Notas iniciais
Hannah: Olá, após tempinho com a fic paralisada devido alguns problemas, finalmente retornamos-a. Esforçaremos para postar semanalmente e assim logo finalizá-la. Agradeço todos que esperaram com paciência

Kamus encontrava-se ajoelhado em frente à privada da casa de banhos do quarto do capitão. Ele odiava a doença de manhã. Esses malditos enjoos acabavam com suas manhãs.

Havia acordado bem, mas ao dar-se conta do chacoalha da embarcação, seu estômago resolveu dar uma reviravolta.

Quando sentiu que as ondas de vômitos cessaram, sentou no chão de madeira e apoiou sua cabeça com a mão na testa. Ele puxava o ar em golfadas tentando se acalmar. Seus olhos encontravam-se marejados por insistentes lágrimas que brotaram diante do esforço feito.

Pensava que Milo teria que ficar satisfeito com apenas um filho, pois nunca mais engravidaria! Se não existe algum meio de impedir que engravidasse, o capitão ficaria na seca.

Kamus abriu um pequeno sorriso, quem diria que ele estaria um dia, planejando um futuro com aquele homem do mar. O fato é que não podia mais negar, seria tolice, seu coração tinha se rendido totalmente aquele homem dominante e viril.

O príncipe saiu de sua explanação ao escutar batidas na porta do quarto. Puxando outra onda de ar, criou forças, e levantou do chão. Pegou o balde com água ao lado da privada e o jogou dentro da mesma, mandando aquele resto de digestão para longe.

— Só um momento! — Pediu. Poderia estar vivendo em um navio, mas ainda era príncipe, e não devia apresentar-se a ninguém descabelado. Ele foi até a bacia com a jarra de água em cima da cômoda e lavou o rosto com cuidado, enxugando na toalha gasta, e depois pelejou para pentear os cabelos com os dedos no pequeno espelho em cima da cômoda.

Talvez devesse pedir a Milo para fazer algumas compras. O quarto do capitão poderia ser grande e ter mais luxo que os demais, mas seria bom ter algumas coisas uteis.

O jovem alisou sua blusa, e não pode impedir de sentir o volume que ocupava seu ventre, que outrora era liso. Sentindo-se mais decente, seguiu para a porta, abrindo-a com cuidado.

— Oh, olá. — Kamus disse incerto. Pelo que Milo tinha dito, aquele jovem era como ele, tinha dom de gerar uma vida mesmo sendo homem. — É Sorento, neh?

— Sim! Espero não estar atrapalhando. — Ele falou incerto. Um de seus braços segurava um fofo bebê e a outra mão carregava um livro.

— Não... Estava apenas... Colocando meu café para fora. — Kamus disse desconcertado. — Entre! Não repare na bagunça, não tive tempo de dar uma arrumada.

Sorento entrou timidamente. Ele foi até uma poltrona e sentou com seu filho no colo. Esperou que Kamus fechasse a porta e sentasse na borda da cama.

— Eh! Ele é lindo. Tem quantos anos? – O príncipe perguntou com os olhos atentos ao pequeno.

O bebezinho balbuciou algo e tentou pegar o livro das mãos de seu pai, sem sucesso. — Tem 01 ano e dois meses, é o sentido da minha vida. — Sorento disse. — Como deve ter sido informado, eu o gerei...

Kamus acenou. — Eu tenho uma dúvida... Como...

— Somos feitos de magia príncipe, quando chega o momento seu corpo mudará para que traga a nova vida ao mundo, e depois, retornará ao normal. — Sorento disse. — Ah, trouxe esse livro. Fala um pouco sobre homens que podem gerar. Sabe... Sobre como lidar com a doença de manhã, desejos, exercícios que ajudarão no parto e como evitar gravidez.

Kamus deu pequeno sorriso. Parecia que Sorento tinha ouvido suas preces. Ele levantou e foi até o homem que segurava o bebê e pegou o livro. Segurou como um tesouro precioso. — Obrigado! Estou pirando sem ter nenhuma luz.

Sorento sorriu. — Não se preocupe, as duvidas que tiver, estou aqui para ajudar a tirar, e igualmente ensiná-lo a controlar sua magia, é importante ter controle sobre ela antes do parto...

— obrigado! Acha que tenho quanto tempo até...

