Escorpião Negro
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Boa leitura!
Um medo percorria seu corpo enquanto era levado. Podia sentir a quentura da mão do loiro e de alguma forma isso causava um arrepio em todo seu corpo. Sabia inconscientemente que dessa vez não iria escapar, seria "castigada" por sua fuga.
Não entendia bem o que acontecera... Em um momento estava conversando com Shura e abrindo seu coração, no outro, o médico pirata apareceu e a puxou pela mão. Não demorou para que chegassem ao Escorpião Negro. Sem dizer nada se deixou ser levado até o quarto de Shaka, e quando achavam-se somente os dois presentes, não foi capaz de ficar quieta.
— Vai me castigar? Me vender?
— Não diga besteira! – Ditou impaciente – Preste atenção... Quero que vá tomar um banho minucioso, e ao término vista-se com essa roupa. — Estendeu o pacote marrom que tinha saído com ele do bordel. — Não demore! — Antes de dar ao jovem de cabelos lilases uma chance de falar, saiu do quarto batendo a porta.
Mu ficou olhando para a porta por onde o outro tinha saído e sua mente imaginou todas as possibilidades daquela atitude. Ao despertar, seguiu até a cama e colocou o pacote sobre ela. Começou a abrir e seus olhos cresceram ao visualizar seu conteúdo. Era um vestido na cor azul bem claro, e ele era delicadamente rendando. Em conjunto havia uma meia branca delicada que iria até o meio de suas coxas, espartilho, luvas, sapatos e outros apetrechos.
Ficou analisando a bela roupa até que uma ideia veio a sua mente, o outro ia deixá-la no bordel, já que trouxera a roupa de lá. As lágrimas brotaram de seus olhos. Não compreendia aquela dor que surgia em seu peito, não exatamente por se vendido, claro não desejava torna-se uma prostituta, mas o que doía mesmo era pensar que o loiro o jogaria fora.
— Seja forte! — Murmurou para si, tinha que aceitar o que o destino havia planejado para si. Em passos lentos seguiu para o banheiro, e quando encontrava-se dentro do mesmo, se desfez vagarosamente de cada peça de roupa, deixando que a alva pele ficasse a mostra.
Encheu a banheira feita de madeira, sem se importar se a água estava morna ou gelada, naquele momento a dor em seu coração extrapolava tudo. Como pedido por Shaka, Mu lavou lentamente seu corpo, cada parte dele. Ao finalizar o banho se enxugou e seguiu para o quarto. Sem pressa, vestiu cada peça de roupa com zelo, e assim que terminou e ia finalizar os cabelos, uma batida soou na porta. Imaginando que era o pirata, foi incapaz de atender, e a pessoa que estava a porta sentindo que ele não responderia, abriu a porta e entrou.
— Oi, tudo bem? — Kamus indagou. O jovem príncipe tinha as feições cansadas, mas ao mesmo tempo suaves.
— Kamus... Ele... Vai me vender... Eu sinto! — Mu disse com os olhos novamente repletos de lágrimas. Correu até o jovem de cabelos verdes petróleos e aninhou contra o corpo dele.
— Confia em mim? — Kamus indagou recebendo um aceno positivo. — Então não se preocupe, o pirata não irá vendê-la, apenas relaxe. – Falou mostrando calma em suas palavras – Venha te vou ajudar a ajeitar os cabelos. — Disse puxando a ‘garota’ e a fez sentar na borda da cama e tomou a escova em suas mãos.
— Se não vai me vender, o que pretende? Por que pediu para me arrumar com esmero? — Indagou aflita. Ficar no escuro não era uma sensação agradável.
— Logo saberá, não posso falar do contrário Milo baterá na minha bunda. — Kamus disse. Não havia marca em seu rosto de raiva, talvez vergonha.
Mu olhou rapidamente para ele totalmente surpresa, mas logo voltou a olhar para suas mãos. Queria perguntar o que tinha acontecido para que o príncipe se aquietasse, de alguma forma, Kamus achava mais calmo e suave. Como se algo dentro dele tivesse tranquilizado.
— OK... Vou confiar...
Sem pronunciar mais nada, Kamus terminou de fazer o penteado no longo cabelo lilás de Mu, uma traça longa, com alguns fios soltos na frente, ao término ajeitou um enfeite ao lado da cabeça.
— Onde...? — Mu tocou sem jeito.
