprindo pena, Michael Laurent?

— Me ofende que você pense isso de mim, Raphael... Mas sim.

Raphael balançou a cabeça, rindo.

— Só não deixe a Bella saber disso.

— Se eu deixar ela me mata.

Bella e Maggie cruzaram a esquina e foram até os garotos. Ambas pareciam aflitas.

— Qual o problema, vulcão ativo?

— Olhe o que apareceu no meu caderno.

Michael olhou para a folha desentendido, até que um calafrio lhe percorrer a espinha.

O mesmo bilhete que ele havia achado em seu caderno, estava no caderno de Bella.

Michael engoliu em seco e retirou o caderno da bolsa, mostrando-o para a namorada e para a cunhada.

— O que isso significa? – Bella perguntou num fio de voz.

— Que estão atrás de você também, amor.

— Isso é tudo culpa sua! – Meg disparou colocando o dedo no peito do cunhado.

— Minha culpa? Como pode ser minha culpa?

— Se você não ficasse entrando num bosque no meio da noite nós estaríamos muito bem!

— Você fala como se eu tivesse invocado essa coisa!

— Certeza que alguma coisa você fez pra deixar ela tão irada!

— Chega vocês dois! – Raphael gritou. – Isso não é culpa de ninguém! Não quero mais saber de vocês dois discutindo, entenderam?!

Meg abaixou a cabeça.

— Sim. Desculpa, só estou cansada disso.

— Você tem o direito de estar assim. Mas não saia descontando em todo mundo, quem faz isso é a sua irmã.

— Ei! – Bella protestou.

— Vai dizer que eu to mentindo?!

A ruiva abriu a boca para revidar, mas calou-se.

— O que nós vamos fazer, Mike? – Raphael perguntou ao amigo.

— Eu já disse. Nós vamos caçar.

— Como?!

— Já sabemos de duas coisas. Sal. E ferro.

— Não vamos matá-la com isso.

— Talvez não. Mas vamos conseguir repeli-la até sabermos como acabar com ela.

Raphael ponderou um pouco e depois sacudiu a cabeça em negativa.

— Não. Não acho que isso vai dar certo. Isso é loucura!

— Escuta aqui, eu não vou deixar essa puta matar a minha namorada! – Michael excedeu a voz, atraindo olhares curiosos.

— Calma, Michael! – Raphael esbravejou com o amigo. – Vamos pensar nisso depois, junto com o Gabriel. Vamos pra casa.

...

Michael chegou em casa e largou a mochila no sofá. Sua mãe foi ao seu encontro e sorriu enigmática para ele.

— O que foi? – ele franziu o cenho.

— Olhe na garagem. – Ela disse.

Michael foi te a garagem e acendeu a luz. Uma Honda CB1000R 2015 preta estava estacionada. O garoto deu um sorriso de orelha á orelha.

— Minha moto! Ela voltou do conserto!

— Tome cuidado agora, Michael. – Sua mãe o alertou. – Se você sofrer outro acidente não vamos mandar para consertar de novo.

— A senhora fala como se eu tivesse culpa, o cara que bateu na minha traseira quando eu parei para o pedestre passar.

— Mesmo assim, Mike.

— Tá bom, mãe. Vou tomar cuidado. Obrigado por mandar consertar.

— De nada, querido. Agora vá fazer a lição de casa.

— Mãe, pelo amor de Deus eu tenho dezesseis anos. Não precisa ficar mandando eu fazer as minhas lições.

— Sei que se eu mandar você não faz. Agora vá.

Michael abraçou a mãe e foi até o quarto, antes parando na cozinha para pegar uma xícara de chá.

Ao chegar no cômodo, deparou-se com algo em cima de sua escrivaninha.

Era o resultado do teste de dopem que ele havia feito na delegacia no outro dia. Tudo normal, pelo que ele havia lido, mas havia algo não identificado grifado em vermelho. Junto havia um bilhete.

Ectoplasma

Parapsicologia: substância visível considerada capaz de produzir materialização do espírito.

Pode ser encontrado quando há possessão ou contato direto com espíritos. Manifesta-se em uma substância gosmenta, porém pode ser identificado no sangue e na urina.

— Ótimo. – Michael resmungou. – Agora estou tendo aulas sobre paranormal com espíritos.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado e que não desistam de mim. Beijão.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.