Notas iniciais
Boa leitura!

Por segurança, Mascara guiou os três jovens para a mesma cabine – justo a do capitão – ele abriu a porta e a segurou dando espaço para eles entrarem. Primeiro foi Mu, depois Kamus e por fim o jovem recém-resgatado. Antes que esse se aprofundasse no quarto, o pirata segurou seu braço e encarou as belas feições.


— Qual seu nome? — Perguntou firme, dando margens de que não queria uma resposta malcriada.


O jovem tremeu debaixo de sua mão e desviou a face. — Afrodite! — Murmurou. Era visível seu medo.


Mascara suspirou e largou o braço dele. — Fique aqui, e não saia! Depois o virei buscá-lo. — Disse fechando a porta quando os três achavam m segurança dentro do quarto.


Kamus sentou no meio da cama com as pernas cruzadas depois de retirar os sapatos. Suas feições eram preocupadas e aflitas. Olhava vagamente para um ponto incerto. Mu andou até o jovem desconhecido. Sabia como poderia ser assustador a primeira impressão daquele lugar.


— Me chamo Mu, e ele, Kamus! Não se preocupe, mesmo que pareçam assustadores e maus, eles são até bons e gentis... Tudo ficará bem! — Disse dando cálido sorriso.


— Homens não são confiáveis, independente se são piratas, mercadores, nobres ou camponeses. — Afrodite disse duro. Dava para ver em seus olhos o quanto ele sofrera na vida.


— Fomos pegos contra nossa vontade para estar aqui, mas eles têm cuidado de nós. Eu cresci pensando que era mulher, e meu padrasto me vendeu pra um dos piratas. — Mu começou a falar, imaginou se contasse suas histórias, o outro abaixaria a guarda.


— Jura? Dever se difícil crescer imaginando algo e depois ver que tudo era mentira... Ele dever ter ficado furioso! O pirata! — Afrodite disse se aproximando mais do outro. Dava para ver que a curiosidade era um ponto forte de sua personalidade.


Kamus manteve-se calado apenas observando a conversa dos dois. Aos poucos, o príncipe podia entender que na vida as pessoas passavam por problemas, que cada um tinha sua cruz para carregar, não importava se era nobre ou plebeu... Ou até um criminoso.


— Bem, na verdade não... Shaka preparou tudo, e me pediu em casamento... Casamos e somente depois me contou a verdade. Foi gentil e paciente... Cuidou de mim! Temos nossas diferentes, tudo é novo para mim.


— E você? — Afrodite perguntou encarando Kamus. Tão logo os três encontravam sentados na grande cama.


— Eu? Ah, fui sequestrado pelo capitão. — Kamus disse como se não fosse grande coisa.


Afrodite ergueu uma das sobrancelhas.


— Kamus é o príncipe caçula de Loutrec. Ele havia fugido, e nos conhecemos na taberna de meu padrasto... Eu fui vendido e ele sequestrado. Ainda estamos nos acostumando com a vida aqui... Tirando uns inconvenientes, até que temos ido bem. — Mu tendia ver o lado positivo de tudo. Seu lema era que apenas reclama não adiantaria muito.


— Oh, que coisa. — Afrodite disse dando risadinha. — Pelo visto não tem sido momentos fáceis, mas não sei se quero ficar aqui... Não quero me tornar puto desses piratas. — Disse fechando a mandíbula.


— O Mask é cruel e frio... Ele me dá medo... Mas não acho que seja do tipo que compartilha, e ele parecia bem possessivo com você.


— Uh! Homens machos tentando se sobressair! — Afrodite disse. — E isso? — Apontou para as embalagens nos sofás do quarto.


— Ah! Compramos no mercado! Que ver? Podemos dividir algumas roupas com você, não deve ter nada... — Mu disse dando pulo da cama e indo pegar as coisas, logo ele e Afrodite achavam-se abrindo as embalagens e olhando as compras, Ambos conversavam, e mostravam rapidamente uma amizade. Kamus poderia estar compartilhando daquilo, se não tivesse tão preocupado.