— É presente do capitão Milo, ele mandou lhe entregar... Disse que era para trazer prosperidade. — Kamus disse. Era uma joia de ouro trabalhado em formato de uma flor e adornada com pequenas pedras esmeraldas que combinavam com os olhos da jovem.
— É lindo... Devo agradecer depois. — Falou tocado.
Quando terminou de arrumar ‘a jovem’, Kamus a puxou para ficar em pé na sua frente e seus olhos brilharam. — Está linda!
— Obri-brigada... Jura que ele não vai me vender? — Mu perguntou.
— Sim, eu juro! — O príncipe falou mostrando certeza e foi quando uma batida foi ouvida, e Kamus seguiu até a porta e a abriu encarando Shura.
— Está na hora... Logo sol nascerá! — O pirata disse dando espaço para os dois jovens passarem. Ele seguiu logo atrás de Kamus e Mu. Em passos contados eles saíram da cabine e seguiram pelo corredor estreito até que subiram as escadas e por fim chegaram a polpa do navio. O jovem de cabelos lilases tremeu ao se deparar com todos os piratas do navio presente, e por sinal bem comportado. Seguindo pelo corredor de homens foras da lei, chegaram ao centro. Mu tremeu e tentou recuar, mas o príncipe o levou até o médico pirata. Shaka achava-se igualmente belo, mas ao invés das roupas tradicionalmente masculinas – calça e blusa – achava vestindo um Sari na cor laranja e amarelo, e os cabelos soltos e no meio de sua testa um símbolo vermelho. Ele trajava uma peça que tradição de seu país de origem.
Kamus entregou ‘a amiga’ ao loiro e moveu-se se colocando ao lado de Milo.
— O que...? Shaka... — Sussurrou incerto.
— Tudo ficará bem. — O loiro disse em voz baixa. Tomando uma das mãos de Mu na sua "a" guiou de maneira que ambos ficassem de frente para o padre. Bem, já que Shaka não acharia um monge na região, um padre serviria.
Os olhos de Mu cresceram em largura quando tomou ciência do que acontecia. Não seria vendida, mas sim, casaria com o pirata. Seu coração aqueceu e dessa vez lágrimas de felicidade vieram. Podiam ainda serem desconhecidos, mas de alguma forma sentia-se protegida ao lado daquele homem, e saber que ele a respeitava e a queria formalmente como sua esposa aquecia profundamente sua alma.
Olhou para Kamus e viu o doce e discreto sorriso do príncipe, e ao reparar nos demais presentes, eles pareciam igualmente felizes pelo fato de ambos se unirem, isso era bem mais do que sonhara, pois havia pessoas ao seu redor desejando a felicidade deles e havia um homem que ‘a’ queria.
— É nosso...
— Casamento! — Shaka completou suas falas com doçura, e indicou para ficarem quietos e encarar o padre. Bem, na certa não era um sacerdote dentro dos padrões, mas considerando o local que viviam, era dentro do comum. O homem devia ter seus trinta, mas sua aparência denunciava mais. A barba mal feita e os cabelos desgrenhados o davam ar de mendigo. Sua bata marrom feita de tecido grosseiro era desgastada, e suas unhas do pé e mãos achavam-se sujas.
Mu deu um passo para trás quando o bafo de bebida veio, encolheu-se e aproximou-se mais do loiro. Este deu um olhar duro para Aioria, deixando o leão saber que achava desgostoso com o "religioso" que ele havia arrumado. Aioria deu os ombros, como se dissesse, e pegar ou largar.
— Bem, vamos com isso, pois... — O padre começa a resmungar algo desnecessário, mas mediante o duro olhar do pirata conhecido como Escorpião, arranhou a garganta e colocou um sorriso em sua face. — Desde o primórdio, da criação do mundo o homem e a mulher tem se unido, formando uma família e semeando as espécies... Porém mais que simples refúgio de reprodução, o casamento é o elo perfeito para o amor e cuidado, pois significa não mais só... — O homem dizia suas palavras bonitas. Talvez ele mesmo não acreditasse, mas em todo caso, de alguma forma, tocava o coração de todos.
Mu apertou seus dedos em volta do braço de Shaka e o pequeno sorriso brincou em seus lábios. Não podia ser um casamento em um castelo, com nobres, roupas bonitas, entre outras coisas... Era algo que realmente nunca sonhara, mas mesmo na simplicidade de em um navio pirata, era o seu casamento... O seu sonho tornado realidade... E em seu coração podia sentir que Shaka seria bom para "ela".
