Escorpião Negro
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Kamus havia deixado o capitão dormindo no quarto e saiu. Ainda era cedo, mas não conseguia mais dormir. Seu estômago incomodava um pouco, nada demais, mas certamente não poderia comer ou ficar deitado.
Após um banho gelado e ter vestido uma roupa de seda na cor azul, ele deixou o quarto. Seguiu pelos corredores silenciosos – cientes que todos no castelo praticamente dormiam – e seguiu calmamente.
Por instinto, sua mão foi ao seu ventre. Poderia parecer estranho, mas sua barriga tinha crescido razoavelmente. Sabia que pelas contas tinha uns 3 meses de gestação, mas a barriga aparentava em torno de 5 meses.
Ele desceu o lance de escada e seguiu pelo belo jardim. Aquele lugar o trazia calma. Sua vida tinha mudado tanto nos últimos meses. Parecia surreal. Após seguir cerca de dez metros, deparou-se com uma mesa pequena com guarda-sol branco. Sua avó acenou para ele. Pelo visto não fora o único que acordou cedo. Ainda sentia-se estranho perto desse lado de sua família. Apesar de que era a herança valiosa de sua mãe. Sentia falta dela.
Kamus aproximou-se e sorriu. — Bom dia, rainha. Creio que não sou único que acordou cedo. — Disse educadamente, afinal era príncipe e estudou por anos.
— Oh, nada de formalidade... Pode me chamar de vó. Sente-se. Tome café comido. — A rainha disse. Ela era um poço de elegância e beleza.
Kamus sentou. — Não quero comer... Digo... — Ele ficou sem jeito.
— Doença da manhã? — Ela indagou ao que serviu um pouco de chá em uma xícara de porcelana branca com desenhos pintados à mão de flores lilás. — Tome um pouco, o ajudará com os enjoos.
O príncipe sorriu em agradecimento e pegou a xícara. Tomou mais para não fazer desfeita, mas acabou por descobrir que realmente o ajudou. — Cadê meu avô?
A rainha sorriu. — Dormindo! Aquele adorar uma cama... Acho que sua mãe puxou isso dele. E como está indo a gravidez?
Kamus remexeu na cadeira e deu o ultimo gole no chá, colocando a xícara sobre pires. — Ainda é muito estranho, sinto que minha barriga está maior que devia. Claro, não conheço muito sobre gravidez...
A rainha cortou pedaço de bolo e colocou em um prato para Kamus, — A gravidez masculina leva menos tempo que a feminina, acho que por que o corpo de um homem é mais frágil nesse quesito. Ao invés de nove meses, dará à luz com sete. — Ela informou tranquilamente, intercalando com os goles que dava no suco de laranja. — O rei já providenciou que um pai experiente vá à viagem no Escorpião. Ele já ficou gravido como você, assim poderá ajudá-lo.
— Oh! Existem outros iguais? — Perguntou curioso.
— São raros... Mas às vezes aparece alguém com dom. — Ela falou. — Tente comer um pouco. Mesmo que esteja sem fome ou enjoado é bom que sempre coma algo. Precisa ficar saudável e forte.
— Obrigado! — Kamus disse sem jeito. Pegou um garfo e cortou um pedaço do bolo, levando a boca, e descobriu que realmente conseguia comer sem ficar enjoado. Acabou tomando um agradável café da manhã com sua avó, e essa retirou todas às dúvidas sobre sua gravidez. Bem! Algumas delas, tal como desenvolvimento do bebê, como seria o parto e os cuidados necessários.
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Milo não tinha acordado bem-humorado, afinal, odiava acordar e não encontrar seu amante. Quem diria, alguns meses atrás a menor ideia de se relacionar sério com alguém chegavam a causar náuseas, mas agora não podia ficar longe daquele príncipe mimado. Após um rápido banho, e vestir uma calça de couro marrom e uma blusa vitoriana branca, além das botas que iam até os joelhos, o pirata deixou os aposentos. Logo se deparou com um dos serviçais do castelo que informou que o rei queria vê-lo.
O pirata pensou em mandar o Rei à ‘merda’, mas desistiu, pois realmente precisava falar com ele. Depois pretendia encontrar seu amante e espancar a bunda branquela dele por deixá-lo irritado.
