Escrevendo O Destino
7 6. Apagando a chama
Notas iniciais
Agora eu tou postando dia sim, dia não, pois minhas férias acabaram!
O capítulo de hoje tá saindo quentinho do forno!
Boa leitura!
Capítulo 6
Apagando a chama
O ensaio da banda tava normal por enquanto. Achei que as coisas iam ficar estranhas depois daquele beijo, mas até que não. Ainda bem. Mas notei que a Mô tava um pouco distante do Cebola. Não se cumprimentaram com beijos, como era de costume. Estranho, pra um casal que começou a namorar ontem à noite.
Depois de uma hora e meia de ensaio, fizemos um intervalo. O Nimbus sempre aparecia nos ensaios pra fazer uns truques e pegar no pé da galera. As duas especialidades dele.
– Nimbus!!!! Devolve meu teclado!!!!
Magali tava correndo atrás dele, pois ele fez o teclado dela desaparecer. Depois que recuperou o instrumento, ela chegou perto de mim e desafabou:
– Argh!!! Seu irmão é um chato! Por que ele pega tanto no meu pé?!
– É pra chamar sua atenção, Magali. Ele faz isso com todas as meninas bonitas.
– Então por que ele não pega no pé da Mô?
– Porque no pé dela já pego eu, ora.
Ela deu uma risadinha. A Mô se aproximou da gente.
– Conseguiu recuperar o teclado, Magá?
– Consegui!! Afe!! Esse Nimbus é um mala mesmo! – ela falou em voz alta, pra ele ouvir. Ele dava gargalhadas do outro lado da garagem.
Mônica riu também.
– Algo me diz que um dia vocês dois ainda vão se entender muito bem.
– Eu, me entender com o Nimbus? Mas é nunca que isso vai acontecer!! Aquele chato de galocha!
– Veremos.
Resolvi provocar:
– Você tá cheia das previsões do futuro, hein, Mô? Agora há pouco, falou que um dia eu vou saber cozinhar, e agora que a Magali e o Nimbus vão se entender… tá fazendo estágio na Madame Creuzodete?
Ela deu um sorriso enigmático.
– Eu… aprendi a ler a mão na internet.
– E o que diz aí na minha mão? – desafiei, estendendo a mão direita pra ela.
Ela pegou minha mão e olhou com cuidado.
– Eu vejo uma trajetória de sucesso profissional.
– Sério? Fazendo música?
– Não. Mas será no showbiz.
– No showbiz? Mas eu nem gosto de fama.
– Será nos bastidores. Você será uma pessoa de muita influência.
– Ah.
– Também vejo que algumas coisas estão confusas agora na sua vida sentimental.
– Não precisa ler minha mão pra saber disso.
– Deixa eu terminar! – ela me deu um tapinha na mão. – Mas, se você tiver paciência, tudo se resolverá a seu tempo.
– Jura? – falei num tom sarcástico. – A leitura da minha mão tá muito fácil, Mô. Lê a de outra pessoa, vamos ver se você é boa mesmo. Nimbus, chega aí!
– Qual é a boa?
– A Mô sabe ler mãos!! – Magali tava fascinada.
– Que legal! Então lê a minha aí!
Mônica segurou a mão do Nimbus e olhou por uns momentos.
– Eu vejo uma trajetória de sucesso profissional também.
– Ah, você vai dizer isso de todo mundo? – cutuquei.
– Calado, DC!! Se é verdade, eu tenho que dizer, ué.
– Não atrapalha, Do Contra. Agora ela tá lendo a minha mão. Continua, Mô.
– Vejo arranha-céus. Holofotes. Tapetes vermelhos. Plateias lotadas.
– Uau!!! Gostei disso.
– Vejo o mundo aos seus pés.
– Você é boa nisso, hein, Mô!!
– Mas, pra que você concretize seu sucesso, você deve se aliar a uma pessoa ousada. Uma pessoa que gosta de fazer tudo de um jeito inusitado.
