Escorpião Negro
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Obrigada pelo carinho!
O local estava escuro, na cama de pedra ali, um homem estava deitado, amarrado, amordaçado, nu e ainda vendado. Seu corpo tinha marcas visíveis de machucados causados por um chicote.
Shion estava acordado. Ele pensava em Albáfica e por isso mesmo suportava a dor que lhe era imposta, não entregaria Kamus, pois Milo era a pessoa que devia estar cuidando melhor do jovem príncipe, além de que, só mesmo o escorpião poderia conseguir a cura para seu amado.
Quando ouviu o barulho da pesada porta se abrindo e o som de passos adentrando o local. Percebeu que a pessoa se aproximava de si, e teve seus olhos e boca libertos. E só então seus orbes rubis se estreitaram ao ver o homem a sua frente.
Com um sorriso sarcástico e uma expressão altiva e malvada, Radamathys estava ali, em pé olhando para o Lorde que agora era seu prisioneiro. — Ora, ora... Se não é o grande Lorde Arryn... E então Shion... Como foi a viagem? Confortável? — A cada palavra o atual rei mostrava sarcasmo e nojo. — Tirem ele dai! O ponha de pé! — Ordenou e os dois homens com capuz pegaram o mais velho e o colocaram de pé, com as mãos acorrentadas acima de sua cabeça, e seus pés mal tocavam o chão.
Shion fechou os olhos e tentava se controlar, o medo que sentia era grande, mas precisava ser forte. Sentiu o hálito quente do rei em seu rosto. O monarca então sussurrou algo em seu ouvido:
— Se cooperar comigo, eu prometo que sua morte será rápida! Mas se quiser brincar... Garanto que vai desejar nunca ter nascido!
O Lorde de Arryn estremeceu, iria morrer de todo jeito, e não poderia salvar o amado, não poderia fazer nada por ele, sentiu o desespero tomar conta e os olhos arderam, mas ele foi forte não permitindo que as lágrimas descessem, e já que morreria não diria nada. Ouviu a voz do rei agora mais forte.
— Muito bem, onde está Kamus? Onde o mandou, Shion?!
Shion engoliu seco, mas respondeu calmo e firme. — Não sei! Não sei de Kamus!
Radamanthys sentiu ódio por aquela resposta, mas não era tolo. — Então insistes em mentir... Tão patético Shion... Acha mesmo que acredito em suas palavras? O que esconde? Quem quer proteger? Ah deixe-me ver... Já sei... Quer proteger meu pai? Então deixe eu te dizer uma coisa... Ele está morto!
Shion arregalou os olhos, o rei Hades era seu amigo, ele não podia ter matado assim. Moveu-se inquieto e olhou com certa frieza para Radamanthys, mas nada ditou, e aquele silêncio deixava o loiro indignado, irritado, com uma vontade imensa de matar o homem a sua frente, mas precisava dele.
Pegou no queixo do mais velho e ditou firme: — Onde está Kamus?! Seu empregadinho esteve aqui... E ele me contou Shion, meu irmão esteve em sua casa e na companhia de um pirata? Quem é ele? E por que me esconde a verdade? Desejas morrer? Pois não vais... Irás me ver reinar... — Ele ditou de forma grosseira.
Shion na raiva cuspiu no rosto do outro.
Um sorriso malvado surgiu na face de Radamanthys, e soltou o rosto do prisioneiro. Foi para trás do lorde e rasgou suas vestes deixando-o completamente nu, estendeu a mão para um de seus soldados, o homem colocou ali o chicote. O rei ergueu-a para o alto e a desceu com ira sobre a pele alva do mais velho.
Quando o chicote estalou Shion trincou os dentes. Ele sentiu uma dor miserável, mas não estava disposto a entregar Kamus e muito menos o escorpião. O objeto desceu, uma, duas... Inúmeras vezes, o sangue já escorria e o de cabelos verdes tentava manter-se firme, mas agora já gritava de dor.
Aqueles gritos eram música para o ouvido do rei, o som do chicote estalando era maravilhoso para ele. — Onde mandou meu irmão?! — Refez a pergunta, mas não obteve resposta. — Muito bem... Veremos até quando ostentará essa pose de silêncio. — Soltou o chicote e olhou para os soldados ali ordenando. — Ponha-o na mesa e alivie a dor dele... — Seu olhar era sarcástico e o homem assentiu ouvindo o seu senhor continuar a falar. — Depois o faça sentar um pouco!