Milo seguiu o empregado e logo chegaram a uma porta talhada em madeira, muito grossa e bela. O sujeito que aparentava em torno de cinquenta anos, abriu a porta dando espaço para Milo entrar, e depois fechou a porta atrás dele.
O temido pirata olhou ao redor, reparando na decoração do escritório. O lugar tinha grandeza e beleza, mas Milo não trocaria seu navio ou convéns por algo assim. Seus olhos azuis repousaram sobre o Rei. O homem sabia colocar respeito.
— Bom dia Sr. Milo! Sente-se. Obrigado por juntar-se a mim. — O Rei disse. Estava sentando atrás de uma mesa de madeira de cerejeira ricamente trabalhada.
Milo grunhiu qualquer coisa, e sentou-se de maneira relaxada na cadeira em frente à mesa. — Queria falar comigo? Pode ser rápido por que preciso encontrar meu amante fujão.
O rei apenas riu. — Meu neto está tomando café com minha esposa. Ela está esclarecendo algumas dúvidas sobre sua gravidez. — Ele disse. — Serei rápido. Você disse que veio aqui pela pedra, claro, sua chegada trouxe surpresa e acabou servindo para outros propósitos.
— Sim! — Milo murmurou. Realmente, tinha ido para aquela ilha em busca do fragmento da pedra filosofal que deveria estar ali. Claro, com os últimos acontecimentos acabou esquecendo ou atrasando esse detalhe.
O rei abriu a gaveta de sua mesa e retirou uma minúscula bolsa de couro. — Esse foi um dos legados que minha filha deixou para seus filhos, e como acredito que Kamus entregaria para o senhor, aqui está. — O rei disse estendendo a bolsa para Milo.
O pirata a pegou meio desconfiado e derrubou seu conteúdo em sua mão. Era justamente dois fragmentos da pedra que tinha como missão encontrar. — Como... Agradeço a ajuda.
— Claro! Mas digo, essa pedra pode representar um grande perigo ou uma grande benção, dependendo de como for usada. Somente um coração puro pode manejar seu poder. — O rei disse.
— Sim! Acredito que meu cliente saberá como utilizá-la. — Milo disse.
— Pelos meus cálculos, deve encontrar mais três fragmentos antes dela está completa. — O rei disse. — Ouvi boatos que um pedaço dela estaria em Orpheu.
— A terra dos Ciclopes. Mas precisamente Polifemo. — Milo disse. Como experiente navegador conhecia muitas lendas, e sabia que boa parte delas tinha sua parcela de verdade. Polifemo era o ciclope que lutou contra Odisseu, onde foi cegado. Claro, era mitologia grega, Não sabia dizer se a Odisseia era real, mas Polifemo certamente era.
— Espero que não leve meus netos para perto dele. — O rei pediu, mas precisamente exigiu.
Milo grunhiu. — Não pretendo colocar meu amante e filho em perigo, e duvido que meu irmão deixe Dégel perto da adversidade.
— Assim espero. Que tal nos juntarmos a minha esposa e meu neto? Acredito que uma boa refeição logo cedo é bem-vinda. — O rei disse levantando. Milo guardou os dois fragmentos e a colocou no bolso de sua calça, e ambos seguiram para fora do escritório.
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O sol brilhava lindamente na imensidão azul quando os marujos colocavam no porão as últimas caixas de mantimento e armamento. As velas haviam sido conferidas, os canhões limpos e os objetos pessoais alojados nos quartos. Havia sido cinco dias de descanso, mas agora com o Escorpião reparado e todos ansiosos para voltar ao lar... Iria partir. Sim! Aqueles homens não eram capazes de ficar muito tempo longe do mar.
Afrodite e Mu haviam já embarcado e foram ajeitar suas coisas nos aposentos que dividiam com seus amantes. Kanon havia levado o clérigo – ou ex – para seu quarto, claro, Saga ainda tentava fugir, mas certamente não estava tendo sucesso, e até que desistisse, ficaria literalmente preso no quarto do pirata.
Mask e Shura cuidavam dos últimos detalhes para navegação, ao que Aioria e Aioros estavam no convéns, conferindo tempo e os mapas. Eles tinham um longo caminho pela frente até a ilha dos Ciclopes, assim nada poderia estar errado. Milo não aceitaria menos que perfeição.
