O navio negreiro seguia seu percurso nas águas calmas do pacífico debaixo de um céu azulado com fofas nuvens e um sol escaldante. Parecia que aqueles perigosos homens dos mares haviam tirado aquele dia de folga, ou algo parecido.

Os marujos estavam deitados em redes ou montanha de sacos com grãos. Alguns bebiam além do que poderiam suportar, e outros optaram por descansar no conforto de suas cabines ou porão do navio.

Porém havia alguém que não estava descansando, pois sua mente traçava planos para fugir daquele cárcere. Muitos poderiam considerar aquele lugar seu lar, contudo ele via apenas como prisão, por que não estava na embarcação por livre e espontânea vontade.

Determinado, Saga levantou da minúscula cama sem fazer nenhum barulho. Ele agachou ignorando a dor no final de suas costas, exatamente em sua bunda, e pegou a calça degastada. Manteve seus olhos sobre seu igual que dormia profundamente e vestiu suas vestes.

Saga estava confuso, e um dos pontos que o fez tomar essa decisão. Na verdade, queria desde o começo, entretanto agora era por motivos diferentes.

Não havia dúvida em sua mente que aquele homem chamado Kanon era seu irmão. Ninguém poderia parecer copia exata não sendo irmão, e fora que eles tinham algumas outras coisas similares, claro, outras bem diferentes. Os irmãos não faziam aquilo que compartilharam. No inicio Kanon poderia ter forçado, todavia Saga tinha que admitir aceitou de bom agrado nas últimas. Era isso que o fez ficar mais confuso e com nojo de si mesmo.

Dando um último olhar para aquele homem, ele pegou as botas e deixou o quarto sem fazer qualquer barulho. Saga seguiu pelos corredores do piso inferior do navio e subiu o pequeno lance da escada. Quando chegou à polpa, olhou para as pessoas presentes. Elas estavam muito entorpecidas pelo álcool ou cansadas para repararem nele.

Não deixando a oportunidade fugir entre os seus dedos, Saga seguiu até onde ficava os dois barcos menores. Após descobrir como funcionava para desatá-los, Saga sentiu confiante em prosseguir com sua fuga.

Havia descoberto através de Afrodite, em uma conversar casual, que estava poucos quilômetros da encosta do Reino de Orion. Era um país pequeno e focado no comércio marítimo, por isso não teria dificuldade de conseguir outra embarcação para retornar para Loutrec. Precisava perguntar a seus pais sobre a verdade, confirmar que tinha realmente um irmão.

Ele desfez as amarras do barco e subiu nesse, acomodou-se sentado e passou a manejar a corda para baixar o bote até o leito do mar. Suspirou aliviado por seu plano está indo conforme desejado. Tomando os remos, ele passou a empregar força para levá-lo para encostá-la. Sabia que poderia demorar algumas horas, mas não ia desistir.

Realmente Saga gastou metade de um dia para chegar ao porto de Orion, todavia não teve nenhum grande problema. Ignorando o cansaço de seu corpo, o ex-monge atracou o barco e olhou para o mar. Não podia ver o Negreiro, mas o imaginou no mar e Kanon acordando e descobrindo sua falta.

— Eu sinto muito! — Saga murmurou ciente que não seria ouvido, e deu as costas afastando-se do porto. Precisava colocar distância daquela cidade antes que o seu gêmeo descobrisse o seu desaparecimento. Poderia não conhecer Kanon há muito tempo, todavia tinha plena certeza que esse moveria céus e terra atrás dele. Kanon não era o tipo de homem que gostava de perder.

—oo0oo-

Sorento mantinha seus olhos fixos no horizonte. Aquela suave frisa com cheiro salgado e os raios solares lhe traziam calma. Ele estava decidido quando resolveu se aventurar no Navio pirata, porém agora não parecia tão certo. Ele tinha um filho, e não parecia uma boa ideia ter a criança no navio. O mar ou aquelas embarcações com tantas pessoas poderia trazer doenças.

As coisas não se saíram tão bem com Aioria como imaginou. O pirata não lhe deu nem mesmo um segundo, sempre o evitando ou falando ofensas salinas.

Sorento tinha escutado o comentário que o navio iria atracar em um porto clandestino de Orion, assim, iria descer. Era melhor retornar para Zair, lá poderia criar decentemente seu filho.

— O que faz aqui?

Sorento estremeceu quando escutou aquela forte voz. Ela ainda era capaz de mexer com seu núcleo, como três anos atrás. Ele virou-se lentamente e encarou os olhos verdes do Leonino.