Após mais de meia hora que se achavam ali, Mu e Afrodite poderiam ser considerados excelentes amigos, Mu realmente ajudou o novato a relaxar e não ficar na defensiva, mas estranhando que Kamus se achava tão calado, o encarou:


— Tudo bem? — Indagou cauteloso.


— Acho que ele não voltou! E se... — Kamus começou a dizer, mas seu coração doía somente em pensar que algo sério havia acontecido.


— Ele deve estar bem, sabe que o capitão Milo é forte, e ainda assim, tem Shura com ele. — Mu sugeriu para tranquilizar o amigo, mas realmente sem sucesso.


— Não! Eu preciso...


— Não! Não! Toda vez que inventa de fugir ou algo parecido nos dá mal! Vamos esperar aqui! — Mu disse firmemente.


Kamus olhou firme para ele, na certa podia se intimidante! — Por favor? Não precisa ir comigo, apenas me ajudem... Eu não vou demorar! Apenas quero ter certeza que ele está bem, antes que perceba volto com Milo! — Ele ajoelhou na cama encarando os outros dois. Seus olhos azuis brilharam prateado, de alguma forma Mu e Afrodite, foram incapazes de recusar.


— Ele precisa de ajuda, e quanto mais rápido voltar com o capitão sairemos daqui. — Afrodite disse olhando piedosamente para Mu


— Oh... Ta legal! — Disse vencido. E enquanto os piratas achavam-se ocupados vigiando os traidores ou ajeitando o navio para partida, os jovens armavam para a fuga do príncipe.


–oo0oo-


Sua mente navegava por lembranças tão antigas.


Tinha apenas seis anos, encontrava-se no quarto de seus pais, justamente brincando na cama grande ao lado de sua mãe. Ela sustentava uma bela barriga, e com um doce sorriso, acariciava.

— Mama, vai ser uma irmãzinha? — A voz infantil indagou em sua inocência.

— Não tem como saber querido, mas o que for... Quero que me prometa algo Dégel! — A mulher disse sem nunca deixar de lado o tom gentil.

— Sim, tudo que quiser!

— Que cuidará e protegerá seu irmão ou irmã... Ele ou ela terá um longo e difícil caminho pela frente, e precisará de sua ajuda... — Ela pediu como se soubesse de algo, de um futuro remoto.

Dégel com seus seis anos não entendeu na época a que sua mãe se referia, mas em seu entusiasmo balançou a cabeça. — Sim, eu darei minha vida por meu irmãozinho... Ou irmã! — Falou jurando e colocando em seu coração, tal intento.


— Kamus... — Chamou pelo irmão acordando assustado. Deu um suspiro profundo e despertou, contudo não entendia o que era ou não realidade. Um frio tomava seu corpo, principalmente sua face, mas podia sentir o suor brilhar sobre a sua pele, ajudando que seus cabelos úmidos grudassem a sua face. Uma dor enraizou de suas costas e parecia se estender pelo restante do corpo.


Sua mente não pegava ao era realidade e ou imaginação. Seus olhos percorreram o local, e não soube identificar onde era. As paredes de madeiras, os poucos móveis e sua simplicidade, mas igualmente tudo bem arrumado.


Dégel tentou se levantar, mas a dor que correu seu corpo o fez recuar e deitar novamente. Reparou que se achava nu, e a única coisa que impediu a visualização total de seu corpo era o lençol. Recordou de algo, do que havia acontecido consigo. Traido por seu próprio irmão! Céus! Radamanthys tentou matá-lo. Na verdade seu irmão estava confiante que tinha conseguido.


Perdido em seus pensamentos se assustou quando alguém entrou no quarto. Reparou e viu o mesmo menino de cabelos verdes e olhos rosa que ele havia salvado antes. Pelo visto, sua boa ação daquela época havia sido retribuída.


— Acordou! O pior já passou, levará alguns dias, mas ficará bem! — O jovem disse sentando na borda da cama, e colocando uma bacia com água no criado. Tomou a toalhinha e torceu levando em seguida a testa do príncipe.


— O-obrigado! — Disse em um fio de voz.


