A mãe de Sehra sacodiu ela que abria os olhos lentamente. Sua vista embaçada, suas roupas suadas. O que havia acontecido? Aquilo foi um sonho?

— Sehrafina?! Está me ouvindo?!

Sua mãe falava, mas sua voz não saia. Ela queria dizer sim, que estava ouvindo. Seu pai entrou no quarto e entregou um copo de água. Sehra estendeu a mão e bebeu todo o copo de água. Percebeu que estava tremendo, seu coração acelerado

— Filha? Fala alguma coisa!

— O que diabo aconteceu?

Eles se olharam e começaram a enxugar o suor que escorria da sua testa, braços e pescoço.

— Você teve um pesadelo, amor, mas já está tudo bem. Te chamei duas vezes você não desceu para o jantar, então vim te chamar, sua blusa estava rasgada quando cheguei e você estava suada e com uma expressão de desespero. Gritei por seu pai e por você.

Sehra olhava para sua blusa. Será que tinha feito aquilo com sua blusa ou...? Ela não se permitiu terminar o pensamento.

— Está certo.

Ainda estava exausta. Parecia que tinha sido tudo real. Ela não sabia explicar.

— Filha, está bem mesmo? Quer algo?

— Mãe, está tudo bem, vou estudar e quando sentir fome vou comer, está ok?

Eles se olharam e olham para ela, acenaram em confirmação com a cabeça. Sehra não estava com cabeça para estudar ou comer. Mentiu para seus pais, estava assombrada, cansada. Olhou em direção a janela e por incrível que pareça, o céu estava igual ao céu do pesadelo, o que fez com que se arrepiasse e fechasse as cortinas.

“- O que foi aquele pesadelo? Porque era colorido? O que aquilo queria dizer? Um presságio? E aquele beco?” – Mais e mais dúvidas surgiam em sua cabeça, deveria em vez de fazer um diário de sonhos, fazer um cadernos de dúvidas e ver quantas conseguiam responder. Quando se lembrou do que Obi havia dito, de uma tal missão.

“- Será que...? Não...não...não! Só pode ser brincadeira. Só pode ser!”

Ela retirou a blusa e olhou os rasgões. Não havia nenhuma marca em seu corpo, ela se certificou disso em frente ao espelho. E depois olhou para as unhas, como ela poderia ter feito aquilo? Era estranho. Era impossível. Então jogou a camisa no balde de lixo. Tomou um banho rápido e pegou no celular. Viu a resposta de Seojun dizendo que esperaria a resposta e mensagens de Zen.

“Mensagens de Zen?!” Ela abriu a conversa rapidamente leu.

"- Hey?

"- Está tudo bem?

"- Já dormiu?

“Qualquer coisa, qualquer coisa fale comigo"

Ela leu e releu principalmente a última mensagem. Será que ele sabia que ela havia tido um pesadelo e rasgado a camiseta? Então respondeu e disse que estava tudo bem. Ele rapidamente entrou na conversa.

"- Mesmo?"

"- Sim."

Ela notou que ele estava digitando e antes que ele falasse ela mandou uma última mensagem.

"- Estou cansada, vou dormir, boa noite, Zen!"

E largou o celular em cima da cama. Olhou a hora e ainda estava longe de chegar a hora para ir treinar, estava sem sono por causa do pesadelo, estava com a cabeça cheia de dúvidas. Então, uma batida e mais uma.

“- A mesma batida do pesadelo?!” Pensou Sehra.

Ela olhou rapidamente para onde veio a batida. Para a janela. Então puxa as cortinas e viu Zen acenando com a mão.

— Este é o melhor cheiro que já senti em toda a minha vida e nunca me cansarei disso.

— Isso soa tão engraçado vindo de você, parece Naruse falando pela primeira vez que entrou aqui.

Zen entra no quarto e sentou-se na poltrona. Ela percebe que ele estava suado. Mas porque ele estava ali? Ela não sabia.

— Estava correndo?

— Até você.

— O quê?! — Sehra não entendeu.

— Estava sem sono e falei com você perguntando se podia vim, você não respondeu, quando cheguei à luz da sua janela estava acesa, então arrisquei.

Era estranho, estranho porque o fato dele ter chegado até ali, a acalmava.

— Quer conversar? — Zen perguntou.

Sehrafina o olhava, observava cada movimento que Zen fazia na poltrona, até que seus olhos se encontraram e ela sabia que ele sabia que não estava bem. Então desviou o olhar e começou a falar. Contou sobre o pesadelo, da camisa, da sensação, do medo, do desespero, do cansaço, da falta de sono e fome. Então ela perguntou:

— Você bateu na janela para me acordar porque sabia que eu estava em perigo mesmo que sendo só um sonho? Como? Como isso é possível?

— Eu senti algo ruim direcionado a você, então eu vi correndo para cá e comecei a bater na sua janela. Seu quarto estava escuro, sua janela trancada, se eu quebrasse, seria outra confusão com seus pais. Até que sua mãe gritou pelo seu nome, abriu a porta, acendeu as luzes e o resto você já sabe. Voltei correndo e mandei mensagens torcendo para que logo me respondesse.

Zen olhava para Sehra, olhava com tanta intensidade que ela desviava o olhar torcendo a mão.

— Obrigada, Zen. Pela ajuda e... por estar aqui. — Ela queria dizia que estava melhor com ele, que a presença dele estava parecendo um... calmante? Mas apenas sorriu para ele, um sorriso fraco, mas sincero.

Ele estende algo de dentro do bolso, um colar com um amuleto em formato de uma pedra de cor azul celeste com estrelas. Quando ela estende a mão para pegar, caiu no chão e percebeu que ainda estava trêmula. — Desculpa. — Mas Zen foi mais rápido.

— Fique em pé, princesa.

Ela não entendeu porque o comande e ele mostra o colar. Ela se levanta ficando cara a cara com Zen, enquanto ele está abrindo o colar, observando que seus olhos são mais lindos de perto, seus lábios bem delineados. Ele se aproxima dela, ela sente seu rosto quente, e provavelmente ela sabia que ele estava vendo-a corar.

“- Maldita pele clara, traindo a sua dona.” – Pensou.

Ele passa as mãos pelo seu pescoço e dar mais um passo, estavam tão perto que suas respirações se misturavam. Ela inspirou o cheiro dele, cheiro do mar. Um cheiro suave. E ao levantar o olhar para os olhos de Zen, ela viu que seus olhos estavam encarando sua boca. Estavam tão próximos que se inclinassem a cabeça, se beijariam. E só esse pensamento a fez pegar suas mãos e cobrir o rosto. Ela o sentiu sorrir, colocou o colar nela e falou:

— Você é tão fofa, princesa.

E se afastou.

— Obrigada, Zen, e tchau.

Ele dar uma gargalhada baixa, se despede e vai embora. Ela fecha as janelas e as cortinas e encara o colar no espelho. Ela ainda sentia o cheiro de Zen... vindo do colar. Era simples, mas era lindo. Um amuleto, um presente, bem, não era um presente, Zen não disse nada, mas ela iria considerar um presente.