— Apenas apreciando a calmaria do mar!

— pensei que seu único propósito nesse navio era orientar e cuidar do príncipe. Nem isso pode fazer direito. — Aioria alfinetou.

Sorento escondeu sua dor. — Acaso queira que fique vendo os dois amantes fazendo sexo? — Disse raivoso. Não iria tolerar mais as ofensas de Aioria.

— Não seria difícil para você, já que é um...

Aioria não terminou suas falas, pois recebeu um sonoro tapa. — Você é um grande idiota! Eu deixei minha vida para trás para lhe seguir pelo mar... Por sua culpa fui sequestrado por aquele verme e passei horrores.

— Esqueceu-se muito bem ao deitar com uma mulher qualquer.

— Eu não deitei com ninguém, seu imbecil. Já pensou na possibilidade de eu ser como Kamus? Um homem que tem o dom de engravidar Eh... E que o filho é seu? Por Hera, por que o meu filho é a sua cópia cuspida?! Algo que estou lamentando nesse momento. — Sorento gritou. Enquanto Aioria o olhava petrificado, o outro homem saiu de perto indo encontrar seu filho. O tinha deixado com Afrodite e Mu, que pareciam animados em brincar com a energética criança de dois anos.

Seus passos eram duros e raivosos, porém não foi muito longe, pois seu braço foi agarrado e seu corpo puxado para trás.

— Não terminamos de conversar! — Aioria disse com determinação em seus olhos.

Sorento estreitou os olhos e deu puxão em seu braço, retirando-o do agarre do outro. — Sim, terminamos. Estou há dias tentando falar com você, e não quis... Agora sou eu que não quero. Eu e meu filho ficaremos no próximo porto. — Sorento disse.

— Nosso filho, foi você que disse. — Aioria ditou. Ele não entendia o que sentia naquele momento, no entanto, finalmente queria compreender tudo.

— Não! Meu filho. — Sorento disse e afastou-se sem dar espaço para Aioria, e entrou na cabine de Afrodite, onde estava seu filho e bateu a porta fechando-a.

Aioria iria segui-lo, mas parou quando esbarrou com irritado Kanon.

— Merda, olha por onde anda. — Gritou.

— Não enche! — Kanon disse e parou. — Você viu Saga?

— O Monge? Não! Não o vejo desde cedo. — Aioria disse com encolher dos ombros, o que serviu somente para irritar o outro que saiu andando duro.

Aioria decidiu ir procurar o seu irmão para conversar, Aiolos sempre o ajudou a se acalmar e ver as coisas mais claramente. Não adiantava ir falar com Sorento enquanto estava estressado, por que somente pioraria as coisas. Apesar de que precisava ser rápido, já que o homem menor queria descer no próximo porto, que seria alcançado dali duas horas ou menos.

Já Kanon marchou por todo navio, perguntando a todos se haviam visto seu gêmeo. Ele havia cometido o erro de ter adormecido sem trancar a porta ou prender Saga, todavia a verdade era que como o seu igual parecia ter aceitado-o como amantes ou algo parecido, Kanon relaxou, e isso deu abertura para Saga o trair.

Todos que parou, diziam a mesma coisa, que não tinha visto o outro, até que um Marujo disse que o viu indo mais cedo em sentido aos barcos menores, e não foi difícil Kanon descobrir um barco em falta.

Irritado e pronto para matar quem surgisse em seu caminho, Kanon correu para cabine do capitão e entrou sem bater, pegando os dois amantes na cama, com Milo sobre o corpo do príncipe e com precário lençol cobrindo sua nudez.

— Milo, precisamos ir para Orion.

— Porra, Kanon! Não saber bater? Ou melhor, o que faz aqui? — Milo perguntou irritado. O Capitão já havia feito amor duas vezes com seu amante, mas Kamus era tão fofo e lindo, ainda mais com aquela barriguinha pontuada, que não resistiu. Agora com seis meses, Kamus estava totalmente delicioso.

— Eh que... Não temos tempo para isso. Saga se foi!

— Como? — Milo perguntou sentando na borda da cama sem importar que estivesse nu, apenas garantiu que o outro não visse a nudez de Kamus, que escondeu debaixo do lençol de seda preto.

— Eu dormi... E quando acordei ele tinha ido. Procurei todo navio, e alguém disse que o viu indo para ala dos barcos, e um deles está faltando. — Kanon disse angustiado.

Milo suspirou. — Talvez seja melhor, ele não queria ficar.

