Escorpião Negro
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Boa leitura!!!
O som das ondas sendo cortadas pelo casco do navio ecoava como sinfonia, e misturava-se com os gritos e risadas dos homens do mar. O sol brilhava belamente no alto céu, e a todo vapor os piratas trabalhavam. Cada homem executava suas obrigações, desde limpar o navio, içar das velas, concertar danificações, arrumar as armas, entre outros detalhes.
Eles haviam partido na madrugada do porto de Loutrec, e agora seguiam a todo vapor ao próximo destino. Eles levavam uma carga de tecidos ao porto de Suruth que foi justo encomendada por um comerciante. Mas por que pedir a homens fora da lei? Justamente, por que a carga era roubada e seu comprador ficaria livre dos impostos.
Os piratas do Escorpião Negro eram os mais temidos e procurados para alguns tipos de serviços. Sinal de que não viviam somente de saquear embarcações alheias, eles igualmente fazia alguns trabalhos, que para outros beirava o impossível.
Desde roubo de carga, transporte de mercadorias, encontrar tesouros, até sequestro de pessoas e entre outros, desde que garantisse uma boa recompensa.
Os seus tripulantes eram muito bem selecionados, pois como Milo dizia, a confiança era primordial, e precisava ter plena certeza de quem eram as pessoas a quem confiava a sua vida e a de seus amigos.
Naquele clima caloroso, Mask mantinha-se na proa do navio e encarava o novo tripulante. Ele não teria aceitado tal homem, que tão desesperado pediu para se juntar a eles, mas não contestaria as ordens do capitão, pois isso seria considerado motim ou traição. Todavia, mantinha seus olhos fixos no tal “Shura”. O moreno de cabelos espetados ajudava na arrumação das velas, trajando unicamente uma calça, e permitindo que seus músculos ficassem a mostra.
— Tendo uma bela visão? — Aioria provocou o outro. Depois de Milo, ele era o mais brincalhão e gozador, tudo poderia ser tornar piada ou provocação.
— Na certa um momento de paz, mas um filho do caralho veio me atrapalhar. — Mask disse sem nunca desviar a face do outro. — Tome cuidado com ele, não confio.
— Eu sei, ainda acho loucura Milo trazer qualquer um para o navio, mas como é ele que manda. — Aioria disse dando os ombros.
— Ei! Parem de morcegar e vão trabalhar vagabundos. — Milo gritou na proa do mastro.
— Atrapalha boa vida. — Aioria gritou e saiu rindo altamente. Ele tinha que conferir a carga a ser entregue, afinal, eles chegariam no dia seguinte ao raiar do dia no destino, e precisavam estar prontos.
Milo desviou os olhos dos dois e encarou o árduo trabalho dos homens. Era assim que gostava, agitação! Ao ver Shaka, deixou um sorriso tomar sua face, e acenou para homem. Não precisava dizer em palavras para que ele soubesse o que queria, assim, tendo certeza que suas ordens seriam atendidas, seguiu rumo a sua cabine pessoal.
Com passos firmes seguiu para o interior do navio, e seguiu pelo corredor, até que chegou ao seu destino. Ajeitou sua espada na cintura, e somente então, levou à chave a porta a abrindo e por fim, entrando.
Seus olhos caíram sobre o leito, e um brilho especial reluziu em sua íris azul. Lambeu os lábios e foi até a cama. As pontas de seus dedos acariciaram o lençol da cama, e quanto chegou perto do jovem que dormia, inclinou-se para frente e exalou seu perfume.
Aquele príncipe era uma perdição. Sua beleza altiva e delicada, o despertava como nunca antes. A sua pose fria e arrogante, o fazia desejar treiná-lo e torna-lo um sub perfeito, e faria isso, o ensinaria quem era seu “senhor”.
A noite passada havia tido um gostinho de como seria a convivência deles, e como seria saboroso. Depois do ocorrido, não tinha voltado ao quarto, e deixou o príncipe trancado.