Saiu dali. Ele precisava saber de Siegfried como estavam os preparativos para a captura de Kamus. Seguia pelos corredores em silêncio, lembrava-se de Dégel. Tinha de impedir que os irmãos se encontrassem. Os filhos da vadia só queriam roubar seu poder, e nada mais.
Enquanto o rei seguia para a sala do torno, Shion fora colocado sobre a mesma mesa, deitado agora com as costas para cima, e nas feridas abertas pelo chicote. O carrasco lançou água com sal, fazendo o mais velho urrar de dor, tanto que perdeu os sentidos por um breve momento, mas foi desperto quando uns dos homens baterem fortemente em seu rosto.
O Lorde foi retirado e açoitado novamente, mas agora com um objeto de ferro que parecia uma garra, deixando seu corpo inteiramente ferido, depois foi colocado numa cadeira, chamada cadeira com pregos atrás e nos braços, Shion gritou quando sentiu os objetos entrarem em sua pele. — Uma estadia de mais alguns dias... E logo abrirá essa boca! — O carrasco ditou e saiu deixando-o ali.
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Siegfried entrou na sala do trono e olhou o rei. Queria avisar que tudo estava pronto, encontraram o navio que os levaria até o Escorpião Negro. O navio chamava-se Griffon, e pertencia ao maior inimigo de Milo. O pirata Minos. Ele era um homem vil, sórdido, cruel. Seu maior desejo era ser o mais temido dos todos, mas o Escorpião tomou a sua chance, e ele não perdoava, não... Sempre que o encontravam os dois se enfrentavam de forma sangrenta, mas agora ele tinha chance de ter o que queria. O pirata sabia os caminhos que Milo percorria com seu navio, e por isso mesmo seria mais fácil encontra-lo.
O Lorde de Dubhe entrou na presença do rei e o olhou nos olhos. Abaixou em seguida à cabeça numa reverência. — Meu senhor... Estamos com tudo pronto! Vim apenas avisar-lhe que partiremos em uma hora!
Radamanthys sorriu de canto, Shion podia até não falar, mas aquele jovem o tal Misty dissera: — Ótimo! Mate todos! Só quero Kamus aqui e mais nada! Apenas meu querido irmão! Faça isso Siegfried e será muito bem recompensado!
O outro assentiu, mas não estava gostando daquilo. — Mas lembrar que teu irmão é meu noivo e o desposarei assim que chegarmos em terra! Esse foi o acor...
Não terminou a frase, o rei levantou-se de seu trono e foi para cima dele o segurando pela gola da camisa. Seus olhos azuis faiscavam e ele mostrava certa loucura ali. — O acordo que tinha era com o antigo rei... Lembra-te... O rei agora sou eu! E não temos acordo nenhum sobre você desposar Kamus. — Ditou sério e frio, sua mandíbula estava contraída e seus orbes cruéis.
Siegfried deu um passo atrás, mas não gostou daquilo, não mesmo. Ele o traíra, não merecia sua confiança, ele julgava que ele daria Kamus a ele? Nunca! Mas assentiu com calma. — Claro Majestade! — Ditou e saiu dali indo para a carruagem e seguiria para o porto, zarpariam em pouco tempo.
O rei não acreditou naquele jeito dele ceder tão rápido, mas não disse nada, ele não seria burro de fugir... O caçaria e mataria se ele o fizesse.
Voltou a sentar em seu trono e pensava no que faria depois de acharem Kamus. Tinha nas mãos o tal diário e foi ler o que tinha ali. Tinha que saber o que exatamente seu irmão era e o que podia fazer.
–oo0oo-
Alheio a toda aquela situação, Milo ancorava o Escorpião no porto de Altroz. Jogaram a âncora e logo as escadas de corda desceram encostada no navio.
— Vamos descer! Descansemos um pouco e logo começaremos os reparos, precisamos ser rápido e assim seguiremos em busca dos outros pedaços da pedra.
Os piratas do Escorpião Negro estavam exaustos. Haviam lutado, e estavam quase sem alimentos na embarcação. Mas agora fariam o que tinham que fazer.
Kanon, Aioria e Shura foram os primeiros a descerem. Observaram o lugar e fizeram sinal para que os outros descessem. Milo seguiu na frente, seguido por Shaka e Mask, logo despois, desceram Kamus, Afrodite e Mu.