— Pelo formato de sua barriga, mais uns 5 meses de gestação. Mas isso varia de pessoa para pessoa, pois dependendo do poder de sua magia, o feto pode se desenvolver mais rápido ou devagar.

Kamus tornou a sentar na beirada da cama. Ele olhou para o livro em suas mãos. — Eu... Não sei como criar uma criança no mar... Eu nem sei como cuidar de uma criança, não tenho nada ainda... Berço, roupas, Mamadeiras! Meu filho...

— Calma alteza, vamos resolver isso em breve, faremos uma lista e ai o senhor pode solicitar ao capitão para comprar no próximo porto. Pelo pouco que vi no Escorpião, ele não negará nada que seu filho precise.

Kamus acenou.

Ele sabia que queria ficar ao lado de Milo, e isso significava criar seu filho em alto mar.

— Agradeço sua ajuda. Deixar sua casa para vir ajudar... — Kamus disse.

Sorento olhou-o culpado. — Bem, confesso que tive segundas intenções.

Kamus remexeu-se no assento, apreensivo de qual seria as segundas intenções desse homem. Mas Sorento tratou logo de justificá-las. — Não sei se sabe, mas já vivi aqui no Escorpião... E era amante de Aioria... Até que fui sequestrado por Minos. O traste achou que tinha me matado quando me jogou no mar, mas na verdade as sereias me ajudaram chegar em terra firme.

O príncipe arregalou os olhos.

— Ele sabe... — Kamus murmurou, recebendo aceno de negação da parte de Sorento.

— Não quis me ouvir e fugiu. Nas não vou deixar as coisas assim! — Sorento disse. — Tinha aceitado que jamais o veria novamente, mas recebi uma segunda chance da vida e não vou deixá-lo fugir.

Kamus deu um sorriso. — Pode contar comigo! E aposto que Mu e Dite irão ajudar.

— Obrigado! Quer segurá-lo um pouco? — Sorento ofereceu. Havia percebido que o príncipe sempre olhava para seu filho, sinalizando sua curiosidade.

Kamus se assustou. — É ser deixá-lo cair? — Disse com a voz alterada.

Sorento levantou da poltrona e foi até o príncipe, entregando seu pequeno Ítalo nos braços do outro. — Segure assim! — Instruiu pacientemente. — Sua primeira lição será como segura um bebê, depois dar banho, trocar, alimentar e colocar para dormi... Não se preocupe, estarei ao seu lado para ajudar.

Kamus ainda parecia assustado, mas não podia negar que seu coração se aqueceu ao segurar um serzinho tão pequeno e belo. Mal podia esperar para ter o seu filho em seus braços.

–oo0oo-

Aioria tinha uma veia pulsando em sua testa de raiva. Havia descoberto através de seu capitão que certo alguém estava no navio, que viajaria com eles. Sua raiva fora tanta que acabou dando um soco em Milo, e terminou com a bunda chutada e responsável pela limpeza do convéns.

Enquanto deslizava a vassoura no chão, maldizia até a décima geração do Capitão. Sabia que Milo aceitou Sorento na embarcação por interesse, mas isso não diminuía sua raiva. Não entendeu bem, mas nas palavras de Milo, Sorento era como Kamus, mesmo sendo homem podia gerar vida.

— O que foi? Por que está limpando? Você não costuma arrumar nem seu quarto. — Kanon provocou. Ele se encostou na marquise do navio com uma maçã na mão e a descascava.

Aioria o olhou furioso. — Milo...

— Uhh, você acaso não cometeu a burrice de enfrentar nosso amado capitão, neh? — Kanon indagou e recebeu duro olhar. — Céus, quanta burrice! Tem sorte dele não ter cortado sua língua ou jogado no mar.

— Eu sei! Mas aquele... Bastardo simplesmente aceitou Sorento nesse navio.

Os olhos de Kanon se arregalaram. — Seu amante está vivo?

Aioria jogou a vassoura com força no chão. — Ele não é meu amante, não mais! Fiquei quase dois anos achando que estava morto, apenas para descobri que estava vivendo em Zair e tem um filho! Parece que ele é como o Kamus, pode gerar filhos.

— Essa criança teria mais ou menos 01 ano e pouco? — Kanon indagou.

Aioria cruzou os braços. — Não sei! Acho que sim... O vi apenas uma vez, mas parecia ter.