— Acorde, bela adormecida! — Milo sussurrou contra o ouvido de Kamus, e não se afastou.
Viu que as pálpebras do jovem tremulou e ele buscar o ar com força para seus pulmões. Kamus sentiu uma dor percorrer todo seu corpo e uma dormência em certas partes. Ele abriu os olhos e gemeu baixinho. Aos poucos a visão foi tomando foco, mas ainda assim, não moveu um músculo. Seus olhos azuis profundos caíram sobre o homem a sua frente, e ficou paralisado ao encontrar o olhar dele. Um sorriso surgiu em seus lábios, mas quando as lembranças invadiram sua mente, e se deu conta de quem se tratava e o que ele tinha lhe feito, moveu-se desesperado. Virou-se sentando e engatinhou para trás até que suas costas bateram contra a cabeceira da cama.
Suas bochechas esquentaram e seu coração disparou. A vergonha o invadiu e um medo apoderou-se de si.
— Com medo princesa?
— Não me chame assim, monstro. Deixe-me ir! — Kamus pediu ativo. Seus braços rodearam seu corpo em buscar de proteção como se isso fosse suficiente para se proteger.
— Que agressivo! Enfim, hora de acordar. Nada de preguiça... Se arrume! — Milo disse levantando da cama.
— Oh, e o que vestiria se rasgaram minhas roupas? — Kamus desafiou.
— Se prefere vestido, posso arrumar alguns. — Milo provocou.
— Ora seu... — Kamus se irritou, mas ao perceber que era isso que o outro queria, retrocedeu.
Milo jogou a cabeça para trás e caiu na gargalhada. Moveu-se até uma porta do quarto, e a abriu revelando ser um closet. Procurou algo que poderia servir no príncipe, visto que ele era menor e magro.
O capitão escolheu uma blusa branca estilo vitoriano, claro, o branco estava meio amarelado considerando-se o tempo de o uso, e depois escolheu uma calça marrom. Seguiu até a cama e jogou sobre a mesa. — Se Vista, em dez minutos volto. — Disse e virou sobre os pés saindo do local.
Kamus ficou um tempo olhando para a porta por onde o bandido saiu. Quando finalmente despertou, ele saiu da cama e gemeu ao senti o plug ainda dentro de si. Curvando o corpo para frente, e levou a mão atrás. Fazendo careta, retirou lentamente o objeto de dentro de si. A ardência o fez geme de dor, e indignação.
Jogou o plug de jade longe e recolheu as roupas da cama. Andando cautela até a porta que deduziu se o banheiro, e suspirou aliviado ao descobri-lo. Não era tão pomposa como o castelo, mas em vista de se um navio de piratas, era até arrumado.
Havia uma cômoda e em cima dela tinha uma bacia e jarra, e na parede sobre ela, um espelho. No canto junto à parede detinha uma banheira de madeira, e perto dele um pino com uma toalha.
Desfez-se do restante de suas roupas, que não poderia em nada ser utilizado. Olhou-se no espelho vendo seu estado lamentável. Os olhos inchados se cabelos bagunçados. Desviando, seguiu a banheira e conferiu que ela havia água, verificou se parecia limpa. Com cuidado entrou, e passou a se banhar. Não tinha água morna ou os sais de banho como no castelo. Bem, isso incomodava um pouco, e dava sensação de não limpeza, mas por hora, era sua melhor opção.
Não ligando para o tempo que o pirata lhe deu, ele tomou o banho com cuidado, no final, saiu indo se enxugar. Ao vestir a roupa, ela ficou enorme em si. A manga escondia suas mãos e a calça ficava caindo, assim, Kamus teve que opta por dobra as mangas, e arrumar uma fita de tecido para amarra a calça na cintura.
Penteou seus cabelos com as pontas dos dedos e olhou-se no espelho. Quando o toque na porta se fez presente, virou para encarar, e desviou a face ao ver o pirata.
— Esta terrível! — Milo disse com os braços cruzados.