Quando o padre terminou seu discurso, ele seguiu para as palavras mais esperadas:
— Shaka aceita Mu como sua legitima esposa, para respeitá-la e ama-la, até que a morte os separe? — Indagou olhando para o loiro pirata e médico.
— Sim! — Shaka fora firme e certeiro, sem enfeites ou rodeios.
— Mu, aceita Shaka como seu marido, para honrá-lo e ama-lo, até que a morte os separe?
Mu olhou para o loiro. Em seu coração rezava aos céus que essa fosse à sentença para sua felicidade. — Sim, aceito. — Falou com a voz em clara emoção.
— Pelos poderes a mim concedidos, os declaro casados. — Falou o padre, e já ia girando sobre os pés quando lembrou. — Meu filho, as alianças?
Shaka olhou para ele e depois se virou para Mu. Para ele nada mais existia naquele momento. Talvez muitos o taxassem de louco, ainda mais, homens dos mares que em cada porto tinha um amante, mas ele estava ciente do que queria.
Enfiou a mão em seu Sari e retirou uma pequena caixa, a abriu mostrando duas alianças feitas de ouro. Pegou a menor delas e depois a mão de Mu... Lentamente inseriu o anel, e falou numa altura suficiente para que apenas o menor ouvisse.
— Esse é o símbolo de meu juramente, cuidarei de ti e respeitarei pelo resto de minha vida. — Finalizou dando beijo na mão, justo em cima da aliança.
Tremendo Mu tomou a outra jóia, e quase a deixando cair, conseguiu colocar no dedo do pirata. Queria falar palavras bonitas, mas naquele momento de sua boca não saia nada, não era capaz de tal proeza.
— Pode beijar a noiva! — O sacerdote disse.
Shaka inclinou-se para frente, e seus olhos captaram as bochechas coradas do menor, assim como o corpo que tremia. Desviou no último momento, dando beijo em sua testa. Seria o primeiro beijo deles, e não seria dado como exibição para os outros, mas sim na intimidade deles.
— E vamos à festa... Kanon traga a bebida, Mask cuide da música. — Milo disse, e foi o aval para que todos piratas gritassem em júbilo e a festa do casamento começasse.
As bebidas foram trazidas e tal como as comidas, alguns frangos e pães. O feliz casal ia passando entre os presentes, alguns os parabenizavam, outros se afastavam calados, tinham certo temor por aquele homem, o silêncio e o autocontrole dele o faziam perigoso.
Aproximaram-se de Milo e Kamus e o mais jovem dos dois abraçou a “amiga”.
— Viu?! Eu te disse que não era nada do que estava pensando! — Falou carinhoso, mas algo dentro de si mudou naquele abraço, sentiu-se tonto e pareceu que a vida daquela pessoa que abraçava passava diante de seus olhos, abriu a boca, mas seus olhos mostravam certa dor.
O príncipe estremeceu e “a” soltou devagar, tentou sorrir, mas parecia visivelmente perturbado. Olhou para Shaka e o médico se preocupou.
— O que houve?! Se sente bem?! — O loiro mostrava que percebera o mal-estar e Milo olhou para o mais jovem o fazendo virar para si, não era carinhoso, porém, não era rude, apenas não sabia ser tão amável.
Mu também se preocupou. — O que foi Kamus?! O que está sentindo?!
O jovem de cabelos verde petróleo olhou para Milo e parecia implorar para sair dali. — Só uma tontura... Talvez enjoo por que foi um dia cansativo! — Disse referindo-se as emoções daquele dia, de terem fugido e serem levados de volta, e ainda terem andado muito.
Mu assentiu, mas antes de dizer algo, ouviram a voz de Aioria. — Parabéns doutor! E espero que agora a senhora não fuja mais! — O Leão falou batendo nas costas do loiro que lhe lançou um olhar gelado. — Mas fora isso... — Disse olhando para Um. — Nem sei o que dizer, mas esse casamente com certeza foi...
— Uma idiotice! — Mask falou e os cinco ali olharam para o homem de cabelos azuis espetados e feições sérias. Os olhos azuis do médico se estreitaram, não iria brigar com ele, mas aquilo o fazia ter receio por seu esposo. Mascara da morte parecia não gostar de Mu.
Para amenizar a situação Kanon se aproximou e passando o braço pelo pescoço do amigo falou sorrindo.
— Você só diz isso por que ainda não se apaixonou, no dia que estiver amando... — Deu uma pausa no que dizia e tomou um gole de rum. — Aí sim quero só ver! Vai virar até donzela! — Gargalhou do que disse e o outro tirou o braço dele der seu pescoço.