— Ele teria olhos verdes? — O outro perguntou com sorriso esperto nos lábios.

— Aonde quer chega Kanon, diga logo?

— Por Poseidon, achei fosse mais inteligente! Ser Sorento tem um filho, pode engravidar como Kamus e a criança têm em torno de 01 ano, significa apenas uma coisa!

Aioria não gostou da forma que Kanon falou com ele. — E qual seria?

— Que o filho é seu! Cara, você é bem burro! — Kanon disse. Sem dizer mais nada se afastou do amigo dando mordida na maçã. Estava entediado, e como faltavam algumas horas para chegarem e iria fazer uma visitinha ao seu sósia. Sentia comichão em suas partes íntimas, e sabia quem poderia saciá-lo.

O leonino ficou paralisado onde estava e pensava nas palavras de Kanon. Parando para pensar, aquela criança parecia uma mistura sua e de Sorento.

— Meu filho? — Murmurou incerto. Ele não sabia definir o que sentia, era um turbilhão de emoções fervilhando dentro dele. Mas uma coisa tinha certeza, sua raiva por Sorento mudou de ser traído para ser abandonado. O outro sabia que o filho era seu, por que não tentou contatá-lo? Por que escondeu?

No fundo, Aioria sabia que sua raiva era infundada. Céus, ele vivia no mar, como queria que Sorento o encontrasse? Mandasse notícias?

Se não fosse pela pedra filosofal, jamais teria encontrado com seu ex-amante novamente.

Aioria pegou a vassoura do chão e voltou a varrer. Fazer alguma coisa sempre o ajudava a pensar com mais clareza. Precisava se acalmar para tomar a decisão certa. O que iria fazer!?

Sorento não iria a lugar algum agora, por isso teria tempo para pensar no que faria. Só esperava tomar decisão mais acertada.

— Um filho... — Aioria disse pasmo. Não podia negar que a ideia de ser pai o enchia de alegria, pois sempre sonhou em ter sua própria família. Seria perfeito agora com seu irmão por perto, tendo uma segunda chance com Sorento e seu filho... Mas temia que fosse tudo sonho ou receio de deixar a mágoa de lado.

–oo0oo-

— Escute bem, não quero que minhas ordens sejam desobedecidas. Ninguém saia desse navio! E se dentro de cinco horas não retornar, quero que zarpem... Ou se verem inimigos, atirem. — Milo gritou. Finalmente havia chegado ao destino, mas ao outro lado da ilha. Por garantir e segurança, o Escorpião Negro atracou no outro lado da ilha, pois mesmo que teria que fazer um trajeto maior para chegar ao Ciclope, à possibilidade de serem descobertos, seria menor.

O negreiro ficou algumas milhas da ilha, uma distância segura. Milo, Aioria, Mask e Kárdia deixaram o navio em uma pequena embarcação, e poderia dizer que estavam armados até os dentes, com espadas, adagas e rifles a pólvora.

Kamus sentiu seu coração apertar. Algo lhe dizia que era perigoso demais, e que um deles poderiam não retorna daquela caçada. Tentou dizer isso ao teimoso de seu amante, mas esse não quis ouvi-lo.

— Vamos, Kamus... — Dite chamou. — Tenho um jogo de truco para ganhar.

A verdade era que o príncipe não tinha em mente qualquer jogo, mas sabia que Afrodite organizou esse jogo, justamente para ajuda-los a distrair. Acabou que, Mu, Sorento, Shina, Dégel e Kamus seguiram para a cabine do capitão, onde jogariam.

Kanon ordenou aos homens prepararem todas as coisas para a futura partida deles. Shura foi conferir os canhões, para deixarem prontos, para no caso de ser necessário usá-los. Na vida no mar, sobrevivia quem estava um passo a frente.

Shaka parecia estar prestando seus serviços médicos para o sacerdote que era prisioneiro ao navio, graças a agressividade de Kanon.

Enquanto o navio era tomado pela apreensão, a pequena caravana partiu em sua missão. Eles tinham duas horas para percorrer a pé até a caverna do Polifemo. Eles fizeram o trajeto calados, cada um recolhido aos seus pensamentos, mas sem deixarem de ficar atentos aos perigos que os cercavam.