—... — Kamus não disse nada, apenas seguiu o capitão. Eles foram para fora do quarto e subiu as escadas indo para o exterior do navio. Kamus reparou no horizonte, e não deixou de suspirar diante daquela imensidão do mar. Era com toda certeza encantadora. Reparou nos homens que trabalhavam animadamente, e queria no fundo de seu ser ter essa alegria em seu coração.
– Apresse-se, não tenho o dia todo! – Milo arranhou. Ele abriu a porta do seu escritório e deu margem para Kamus entrar e quando fez, ele seguiu até Mu, que se achava igualmente no local.
— Você está bem? — Kamus indagou em um sussurro. Detinha carinho pela jovem, afinal ela o ajudou e parecia ser a única amiga de verdade em meio aquele caos.
— Sim, é você?
— As donzelas deixem o papo para depois. — Milo disse sentando na acolchoada cadeira atrás da mesa que sustentava alguns mapas em cima. Presentes no local achavam-se Shaka, Kanon, Aioria e Mask.
— Por que da reunião? — Kanon indagou a contragosto.
Kamus encarou o homem e seus olhos se arregalaram. Havia certa diferença, mas aquele homem era a copia viva do seu amigo Saga. Podia não o ver a alguns anos, mas ainda recordava de suas feições, porém pela atitude e voz, não acreditava que seria seu amigo.
— Primeiro, quero destacar a lei que nos dois... — Apontou para os menores. — Ninguém toca... — Recebeu aceno de cabeças, afinal, ninguém queria ter o mesmo destino dos dois piratas da noite anterior. — E, como as donzelas precisam pagar a comida que comem, irão fazer alguns serviços... Começando pela cozinha, já que o ultimo cozinheiro resolveu me trair, e teve o fim que mereceu.
— Não sou sua empregada! — Kamus disse injuriado. Nunca tinha feito nenhum trabalho, não que deixasse de ter sua honrar nele, apenas não queria começar fazendo para piratas.
— Largue de ser mimado, com medo de estragar suas unhas. Vai trabalhar... Não ficar o dia todo na cama. — Milo disse com olhar feroz, não dando chance para Kamus contestar.
Kamus desviou a face. Suas mãos fecharam em punho de raiva, mas conteve-se. Já Mu olhou curioso. Ela sempre trabalhou, e talvez fazer algo o ajudaria manter-se longe do pirata loiro. Mesmo que este até agora havia respeitando-a.
— Precisamos mesmo, pois viver de pão e água não está dando certo. — Aioria disse.
— Você esqueceu-se de rum! — Shaka disse fazendo todos rirem.
— Falando em bebida, temos que abastecer na próxima parada. — Kanon disse.
— Basta para de encher a cara todas as noites que sobrará. — Milo arranhou o fazendo encolher os ombros. — Aioria, será responsável pelo serviço deles, garanta que façam e indique o que tem fazer, pois quando não tiverem cozinhando, os coloque para limpar... Esse navio está um nojo.
— Será um prazer! — Falou olhando para os dois menores. Pena que ambos tinham donos, pois eram umas graças.
— Vai, mostra a eles... Preciso conversar com os demais. — Milo disse indicando com a mão, e os dispensando.
— Oh humor... — Aioria disse. Ele fez sinal para os menores o seguir, e assim ele saíram do recinto, deixando que os piratas tivessem sua reunião.
Mu e Kamus seguiram o pirata conhecido como “leão” calados. Eles não encararam os outros marinheiros que trabalhavam, visto que os queriam bem longe deles. Assim que chegaram ao destino, Aioria abriu a porta indicando o caminho.
— Bem, aqui é a cozinha. — Falou coçando a nuca. O local realmente estava uma zona, considerando que não tinha ninguém responsável, qualquer um usava, estava o caos. Sobre a grande mesa no centro, havia pratos sujos, restos de comidas ou alimento podres. No fogão havia gordura e sujeira que o chegava a deixar preto, fora o chão de maneira com comida e utensílios espalhados. — Uma zoninha!