– Puxa vida! É uma pena que eu não conheça ninguém assim! – Nimbus deu risada, olhando pra mim.
– Pronto, Nimbus. Quer que eu leia a sua, Magá?
– Quero!!!! – Magali estendeu a mão, empolgada.
– O futuro reserva muita felicidade pra você, Magali. Mas, pra isso, você vai ter que renunciar à sua zona de conforto.
Magali fez cara de assustada.
– A previsão dos meninos tava mais legal.
– Calma! Ainda não acabei. Vejo aqui também que vai chegar o momento em que você vai ficar dividida entre a amizade e o amor.
– Credo, Mô! Não gostei dessa previsão não! – ela limpou a mão na camiseta. – Pronto, limpei a mão. Lê de novo!
– Mas eu disse que seu final vai ser feliz, Magá. Confie no seu destino e dará tudo certo.
Nesse momento, o resto da banda fazia fila na frente da Mônica.
– Lê a minha, Mônica!
– Cascão… vamos lá. Eu vejo que, se você se dedicar com afinco ao seu maior talento, as portas se abrirão pra você. Vejo também que um dia, uma amiga vinda de longe vai te procurar e te pedir ajuda. Você deve ampará-la.
– Nossa!!
– Xaveco, sua vez. Vejo que você precisa abrir seu coração. Só quando você mostrar o que sente de verdade, é que a felicidade vai entrar na sua vida. Você não deve ter medo. Os verdadeiros amigos estarão do seu lado.
Xaveco ficou vermelho e saiu correndo. Eu sabia do que a Mô tava falando. Tava passando da hora de ele sair do armário.
– Pronto, gente! Acabou o intervalo! Já li a mão de todo mundo, agora vamos voltar pro ensaio!
Cebola se aproximou.
– E a minha, Mô? Você não vai ler?
– Ah, foi mal, Cê. Dá a mão aqui!
Mônica olhou a mão do careca, e ficou com um olhar muito triste de repente.
– Eu vejo aqui, Cê, que você tem que tomar muito cuidado. Você não pode deixar a ganância te dominar. E você deve permanecer leal a cada um dos seus amigos. Se você tentar se voltar contra algum deles, o preço pode ser alto demais.
– Nossa, Mô. Esse seu papo tá muito transcendental pra mim. Agora, bora voltar a ensaiar, galera!
Quando o ensaio acabou, todo mundo se despediu e saiu. Ficamos só Mônica e eu pra trás.
– Tô indo nessa. Tchau, DC.
– Mô… espera.
Ela evitava meu olhar.
– Acho que a gente precisa conversar.
– Você já não me contou tudo que tinha pra contar sobre ontem?
– Eu tô falando do nosso beijo de agora há pouco.
– Ah. Isso.
Ela segurou minha mão, mas ainda não me olhou nos olhos.
– DC, eu quero te pedir que isso não se repita.
Senti como se tivesse levado uma facada no peito.
– Mas Mô… se você não queria que eu fizesse aquilo, por que você correspondeu? Por que não se defendeu?
– Existe uma diferença entre querer e poder, Do Contra.
– Então você admite que queria?
– O que eu quero é poder cumprir com meu objetivo. Meu destino. Eu não posso cair em tentação e não posso cometer deslizes. Não posso ser fraca agora.
– Você quer cumprir seu destino?
– Mais do que qualquer coisa.
Claro. O destino dela ao lado do Cebola. A história tantas vezes repetida que acabou por se tornar uma lei universal imutável. Eles eram destinados um ao outro e ponto final.
– Mônica, eu não acredito em destino. Eu acho que somos nós quem fazemos o nosso destino. E você pode mudar o seu se quiser. Nós podemos contrariar o destino. Juntos.
– Mas eu não quero mudar meu destino, DC. Eu gosto dele exatamente como está escrito.
Todas as minhas esperanças foram por água abaixo. Voltei à estaca zero. Ao exato ponto em que eu estava há vinte e quatro horas, antes de a Mônica causar toda essa confusão.