Devido à habilidade de Aioria como rastreador acabaram gastando menos tempo que o esperado, mas qual foi à surpresa ao se darem conta de que não eram o único grupo da empreitada. Com um gesto de Milo, todos abaixaram e se esconderam atrás das árvores. Os olhos treinados do Capitão pousaram na praia. Podia ver ao longe a embarcação tão conhecida, com quem já travara vários combates, mas seus olhos rapidamente pousaram no grupo na praia.

— Merda, esse verme está aqui... Como... — Milo sussurrou.

Aioria fechou as mãos em punhos. A raiva grunhiu em si. Fora aquele verme insolente que roubou seu amante dois anos atrás... Tirando tudo dele. Ele se moveu querendo avançar, mas Kárdia o segurou pelo braço. — Me solte!

— Acalme-se! Se for agora, apenas cometerá suicídio. Sua chance de vingança virá. — O ferreiro disse.

Mas foi com o duro olhar de Milo que Aioria voltou à posição, mesmo que seu desejo fosse outro.

Mask cuspiu no chão. — O que faremos capitão?

Milo avaliou. Minos tinha cerca vinte homens em terra, enquanto eles eram somente quarto, mas certamente dariam conta dos homens daquele verme de olhos fechados, o problema era Minos e Polifemo... Pois qualquer barulho alto chamaria a atenção do Ciclope. A entrada de sua caverna estava mais adiante, mas havia uma grande pedra tampando à passagem.

— Precisamos do Ciclope para retirar a pedra, ou não entraremos. — Milo disse.

— E por que não usa nosso ‘amigo’ nisso? Assim, resolvermos dois possíveis problemas. — Mask sugeriu.

— Como? — Kárdia perguntou.

O capitão olhou ao redor. Minos igualmente parecia procurar algo. Claro, aquele verme do mar esperava por eles. Era claro, a intenção de Minos não era a pedra filosofal, e sim atacá-los.

— Quem será o almofadinha com ele? — Mask disse apontando.

Somente então Milo reparou no homem de pele pálida e postura nobre. Sim! Já o tinha visto uma vez. — É Lorde Siegfried, o suposto noivo de Kamus. Prefiro que ele morra hoje. — A ideia de que alguém desejou seu amante não lhe era agradável. — Mask... Vá até perto da caverna, e faça algo para chamar a atenção do Ciclope, e, por favor, não seja visto ou pego. — Milo disse.

Mask sorriu perigoso. Adorava risco e emoções, era como manter-se vivo.

— Aioria e Kárdia cheguem mais perto deles, mas não ajam até eu falar. Precisamos de Polifemo para eliminar uma parte deles.

Os dois acenaram.

Milo olhou animado. — Eu vou esperar do outro lado, quando o Ciclope sair, entrarei na caverna para pegar a pedra... Por isso, não deixem que ele os vejam até eu retornar... Permitam que ele se distraia com nossos ‘amigos’.

— Sim! — Todos concordaram e moveram para realizar suas partes na missão.

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Dégel estava jogando truco, mas sua mente estava longe, seus pensamentos estavam em Kárdia, temia pela vida dele, apesar de saber que não aguentava as mesmas coisas que o amante, mas queria poder ajudar. Olhou para Kamus que parecia tão distante quanto ele, será que se sentia bem? Levantou aproximando-se do irmão. — Kamus, se sente bem?!

— O que? Eu... Não muito, acho que preciso de ar. — Ditou o príncipe mais novo.

Kamus levantou e seguiu com Dégel para o lado de fora daquele ambiente, Afrodite por sua vez olhou para Mu que abaixou a cabeça, conhecia o amigo, e sabia que algo ele estava planejando.

Os dois levantaram e seguiram para ver como estava o jovem príncipe. O jovem de fios azuis-claros se aproximou de Kamus com certa calma. — Me diga o que está pensando, eu faria qualquer coisa para que ficasse bem, vamos meu amigo, não esconda de nós.

O grávido encarou Afrodite, falando de forma sussurrada, mas que parecia mais um suspiro. — Se algo distraísse os piratas... Sabe, algo que venha do mar, eu daria um jeito de sair e ir ajudar Milo, eu sinto que ele precisa de mim, sinto isso!

Seu olhar estava agora voltado para o mar, embora seu pensamento estivesse em terra firme, mais exatamente no pirata de fios loiros cacheados, e olhos azuis.