— Zona? Parece que um furação passou aqui. — Kamus disse horrorizando, e a opinião de Mu não era muito diferente.
— Bem, ninguém aqui é cozinheiro nata e nem temos muito tempo. — Falou Aioria realmente sem graça. — Aquela porta tem a dispensa, acho que deve ter vassoura ou pano, se não tiver, façam uma lista que amanha compramos quando chegamos ao porto. E naquela porta e a dispensa de comida... Tudo muito simples. — Aioria disse mostrando levemente o local. — Bem... Fui... — Saiu rapidamente com medo de ser colocado para ajudar ali.
Os dois jovens olharam para tudo abismados. Dava para perceber que gastariam o dia interior naquele lugar, e não era propriamente cozinhando.
— Não sei cozinha ou arrumar! — Kamus disse.
— Eu... Te ensino... Juntos faremos rápido. — Mu disse tentando pensar positivo.
Kamus suspirou, mas não tinha outro jeito. Então foi à dispensa e viu que as vassouras estavam apenas os cacos e os panos...
— Panos... Isso são trapos! Podres ainda! — O de cabelos lilases ditou emburrado. — Mas na casa do meu padrasto não era tão diferente assim... — Disse com o olhar triste e vago. — Acho que no fim... Estar aqui talvez seja menos ruim do que naquela taverna!
Kamus o olhou e mordeu o lábio. Não que sua vida fosse uma maravilha, mas com certeza não tinha passado certas coisas, como fazer tarefas domésticas.
— Ei... Não se dê por vencida... A gente vai fugir daqui... É só chegar ao próximo porto! — O príncipe falou e viu os olhos verdes se iluminarem, eram a esperança um do outro.
— Certo! Então vamos fazer isso, assim os mantemos satisfeitos e eles não nos machucam.
Ao o ouvir falar de machucar o coração de Kamus apertou, contudo respirou fundo e por vergonha, ou pudor, não falou nada sobre o que tinha lhe acontecido, talvez fosse melhor guardar só para si.
Assim, eles começaram seus afazeres, logo Mu cantarolava uma canção, e Kamus o olhou surpreso, como ela podia cantar diante daquela situação? Estava mais acostumado a lamentar, ou trancar-se em seu quarto ou com os livros! Sorriu de canto e continuou fazendo o que o outro lhe ensinava.
Enquanto o jovem príncipe caçula estava ali tendo uma vida de plebeu, nas ruas da cidade, os dois príncipes mais velhos o procuravam. Radamanthys nem tanto, mas Dégel já estava desesperado.
O dos cabelos verde já tinha ido a inúmeros lugares, mas nada, ninguém havia visto um rapaz com a descrição de Kamus. Parou perto do porto e falou baixo.
— Droga Kamus! Onde está você, meu irmão?!
— Ainda não o encontrou? Hunf... Esse pirralho está brincando com fogo! E por causa dele, nem descansar posso! Espero que o rei dê uma lição nele, que nunca mais ele faça uma merda dessas. — Radamanthys ditou enfurecido.
Dégel olhou para trás e ia dizer algo quando o outro tirou a espada da bainha e tinha os olhos enfurecidos e um sorriso triunfante nos olhos.
— Eu o achei!
Dégel voltou-se nervoso e perturbado, sim, um rapaz estava parado mais abaixo deles, de costas, tinha o mesmo tom de cabelos, mas eles estavam mais curtos, porém eram as roupas do irmão, teve medo, mas também sentiu certo alívio. Desceu a rua depressa e chegou ao rapaz junto com Radamanthys.
O loiro chamou pelo irmão.
— Kamus! O que estava pensando seu idiota?! O rei irá... — Travou quando o jovem virou e com espanto dele e Dégel testificaram que não era ele. Mas com isso o mais velho se enfureceu ainda mais, o que fez o rapaz correr.