Kanon bateu punho fechado contra parede. — Quando o príncipe queria ir, você o manteve aqui. Eu quero Saga aqui!

— Merda, vocês só me trazem dor de cabeça. Estamos perto de Orion, pegue o outro barco e vá ao porto principal, mas tenha cuidado. Os soldados de Radamanthys devem estar nos procurando. — Milo disse.

— Eu serei cuidadoso. — Kanon disse e saiu correndo sem importar em trancar a porta.

— Porra! Caralho! Esse povo vai me fazer ter cabelos brancos antes do tempo. — Disse Milo.

Kamus sentou e tocou na costa do amante. — Fique calmo! — Disse dengoso. — Por que não vem me fazer um mimo?

— Eu devia espancar a sua bunda por ter me desobedecido e ido para a ilha. Eu não esqueci o que fez. — Milo disse. A verdade era que tinha sorriso nos lábios, e prontamente juntou-se novamente ao amante na cama.

—oo0oo-

A pequena caravana seguia pelo lado oposto a entrada do mosteiro. Enquanto se afastavam depressa, os soldados se aproximavam mais do local onde àqueles homens estiveram.

Tohma seguia em silêncio, mas se aproximou do pai. — O que está fazendo pai? Está... Está perdendo o jeito? Quem é esse homem e porque ele mexe tanto com você? E já não bastassem esses dois lordes o senhor ainda traz um doente?! Quer que nos peguem? — O mais jovem temia por suas vidas, Thanatos era sempre muito cuidadoso, mas agora parecia estar perdendo o jeito.

Thanatos por sua vez sorriu de canto e falou calmo. — Calma filho! Não perdi o jeito, no entanto não podia deixar aquele homem lá para morrer não é? Você o deixaria só? — Questionou o vendo virar o rosto. — Não fique assim, logo chegamos, sabe disso. Agora quero que o senhor nos leve a Zair, você é muito bom nisso.

O jovem sorriu enquanto seguia a frente do mais velho, guiando a caravana para outro ponto da cidade, um caminho que só mesmo viajantes conheciam. Vez ou outra o mais jovem lançava um olhar ao rapaz franzino e de pele alva que viajava o cavalo do lorde, Achava que ele morreria no caminho para Zair.

A viagem era mais cansativa, mas dessa vez não parariam por nada.

—oo0oo-

Quando o barco chegou ao cais do porto de Orion, alguns que estavam ali há algum tempo olharam o homem sem entender. Duas mulheres suspiraram ante aquela figura e se aproximaram.

— E então... O que um homem lindo desses procura em Orion, não seria um pouco de diversão? — Uma das mulheres falou.

O porto agora estava mais apinhado de gente, os comerciantes e prostitutas espreitavam quem chegava a fim de persuadir os que ali chegavam vindos do mar. Kanon, porém, não era um simples visitante, era um pirata esperto e não estava ali à toa. De bom grado as colocaria para correr de imediato, contudo algo lhe ocorreu.

— Não senhoras, mas... Será que não viram outro homem parecido comigo? Talvez, mais magro e um tanto maltrapilho? Huh, posso recompensar pela informação. — Disse sedutor. Aquelas mulheres possivelmente iriam gostar de sua proposta.

Uma das mulheres o olhou desconfiado, afastou-se um pouco achando que ele estava desprezando-as, ou as fazendo de idiota. Alguém se aproximou e avaliando o homem ali, antes de falar firme: — Se a recompensa for boa, lhe direi o que quer saber.

Kanon levantou o olhar encarando o jovem que lhe falava. Estreitou os olhos avaliando o que lhe foi dito. — Se sua informação for verdadeira terá a sua recompensa, mas se não... Perderá a sua língua! — Falou se afastando da mulher, segurando o braço do rapaz, quase o carregando dali. — Me mostre onde ele está!

O jovem estremeceu. O medo de sofrer algo feito por aquele homem era grande. — Me solte seu mostro! — Disse com tremor na voz.

Kanon deu um olhar firme, denunciando que não estava brincando. Seguiu o jovem que seguia a sua frente, parecia ter certa pressa. Os dois seguiam pelas ruas da cidade, os dois andavam a passos rápidos e pararam em frente a uma casa simples, uma pequena igreja, e ali entraram.

O reverendo ali se surpreendeu ao ver o homem à porta. Sentou-se um pouco tonto. — Quem... Quem é você?! Acabei de colocá-lo em numa carruagem!

Os olhos do pirata se arregalaram e ele saiu dali correndo, no entanto não sem antes jogar o saquinho de moedas para o rapaz que o levara ali. Correu disparado em direção das ruas, como o acharia agora?!