— Vai sonhado! Agora vira esse rabo para mim e te mostro quem vira à donzela!
Milo riu e voltou-se ao amigo médico. — Parabéns meu amigo! Não esperava menos de você! Sei que apesar de ser um de nós... — Referia-se ao fato de ser pirata. — Não deixou seus costumes de lado e fico feliz por isso, e lhe desejo felicidades!
Shaka assentiu, não dizia palavra, mas seus olhos agradeciam a sinceridade dos amigos. Kanon também se pronunciou a respeito. — Parabéns moça! Seja feliz! — Ele disse e tornou a beber o seu rum.
Mask por sua vez saiu dali sem dizer mais nada. Milo balançou a cabeça negativamente, não estava entendendo aquela atitude dele. Não entendia o que ele tinha, por mais que tentasse não conseguia achar um motivo para aquilo. Estava perdido nesse pensamento quando sentiu Kamus encostar o rosto em si e quando o olhou percebeu que ele estava febril, mas não podia ser pelo que tinham feito, ele estivera bem até há pouco.
Kamus sentia algo estranho, não conseguia entender, um misto de coisas passava por sua cabeça e seu corpo reagia aquilo. Sentiu Milo guia-lo até seu quarto e assim o deitar na cama. Olhou para o capitão e falou baixo.
— Só estou cansado... Vá, seus amigos o esperam para a festa...
Milo o olhou preocupado, mas nada ditou, assentiu. — Mas logo volto, apenas quero colocar ordem nas coisas e falar com Mask. — Ditou e viu o príncipe assentir e assim saiu sem se dar conta de que estava dando explicações de seus passos e nunca fizera isso antes. Procurou pelo mestre do navio e o encontrou só, sentado e olhando mar. Sentou-se próximo a ele e falou olhando para o céu.
— Então... Vai dizer o porquê disso? Por que está desse jeito?! Shaka é diferente de nós Matteu, ele não perdeu suas raízes, não totalmente, mas nós... Nós não!
— Aquela moça vive perto demais de Shura, acha o que? Eles são apenas amigos?! Ah por favor! Quando saímos com ela do bar, encontramos ele, Não acha coincidência demais não!? — O homem falava com certa raiva contida.
— Não! Eu não acho... O que eu vejo é que você está com raiva e não aceita a presença de Shura nesse navio, e por quê? Gostaria de saber... Olha, eu sei que ele é um desconhecido, mas tem mostrado que podemos confiar nele, não seja tolo, ele poderia ter matado Aioria e fugido com o príncipe e com Mu, principalmente se são amantes! Como ele permitiria que ela casasse com outro?
Mask o olhou e parecia impaciente. — O que vejo? Olha Milo, somos perseguidos todo tempo, estamos numa missão suicída e você acha o que? Um estranho no navio, um homem que pode muito bem no levar ao precipício!
Milo o olhava sério, podia entender, mas não podia deixar as coisas daquele jeito, aquela raiva podia cegá-lo e o levar a cometer uma loucura, e um erro para eles podia significar o fim. — Se quer que ele se mostre, se aproxime, dê um voto de confiança e não se afaste muito e no momento que ele vacilar, estará lá... Mas pare de agir como os homens dos quais nos afastamos, somos desconfiados, mas julgar pela aparência e agir como vem agindo, te iguala ao rei e sua raça!
Mask levantou e o olhou incrédulo. — Está mesmo me comprando...
— Estou! Suas atitudes em nada são diferentes das deles, julgam antes de conhecer e nos maltratam, matam! Primeiro tenha uma prova, tenha certeza e só então faça o que tem que fazer! — O capitão ditou entre dentes e frio, sabia que aquele homem era cruel, que podia mata-lo quando desse as costas, mas confiava nele, confiava a sua vida a ele.
Mask estava irado por ser comparado ao rei e seus homens, e só ouvira aquilo por que era Milo que falava, se fosse outra pessoa, já estaria sem a cabeça. Levantou e olhou para o capitão, mas nada ditou e saiu dali.
Milo suspirou irritado, mas levantou também, iria para o quarto ver como Kamus estava. Mas no caminho sua presença foi exigida e teve que resolver algumas questões, visto que zarpariam pela manhã, não queria se demorar ali e o caminho para Arryn era longo ainda, e queria chegar o quanto antes.