— Que isso! Você me ajudou... Papai não está muito feliz, ele não gosta da realeza, mas quando disse que você havia me salvado antes, ele aceitou. Ele não é mal, apenas tem seus motivos.


— Eu entendo... Sendo que meu próprio irmão e pai não são muito bons. — Dégel disse. Sentiu desejo de chorar, sua família era fodida, e a única coisa que tinha era Kamus, mas ele mesmo foi incapaz de proteger e lutar por seu irmão. Apenas rezava para que Kamus estivesse bem, e logo o encontrasse.


— Nem todos têm sorte!


— Shina! — Uma grossa voz chamou pela jovem, e essa virou encarando seu pai. Kárdia estreitou os olhos ao olhar ara o príncipe. Como pai, era cauteloso, mesmo ferido, não daria chance ao outro para feri-la.


— Estou aqui! Esse é meu pai, Kárdia! Ele é ferreiro, e faz um trabalho incrível. — Ela disse elogiando o pai.


Dégel arregalou os olhos. Olhou para a menina, e sentiu-se idiota por não ter percebido antes que era uma mulher, ao invés de homem. Desviou os olhos para o homem de cabelos azuis escuros e lindos. O sujeito era lindo e másculo, com os músculos salientes, a pele bronzeada e os olhos azuis.


— Não ia encontrar com suas amigas? — Kárdia perguntou, mas na verdade dava uma indireta.


— Ah sim! Já vou! A comida dos dois está pronta, não deixe de alimentá-lo. — Ela disse dando tapa no abdômen de seu pai. — Não demoro! — Falou olhando para Dégel antes de sair do quarto, e deixar os dois homens sozinhos.


Kárdia olhou fixamente para o príncipe, e sem dizer nada saiu do quarto, e tão logo quanto possível retornou com uma bandeja, e sobre ela um prato com sopa quente e pão. Deixou sobre o criado, e ajudou o homem que era algum centímetro menor que ele, a sentar, e então colocou a bandeja em seu colo e levou a colher com o líquido fulminante aos lábios do príncipe.


— Sou grato pela ajuda, mas acho que posso...


O homem não deu ouvido e quando já tinha oferecido toda a comida para o homem de cabelos verdes petróleo o ajudou a deitar, e o cobriu. Testou sua febre e viu que tinha baixado um pouco. — Em alguns dias estará melhor! — Disse recolhendo as vasilhas sujas. — Assim poderá seguir seu caminho! — Ele seguiu para fora do quarto. Para sua própria sanidade e memória da sua esposa devia ficar longe daquele príncipe.


–oo0oo-


— Nada mal...! — Milo disse elogiando o pirata novato. Os dois tinham tido um momento divertido levando os criminosos para baixo, claro, demorou um pouco mais do que esperando devido o número deles, porém era óbvio que seriam os vitoriosos.


— Obrigado capitão! — Shura realmente ficara feliz em saber que era bem visto pelo outro. As coisas começavam a se mover para bem mais que uma simples questão de vingança.


Eles seguiram pela trilha, e tão logo avistaram o Escorpião Negro na bacia, o coração de Milo trovejou, e mesmo que não admitisse, queria ver e ter em seus braços o príncipe era bem mais que mero capricho de vingança ou prazer carnal.


Os dois seguiram sorrateiros e pegaram um pequeno barco e foram até o Escorpião Negro. Ao chegar ali à escada foi jogada e os dois subiram. Shura foi a frente Shura em seguida ao capitão. Quando subiram a bordo o olhar do escorpião não podia ser mais frio, ergueu uma sobrancelha e levou à mão a espada.


Shura fez o mesmo, mas apenas olhava Shaka, Mask e Kanon se aproximaram dele.


— Bem-vindo capitão! — Kanon falou e fez um sinal com a cabeça que deixava implícito a pergunta “O que é isso!? E esses homens presos?!” O de cabelos azuis e longos, falou seco: — Ah eles?! Numa palavra! ‘MOTIM’ — Ele falou bem alto, quase gritando, e aquilo fez Milo puxar a espada. E com isso os outros tomaram a mesma atitude, aquele gesto significava morte aos traidores.


