Escuridão do passado
33 Capítulo- 33
Notas iniciais
O primeiro ponto turístico foi o palácio de Westminster. Já passei por lá um milhão de vezes. Claro que isso foi quando eu morava com minha mãe.
–Gostou? –ele quis saber.
–Muito! É lindo. –eu suspirei.
Ele sorriu.
–Eu sei.
Olhei para ele. Ele estava admirando o palácio. Como ele irá reagir quando eu contar que somos irmãos? E será que eu devo contar?
Ele olhou na minha direção. Pisquei os olhos e constrangida desviei o olhar.
–Venha. Temos que fotografar esse momento. –ele foi pegando o celular.
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Enquanto isso, em Forks...
P.O.V Bella
–Eddie? –chamei.
–O que foi, Bella?
–Você acha que Any chegou bem?
–Mas claro que sim. Você não confia nas visões da Alice? Agora ela está se divertindo com o irmão.
–Eu estou com medo. — admiti.
Ed suspirou.
–Bella, se acalme okay? Não vai acontecer nada com Any.
–Ah, agora você vê o futuro? –ironizei.
–Não, mas a Alice sim. –ele retrucou.
Revirei os olhos.
–Em fim, não era esse o meu medo. Eu estou com medo de que a Rauany queira ficar lá. –pausei. –Com o irmão. E... Com o pai.
Ele pegou minha mão.
–Isso não vai acontecer. Ela não seria capaz de fazer isso.
–Tomara que você esteja certo.
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De volta a Londres...
P.O.V Rauany
Depois da ida até o Palácio de Buckingham, National Gallery, British Museum, Catedral de St. Paul e Hampton Court, estávamos indo até a Tower Bridge. Já era noite, e normalmente neste período a ponte fica toda iluminada.
Descemos do transporte público e caminhamos.
Não nos aproximamos muito da ponte, assim poderíamos ter uma visão melhor dela.

Ficamos debruçados na grade, apenas a observando. Era linda. Trazia-me boas lembranças. Seus contornos iluminados chamavam a atenção para si. Além disso, havia uma mistura de cores, o que a deixava ainda mais bonita e chamativa.
(Flashback on)
–Olha mamãe. –eu chamava a atenção da minha mãe.
Eu devia ter cinco ou seis anos.
–É lindo filha! –mamãe sorriu.
–O papai devia estar aqui, né mãe? Aí estaria tudo perfeito. É uma peninha que ele tenha nos abandonado. –Abaixei a cabeça.
Mamãe deu um sorriso fraco e sem vida.
–Sabe mãe? Eu tenho um sonho. Eu sonho em poder ter o papai de volta e que ele me ame pelo menos um pouquinho.
–Ele te ama, filha. Muito.
–Sério?
–Sim. E sempre te amará.
–Eu queria me lembrar dele. –fiz uma carinha triste.
–Isso não é possível. Sinto muito filhinha, mas é que você só tinha meses de vida.
–Mas eu não deixo de querer.
Ela acariciou meu cabelos.
–Eu prometo que um dia você irá revê-lo.
(Flashback off)
É por causa dessa lembrança que eu sei que Bella mentiu. Ela disse que papai não sabe que eu existo. Mas a verdade é que ele sabe sim. Não a culpo. Ela estava apenas querendo me acalmar.
–Não é lindo? –Luke me perguntou sem tirar os olhos da ponte.
–De mais.
Depois de alguns segundos ele olhou para mim.
–Any... Nunca pensei que fosse dizer isso para alguém, mas... Você é legal.
–Você também. –falei. –Obrigada!
–Por quê?
–Por tornar esse dia o melhor da minha vida.
–Sério? –ele riu.
–Sim, eu me diverti muito com você.
E acho que eu iria me divertir muito mais nesses dois meses. E o melhor de tudo. Sem escola. Minha família não me deu um castigo. Deu-me uma chance para recomeçar.
–Any... Quem é você? Eu ainda não entendi como você chegou de repente querendo falar com o meu pai, e quando ele chegou você fugiu. Veio de longe... Eu simplesmente não entendo.
Eu queria muito contar pra ele. Mas ainda não era a hora. Ele iria fugir, e nunca mais querer falar comigo.
–Um dia você vai entender.
–Que dia? –ele insistiu.
–Logo.
Ele suspirou.
–Desculpe Luke. –disse sincera.
–Tudo bem!
Ele olhou para trás. Havia muitas pessoas naquele local.
–Moça. –chamou.
–Olá querido.
–Pode tirar uma foto nossa?
–Claro que sim.
Luke entregou o celular para a mulher loira, que tinha os olhos esbugalhados.
Ele passou seus braços pela minha cintura, e então olhamos para a câmera.
Depois da foto, Luke e eu nos aproximamos da mulher para agradecer e pegar o celular.
–Obrigada! –agradeci.