Kanon seguiu rua abaixo querendo encontrar a tal carruagem, todavia quando chegou a uma praça, sentiu o estômago embrulhar e uma irritação tomar conta de si. Havia muitas carruagens ali. Ele correu e olhava uma a uma as fazendo parar, ouvia várias sortes de impropérios, até que foi parado pela guarda.

— O que está fazendo?! — O soldado perguntou irritado, se aproximando. — Está criando desordem! — O homem continuou vendo que Kanon não parava o que faia, desceu do cavalo e foi para cima do pirata. Não era muito forte, mas tinha uma espada.

Os olhos azuis de Kanon se estreitaram, ele viu outros soldados se aproximando, porém não desistiria. Partiu para cima do soldado que o desafiara e os outros acabaram o segurando com os braços para trás. Mas não era exatamente um problema, ele iria escapar, entretanto esperava que o outro se aproximasse mais, para que ele pudesse dar-lhe um golpe com as pernas.

Dentro de uma carruagem, Saga estava sentado aguardando para ir embora, mas quando os minutos passavam e ele percebia que não estavam andando, seu coração gelou.

— O que houve, porque não andamos? — Perguntou afastando a cortina que protegia a pequena janela da carruagem e seus olhos se arregalou ao ver o homem tão igual a si, sendo abordado pelos soldados. Sentiu um peso enorme, o que ele fazia ali? Céus! Precisava escapar, mas não tinha coragem de deixá-lo ali.

O homem então com olhos perturbados tentava acompanhar o que acontecia com seu igual. O via se debater e olhar de forma assassina para o soldado, com certeza acabaria morto. Tinha quer sair dali, contudo como faria isso? Se fosse embora corria o risco do outro ser preso ou... Respirou fundo, não queria pensar naquilo, e então fez o que seu coração mandou, embora soubesse que se arrependeria.

Saga então desceu da carruagem e foi em direção ao outro, tinha o rosto coberto por um capuz, no entanto vestia roupa de monge agora. Dirigiu a palavra ao policial.

— Por favor, senhor, piedade deste pobre homem! Ele não sabe o que faz, veja como se veste? — Apontou, aproveitando que Kanon havia saído do navio vestido com algo bem surrado e sujo, e parecia estar transtornado. — Ele tem problemas mentais e eu estava à procura dele. Vou levá-lo para tratamento! — Falava e olhou para Kanon que pode reconhecer o olhar do seu amante.

O guarda os olhou desconfiados, Kanon estava de olhos estreitos para Saga e falou irritado. — Eu vou te mostrar o problema mental, seu... Soltem-me! — Respondeu irado.

Saga deu de ombros voltando a falar com o outro homem.

— Senhor, perceba o transtorno dele... Eu lhe rogo, me deixe levá-lo...

O guarda assentiu pela humildade do homem, apesar de que olhava Kanon com certa raiva.

— Leve este lunático daqui, e se eu o vir solto... Não haverá desculpas! O levarei para a forca! — Ditou estressado.

Saga virou-se para Kanon que ainda era segurado pelos outros guardas e falou em seu ouvido.

— Por favor, venha comigo... Não morra aqui! — Pediu e o puxou pelo braço quando os guardas o soltaram. O pirata foi levado pelo monge para a carruagem. Ao entrarem o homem desceu o capuz e o olhou serio. — Está louco?! Podia estar morto agora! O que veio fazer aqui?!

Os olhos do pirata era depuram raiva. Olhou para seu igual e quase o matou só com o olhar.

— Não se faça de tolo! Eu vim buscar você, vai voltar comigo! Achei que estava gostando, ou pensava que o deixaria ir assim, sem mim? — Disse as palavras como quem às cuspia. — Então saiba que não vai a lugar algum! Entendeu? — Segurava o braço de Saga enquanto o encarava.

O outro puxou o braço.

— Não estou em seu navio pirata! Eu sou um homem livre e vou onde quiser! Não sou seu escravo, tampouco sua mercadoria! Não ouse me enfrentarem meu mundo! O seu é o mar, mas não está mais sobre as aguas, estamos em terra firme e aqui, quem manda sou eu.

Kanon estreitou ainda mais os olhos.

— Manda em porra nenhuma! Você é meu! E apenas eu posso lhe tocar! Não faltou nada a você, por que fugiu? Acha que sou imbecil, pois não sou! Não volto sem você!