Os três jovens olharam o lugar e se encolheram diante do que viam, era um lugar um tanto asqueroso e feio. Milo puxou Kamus para seus braços:
— O que houve príncipe? Não gosta do que vê?! Acostume-se... Esses são os piratas... Mas não se preocupe, nenhum deles o tocara... Não se quiser viver ainda! — Falou seguindo com o mais jovem a seu lado. Kamus não disse nada, mas estava com medo daquele lugar.
Afrodite já estava acostumado aquele tipo de lugar, mas ainda assim sentiu certo receio, Mask, porém o trouxe para si. — Não se preocupe, não deixarei que nada te aconteça, és meu! — Aquelas palavras aqueceram o coração do jovem tritão e ele seguiu ao lado do mais velho.
Mu já tinha costume de lidar com aqueles homens que frequentavam a taverna de seu padrasto, mas agora estava ali perto de Shaka e o olhou um tanto inseguro, o loiro nada ditou, mas os olhos azuis mostravam tranquilidade e firmeza, o que fizeram surgir um sorriso nos lábios do mais novo.
— Não gosta daqui também, não? — Mu perguntou e sorriu ao vê-lo assentir. — Mas então... Por que...
Shaka levou a mão aos lábios dele e sorriu o beijando carinhosamente. — É necessário meu menino... Aqui poderemos fazer reparos e comprar suprimentos, além de descansar, recuperar as energias para os vários perigos que ainda julgo enfrentaremos! Mas não fique assim, tenso... Mas esteja atento, e sempre perto de mim, não saia só Mu, e não enfrente ninguém, há pessoas perigosas aqui... Precisamos ser cautelosos!
O médico sabia que ali era uma terra sem lei, a maioria das pessoas que estavam ali não tinha um mínimo de escrúpulos: eram ladrões, assassinos vis, bandidos e enganadores. Mas o escorpião ainda colocava medo em muitos, claro que também suscitava a inveja de alguns a ira de outros tantos, mas nada disso parecia incomodar Milo, ele andava seguro e firme a frente. Shaka e Mu alcançaram, já que tinham ficado mais atrás.
Andaram por um pouco de tempo, numa ponte feita de madeira, Era o único caminho que ia do cais ao porto. Mas logo chegaram a terra firme. Ali, os homens do Escorpião seguiram cada qual para onde quisessem. Milo e seus amigos, porém, procuraram logo uma estalagem. E encontraram um lugar que mais parecia um bar antigo. Os piratas entraram, procurando pelo responsável.
Um homem se aproximou deles.
— Hnnn... Pouquíssimas vezes o senhor aparece aqui Capitão! Mas é sempre um prazer recebê-lo. Em que posso lhe servir dessa vez?! — Perguntou calmo.
Por dentro o local chegava a surpreender não que tivesse muito luxo, mas era até confortável, Toda de madeira, e com mesas grandes e bancos. O ambiente era até limpo, e havia num canto alguns barris, o balcão era de madeira, em todos os móveis havia uma caveira entalhada. E logo ali na entrada, era um bar, a estalagem mesmo ficava na parte de trás, um prédio separado.
Milo o olhou sério: — Quartos, comida e bebida!
O homem assentiu: — Então... Vá beber um pouco, logo seus quartos estarão prontos. Mas... Milo... — O chamou e o viu o olhar. — Ouvi dizer quem alguém o andou procurando... Não sei quem é... Mas não está só! Cuidado!
Milo assentiu e foram para o bar, queriam beber um pouco.
Kamus franziu o cenho não queria ficar ali, esperaria o homem arrumar o tal quarto e entraria para descansar. — Eu não vou! Vou ficar lá na porta do quarto esperando ele arrumar! — Ditou do seu jeito altivo.
Mas o mais velho estreitou os olhos, de jeito nenhum deixaria o de cabelos verde sozinho: — Não! Ficaremos aqui! E esperaremos aqui!
Kamus não queria ficar ali e respondeu: — Quero ir tomar um banho e deitar! E não ficar aqui nesse lugar nojento e cheio dessas... Dessas... Vadias! — Cruzou os braços no peito e olhava firme para o capitão.