— Mais uma vez obrigado pela hospedagem. — Milo disse. Ele normalmente não era de ser agradecido ou sorrir, mas eram os avôs de seu amante, e eles haviam ajudado em muito.
Todos estavam no porto, o rei e a rainha – sendo guardados por diversos soldados – despediam-se dos netos.
— Lamento não ficarmos mais tempo. — Dégel disse. Ele realmente havia gostado de seus avôs. Ele estava do lado de Kamus, e ambos abraçaram aos nobres.
— Não deixem de retornarem para uma visita. Eu quero conhecer meu bisneto. — O rei disse acariciando os cabelos de Kamus.
— Temos que ir. Aproveitar o tempo bom e de sol. — Milo disse. Kardia estava ao seu lado calado, no que Shina ajudava Shaka a levar algumas caixas pequenas para navio – possivelmente ervas e especiarias para medicamentos.
— Claro! Como disse, estou enviando alguém de nosso povo que ajudar na gestação. — A rainha disse, foi então que todos perceberam o jovem de cabelos azulados e que carregava um pequeno embrulho.
— Você... — Milo disse pasmo. Agora entendia por que Aioria ficara tão revoltado. Sorento fora amante de seu amigo, justo ele tinha sido sequestrado por Minos e dado como morto.
— Olá Capitão. E bom revê-lo. Bem, sou de Zair... E ajudarei o príncipe nesse momento delicado. — Falou Sorento. Um soldado entregou sua mala a Kárdia – que se dispôs em levar ao navio.
— Isso é... — Kamus disse se aproximando do jovem, e puxou sutilmente a manta, admirando a criança em torno de dois anos que dormia profundamente. Seus cabelos eram castanhos claros e a pele leitosa.
— Meu filho! — Sorento disse com orgulho.
— Se diz que ajudará Kamus... Quer dizer... — Milo deduziu.
— Sim! Meu filho. O gerei em meu ventre. — Sorento disse. — Acho poderemos falar melhor disso no navio. — Falou.
Milo suspirou. – Okay! – Logo nas primeiras horas de viagem e vinha um tormento. Aioria não ficaria nada feliz ao descobrir que Sorento retornaria a morar no Escorpião, e que tinha sido negligenciado o fato que tinha um filho. Pela aparecia da criança deduziu prontamente que era filho de seu amigo.
— Tudo bem... Vamos partir. Fiquem na paz majestades. — Milo disse. Assim, depositou uma mão nas costas de Kamus e o guiou para o navio. Ajudou seu amante a subir, enquanto Kárdia ajudou Dégel.
Quando todos estavam a bordo, o navio foi guiado até mar aberto, onde abriria suas velas e viajaria cortando os mares com toda força. Kamus levou Sorento para mostrar o quarto que ficaria, e obviamente conversar com pouco com aquele que passara pelo que vivenciava agora. Talvez fosse melhor assim, evitar que Aioria visse Sorento tão cedo.
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Afrodite tinha as mãos apoiadas na borda de madeira, rente a proa, enquanto seus olhos azuis perdiam-se no horizonte. Ele fechou os olhos e deixou-se apreciar o perfume do mar. Sim! Poderia se dizer que ele e o mar eram amantes íntimos... Bem, depois de Mask. Se seu amante ouvisse isso, ficaria uma fera.
Quem diria que sua vida poderia tomar um rumo diferente. Após ser sequestrado e vendido por escravo, ter apanhado, ter sido humilhado e maltratado... Poderia viver perto do que amava, e ainda descobrir a gentileza de um homem... Mesmo que ele aparentasse ser rustico e bruto.
Acabou soltando uma risadinha e voltou abrir os olhos.
Deu um pulo quando foi rodeado por braços fortes e pressionado contra corpo viril. — Do que está rindo, minha sereia? — A voz de Mask era rouca e profunda.
Afrodite relaxou-se totalmente contra o outro, e apoiou seus braços no do amante. — Nada... Apenas... estava pensando nas voltas que a vida dá... O quanto sou feliz. — Falou virando-se no meio dos braços do pirata e encarando a face séria. Acariciou a pele surrada pelo sol, e depois traçou uma cicatriz na bochecha direta.