Apesar da festa Shaka parecia distante, olhava o mar e o dia que se aproximava. Pensava em como diria ao seu esposo que ele não era o que pensava ser. Estava distraído quando sentiu o esposo mover-se a seu lado, o jovem estava cansado e o sono agora se tornava presente. O loiro olhou para ele e com um discreto sorriso afagou os fios lilases.
— Vamos... Agora a festa será entre nós!
Mu sentiu o sangue gelar, não que não quisesse aquilo, mas por que ainda sentia vergonha. Será que ele gostaria de si? E se a rejeitasse?! Ele pensou, mas tratou de afastar tais pensamentos levando em consideração que ele havia casado consigo. Levantou e junto ao esposo seguiu para o quarto dele. Ao entrarem o mais jovem se deu conta que estavam em lua de mel e isso significava que iriam transar, sentiu o rosto corar violentamente e estremeceu só de pensar em ficar “nua” diante dele, mas não podia mais fugir, ele era seu marido e tinha agora direitos sobre seu corpo.
Quando fecharam aporta, nem tiveram tempo de dizer nada um ao outro, já que logo ouviram uma batida ali. Shaka estranhou, mas ainda assim abriu a porta e ao ver Kamus ali ficou preocupado, o príncipe estava diferente, febril, o rosto vermelho, mas parecia fora de si.
Kamus entrou e uma vez dentro do quarto, olhou para Shaka e ordenou.
— Feche a porta Shaka, tenho algo a dizer. — O loiro ficou sem entender, mas fez o que foi ordenado, aquela expressão no príncipe não lhe era tão estranha, mas não achava que aquele jovem pudesse ser um... Seus arregalaram-se com seu pensamento. — Kamus você é um...
Não conseguiu falar, e logo Mu se aproximou do marido o abraçando. — O que está acontecendo com ele?! — O de cabelos lilases perguntou.
— Não sei... Mas fique tranquila!
Kamus tinha uma aura visível em torno de si. Seus olhos tinham um brilho diferente e o olhar dele era ao mesmo tempo gentil e altivo. Aproximou-se dos dois e pegando suas mãos as uniu e colocando suas próprias mãos sobre a deles, falou algo em um dialeto incomum e desconhecido para o casal, mas o médico conhecia que aquilo era uma magia. Das mãos do príncipe saíra um fio de luz que foi se enrolando pelas mãos deles como um laço de união.
Naquele momento Mu e Shaka sentiram-se um, e o loiro olhou para os verdes do amado e sorriu carinhoso. Quando aquele fio de luz sumiu a seus olhos, o jovem príncipe desfaleceu, mas Shaka fora rápido e conseguira segurá-lo. O colocou na cama e agora não tinha mais febre ou qualquer outra coisa.
Mas não demorou em Kamus começar a tornar de seu desmaio. Abriu os olhos e de início não reconheceu o local, no entanto quando seus orbes azuis tomaram foco, percebeu que não estava mais na cabine de Milo. Levantou bruscamente e sentiu tontura por isso.
— Calma... Devagar! — O médico ditou. O jovem o olhou e tinha uma expressão de estranheza no rosto.
— O que estou fazendo aqui? Milo... Ele me deixou na cama dele não?!
Shaka ergueu uma sobrancelha. — Não lembra? — Perguntou e o viu negar, podia perceber a verdade em seus olhos. — Estava com febre Kamus, e veio aqui, lhe dei um medicamento e agora esta melhor. — O pirata mentiu, mas sentia que não devia falar nada ainda.
O príncipe assentiu, e como se sentia melhor levantou e nem parecia que havia se sentido mal. — Me desculpem... Atrapalhei vocês... — Ele disse sentindo o rosto corar. Mu se aproximou do amigo e o abraçou.
— Não seja bobo! Não atrapalhou nada! Obrigado Kamus!
O rapaz não entendeu aquele obrigado, mas assentiu e se retirou dali sem muitas palavras. Mu estava sem entender e sem ação. Preocupado e confuso falou para Perguntou ao marido. — O que foi isso Shaka?! Ele está bem?!
O médico olhou para Mu e disse calmo. — Ele vai ficar bem! E não sei bem o que houve, mas tenho certa ideia, não diga nada a ninguém, e nem pergunte nada a ele, vamos descobrir o que é... Ou melhor, vou apenas confirmar, mas no momento certo lhe explico tudo com calma.