Milo odiava ser enfrentado daquela forma, mas ao lembrou-se da gravidez, fechou a mão em punho e respirou fundo, mas logo segurou o braço do príncipe e falou entre dentes junto ao ouvido dele. — Não me provoque! Vamos ficar... Acho que já está com saudades de ser castigado!
Kamus arregalou os olhos e sentiu o rosto corar, olhou para o pirata de cabelos azuis. E ambos se enfrentavam. — Não se atreveria! — Disse enquanto estreitava os olhos verdes e mostrando-se firme, embora estivesse morrendo de medo e ao mesmo tempo sentiu a pele arrepiar-se em excitação.
Milo aproximou o rosto do dele e ditou firme: — Acha mesmo alteza? Acha que não faria?! — Riu divertido da ira do outro: — Não me provoque... Sabe que faço! E o farei... Hoje príncipe... Prepare-se para ter esse rabo gostoso bem castigado e fodido por mim.
Kamus sentiu um misto de medo e excitação. Seu rosto queimava e sua pele estava arrepiada. Sentiu as mãos fortes de Milo puxá-lo e o fazer sentar em seu colo. Olhou ao redor e viu os outros de achegarem, juntaram algumas mesas e todos ficaram juntos ali.
Kanon chamou uma atendente, e quando mesma se aproximou os olhos de Milo se arregalaram. E Kamus não gostou nada daquilo. O Escorpião a olhou por completo e depois ao redor, as mulheres ali a maioria eram meretrizes, esta não era diferente, ela tinha cabelos roxos como os de Mu e olhos igualmente roxos, seios fartos, e era justamente ali que o olhar de Milo estava.
Kamus enfurecido pisou com força no pé do escorpião. O pirata o olhou e o príncipe disse sério: — Continue olhando e arranco seus olhos! — Os olhos verdes do mais novo faiscavam.
Milo revirou os olhos, mas sentiu uma imensa vontade de rir, no entanto precisava controlar-se. Não tinha interesse em mulheres, mas estava de olhos na pedra que estava presa em um broche no vestido, exatamente ali entre os seios dela.
O Escorpião sabia que era um fragmento da pedra filosofal, mas não podia simplesmente tomar dela, ou comprar, precisava ter jeito de fazer, se mostrasse interesse, despertaria a atenção dos outros para a tal pedra. Irritado e alheio a esse detalhe, o príncipe encarou a jovem, e logo a bandeja que ela trazia foi ao chão e ela assustou-se. — Droga! — Ela ditou e foi pegar mais bebida para a mesa ao lado da de Milo.
Kamus ficou satisfeito, mas Milo não. Precisava daquela pedra e a teria. Suspirou e encostou-se a parede, mas olhava para cada movimento da mulher. Todos estavam estranhando, o conheciam para saber que não tinha interesse físico, algo não estava certo e isso deixou seus amigos atentos. Não sabiam o que era, mas confiavam nele. E estava o seu lado, fosse o que fosse.
— Se comporte! — Milo disse baixinho, mas o príncipe ignorou. Os seus olhos correram novamente pelo local, mas foi quando caiu sobre uma figura específica que descia o lance de escada, que ele sentiu seu coração pulsar. Inicialmente ele considerou que estava vendo coisas demais, mas quando sua mente apitou com a realidade, Kamus levantou, saindo das garras do escorpião, e correu pelo salão.
— Kamus! Onde... Que porra! — Milo grunhiu. Ele levantou empurrando quem estivesse na sua frente. Ele temia que o príncipe estivesse tentando escapar dele, se antes não queria permitir que Kamus fosse para longe dele, agora menos ainda ao saber que ele carregava um filho seu.
Kamus ignorou os chamados do pirata, apenas queria chegar ao outro homem. Quando esse pareceu perceber a sua presença, igualmente saiu ao encontro do jovem de fios verdes... Mas antes que ambos se abraçassem, Milo puxou Kamus pelo pulso e rodeou o pequeno corpo com ambos os braços fortes.
— Não... Me larga... — Kamus pediu. Ele esticou os braços tentando tocar o homem, e isso serviu para aumentar a raiva e ciúme de Milo. O pirata continuou segurando o príncipe com apenas um dos braços e com a outra mão sacou sua espada. Não demorou para que a cavalaria de piratas do Escorpião estivesse ao redor do capitão e prontos para brigar.
— Não apreendeu ainda que me pertence príncipe? Não tocará em ninguém! — Milo disse feroz.