— Vamos Zarpar! Resolveremos isso no mar! — Milo ditou, e seus marinheiros obedeceram, e começaram a gritar para que todos soubessem a ordem do capitão.


— Vamos zarpar! — Os homens começaram a erguer a ancora, logo partiriam, no entanto Mu e Afrodite correram ao encontro do capitão, ao ouvirem eles falarem em sair dali, tinham que avisar que Kamus não estava presente ali com eles.


— Esperem! — Ambos ditaram desesperados e todos os olharam, alguns riam já que Milo parecia bem surpreso com aquilo. Mu por sua vez falou desesperado. — Não podemos ir... Kamus não está no navio!


Os olhos de Milo tornaram-se escuros de raiva, sua expressão mudou para algo duro e frio. O capitão olhou para Shaka e Mask e seus olhos cobravam algo deles, os dois nem sabia o que dizer.


— Mas como?! — Ele indagou entre dentes.


Aioria se aproximou e falou num tom aborrecido: — Não é óbvio?! Ser aproveitou de nossa distração e fugiu novamente! — O pirata já estava farto de ver Milo querer proteger aquele principezinho mimado e esquecer-se de quem era! Já devia ter matado ou vendido aquele pirralho problemático.


Milo o olhou frio, mas então Afrodite enfureceu por aquilo falou alto em bom tom. — Não é verdade! Ele não fugiu! — O jovem de cabelos ondulados tinham o olhar firme e desafiador e atraiu o interesse do capitão, o escorpião gostava de pessoas assim.


— Por que diz isso?!


O jovem olhou para Milo, e não pode deixar de achá-lo belo, mas não era isso que o atraiu no homem, na verdade estava farto deles!


— Ele saiu daqui a fim de lhe ajudar, de ter certeza que estava bem! Estava muito preocupado!


Aquilo arrancou risadas dos piratas, era divertido para eles que Kamus achasse que podia defender Milo de algo, porém, para o capitão aquilo foi como um carinho ao seu ego, seu coração aqueceu e um riso brotou em seus lábios.


Milo não disse nada, mas com uma pequena reverência com a cabeça, agradeceu aquelas palavras e colocando a espada e volta na bainha, falou firme:


— Vou buscar meu príncipe! Volto logo! — Disse e virou-se para sair dali quando a mão de Aioria tocou seus ombros:


— Está louco!? Deixe-o ai... Esse garoto... — Falou apontando para Afrodite – Pode estar mentindo! E se isso for uma armadilha!


Afrodite enfureceu e olhou para Um. Apesar do outro fazer sinal para que ele ficasse calado o jovem tornou a se pronunciar:


— E quem o fez detentor da verdade?! — Perguntou sarcástico, aborrecido e desafiador. — Posso ser muita coisa, mas não sou um mentiroso! E o Kamus estava realmente preocupado com o capitão, ele estava demorando e temia que algo pudesse acontecer a ele!


Mask se aproximou do jovem, o tiraria dali e ensinaria a não desafiar um pirata, Aioria poderia matá-lo, se bem que se o fizesse, morreria em suas mãos. Tocou levemente no ombro do mais jovem que estremeceu e sentiu o coração diminuir de medo, mas o pirata a apenas falou baixo:


— Fique tranquilo, ele não quis ofender... Só tem a boca grande!


Aioria por sua vez estava possesso. — Vá buscar seu “príncipe”... — Disse emburrado, e quando Milo virou-se para sair, um de seus homens gritou. — Mensageiro! — Aquilo fez Milo parar e olhar para Aioria, os dois se aproximaram da beirada do navio e viram a pessoa subir.


A pessoa encontrava-se elegantemente trajada e coberta por um capuz. Ao chegar ao convés do escorpião, retirou o capuz e deixou todos sem fala. A beleza daquele ser era estonteante. Era um jovem de cabelos loiros e orbes azuis, lembrava uma mulher, mas não era. Estendeu a mão com um bilhete para Milo e esperaram que ele o pegasse, seus olhos mostravam desejo pelo capitão.