Ambos se entreolharam e correram atrás do jovem. Foi fácil alcançá-lo, visto que eles eram hábeis, e o jovem tentava escapar, reconhecia neles os símbolos reais e não sabia o que tinha feito para que o perseguissem.
— Ladrão! Segurem-no em nome do rei! — Radamanthys gritou e com isso, alguns guardas ali seguraram o rapaz.
Os dois príncipes se aproximaram, o loiro segurou o rapaz pelos cabelos verdes e o fez olhar para si. O jovem debatia-se e tentava escapar, mas parou ao sentir a ponta da espada em seu pescoço.
— Onde ele está?! — Ele perguntou enfurecido. — Vamos diga! — Ditava entre dentes e como o rapaz apenas chorasse e nada ditasse, Radamanthys deu um forte e estridente tapa no rosto dele.
Dégel deu um passo à frente, todavia parou diante do olhar enfurecido do outro. O mais velho, desferiu vários tapas e socos, o rapaz já tinha sangue e cortes pela força empregada naquela violência.
O jovem gritava e pedia por perdão, pedia para parar, dizia que não sabia do que ele estava falando, todavia nada adiantava. Radamanthys estava cada vez mais possesso, e a raiva que estava sentindo ele estava jogando em cima daquele desconhecido.
— Chega! — Dégel finalmente falou ao ver o rapaz tombar sem forças. Empurrou o irmão e abaixou-se perto dele. — Por favor... Onde conseguiu essas roupas, quem lhe deu?!
O rapaz o olhou com apenas um olho, já que outro estava inchado. — Essa roupa... Um mercador me deu... Ele é um conhecido da vila onde moro, como as vezes lhe ajudo a carregar sua carroça de produtos... Então ele me deu... Disse que comprou de um bebâdo...
Radamanthys precipitou-se sobre o rapaz, mas dessa vez o irmão não permitiu que ele fizesse mais anda.
— Está mentindo! Onde ele está? Onde?! — Gritava ensandecido.
Dégel pegou o jovem nos braços e olhou para o loiro.
— Deixe de infantilidade... Vamos pegar nossos cavalos e vamos seguir até a vila desse rapaz, e vamos levá-lo. E se ousar tentar me impedir... Esse seu rostinho lindo... Vai ficar marcadinho...
O mais velho bufou, mas seguiu na frente.
— Olha... Me desculpa... Meu irmão sumiu e nós estamos preocupados, mas vou te ajudar... Não posso te deixar assim depois do que ele fez.
O jovem abaixou o rosto, aquilo estava doendo, mas a gentileza daquele homem o fazia bem e tímido. Quando chegaram ao fim da rua, o príncipe Dégel, parou uma carruagem e falou com autoridade ao condutor da carruagem.
— Escute... Irá levá-lo até a casa dele, e nem tente jogá-lo pelo caminho, pois eu vou saber... Tome! — Falou estendendo ao coche algumas moedas de ouro, porém do que devia, entretanto queria que o homem não deixasse o jovem no caminho, colocou o rapaz deitado no banco dentro do veículo, porém pode ver com preocupação ele perder os sentidos.
Ficou ainda mais preocupado. Olhando um pouco para os lados, enfiou dentro da camisa uma bolsa de moedas. — Escute... Acorde... — O jovem abriu os olhos minimamente. — Eu coloquei umas moedas em sua camisa, é para ajudar... Me perdoe! — Falou e saiu dali. O cocheiro levou a carruagem e seguiu direito as ordens daquele homem.
Encontrou Radamathys e seguiram para o castelo, agora era enfrentar o pai e afirmar que não tinham o achado, passara-se quase o dia todo e agora ao menos tinham uma posta.
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No Escorpião, Kamus e Mu estavam quase terminando, embora ainda faltasse limpar o chão. Ambos estavam suados e cheirando a gordura e tinham machas de fuligem das panelas.
