Escrevendo O Destino

16 15. Um passo mais perto


Notas iniciais
Oi, leitores queridos!

Não vou escrever notas iniciais hoje, porque sei que vcs não vão ler. Hehehehe

Então, boa leitura!

Ah! A música do capítulo de hoje: http://www.youtube.com/watch?v=EGn8dxochbQ

Capítulo 15

Um passo mais perto



– Não vai me convidar pra entrar? – Cebola perguntou, tirando os sapatos.

– Ahn… claro. Por favor, entre. É só que… eu fui pego de surpresa.

– Não estava esperando minha visita, aposto.

– Pra ser bem sincero, a visita da rainha da Inglaterra teria me surpreendido menos.

– O elemento surpresa era parte vital do sucesso do plano.

– Que plano? Mais um plano infalível seu?

– Infalível, sim. Meu, não.

– De quem, então?

– Da Mônica.

– Ok, senta aí e começa a explicar tudo, desde o início. Porque eu não tô entendendo nada.

Ele se sentou no sofá, e eu me sentei na poltrona em frente. Eu ainda estava em choque.

– A Mônica também não me contou muita coisa. Só o essencial pro andamento do plano. Ela me disse que ninguém podia saber de nada, porque ela estava sendo vigiada. Mas o plano, resumidamente, era que eu te trouxesse isto – ele me entregou uma pequena mala.

Dentro dela, um punhado de cartas.

– Cartas? Por que ela não mandou pelo correio?

– Por dois motivos. Primeiro, porque ela tinha medo de que elas fossem interceptadas antes de chegar até você. A única forma de garantir que elas te alcançariam seria se alguém te entregasse em mãos. E segundo, porque você só poderia recebê-las na data de hoje.

– E por que especificamente hoje?

– Ela não explicou essa parte.

Olhei as cartas atentamente. Em cada um dos envelopes, uma data escrita à mão com a letra da Mônica. A primeira era de 3 de junho de 2013. Três dias depois da última – e única – vez que conversamos pelo Skype.

– E por que ela não veio trazer pessoalmente?

– Pra não levantar suspeitas. Quem iria desconfiar que, de todas as pessoas no mundo, ela iria escolher justamente a mim pra ser guardião dessas cartas durante todo esse tempo?

– Guardião?

– Bom, eu vou te contar desde o início pra você entender. Um dia, no início de junho do ano passado, ela foi até minha casa e pediu minha ajuda. Disse que era um caso de vida ou morte, e que eu não podia contar pra ninguém a respeito. Que ela não me daria muitos detalhes, mas que eu tinha que confiar nela. O plano era que, toda segunda-feira de manhã, na escola, ela me entregaria uma carta, e eu devia guardar essas cartas comigo, até que chegaria o dia em que eu receberia instruções do que fazer com elas.

– E ela nunca te contou quem seria o destinatário delas?

– Não. Mas eu sabia que era você.

– Como você sabia?

– No dia da sua festa de despedida, depois que você saiu, ela me pediu pra ir pra minha casa. Disse que não queria dormir sozinha. Quando nós chegamos, ela me abraçou e chorou por uma noite inteira. Eu nunca tinha visto ela tão arrasada em toda a minha vida.

Me lembrei de uma música que ela cantou naquela noite:

É a coisa mais difícil que eu jamais terei que fazer

Virar as costas e ir embora fingindo que não te amo


Era isso que ela tentou me dizer nas entrelinhas o tempo todo.

Cebola continuou:

– Durante a semana depois da sua festa, ela não foi à escola. Ela nem saiu da cama. Não queria comer, nem ver ninguém. Nem a Magali. Por alguma razão, ela só queria falar comigo. Mas ela não falava. Ela simplesmente chorava. No dia em que a banda foi se despedir de você no aeroporto, eu chamei ela pra ir, e ela falou que não podia, que não podia te ver, porque ela não ia aguentar e ia arruinar tudo. Daí, não foi difícil ligar os pontos. Ela estava completamente apaixonada por você.

Eu me sentia zonzo, a compreensão se sedimentando dentro de mim.

– Mas, se eu só podia receber essas cartas na data de hoje, por que ela tem escrito tantas cartas há quase um ano e meio? Não bastava uma só?

– Essa é a parte mais intrigante do plano dela. Ela me disse que estava correndo o risco de perder a memória e se esquecer do plano. Por isso, na primeira segunda-feira em que ela não me entregasse uma carta, eu deveria agir sem ela. Eu deveria roubar o Sansão e seguir as instruções que ela costurou dentro dele.

– Mentira!

– Verdade! Foi quando eu vi o quanto esse plano era importante pra ela.

– Ela tinha medo de o Ângelo apagar a memória dela de novo.

– O Ângelo?! Como assim?!

– É, uma vez ele supostamente apagou a memória dela, mas nenhum dos dois nunca me explicou por quê. E agora eu tô achando que ela nunca teve a memória apagada de jeito nenhum. Que ela fingiu que esqueceu tudo, pra despistar o Ângelo. E, pra isso, ela mentiu pra mim também. A velha estratégia de enganar o aliado pra enganar o inimigo.