— Como ousa tocar em meu irmão? Então é o bárbaro que o sequestrou?! — O jovem de cabelos igualmente verde ditou. Ele parecia uma versão mais velha de Kamus, mas igualmente bonito. Não se deixou ser abalado pelos piratas armados, não quando seu pequeno irmão estava ao seu alcance.
— Irmão?
— Sim, sei idiota... Esse é Dégel, o meu irmão mais velho. — Kamus disse sem muita paciência. De alguma forma a maneira possessiva de macho alfa de Milo o irritou, mais que o normal. — Seus piratas idiotas. Tirem as cabeças de suas bundas! Ele é o Príncipe Dégel, meu amado irmão, e nem você e nem ninguém vai me impedir de chegar perto dele. Agora me solta! — Kamus disse com voz altiva e irritada, tanto que fez os piratas baixarem as armas e Milo o soltar. Bufando, ele aproximou-se de seu irmão e o abraçou com tudo. — Eu perdi você, Dégel!
Kanon aproximou-se de Milo e cochichou: — Acho que ele é literalmente sua patroa... Até está mandando em todos! — Ele terminou com um grunhido quando recebeu uma cotovelada do capitão.
— Kamus! — Dégel murmurou. Ele embalou seu pequeno irmão em seus braços. — Eu... Senti tanta sua falta, temi que estivesse morto... Eu fui um burro em ajuda-lo a fugir... Mas... — Dégel afastou um pouco Kamus para que pudesse olhar nos olhos dele. — Se continuasse no castelo estaria casado com o traste do Lorde de Dubh ou morto pelas mãos de Radamanthys... Ele prendeu nosso pai e tentou me matar... — Dégel disse. Era claro em sua voz a emoção.
— Ele? Aquele monstro! Você está bem? Como chegou aqui? — Kamus perguntou tocando nas pontas do cabelo do irmão. Ele sentia-se tão feliz em ter seu irmão, de toda sua família, quem mais amava era Dégel.
— Eu fui salvo pela filha de um ferreiro... Eles me acolheram, mas se colocaram em perigo por isso... Então fugimos. Ele disse que encontraria alguém aqui, de confiança... — Dégel disse.
— Sabe como é difícil lhe encontrar? — Uma voz máscula se fez presente, e o seu dono deu um cascudo na nuca do Capitão do negreiro.
Os marujos do Escorpião sacaram as suas armas para proteger o seu capitão, mas esse levantou a mão para eles as guardarem.
— Na próxima pode acabar na baía com a garganta cortada, traste. — Milo disse áspero, mas em seus lábios encontrava um sorriso largo. — Kárdia! — Ele se abraçou ao homem de fios azuis e mais alto que ele. — Quanto tempo!!
— Como? — Dégel perguntou sem entender e sem soltar Kamus.
— Pelo visto cada um tinha em posse um dos príncipes. — Shina disse. — Tio Milo! — Ela murmurou.
— Tio? — Dégel e Kamus gritaram juntos. Eles desfizeram o abraço e se colocaram lado a lado.
— Sim! Kárdia é meu irmão mais velho e Shina minha sobrinha. Por quê? — Milo disse com olhos estreitos. Ele amava seu irmão e sobrinha, mesmo que os visse poucas vezes, então se alguém embestasse com eles, conheceria sua fúria.
— Nada! Apenas me pegou de surpresa. Você nunca falou sobre... E... — Kamus corou quando deu conta que a atenção era toda voltada para si.
O dono da estalagem aproximou-se acanhado. — É... Capitão, os quartos estão prontos!
Milo olhou duramente para ele e dispensou com mover de cabeça. — Kamus, por que não vai para o quarto? Não queria ir tomar um banho e descansar? Seu irmão pode ir contigo, depois mandarei alguém levar algo para comerem. — Milo disse firme.
— Venha Kamus, temos muito a conversar! — Dégel disse tomando a mão do irmão. Ele puxou Kamus, e esse deu um último olhar ao Capitão antes de subir pelo lance de escada.
— Cuidem que não seja perturbado ou fujam! — Milo deu a ordem a dois piratas, que prontamente afirmaram com a cabeça e seguiram para o quarto que os príncipes se hospedariam, a fim de ficarem em guarda na porta.