Afrodite entendeu bem o que o príncipe queria dizer. — Me dê um tempo e fique preparado, vou fazer algo para distraí-los. — Ditou baixo e acabou os fios verde petróleo de Kamus, fazendo-o seguir junto a si para sentar-se um pouco.

Os piratas estavam ocupados, mas os rapazes estavam sendo vigiados. Enquanto trabalhavam, não notaram a agitação se formando no mar, algo que não era comum. Aquele lugar tinha fama de que havia um monstro no mar que devorava navegadores. Logo a embarcação foi sacudida, e todos ficaram em alerta. Shura foi ver o que era aquilo, mas antes que conseguisse chegar ao lado que balançou, uma fera enorme surgiu do fundo das águas.

A agitação foi geral, todos queriam proteger o companheiro do capitão. Aiolos o procurou, mas alguém disse que ele estava no quarto vomitando.

Afrodite, Mu, Degel, Shina e Sorento com o bebê foram levados para a mesma cabine onde estaria Kamus e trancados lá.

— Kamus, se sente melhor? — Perguntou Degel entrando no banheiro e não vendo o irmão, voltou pálido. — Meu irmão está lá fora! Precisamos chamar alguém.

— Não! — Mu falou em seguida. — Ele foi atrás de Milo. Eu sei, está preocupado, mas não faça escândalo, Kamus não ficaria bem esperando.

Degel não acreditava no que houve, sentou-se na cama e suspirou, passou a rezar pelo irmão. Mu e Afrodite se olharam, ambos tinham um olhar cúmplice. Pensavam onde Kamus estaria.

No meio da balbúrdia que estava o navio, o príncipe passou desapercebido, pois desde que o monstro surgiu, ele já esperava para sair do navio. Estava escondido.

A escada estava ainda pendurada e ele desceu por ela, checando no mar, o navio estava um pouco longe do pier, mas Kamus não se importou, a agitação das águas o ajudou, agarrado a um pedaço de madeira, o jovem príncipe, guiou as aguas com sua magia e logo estava em terra firme.

Mesmo molhado, correu na direção que sentia o coração de Milo bater. Ele podia sentir o amado pela energia que ele emanava. E naquele momento era de raiva, algo estava deixando o escorpião irado.

Guiado por esses sentimentos. O príncipe seguia até onde estava seu amado, apesar da gravidez, talvez por sua magia, ele logo chegou a seu destino, havia certa velocidade em seu andar.

Kamus seguia por terra, lugar perigoso, alguns tentaram avisá-lo do perigo, mas ele nada ouvia. Um tempo depois, ele alcançou o outro lado, não era uma ilha muito grande. O príncipe foi à frente à praia, e seus olhos encontraram o daquele ser tão assustador.

O príncipe engoliu seco, seu coração disparou. Estava perdido. Viu o ciclope abaixar para o olhar, seus dentes amarelos e grandes. Aquele aspecto sujo, e o cheiro insuportável que vinha dele enjoaram o rapaz.

Kamus levou a mão à boca e respirou fundo. Polifemo ria mostrando os dentes enormes. O ciclope em dois passos se aproximou do príncipe, e esse deu passos para trás.

— Não adianta fugir, eu já vi você!

Estendeu a mão para pegar Kamus, mas esse finalmente reagiu e correu por entre as pernas do monstro. Seus fios verde petróleo chamavam a atenção do outro. Mas o ajudou a confundir-se com alguns arbustos.

— Acha que pode se esconder? Você é como todos os outros, veio aqui por ela não foi? Mas vai ser apenas o meu almoço!

O príncipe o ouvia, seu coração estava agitado, sentou-se no chão e tocou a relva pedindo baixo. — Por favor, me ajuda! — Seu pedido parecia apenas feito ao vento, mas logo as árvores moveram-se confundindo Polifemo, e como um farfalhar de folhas ao vento, Kamus ouviu claramente: “Vá agora!”, o que o fez correr em disparada em direção à praia, já ouvia o mar, mas via a caverna do outro lado, por trás.

Deu a volta e quando achou que não conseguiria, ouviu a voz de Sigfried.

— Ora, ora, ora... Se não é meu noivo fujão!! Estava a sua procura sabia?! Mas... Como ousa?! Entregou-se a outro?! Seu bastardo! Mas nós vamos dar um jeito nisso!