— Pronto! Ah última panela se foi e olhando agora, está tudo limpo mesmo! — Falou Mu, mas quando pisou sentiu algo partir, e olhou para o chão com nojo! — É agora o chão! Mãos a obra! — Disse sentindo-se feliz de ver aquela sujeira chegar ao fim. Foi até os baldes e com a ajuda do príncipe os encheu de água e juntos viraram o balde.
Jogaram algo para ensaboar e logo passaram a esfregar o chão com a vassoura. Estava muito engordurado mesmo, porém ambos colocavam o máximo de força possível para deixar tudo limpo. Não tinham feito almoço, no entanto agora já prepara jantar, uma sopa e prepararia uma carne, pão e café. O calor e o vapor ali estavam grandes, afinal os dois estavam já muito cansados.
Kamus sentiu uma vertigem, todavia buscou respirar fundo, em visto que suas mãos suavam frio. Nunca tinha feito tanto esforço na vida.
Ele segurou-se na parede e tentava ser forte, tinha que ser... Se havia uma coisa que não gostava era mostrar fraqueza, e odiava ser fraco... Mas era isso que era, um fraco... Sentiu os olhos arderem e o peito doer, e para evitar chorar, empreendeu mais força ao que fazia, ignorando os limites de seu corpo.
Distraída, Mu não dava conta daquilo, apenas fazia sua parte e começou a contar umas piadas, não muito belas, entretanto ainda assim fez Kamus rir, não uma gargalhada, mas um sorriso gentil, algo que há muito não fazia, julgava até que tinha esquecido como era.
Fora dali, o sol das três estava deixando Shura zonzo, e água ali fora havia acabado então decidiu ir pegar um pouco na cozinha, precisava daquele líquido para ficar bem, a garganta já estava queimando e a cabeça latejando.
Deixou as coisas lá e seguiu calmamente e em silêncio em direção a cozinha. Olhou o mar e sua mansidão, era bom estar ali, embora sentisse que a maioria parecia esperar uma oportunidade para mata-lo. Mas os entendia, era novo ali e eles não sabiam se podiam confiar nele. Entretanto faria o que pudesse para mostrar que era ali que queria estar, lutaria ao lado deles.
Andava distraído e logo se aproximou da cozinha, tinha o cuidado de não atrapalhar ninguém. Levava nas mãos a jarra para encher de água. Parou a porta e sentiu o aroma da comida, como era bom sentir aquele cheiro, há quanto tempo não comia nada descente. Sentiu uma dor imensa ao lembrar-se disso e respirou fundo. Ainda teria sua chance de vingança... Se bem que nem sabia se ainda valia a pena! Bateu ali e esperou ser atendido.
Kamus estava mais próximo da porta e falou calmo.
— Eu abro! — Se aproximou da mesma e novamente a tontura voltou, mas segurou na mesa ali. Dessa vez Mu viu, pois estava atento a porta para ver quem era e se preocupou.
— Kamus... O que tem? O que está sentindo? Por que não disse nada... Sente-se, deixe abro a porta!
O príncipe, porém, sacodiu negativamente a cabeça.
— Não! Eu estou bem! É só o calor... Mas já estamos terminando e logo tomarei um banho!
Foi até a porta e a abriu calmo, viu Shura ali e falou com educação.
— Pois não?! —O moreno sorriu de canto, tinha uma expressão dura, sofrida, mas ainda era mais amável do que a dos piratas.
— Ah... Por favor... Eu vim buscar um pouco d’água, acabou sabe? Mas já não aguento de sede.
Mu então falou sério se aproximando rápido, não queria que Kamus fizesse mais qualquer esforço.
— Pois já devia ter vindo... Não sou médico sabe, mas aprendi que devemos beber muita água, ou passamos mal e podemos até adoecer. Dê-me isso, vou encher! — Pegou a jarra e levou consigo até o barril para enchê-la.