Ele viu Shaka e Mascara acompanharem Mu e Afrodite para o piso superior da estalagem, possivelmente os levando para os quartos. Milo puxou Shina e Kárdia para sentarem-se à mesa dele.
— Me diz, a que devo a visita inesperada dos dois? — Milo perguntou, ao que ergueu o dedo chamando a meretriz para trazer mais rum.
Kárdia olhou para a filha. — Shina resolveu salvar o príncipe ferido, contra minha vontade, devo ressaltar... E acabou que o seu irmão maluco – que se declarou novo rei – descobriu que ele estava vivo. Então tivermos que fugir. — Kárdia disse suspirando. Ele estava realmente cansado, uma cama vinha a calhar.
— Pelo visto temos queda por príncipes. — Milo disse olhando para o broche. Precisava pensar uma forma de pegá-lo.
— A forma possessiva que abraçou o príncipe, devo deduzir que o tomou como sua mulher? — Kárdia perguntou ao irmão caçula. Milo poderia ser novo, mas desde cedo era talentoso e ágil e isso o levou ao mar.
— Eu diria que tio Milo está apaixonado, dá para perceber pela forma que olha o príncipe, Kamus, neh? — Shina disse. Ela igualmente tomou uma golada do rum.
— Se comporte menina, não é algo para alguém puro. — Milo disse.
Shina jogou a cabeça para trás rindo. — Tio! Posso ser mais perigosa que seus piratas. Temos que duelar... Aprimorei minhas habilidades! — Ela disse orgulhosa.
— Veremos, mas linda, por que não vai descansar? Tome um dos quarto.... Um banho e um prato de comida virão bem. — Milo sugeriu, dando a dica que precisava falar com Kárdia as sós.
— Ok! Estou saindo... Falamos depois! — Ela deu um beijo no rosto do pai e do tio, e depois saiu. Seu andar era firme e sensual e garantiu que vários homens olhassem para ela.
— Ela cresceu muito desde a última vez que a vi! — Milo disse olhando para a sobrinha. — Lamento que teve que deixar sua casa, mas estou feliz em tê-lo aqui! Sabe que no Escorpião sempre teve um lugar para você.
— Mas não era o ideal para criar uma criança. — Kárdia disse.
— Acha? — Milo arqueou uma das sobrancelhas. — Pois até onde sei, irei criar a minha nele.
Kárdia olhou desconfiado para o irmão. — Filho? Quem é a rapariga? Sim! Por que até onde sei gosta somente de uma boa bunda! — Disse abertamente, estava só com o irmão e não precisava ter freios.
— O príncipe! — Milo disse sério.
— Como? Acho que bebi um rum de má qualidade. Até onde sei, ele é um homem e os mesmos não engravidam. — Kárdia disse rindo. Mas pela feição séria de seu irmão sabia que não havia espaço para brincadeira. — Milo...?
— Sabe que nessa imensidão de mundo tudo é possível, e na ultima missão que fomos... Um Oráculo disse que ele estar gravido, que não é exatamente um humano... — Milo admitiu.
— Ela pode está zoando contigo. — Kárdia não queria acreditar.
— Vemos coisas surreais nessa vida Kárdia, sabe disso... Eu irei perdi Shaka para examiná-lo, mas devido a alguns sintomas que ele vem tendo, não duvido... E confesso que desejo que seja verdade. — Milo disse em baixa voz. Não queria que a notícia de um homem grávido se espalhasse. A segurança de Kamus vinha acima de tudo. — Apesar da minha vida devasta, nunca escondi que queria uma família... E esse... Príncipe mimado tem conquistado o meu coração... Talvez ele seja um bruxo que me enfeitiçou.
— Possivelmente! — Kárdia disse tomando o copo e ingerindo a forte bebida. Seus olhos percorreram o local. — Uau! Meu irmãozinho pai... Quem diria... — Kárdia disse ainda descrente.
Milo igualmente tomou um gole de sua bebida. No minuto seguinte, passou a contar para o irmão tudo que havia acontecido com ele ultimamente, desde que encontrou o príncipe, o acordo com Shion e a missão que estava realizando.
Já em um dos quartos superiores, Kamus tinha uma conversa similar com o seu irmão, contando tudo que havia acontecido nos últimos meses em sua vida, tirando a parte da gravidez, pois até então o príncipe não tinha a menor ideia do que o destino reservou para ele.
Continua...
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