–De nada! –a mulher sorriu. –Seus pais têm sorte de terem filhos tão lindos e educados como vocês.
Congelei. Enquanto Luke ficou completamente confuso.
–Não, moça. Nós não...
Mas a mulher já tinha se virado de costas.
Luke olhou para mim. Dei de ombros fingindo pouco caso.
–Vamos embora? –perguntei.
–Vamos.
Ele colocou o skate no chão, e logo em seguida pôs um pé em cima.
–Vem.
–O que? –perguntei sem entender muita coisa.
–Sobe.
–Subir?
–É.
Com cuidado, coloquei um pé.
–Ahm... Luke, eu...
Então para me deixar firme, ele colocou as mãos uma de cada lado na minha cintura.
–Pronto. Pode colocar o outro pé. Não vou deixar você cair.
E com mais cuidado ainda, subi por completo.
–E ago...
Não pude falar mais, pois Luke já começou a empurrar o skate.
Era bom. O vento batia contra o meu rosto, e eu me sentia como se estivesse em uma cena de filme.
Em algum momento, abri os braços. Era como voar.
–É bom, não é? –Luke perguntou. Eu não podia ver, mas podia apostar que por trás dessas palavras tinha um sorriso.
–Muito.
Fomos assim até uma estação de metrô.
Já tínhamos comprado o bilhete, estávamos esperando o próximo metrô passar. Estava tudo em silêncio, e não havia ninguém por aqui. Quando eu me lembrei.
–Luke, eu não posso ir pra sua casa.
–Por que não? Você não tem onde ficar. E, além disso, suas malas ficaram lá.
–Não importa. Eu fico em um hotel
.
–Qual é Any? Pare de frescura.
–Não é frescura, Luke. Você não viu como eu saí da sua casa? Seu pai não deve ter simpatizado muito comigo.
–Bobagem. Meu coroa é boa pessoa. Tenho certeza que ele entendeu.
–Entendeu o que?
–Que o que você tem pra falar é algo muito sério, e naquele momento você precisava de um tempo sozinha.
–Viu. –ele disse. –Se eu entendi, por que ele não iria?
–Só você pra me fazer sentir bem.
Depois de alguns minutos em espera, Luke me cutucou.
–Any. –ele sussurrou.
–Que?
–Tem alguns caras vindo aqui. Provavelmente irão pedir tudo o que é de valor. Entregue sem reclamar se não quiser que eles atirem.
–O que? –eu estava confusa.
Então eu olhei para o lado e vi que realmente estavam vindos dois rapazes em nossa direção.
–Quieta, e fique atrás de mim.
Revirei os olhos. Eu podia acabar com eles em um piscar de olhos.
Desviei-me de Luke, me posicionando na sua frente.
–Any. — ele resmungou.
–Olha aqui. –gritei para eles. –Não vamos entregar nada, não. Ouviram?
E então eu vi um deles sacando uma arma.
–Vai passando. –Ordenou o que estava armado.
Eles iam se aproximando cada vez mais.
–Nunca. –retruquei.
–Vai passando aí garoto. –ordenou o outro.
Luke já ia tirando seu relógio do pulso. Coloquei minha mão em cima o impedindo.
Então o homem que estava armado colocou sua arma na direção de Luke e disparou.
Tudo aconteceu muito rápido. Antes que a bala pegasse Luke, eu já estava na sua frente, como forma escudo. A bala caiu no chão sem fazer algum estrago em mim. O único mal que a bala fez foi à minha blusa, que agora tinha um buraco novo.
Com raiva, dei um olhar frio e matador para eles. Eles tropeçaram um pouco para trás. Logo seus olhos foram parar na minha barriga, onde o tiro não fez algum mal. Eles tinham uma expressão confusa e medrosa ao mesmo tempo. A única razão para eu ainda não ter ido na direção deles e sugado todo o sangue de seus corpos, era porque Luke estava aqui, olhando tudo o que acontecia. E eu não queria que ele desconfiasse de algo. Então, só o que fiz foi rosnar e mostrar os dentes na direção daqueles marginais, que não perderam tempo, e fugiram.
–Oh meu Deus, Any. –Luke estava apavorado.
Virei-me em sua direção.
Ele arregalou os olhos.
–Any... Não ta sangrando. –Ele olhou para a bala no chão. –A bala bateu e voltou. Como isso é possível?
–Não sei. –Fingi que estava confusa. Era a única coisa que eu podia fazer.
A bala estava toda deformada. Minha pele é bem mais resistível. É uma pena que aqueles idiotas não perceberam antes que sou a prova de balas.
–Você é louca? Falar daquele jeito com eles? E por que se jogou na minha frente? O que deu em você para se arriscar assim por mim?
–Faria o mesmo por mim.
Ele suspirou.
–Tem razão.
E lá vinha um metrô. Ele parou e as portas se abriram.
–Agora você chega? –perguntei indignada.
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