— É feliz? E posso saber a causa dessa felicidade? — Mask indagou.
Dite soltou risada. — Acaso quer colher elogios, meu amor? Uhh! — Moveu as sobrancelhas. — Sabe o que descobri?
— O que? — Mask indagou.
Dite ficou na ponta dos pés e murmurou algo no ouvido do amante. — Quer dá sorte fazer amor nas primeiras horas de viagem em navio!
Mask praticamente agarrou o amante e o jogou em seu ombro como saco de farinha, arrancando gritos e risadas de Afrodite. — Se é verdade ou não... Não vamos ignorar a sorte. — Ele marchou pela proa com amante em seus braços.
— Senhor... — Um marujo aproximou querendo perguntar algo, mas travou diante da determinação de Mask.
— Agora não! Ser perguntarem por mim, diga que estou ocupado saciando as vontades de minha sereia. — E com isso, entrou no convés, indo sentindo seu quarto. Ah sim, faria seu travesso amante gritar muito, até que caísse adormecido de tanto prazer. Afrodite riu alto e apalpou os glutens do amante que praticamente estava em seu campo de visão. Ah, como era feliz.
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Os orbes azuis se abriram lentamente, um pouco nublados pelo cansaço. Estavam um tanto perdidos, mas logo o foco voltou, no entanto, por mais que olhasse, não conseguia identificar onde estava. Escorou o cotovelo direito na cama, apoiando-se para se levantar, mas sentiu certa tontura, voltando-se a deitar.
Fechou os olhos respirando fundo, buscava em suas lembranças algo que pudesse ajudá-lo a lembrar de onde estava. Mas não conseguia, não sabia como tinha chegado ali, não era sua cama, mas ao menos era confortável. Fora tirado de seus devaneios quando ouviu o barulho da porta abrindo e tornou a abrir os olhos, levantando o tronco para poder ver quem adentrava o ambiente.
Era Shion, ele estava com um curativo no braço, e trazia uma bandeja com comida. Ao menos achava que era comida. Sentiu-se tonto novamente, e vacilou um pouco, deixando-se deitar mais uma vez.
— Onde estou?! Que lugar é esse?! Como cheguei aqui?!
— Thanatos nos trouxe para essa vila, não sei onde estamos, mas ao menos estamos nos recuperando majestade. O senhor precisa comer, esses dias têm estado mal, com febre, estávamos sem saber o que fazer, lhe demos alguns medicamentos, e somente hoje o senhor acordou, precisa ficar forte senhor, para pode recuperar seu trono.
As palavras de Shion trouxeram ao rei as lembranças que por hora haviam lhe fugido, estremeceu ao lembrar-se de Thanatos, sentiu o coração bater um pouco mais rápido e descompassado. Nada ditou, apenas olhou a bandeja se ajeitando na cama para comer, não era homem de ficar amolecido na cama por causa de um mal estar.
— Há quanto tempo estou aqui? Quer dizer... Quantos dias estive indisposto?!
Shion o olhou com certa calmaria no olhar, não negaria a ele a verdade, mas desconfiava que o rei estivesse muito doente.
— Há cinco dias meu rei! Há cinco longos dias o senhor não responde a nenhum medicamento dado, mas ontem à noite, Thanatos trouxe algo feito de planta e disse que era necessário que tomasse, não foi fácil, mas hoje o senhor finalmente abriu os olhos.
Hades não soube o que dizer, cinco dias era muito tempo, não era uma indisposição apenas. Mas não ia morrer antes de tomar de volta seu trono e punir o traidor. Seu olhar estava vago, mas sua cabeça estava cheia. Mil coisas passavam ali, e ele ainda não sabia bem o que fazer.
Nos cinco dias que os piratas puderam descansar, em terra firme, o pai de Kamus, o rei Hades, estava doente, desde que fugira da prisão que lhe fora imposta pelo príncipe Radamanthys, seu filho mais velho, tinha feito muito esforço, e estava fraco demais para seguir para longe. O Encontro que teve com Thanatos fora sua salvação.