Milo o olhava desconfiado, mas pegou o papel e deu a Shaka. Mask, Kanon, Aioria e Shura se aproximaram dele. O médico pegou o bilhete das mãos do capitão e o abriu lendo, ergueu uma sobrancelha e se aproximou de escorpião falando em seu ouvido:


—Aqui diz que, o nobre quer lhe ver agoraa, ele tem Kamus em seu poder e diz que só o libertara se você for sozinho!


Milo sentiu o corpo inteiro reagir aquilo, seus músculos ficaram tensos, seus olhos faiscavam de ódio e seu rosto colocava medo.


— Estou indo!


Os outros ficaram alarmados, mas ele os olhou e não precisou de palavras para deixar claro que admitiria que ninguém o seguisse.


— Quando voltar, quero o escorpião limpo! — Falou olhando para o grupo de homens que tinha feito o motim. Olhou para o mensageiro e perguntou frio. — Como é seu nome?!


O jovem lhe olhou e falou educadamente. — Misty!


Milo assentiu e chegando perto dele falou sério. — Vamos! Me leve ao seu senhor!


O loiro assentiu e assim ele e o capitão seguiram lado a lado ao encontro do lord que queria ver Milo. O homem que vivia na escuridão em segredo, através de seus mensageiros. Em seus pedido era inusitado.


Aquele homem sem nome e face para Milo era vaidoso, gostava de riquezas e de objetos de boa qualidade. Tão exigente e autoritário, mas tinha uma vasta visão, e conhecimento, não se abalava pelas perdas, porém procurava sempre uma forma de recompensar o que houvesse perdido.


Eles chegaram ao porto e seguiram por uma rua um tanto vazia e uma carruagem parou para eles entrarem. Misty fez Milo estar no veículo e seguiram a toda velocidade rua acima, não andou muito e logo chegaram a uma casa imensa e bela.


A casa era branca com detalhes marrons e muito bonita, A porta era de madeira marrom e com um pequeno vitral. Era a mais bela de todas daquela rua, a maior também. Ao ver o local, o pirata ficou um tanto apreensivo, sabia que era imprudência, mas só pensara em Kamus, não era amor... Claro que não, contudo ele estava em perigo por sua causa, era mais do que sua obrigação salvá-lo.


Desceram da carruagem. Misty seguiu a frente e como o jovem, Milo agora tinha também um capuz sobre si, escondia sua natureza. E seguiu o loiro que bateu a grande porta de madeira. A mesma foi aberta e um homem que afastou se dando passagem aos dois. Seguiram para dentro do local, e em momento algum o pirata tirou a mão de sua espada.


Milo olhava tudo com cuidado. Era engraçado como aquilo ali agora, parecia apenas um sonho distante... Tudo ali era muito bem arrumado, muitas peças valiosas desde quadros a esculturas e obras de arte. As janelas de vidro eram sempre protegidas por cortinas pesadas que deixasse o ambiente sombrio.


Quando chegaram à porta de um grande salão, Misty bateu com cuidado na porta e recebeu permissão para entrar e assim ele mesmo empurrou as portas dando margem para que os orbes azuis do escorpião pudessem ver o que havia no grande salão.


Ali dentro, as janelas estavam abertas e davam visão a um belo jardim. Havia uma mesa não muito grande, e sobre ela várias iguarias. Duas cadeiras e um cheiro doce de rosas


— Senhor... O Escorpião está aqui! — O jovem falou e seus olhos azuis mostravam malícia.


— Entrem! — A voz ordenou calma, até suave.


Quando Milo entrou deparou-se com um homem elegantemente trajado, cabelos e olhos verdes. Tinha um lenço à mão e ficou de pé ao ver o pirata. Sorriu de canto. — Então... Finalmente nos encontramos escorpião!


Milo avaliava aquele homem e tinha certa desconfiança, mas retirou o capuz deixando exposto o rosto belo e másculo daquele homem. O olhar frio e desconfiado, os fios azuis ondulados caídos por seus ombros emoldurando o rosto belo.


— Sou Shion Llasa! E é um prazer conhecê-lo pessoalmente! Sente-se! — Falou mostrando a cadeira.