Mu assentiu e sentou na cama. Não tinha uma camisola para aquele momento e isso “a” deixou sem jeito. — Não tenho uma camisola apropriada... — Falou abaixando o rosto e esfregando as mãos. — Se tivesse me falado, teria pedido para comprar algo...
Shaka sentiu o coração apertar, era chegada a hora dele saber... Precisava sair daquela ignorância, daquela mentira. Olhou para o jovem ali sentado e ajoelhando-se diante dele falou calmo.
— Não precisa de camisola... Gostaria apenas que confiasse em mim, e quero ver seu belo corpo...
O rosto de Mu ficou extremamente corado e ele se encolheu, não sentia medo, mas vergonha, mas não poderia mais se negar. Assentiu sem anda dizer e levantou para se despir.
— Espere! — Shaka falou. — Eu faço isso! — E ficando de pé, passou a desabotoar o vestido, aos poucos ia desnudando “a” jovem a sua frente. O vestido caiu aos pés do de cabelo lilás e ele fechou os olhos tentando conter o medo e a vergonha. Pensava se ele a acharia bonita, se ainda iria querê-la.
O loiro abriu o espartilho, deixando-a apenas com as peças íntimas femininas e a meia que usava. Beijou-lhe o ombro e o pescoço sentindo o cheiro doce daquela pele. Mu sentiu a pele arrepiar e gemeu baixo diante daqueles toques, nunca tinha sentido aquilo.
— Hnnn... — Levou à mão a boca. O que ele pensaria de si?! Uma mulher não devia gemer, afinal, isso era coisa das meretrizes.
Shaka gostou de ouvir aquele gemido discreto e sussurrou no ouvido dela. — Mu... Termine de se despir, vou tirar minha roupa também e ficarei de costas, quando eu disser viramos os dois de frente um para o outro, está bem?!
O mais jovem ali sentiu o rosto queimar ainda mais ainda, mas assentiu. Assim ambos tiraram suas roupas, Shaka não sabia se era o melhor, mas ele iria saber de um jeito ou de outro. Respirou fundo e falou calmo.
— Agora!
Mu sentiu o estômago afundar, mas fez o que ele dizia, e quando virou se para o loiro estava de olhos fechados, o pirata achou graça, e falou carinhoso. — Abra os olhos...
O rapaz fechou a mão em punho, mas então diante daquele tom carinhoso e paciente, fez o que lhe era pedido e qual não foi sua surpresa ao ver o corpo do outro tão igual ao seu.
Seus olhos verdes cresceram em tamanho e marejaram, sentia vergonha e raiva. Abaixou o rosto olhando para si a fim de ter certeza do que estava vendo, e um ódio tomou conta de si.
— Eu... Eu... Me... — As palavras não saíram e Shaka entendia bem aquilo, sabia que não seria fácil. Aproximou-se devagar dele e tocou-lhe o rosto mais ele se afastou bruscamente. Mu levou à mão a aliança e a retirou, estendeu-a para Shaka e falou baixo e frio. — Tome... Não a mereço, casou-se com uma jovem, e não comigo! Não sou o que esperava...
Sua voz tremeu e o loiro sentiu o peito doer. Pegou a aliança e depois a mão dele e colocou a jóia em seu lugar. O jovem não entendeu, mas olhou para o pirata, seus olhos eram um misto de confusão e dor. — Não Mu... Eu casei com você, e o quero do jeito que é! Meu marido. Eu não sei o que sente, mas sei que é muito ruim ser enganado...
As lágrimas desciam pelo rosto belo. — Mas como... Por quê?! Não é justo sabe? Por que ela me enganou... — Não conseguia mais falar, seu sofrimento era notório e escondendo o rosto no peito do pirata soluçava sem consolo. Shaka afagou os fios lilases e agora a nudez dos dois não parecia ser um problema, nenhum deles ligava. O levou até a cama e o fez sentar. — Não julgue, talvez essa pessoa tenha querido apenas lhe proteger...
O jovem ouvia, mas nada diminuía o que sentia. Fora enganado, criado como uma mulher, fazendo coisas de mulher... Agora pensava que se o padrasto tivesse o dado em casamento a outro homem poderia estar morto agora e isso o fez estremecer.
Shaka ficou ali, tinha calma e paciência, contudo precisava cuidar dele agora! Tinha conversado com Milo aquela noite e o capitão sabia da situação. Agora precisava ter paciência, até mesmo para possuí-lo. Ele precisava primeiro se aceitar. Mas uma coisa era certa, não o deixaria, nunca!
Continua...
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