Enquanto os dois conversavam, Thanatos entrou no quarto e sentiu certo alivio ao ver Hades acordado. Aproximou-se, chamando a atenção doa dois. — Como se sente Hades? Preciso saber de vocês onde pretendiam ir. – Voltou-se para o rei e falou calmo. — Se salvou por pouco Hades, você foi envenenado, não com uma grande quantidade, ou teria morrido ainda no castelo. Mas devagar, para que houvesse sucessões de mal estar até sua morte, não fosse o remédio que lhe dei, iria agonizar até a morrer.
Hades tinha os olhos fixos nele, conhecia bem as habilidades daquele homem para saber que ele dizia a verdade.
— Envenenado... Como ele pode? — Perguntou descrente da maldade do filho. — Será que ele os matou? — O rei perguntou para si mesmo, seu coração dizia que não, mas ao mesmo tempo, diante de tudo que agora passava, não duvidaria. — Meus filhos, Degel e Kamus... Não... — Hades tinha medo de confirmar que Radamanthys tivesse matado os irmãos para reinar sozinho.
Shion sentiu pelo rei, mas não sabia se seria seguro para Kamus que ele soubesse de seu paradeiro. A dúvida lhe tomava a alma, e se aquele homem surtasse? E se ele fosse atrás do escorpião, não... Não deixaria que nada atrapalhasse seu projeto de que o pirata conseguisse a pedra, precisava dela.
— Bem, majestade... Às vezes o mar é mais protetor que pensamos... Enquanto estive no castelo, ouvi Radamanthys comentar que seu filho Kamus está vivo, mas que estava no mar. Se acalme majestade e viva para encontrar seu filho mais jovem. — Shion explicou a fim de talvez diminuir a tristeza de Hades.
Hades e Thanatos o olharam ao mesmo tempo e suas feições mostravam certo pavor.
— No mar? — Indagou. Queria saber os dois. Os dois se entreolharam e ainda juntos falaram. — A profecia!
Shion sorriu de canto, tinha certo conhecimento sobre aquelas palavras deles. — Devem ter calma... Nada pode impedir o destino, o menino cumprirá aquilo que veio fazer. — O loiro falou chamando mais uma vez a atenção dos dois.
Hades agoniou-se e levantou um tanto irritado. Sentou tontura ainda, mas se aproximou de Shion. E falou serio. — Tem filhos Shion? Não, por que se tivesse compreenderia o quanto estou aflito. Meu filho nasceu frágil, não sobreviveria no mar nem uma semana. E me diz que ele cumprirá o seu destino? Kamus não maneja uma espada como eu, ele é dos livros e da inteligência... Ele morreria nas mãos de um louco insano como aquele que descrevem na profecia. O matariam!
Shion ouvia tudo aquilo e sentia certo peso no peito. Hades estava tão apavorado que nem tinha coragem mais de lhe esconder nada.
— Ele tem quem lute por ele, majestade, alguém que não permitirá que seu filho seja tocado de jeito nenhum.
O olhar de Hades e Thanatos se encontraram, ambos pareciam sentir o mesmo medo pelo príncipe.
— Do que está falando Shion? Sabe mais do que nos diz. — Falou Thanatos, mas não deu tempo que Shion dissesse nada, continuando a falar. — Kamus é pequeno e frágil, viver no mar exige força. Os homens do mar são rudes e capazes das maiores crueldades. São traiçoeiros. Não entendo aonde que chegar! — O homem expressou o que Hades queria mais uma vez falar. Ele se aproximou do rei que pensava o Lord contra a parede e o fez afastar-se, segurando seus braços, de forma gentil.
O lorde sentia por eles, abaixou um pouco o olhar e depois os encarou novamente. Era a vida de um menino que se falava ali, Albáfica não o perdoaria se algo acontecesse ao jovem por sua causa.
— Kamus está vivo e forte... Esta nas mãos daquele que é o mais temido dos mares, o mais cruel de todos os piratas. O Escorpião, no entanto... O jovem príncipe alcançou o coração da fera. É tudo que sei.
As pernas de Hades fraquejaram. Nas mãos do Escorpião, não seu filho não podia estar bem. Não podia acreditar naquilo. — Mentira! Se Kamus estivesse nas mãos desse homem, ele já o teria matado por ser meu filho!! Kamus...