Milo negou-se e se afastou dando um passo para trás. — Onde ele está?!


Um sorriso brotou nos lábios do mais velho. — Se eu lhe trouxer ele... Me dá sua palavra que ficará e me ouvirá?!


O pirata avaliou aquele homem mais uma vez e assentiu. Shion sorriu de canto mais uma vez, via nos olhos dele que apesar de ser um bandido, tinha mais palavra do que muitos lordes e “homens de bem” que conhecia.


— Tragam o rapaz!


Ele ordenou e em pouco tempo, Misty trouxe Kamus a presença dos dois. O príncipe, porém, estava diferente e quando viu Milo, sentiu vergonha, era como se aquilo ali, já não fosse ele. O rapaz trajava uma roupa que o deixava elegante e tão altivo, era uma peça branca com adornos verdes quase da cor de seus fios.


Shion fez um sinal e Misty soltou Kamus, ele andou até Milo que se perdeu o observando. O mais jovem olhou para o capitão e sua vontade era correr para aqueles braços, mas não era de sua natureza demonstrar qualquer sentimento.


Andou devagar e quando se aproximou dele falou baixo. — Desculpe... Eu só queria saber se estava bem...


Milo não disse nada, mas o puxou para si e o abraçou. — Muito bem! O que quer de mim Shion?!


O homem olhou para o pirata e com muita educação levantou e começou a falar, parando em uma das grandes janelas e olhando para o seu jardim. — Todo homem tem um sonho, todos nós temos um preço... Um desejo... Já imaginou viver para sempre Escorpião, desbravar esses mares e ser eterno?! Não lhe atrai?!


Milo avaliou aquelas palavras, de certa forma viver eternamente era algo que podia atrair alguns, mas não a ele. E o pirata respondeu prontamente.


— Não! Viver demais me faria levar para sempre dores que espero que se apaguem quando eu me for! E meu nome já está na eternidade, não preciso disso, não tenho essa pretensão.


A satisfação do lord não podia ser maior, sabia que tinha escolhido a pessoa certa. — Muito bem... É uma resposta sabia... Gosto de ouro e prata... Mas nem todo dinheiro do mundo, pode comprar a única coisa que para mim vale a pena.


Milo tentava avaliar, o que ele podia querer que o dinheiro dele não podia dar. Claro que havia tesouros incomparáveis, mas o que ele poderia querer? Viu Shion o olhar e ditar calmamente:


— Todos os termos algo pelo qual lutamos! Pelo qual somos capazes de dar a vida. E eu não sou diferente! — O homem suspirou e respirando fundo falou calmo. — Tenho um grande amor... E ele está à beira da morte, já tentamos de tudo, mas nada mais deu resultado... Quero salvá-lo, e minha única esperança, é uma lenda... Dizem que além dos mares de Arryn, dividida em pequenos pedaços, existe uma pedra, chamada “pedra filosofal” e além do poder de dar a quem a tenha o dom da vida eterna, pode curar também qualquer doença.


Kamus arregalou os olhos e apertou Milo já que estava agarrado ao pirata. Sentiu um perto no peito, aquele homem queria apenas salvar a vida de alguém. Mas não disse nada, era seu capitão que tinha que decidir.


— Como vê capitão... Não posso parecer ganancioso, mas sou movido pelo amor... Talvez, não signifique nada para o senhor... — Disse Shion olhando para Milo. — Posso pagar, qualquer valor, o que quiser... Essa casa e tudo que nela há! Mas... Preciso dessa pedra! E então capitão?! Aceita?!


Milo o olhava sem palavras. O que faria agora! Isso era algo louco, era o mesmo que levar sua tripulação para morte. O que faria agora?! Olhava para Shion e este se mostrava quase imparcial, mas seu coração batia rápido e dolorido, a vida de seu amado estava nas mãos daquele homem e não confiava em mais ninguém...


Milo precisava decidir, mas não sabia bem o que fazer, nunca fora homem de “ligar” para sentimentos, mas por algum motivo aquela história mexia demais consigo. O que faria?


Continua...