O loiro segurou o braço do rapaz o puxando pelo meio do mato até parar em frente à pedra que fechava a entrada da caverna de Polifemo.

Nesse momento, os olhos de Milo caíram sobre os dois e sua ira foi maior que sua razão, o que Kamus fazia ali? Não tinha dito para vigia-lo? Alguém ia pagar por isso! Ah ia!

Antes que o pirata fizesse algo, Minos se aproximou dos dois. Os havia visto, e a oportunidade não podia ser melhor, ele queria matar Milo e roubar seu navio e os fragmentos que ele devia ter da pedra.

Seu sorriso não podia ser maior, se aquele príncipe estava ali, Milo tinha que estar, ele não ia soltar aquele jovem por nada. Ainda mais com aquela carinha de vadio.

— Vamos Milo apareça, sei que está ai! Ah... Mas veja mesmo, olha o que encontramos! A vadiazinha do capitão! — Minos gritou.

Sigfreid não gostou, e logo interferiu. — Não vai levá-lo, eu vou! Ele é meu noivo, e eu vou enforcá-lo por me trair!

Minos aproveitando-se do momento provocou ainda mais o pirata. — Viu seu inseto miserável, onde está sua crueldade agora? Onde está o mais temido dos piratas?! Você não é de nada! Viu principezinho, ele não se importa com você. Ele só queria a pedra, que a propósito Milo... Será minha!

Irritado com as palavras de Minos, o escorpião queria enfrentá-lo, mas tinha que ter cuidado para não ferir Kamus e nem seu filho. Pensava no que fazer.

Mask, Kárdia e Aioria estavam sem ação, o que seria agora?! Sabiam que Milo tinha pouca paciência, ainda mais quando o assunto era Kamus, e pior, nenhum deles estava perto do capitão para lhe impedir de fazer uma besteira.

Mas surpreenderam-se quando o loiro não se mostrou, ele parecia esperar que algo acontecesse, mas o que?!

Milo estava de olho nos movimentos de Siegfrid, notava que o único armado perto de Kamus era Minos, e precisava afastar o albino de seu amado. Chamar a atenção dos piratas, mas não de forma a se prender em uma armadilha.

— Você é patético! — O pirata falou chamando a atenção de todos. Aioria e Kárdia não estavam entendendo o que ele queria fazer. Mask por sua vez, fez aquilo que tinham combinado, embora o perigo fosse dobrado por causa da presença de Kamus.

O pirata de fios escuros já estava próximo à caverna e procurou pelo ciclope, só que não precisou ir longe, ele voltava tirando muitas folhas de cima de si. estava irritado, mas distraidamente olhava assustado para as arvores, Mask então jogou uma pedra que lhe acertou a testa, nada muito pequeno.

O monstro irritou-se ainda mais e procurava de onde tinha vindo o que lhe atingiu, olhou ainda para algumas arvores, mas então, viu algo mover-se, não viu ao certo o que era, mas devia ser aquela coisinha verde.

Moveu-se devagar para não assustar a sua presa, esquecendo-se que seus passos faziam um barulho enorme. Parou quando chagou em frente a sua caverna e viu não somente o de cabelos verde, mas muitos outros humanos que lhe serviriam de alimento.

A chegada do ciclope chamou a atenção de todos. Os piratas de Minos se apavoraram, alguns correram para longe e outros esperavam as ordens de seu capitão.

Siegfried soltou Kamus e olhou assustado para a fera. Minos aproveitou e puxou o ruivo pelo braço, deixando o lorde sozinho e diante do ciclope. O lorde de Duhbe puxou a espada para lutar com Polifemo.

Manejando bem sua espada, Siegfried ainda o feriu arrancando um urro de dor do ciclope, porém o mesmo moveu a mão aberta, batendo no loiro, o jogando contra a grande preda de entrada da sua caverna.

Polifemo não foi ver se ele ainda estava vivo, pois ele passou a correr atrás dos piratas a fim de abater mais alimento para si.

Mask correu a fim de atacar os que se escondiam. Aioria e Kárdia também fizeram o mesmo, já Milo correu atrás de Minos. Tinha que encontrar Kamus, antes que o traste fosse a bordo do Griffon.

As coisas não estavam fáceis, Milo tinha que ser rápido, afinal ele tinha agora dois objetivos, resgatar seu amado a tempo de pegar os fragmentos de Pedra.

Continua...