O desespero de Hades fez Thanatos, o virar para si e abraçá-lo. — Calma Hades... Vamos embora, sei quem pode nos ajudar. Pegue suas coisas Shion, vamos partir. — Ditou sério o moreno, o que fez o lorde sair do quarto. Afagou os fios escuros do rei e tocou seu queixo o fazendo lhe olhar. — Não seja apressado... Vamos à casa de meu pai, lá ele saberá nos dizer algo. — Falou firme e mesmo que não devesse fazer aquilo, não resistiu e o beijou. Um beijo leve e carinhoso, mas ao mesmo intenso e necessitado.
Hades não fugiu, pelo contrário, ele correspondeu ao beijo na mesmo intensidade do outro. Sentiu a mão de Thanatos em sua cintura e ofegou. Apartaram o beijo um pouco depois e os olhos do rei estavam sobre o moreno agora. — Tenho medo Thanatos...
O homem assentiu. Compreendia o medo do outro. O apertou em seus braços com carinho. — Vamos encontrá-lo, não tema... Mas antes Hades, me prometa que respeitará a decisão de seu filho, seja a qual for!
Hades estremeceu, queria dizer muitas coisas, mas não o fez. — Não vou prometer nada. Mas farei o meu melhor, e eu juro que se esse capitão tocou meu filho, eu vou mandar decapitá-lo e esse será um prazer extremamente pessoal.
Thanatos não disse mais nada sobre aquilo, apenas achou que era um sentimento compreensível de um pai e a atitude de um rei.
— Está na hora de partir... Meu pai talvez possa nos ajudar... Mandarei um recado para que saiba que estamos chegando. Arrume suas coisas. — Falou, saindo quase em seguida. Ao chegar à sala, um de seus homens o olhava sério.
— Senhor... Aonde vamos agora? — Um rapaz de fios castanhos quase avermelhados, os olhos azuis, perguntou, ele tinha um olhar duro, mas não frágil, apesar de jovem.
Thanatos sorriu de canto. — Vamos voltar a nossa terra, precisamos falar com o rei. É importante demais.
O mais jovem assentiu e se afastou. Não questionou nada, mas não estava realmente satisfeito. Chegou perto dos outros homens e ditou firme.
— Vamos voltar a Zair.
Não houve explicações, apenas olhares interrogativos, mas ninguém ousou perguntar nada. Arrumaram tudo e partiram para Zair por terra, o que deixou Hades um pouco perturbado. O rei olhou para o jovem que parecia aborrecido.
— Quem é ele, Thanatos, me parece tão jovem... Não deve ser muito mais velho que Kamus!
Thanatos sorriu de canto.
— Meu filho, Tohma... Ele está sempre comigo, tem o mesmo fervor que eu tinha na idade dele, mas lhe falta o amadurecimento que eu adquiri com o tempo. No entanto eu não poderia ter amigo e companheiro de jornada mais fiel. — O homem ria de satisfação, seus olhos brilhavam. Olhou para o Rei e falou ainda. — A mãe dele é uma ótima pessoa... Mas não soube lidar com meu mundo... Decidiu por ir embora, mas não o levou... E essa foi à única coisa que me fez lutar. Ele tem a idade entre Dégel e Kamus.
Hades continuava a olhar de Thanatos para o jovem. Ele era bonito, mas diferente do mais velho, pensou que a vida ao menos foi generosa com eles. Mas agora parecia estar dando o troco.
— Entendo... Nada é perfeito... Há muitos anos perdi o que chamam de amor pela vida... Esperança. Minha vida mudou Thanatos... E agora não entendo o que está havendo... Pagamos caro por tudo que houve... E agora novamente? Não vai acabar?
— Hades, não culpe o mundo pelo que está havendo. Nós escolhemos nosso caminho, mesmo com algumas pedras, ele foi escolha nossa. Agora precisamos enfrentar. Não pense nessas coisas, não carregue uma culpa desnecessária.
O rei não respondeu, mas lembrou-se de quando conheceu Thanatos e da paixão avassaladora que tomou conta de si, da aventura de fugir com ele. Sorriu lembrando-se disso.
Era jovem como Kamus, mas então sua mãe adoeceu gravemente, e a culpa o corroeu, ele tomou a decisão de ir embora, sem ter coragem de enfrentar o amante, fugiu a noite, sem deixar qualquer explicação.