– Mas, Do Contra... Por que o Ângelo ia querer fazer uma coisa dessas?!

– Não tenho certeza. Mas acho que tô começando a entender tudo. Lembra da noite em que vocês foram ao Saveur e ela te deu um fora?

– Valeu por me lembrar disso.

– É sério, Cebola. Daquele dia em diante, ela começou a agir de forma muito estranha, e a fazer previsões do futuro, dizendo que tava lendo a mão da gente. Você lembra disso?

– É mesmo... mas eu nunca levei aquilo a sério. Achei que era brincadeira dela.

– Talvez não fosse. Talvez ela realmente tenha visto o futuro, um futuro que o Ângelo não queria que ela visse.

– Pensando bem, isso explica muita coisa. Explica porque ela achava que estava sendo sempre vigiada, porque ela tinha tanto medo de esquecer o plano, tanto que ela se preparou pra que o plano desse certo mesmo que ela não se lembrasse.

– E explica porque ela fez o que fez no dia da festa. O Ângelo tava lá.

– Exatamente. Agora tudo faz sentido.

– Mas, se você tá aqui, realizando o plano, isso significa que ela perdeu a memória?

– Não. Ela não perdeu. A última carta ela me entregou quando eu estava embarcando.

– Sem querer ser indiscreto, como vocês conseguiram comprar uma passagem pro Japão?

– Ela me sugeriu, um dia, que eu deveria aprender a investir na Bolsa de Valores. Achei a ideia interessante, e logo eu tava ganhando dinheiro rápido. Ela juntou a mesada dela durante um ano e me pediu que eu investisse. Ela precisava multiplicar aquele dinheiro. Eu fiz isso, e devolvi um bom dinheiro pra ela. No mês passado, pra minha surpresa, ela disse que tinha me inscrito num seminário de mídias digitais que seria em Tóquio, e que tinha comprado minha passagem. Foi então que eu confirmei minhas suspeitas. Era minha deixa pra finalmente te entregar as cartas. Quem mais, além de você, morava no Japão?

– O Tikara.

– Ela não entrou em depressão quando o Tikara veio embora.

– E seus pais deixaram você vir?

– Eu inventei uma história pra eles de que eu ganhei a viagem num concurso.

– Eu só não entendi ainda uma coisa, Cebola... Por que você aceitou participar do plano? Se você sabia que o destinatário era eu desde o início? Por que você me ajudou?

– Por dois motivos. Primeiro, porque a Mônica disse que me incluir no plano era o jeito de me salvar de um futuro ruim. Que, se nossa amizade se rompesse, podíamos esperar pelo pior. Então era melhor que eu aceitasse as coisas como elas são, e ajudasse a cumprir o destino dela. E eu resolvi aceitar que eu nunca mais a teria do jeito que eu gostaria. Que eu teria que me contentar com a amizade dela. Se eu não aceitasse vocês dois juntos, isso significaria que eu teria que me afastar dela, e essa é a última coisa que eu quero.

– E o segundo motivo...?

– Porque eu vi que esse plano tava fazendo bem pra ela. Depois que você veio embora, Do Contra, a Mônica ficou destruída. Durante dois meses, ela perdeu completamente o gosto pela vida. Ela não se abria comigo, não explicava o que tinha acontecido. Ela só falava, durante o choro, que tinha estragado tudo. Só depois que ela começou a fazer esse plano maluco, ela começou a se sentir melhor. E eu fui a única pessoa em quem ela confiou pra ajudá-la. Eu não podia decepcioná-la. Se a felicidade dela dependia disso, eu tinha que honrar a confiança dela em mim.

Olhei as cartas de novo. Eu nem conseguia acreditar no que estava acontecendo. A Mônica se dedicou tanto pra que esse plano desse certo. Durante mais de um ano, ela cuidou de tudo, nos mínimos detalhes.

As cartas estavam ordenadas por data. Provavelmente eu deveria lê-las na ordem, pra entender tudo o que se passou na cabeça dela nesse período.

Então, eu peguei a última carta e rasguei o envelope.

– Do Contra... se você me permite, eu acabei de chegar de uma viagem de quase 30 horas... eu preciso muito usar o banheiro.

– Ah, sim, claro. É a primeira porta à direita naquele corredor. Fique à vontade.

– Com licença.

– Cebola?

– Sim?

– Muito obrigado pela ajuda. Vou te chamar pra ser meu padrinho de casamento.

Cebola riu.

– Você ainda nem abriu as cartas e já tá falando em casamento, cara?

– A única coisa que me faltava era saber que a Mônica gostava de mim de verdade. E, agora que eu sei disso, nada vai me impedir. Eu vou colocar um anel no dedo dela rapidinho, isso você pode apostar. Dessa vez ela não me escapa.

Ele balançou a cabeça e se afastou com um sorriso.

Dentro do envelope, havia um outro envelope menor e um pen-drive. Corri até meu quarto e espetei o pen-drive no notebook. Havia um único arquivo de vídeo. Provavelmente uma mensagem dela.

Eu tava muito nervoso. Uma coisa era o Cebola falar que ela era apaixonada por mim. Ouvir isso dela era outra história.