– Entendi, Mônica. Eu vou te deixar em paz. Vou te deixar seguir o seu destino. Mas, antes, eu preciso que você me faça um favor.
– Pode falar.
– Ontem, antes daquilo que eu já te contei, aconteceu mais uma coisa, que você provavelmente também esqueceu.
– Mais uma coisa? Afe!! Isso não acaba nunca?
– Você expulsou a Amanda daqui de casa ontem. Eu preciso que você peça desculpas pra ela.
– Pra quê? – ela ficou indignada.
– Pra que eu possa ter uma chance com ela, Mô. Depois da sua cena de ontem, ela não vai querer olhar pra mim nunca mais. Mas se você ligar pra ela e se retratar, e talvez fazer meu filme um pouco, quem sabe ela não me dá mais uma oportunidade?
Ela respondeu com petulância:
– Eu não vou pedir desculpas praquela fubanga! Ainda mais de algo que eu nem lembro que fiz.
– Você me deve isso, Mô.
– Eu me recuso!! Não sei o que você quer com aquela menina. Ela não é boa pessoa. Se eu briguei com ela ontem, com certeza ela deu motivo.
– Você tá com ciúme, Mônica?
– E-eu não.
Ela gaguejou. Ou seja, ela tava com ciúme sim. Contive um sorriso.
– Então liga pra ela logo – estendi meu celular pra ela.
– Com tanta menina no mundo, por que você foi cismar logo com essa?!
– Na verdade, foi ela quem cismou comigo. E quer saber? Eu tô super a fim de tentar. Porque uma qualidade ela tem: ela não me trata como segunda opção.
– E ela? Ela é a sua primeira opção?
Droga. Ela me pegou. Desconversei:
– Isso não vem ao caso.
– Você gosta dela, Do Contra? Se você me disser que gosta dela de verdade, eu vou fazer esse telefonema.
Eu a fuzilei com o olhar.
– Você sabe de quem eu gosto, Mônica. Mas de que adianta, se a pessoa que eu gosto não vai me dar uma chance nunca?
– Nunca é muito tempo.
– Acontece que eu já esperei tempo demais por uma chance com essa pessoa, e ela tá mostrando que não merece minha dedicação nem minha paciência. Eu não vou esperar mais não. Vou seguir com minha vida.
Ela ficou com o olhar triste.
– Preciso ir embora, Do Contra. Amanhã eu tenho um compromisso de família. A gente faz o trabalho na segunda-feira.
– Pode ser. Tchau.
– Tchau.
Fiquei ali sozinho, na garagem. Não queria subir pra casa, não queria encontrar o Nimbus nem ninguém. Precisava ficar sozinho com meus pensamentos.
Sempre que eu ficava com raiva, só me restava uma coisa a fazer: tocar bateria pra extravasar. Coloquei no som a música que eu tava tirando de ouvido pro nosso próximo ensaio. Hole In My Soul, do Aerosmith.
Há um buraco na minha alma
Mas uma coisa eu aprendi
Para cada carta de amor escrita
Há uma outra queimada
Então você me diga como vai ser desta vez
Acabou?
Acabou?
Porque eu vou apagar a chama
Dê uma volta fora da sua cabeça
Me diga qual é a sensação de ser
A pessoa que gira a faca dentro de mim
Dê uma olhada e você vai descobrir
Que não há nada ali, eu juro
Estou te dizendo porque
Há um buraco na minha alma
Que vem me matando há tempos
Um lugar em que nunca cresce um jardim
Há um buraco na minha alma
Eu devia ter sabido
Pois seu amor é como um espinho sem a rosa
É isso que eu vou fazer, Mônica.
Já que você quer cumprir o seu destino, então eu vou apagar a chama do meu sentimento por você.
Nossa história, que nunca começou, acaba aqui. Agora.
Notas finais
Comentem! Vamos debater! Adoro as reviews e hipóteses de vcs =)
Eu tou super ansiosa pra terminar o próximo capítulo! Ele vai ter o momento mais fofo da fic, na minha opinião *_*
Beijos a todos! =*
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