Kamus estava encostado na parede, e cada vez menos ouvia a voz da amiga, ou do rapaz, fechou os olhos a fim de conseguir melhorar, mas quando o abriu mal conseguia identificar o lugar onde estava. Estava cada vez mais pálido e não conseguiu perceber quando mesmo de olhos abertos perdeu os sentidos.
Shura já havia notado, perguntou se ele estava bem, todavia não tinha resposta e quando o viu escorregar, o pegou rapidamente nos braços.
Mu se desesperou, mas o moreno manteve-se calmo.
— Calma, pegue algo de cheiro forte, uma bebida!
Um fez o ordenado e achou uma garrafa de conhaque e o entregou, ele a abriu o passou próximo ao nariz do príncipe que aos poucos foi reagindo, pelo menos abriu os olhos, mas não estava bem.
— Vou levá-lo a outro lugar, e procurar o médico, acho que ele precisa de ajuda!
Saiu dali com Mu a seu lado e Kamus em seus braços. Foi o de cabelos lilases que o levou até a cabine do loiro. Bateu desesperado e a porta se abriu. Quando Shaka viu Kamus nos braços daquele rapaz franziu o cenho, mas nada ditou sobre isso.
— Ele passou mal... E vim deixá-lo aqui! — Shura falou e Mu chorando disse em seguida:
— Sim... Estávamos terminando o serviço, tinha muita coisa e lavávamos o chão... Eu sou tão burra! Eu não notei que ele estava passando mal, ele ficou pálido e perdeu os sentidos... — As lágrimas rolaram por aqueles olhos e o loiro não gostou de ver. — Se não fosse esse cavaleiro, ele teria se machucado no chão!
— Entre, o coloque naquela cadeira ali! — Apontou um sofá e o moreno o colocou lá. — Muito bem, daqui para frente é comigo! Ele vai ficar bem! E por favor...
Fora breve em suas palavras, Mu queria ficar, mas Shura o tirou dali ditando calmo.
— Venha... Deixe-o trabalhar... Ele sabe o que faz e nós acabaremos atrapalhando... — Voltou-se para o médico e agradeceu. — Obrigado senhor! — Saiu e fechou a porta. Shaka sentiu ciúmes, mas ao mesmo tempo daquele homem, notava o respeito, ele não mostrava malicia ou maldade. Falaria isso a Milo.
Os dois saíram dali e o Shura aconselhou Mu a voltar para a cozinha. Depois foi a procura do Escorpião. Encontrou Milo em seus aposentos, depois de ter procurado por outros lugares, bateu levemente e esperou.
Milo que estava vendo preparando umas coisas para encontrar seu cliente de tecidos parou o que fazia e estreitou os olhos. Foi até a porta e tinha a mão na espada. Abriu a porta e ao ver Shura ali ergueu uma sobrancelha.
— O que quer?! – Perguntou desconfiado e grosso, porém o rapaz mantinha-se firme. E Milo gostava daquilo, sentia que ele o respeitava, mas não era um rato como muitos ali.
Shura o olhava nos olhos.
— Desculpe capitão, mas o doutor pediu que lhe avisasse que o rapaz de cabelos verdes, não se sente bem e está no quarto dele sendo tratado.
Milo arregalou os olhos e sentiu certo aperto no peito. Não ditou nada, apenas assentiu e Sura faz um aceno de cabeça e voltou a seus afazeres, com aquilo tudo se esquecera até da água. Ao chegar de volta ao convés, o moreno viu com certo cansaço, que Mask ali se encontrava, braços cruzados e uma expressão de ira.
Não lhe deu atenção, no entanto estava sem paciência para aquela palhaçada. Não gostava daquele olhar dele sobre si, incomodava. Em silêncio voltou a limpar os canhões, porém logo teve o corpo puxado para trás. Mascará da morte o derrubou e em seguida puxou-o pelos fios escuros e o jogou contra os canhões.
— O que fazia passeando pelo navio?! O que queria? Achou que trabalhar em um navio era brincadeira?!