Abri o arquivo. O rosto da Mônica apareceu na tela, sorridente. Ela tava usando aparelho. Tentando ficar mais bonita. O que era impossível.

Ela começa a falar:

– Oi, meu amor. Como você tá? Eu vou ter que gravar esse vídeo rapidinho, porque o Cebola vai pro aeroporto daqui a uma hora e eu tenho que entregar o vídeo pra ele te levar. Era pra você ler as cartas na ordem, mas eu sabia que você ia pegar a última e abrir primeiro.

Dei uma risada. Ela me conhecia bem. Ela continuou:

– Tô com tanta saudade de você, e tenho tanta coisa pra te explicar, pra te dizer... E eu vou te dizer tudo pessoalmente. Mas tem uma música que eu queria cantar pra você, que resume muito bem o que eu sinto por você.

Ela pega um violão. Desde quando ela aprendeu a tocar?

– Você sabe que eu não sei tocar violão, então não repara nos erros... aprendi essa música pra poder tocar pra você. Você tinha toda a razão quando sugeriu que eu me expressasse com músicas. Mas vamos lá, que meu tempo tá acabando.

Ela começa a tocar uma melodia muito bonita e suave.


Heart beats fast

Coração acelerado

Colors and promises

Caráter e promessas

How to be brave?

Como ser corajosa?

How can I love when I'm afraid to fall?

Como posso amar se tenho medo de me apaixonar?

But watching you stand alone

Mas olhando pra você sozinho

All of my doubt suddenly goes away somehow

Toda a minha dúvida, de alguma forma, desaparece


One step closer

Um passo mais perto


I have died every day waiting for you

Eu morri todos os dias esperando por você

Darling don't be afraid

Querido, não tenha medo

I have loved you for a thousand years

Eu te amei por mil anos

I'll love you for a thousand more

E vou te amar por mais mil


Time stands still

O tempo não passa

Beauty in all she is

Mas há beleza em tudo que ele representa

I will be brave

Eu vou ser corajosa

I will not let anything take away

Não vou deixar que nada me tire

What's standing in front of me

O que está diante de mim

Every breath

Cada suspiro

Every hour has come to this

Cada hora trouxe a este momento


One step closer

Um passo mais perto


I have died every day waiting for you

Eu morri todos os dias esperando por você

Darling don't be afraid

Querido, não tenha medo

I have loved you for a thousand years

Eu te amei por mil anos

I'll love you for a thousand more

E vou te amar por mais mil

And all along I believed I would find you

O tempo todo eu acreditei que te encontraria

Time has brought your heart to me

O tempo trouxe seu coração até mim

I have loved you for a thousand years

Eu te amei por mil anos

I'll love you for a thousand more

E vou amar por mais mil


One step closer

Um passo mais perto

One step closer

Um passo mais perto


I have died every day waiting for you

Eu morri todos os dias esperando por você

Darling don't be afraid

Querido, não tenha medo

I have loved you for a thousand years

Eu te amei por mil anos

I'll love you for a thousand more

E vou te amar por mais mil

And all along I believed I would find you

O tempo todo eu acreditei que te encontraria

Time has brought your heart to me

O tempo trouxe seu coração até mim

I have loved you for a thousand years

Eu te amei por mil anos

I'll love you for a thousand more

E vou amar por mais mil


No final da música, ela estava chorando. E eu também.

– Do Contra, meu amor... volta pra mim logo. Nossa espera acabou.

Entre lágrimas, ela sorri, e me joga um beijo.

– Agora eu preciso ir. Te amo, meu querido. Tchau.


Abri o envelope menor, que estava dentro do primeiro. Dentro dele havia uma passagem de avião.

Peguei o telefone e liguei pra Kazumi. Ela atendeu com sua voz fininha:

– Moshi moshi!

– Kazumi-chan? Hideki desu – no Japão eu usava o meu nome do meio.

– Hideki-chan! Tudo bem?

– Tudo ótimo. Eu recebi o sinal da Mônica enfim.

– É mesmo? Que ótimo, Hideki-chan.

– E eu preciso da sua ajuda.

– Pois não?

– Eu tenho um amigo do Brasil aqui em casa. Eu preciso que você venha buscá-lo e que ajude ele enquanto ele estiver aqui em Tóquio.

– Mas por quê? Você vai sair da cidade?

– Vou. Vou dizer para meus avós que vou para Okinawa com a banda. Você precisa confirmar isso quando eles te ligarem.

– E aonde você vai?

– Ao Brasil. Meu voo sai em quatro horas.

Notas finais
Quem achou que era a Mônica, errou... ou, considerando que era a serviço dela, acertou...

Mas ninguém adivinhou que seria o Cebola! E aí, o que acharam?

Logo logo, DC e Mônica estarão juntos! Aguardem as cenas do próximo capítulo!

Reviews, please!! Tenho notado o sumiço de alguns leitores frequentes... Como diria a Maria Cebolinha, será que tô perdendo meu mojo? Não me abandonem! 63 leitores, se pronunciem!

Beijos a todos! =*