O monge o olhava com a respiração descompassada pelo nervosismo e ira. Tudo que sentia parecia vir em ondas.

— Me deu tudo? Está louco? Huh? Você me manteve a força, me usou como se eu fosse uma donzela, me tirou a liberdade e ainda diz que não me faltava nada?! Não seja hipócrita! — Saga gritou enquanto passava as mãos pelo rosto. — Não pertenço a você e vou atrás da verdade, não vê? Não percebe o óbvio? Não existem pessoas parecidas assim sem uma ligação! Você e eu devemos ser irmãos, tem ideia do pecado que estávamos cometendo? Não posso, isso é errado!

O pirata estava sério; Claro que aquilo lhe ocorria, mas pecado já era demais!

— Olha, essas convenções não me fazem diferença, você é meu Saga, e só meu entendeu! Dane-se o mundo, ninguém me quis, eu fui jogado em qualquer lugar no mundo. Não morri por sorte, não preciso de porra de explicação nenhuma! Eu sou eu, sou um pirata, fiel ao meu capitão e nada vai mudar isso!

O homem de fios azuis tão iguais aos do monge esticou o braço e puxou o outro para si e o beijou. Segurava os fios azulados de Saga enquanto lhe tomava os lábios.

O monge até queria resistir, porém não conseguia, em sua cabeça giravam as palavras do seu gêmeo. Podia sentir a raiva dele com a sociedade hipócrita que tinha legado a ele uma vida tão diferente da sua. Empurrou seu peito e apartou o beijo devagar.

— Não Kanon, talvez para você não faça diferença, mas eu preciso saber... Eu preciso entender! — Falou ofegante. — Me deixe ir... Eu prometo encontrá-lo, porém agora preciso dessa resposta!

O pirata se enfureceu ainda mais. Seus orbes estavam faiscando.

— Por quê? Para que?! Você não vê Saga? Eles te enganaram. Fizeram-te ser apenas você, foi privilegiado e me roubaram tudo! E você ainda confia neles?! Posso levá-lo onde quer... Posso levá-lo a sua resposta. Acha que estará mais seguro na terra? Está enganado! Eles vão lhe pegar, e vão torturar, vão saber que esteve conosco, lembre-se, você estava com aqueles homens, vão querer saber do príncipe, e o que vai dizer?

Os olhos azuis de Saga se arregalaram, era verdade, não sabia mais em quem acreditar. Não era certo focar no navio, e sua missão, e... Kanon tinha razão, eles o enganaram, passou a vida toda achando que era apenas ele, tendo certo luxo e estudo, enquanto seu gêmeo teve uma vida miserável. Levou as mãos aos fios azuis e sentia um misto de raiava e angustia.

— Não... Não Kanon, eu preciso... Não pode ser, eles não tinham esse direito! — Disse Saga enfurecido. Ao mesmo tempo ele se sentia culpado por ter tido tudo e o outro nada. Sentiu as mãos do gêmeo o puxando para si e aceitou o abraço.

Kanon por sua vez, talvez pela primeira vez, agira com carinho, o mantendo em seus braços e acariciando os fios caídos nas costas do outro.

— Shiii... Isso não importa mais! Eu tenho você agora... Não me deixe Saga, só... Só espere Milo recuperar apedra, e eu prometo lhe levar para sua terra para que esclareça o que quiser! Eu sou um pirata, mas sei cumprir minha palavra!

Saga chorou um tanto perturbado, todavia no final acabou cedendo ao carinho do outro. Ambos estavam nervosos. Enquanto os dois estavam ali, alheios ao mundo, à carruagem seguia seu trajeto. Tinha pegado a estrada e agora iria para outra cidade.

Kanon então se deu conta de que não sabia para onde iriam.

— Senhor Coche, mude a sua rota, vamos deixar esse homem no outro porto, sei que sabe qual. Todos sabem!

O pirata se passara por Saga e assim o homem que suspirou sem entender, assentiu.

— Tem certeza, senhor? O lugar não é dos melhores... — O cocheiro falou ouvindo um “tenho” de dentro da carruagem e assim mudou a direção de seu novo destino. Naquele porto, Kanon levaria Saga de volta ao Escorpião Negro.

Logo chegariam ao porto, não sabia se o escorpião já teria chegado lá, ou se ainda estaria lá, mas sabia que Milo não abandonava sua tripulação. Não sabia o que ele tinha ido fazer ali, no entanto estaria esperando por ele. Saga continuou nos braços do gêmeo, o cansaço o fizera adormecer. Agora Kanon estaria de olhos bem abertos para ele.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.