Shura foi pego de surpresa e sentiu uma dor imensa ao ser jogado contra o objeto de ferro. Levantou os olhos e olhou pra ele, podia brigar, mas via naqueles olhos que era isso que ele esperava e por isso mesmo, não o fez.
Mascara da morte o puxou de volta e então o socou.
— Estou esperando! A donzela achou que isso aqui era uma viagem turística?! — perguntou e em seguida o sovou no estômago novamente. Nesse instante, Aioria se aproximou e o fez parar, era difícil segurá-lo, mas ainda assim o fez.
— Mas que porra é essa?! O que deu em você?! — Perguntava ao amigo de anos. E olhou para Shura que se mostrava irado, mas contido. O novato sangrava, mas nada ditava. Mas Mask falou irado.
— A mocinha ai... — Falou e apontou para Shura. — Além de não estar em seu posto, estava passeando pelo navio... O que ele perdeu para está procurando?!
Aioria olhou para o moreno e antes que ele pudesse falar algo outra voz foi ouvida e chamou a atenção dos três.
— Está enganado... – Mu falou firme, apesar de temer aqueles homens, não admitia injustiça. E aquilo era uma.
Mask tentou ir pra cima do jovem, contudo Aioria o segurou. — Como assim? Explique?! — Ordenou, mas sem a ira e a grossura do amigo.
O de cabelos lilases os encarou e falou novamente.
— Ele havia ido até a cozinha, buscar água que tinha acabado... Mas o meu amigo, passou mal e ele o socorreu, e o levou até a sala do doutor, e depois foi avisar ao capitão, já que o médico havia pedido! — Olhou para Shura e estendeu a jarra. — Aqui está e muito obrigada!
Shura ainda não disse palavra, mas pegou a jarra e assentiu agradecendo.
— Devia procurar o médico, ele deve ter um unguento para colocar em cima desses cortes. — Olhou para Mark com o olhar estreito e saiu dali.
Aioria olhou o moreno e falou calmo.
—– Tudo bem Shura! Chega por hoje, vá se limpar, isso está feio. — O moreno assentiu e saiu dali deixando a jarra para os outros beberem. Aioria olhou para o amigo e disse sério. — Olha Mask, eu não tiro sua razão, você ficou desconfiado, mas vai devagar... — Falou e saiu dali.
O de cabelos espetados estava possesso. Quem aquela vadia pensava que era?! Buscar água... Socorrer...
— Vou devagar... Quando estivermos em terra, mato ele! — Voltou a seu posto e de longe via o que os outros faziam.
Na cabine de Shaka, o príncipe encontra-se dormindo um pouco, o médico lhe dera algo para beber e assim ele logo adormeceu, mesmo estando sujo. Milo andava impaciente de um lado para o outro e esperava que o loiro dissesse algo.
— Vai ficar mudo até quando? E então Shaka? Vai me dizer o que ele tem?!
O capitão perguntou irritado e se aproximando dele. O loiro o olhou frio e falou sério: — O que tem nesta sua cabeça?! Mandar uma pessoa que nunca teve qualquer trato com serviços domésticos fazer coisas tão pesadas de uma única vez?!
Milo bufou, mas entre ele e seus quatro amigos existiam essa intimidade e respeito, Shaka não era de estar brincando ou dizendo gracinhas, mas quando falava algo serio e estava realmente irritado, era rude em suas palavras e muito direto.
— Ele tem uma saúde frágil, e está com febre... O aconselho a não ficar brincando... Se é que entende... E espere ele melhorar. E no futuro! Pegue leve com ele! Pode levá-lo e, por favor, limpe-o.
Milo o olhou e ergueu uma sobrancelha. Às vezes achava divertido aquele jeito dele. Pegou Kamus em seus braços e o levou para sua cabine. O colocou em seu sofá e foi pegar a jarra com água e um pano para limpá-lo. Ao olhá-lo adormecido, um misto de sentimentos fez presentes. coisas. Não sabia o que seria, mas eles iriam pagar por tudo que já o tinham feito.
Continua...
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