Suspirou virando o rosto, até hoje não entendia por que fora covarde assim. Pensou em seus filhos, seu caçula era uma criança ainda, nas mãos de um pirata, e Siegfried? Estaria ele indo atrás de Kamus?
O que o rei não imaginava, era que o “noivo” do príncipe estava perto, muito perto do seu precioso filho, mas não estava ali para resgatá-lo, e sim para aprisioná-lo a mando de Radamanthys e com o interesse em como usar o poder que o jovem Kamus tinha.
Milo que estivesse pronto a defender seu príncipe, ou o perderia para o lorde de Duhbe.
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Distante dali e sendo o destino do Escorpião Negro, Orpheu, a terra dos ciclopes, era um lugar até pacato. As pessoas dali viviam em suas casas e os ciclopes, nas montanhas, no entanto, vez ou outra um humano era pego por um daqueles seres tão diferentes, e por isso tinham muito cuidado.
O Grifon, do capitão Minos atracou no porto de Orpheu, o pirata parecia saber para onde o Escorpião ia. Mandou que jogassem a ancora, pois ele desceria, e depois dessem a volta, não queria que Milo soubesse de sua chegada antecipada a ilha.
O albino desceu de sua embarcação, acompanhado de Siegfried. Ele procurou uma estalagem e os dois ficaram hospedados a espera de do Escorpião negro.
— Não sei de onde vem sua certeza de que eles vêm para cá, Minos! —Siegfried questionou um pouco aborrecido, vinha perseguindo o escorpião e do nada ele sumia. Estava irritado com isso.
— Ora, ora Lord de Duhbe, o senhor conhece a terra, e eu conheço o mar... O senhor conhece dos livros, e eu das lendas, e pelas terras que o Escorpião passou, ele só pode estar atrás de uma coisa... Mas quem a terá serei eu! Além de minha vingança, aquele homem insolente acha que é melhor que eu, mas eu vou mostrar a ele quem é o pior pirata dos sete mares! O corpo dele ficará pendurado em minha vela, quero que todos vejam que eu, Minos de Grifon, sou o único! O mais temido e cruel pirata, e não aquele moleque metido a homem do Escorpião.
As coisas não iam ser fáceis para o escorpião. Minos estava disposto a matar Milo a todo custo, teria o capitão do Escorpião Negro como escapar dessa armadilha? As coisas estavam se complicando agora.
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O Escorpião Negro estava a caminho de Orpheu, logo estaria lá, já que não ficava tão distante de Zair. Milo estava olhando o mar, seu coração estava apertado, e isso o deixava com o pé atrás. Chamou um pirata e mandou chamar todos os seus companheiros. Aioria, Mask, Shaka, Kanon, Shura, Aioros, Kárdia... Quando todos estavam em sua sala, o pirata falou sério.
— Algo não está certo, posso sentir e não sei explicar como, não quero trazer mais riscos a nossa investida, do que já tem... Não vamos atracar no porto, vamos dar a volta pelo lado norte da ilha! Não quero ninguém fora desse navio, além de mim, Aioria e Mask! Kanon e Kárdia, conto com os dois para manter Kamus e os outros em segurança. Shura e Aioros... Quero que montem guarda... Se virem qualquer coisa diferente, zarpem! Fui claro?!
Todos se entreolharam, nenhum deles questionou, mas de alguma forma, Milo sabia que não cumpririam tudo a risca; eles eram teimosos, mais verdadeiros companheiros. Cada um seu olhar mostrava um sentimento, e o capitão podia lê-los. Franziu o cenho e falou mais uma vez.
— A pedra encontra-se com o ciclope... E eu vou buscá-la. Façam como eu disse, o primeiro a descumprir minhas ordens, eu mesmo o jogarei no mar, entenderam?!
Todos assentiram, mas Kanon foi o único que se pronunciou. — Então acho bom ter força... Por que eu não vou cumprir sua ordem! Esse navio não sai daqui, enquanto não estiverem de volta! E eu não estou preocupado com os peixes! — O loiro falou e deu as costas ao capitão. — Vá dormir... Reserve sua força para Polifemo, e não para nós, capitão! — Falou e saiu em seguida, foi seguido por Mask e Aioria que apenas fizeram uma expressão de concordância com as palavras do outro. Aioros e Shura nada disseram, Shaka e Kardia foram os que ficaram ali.
— Não vou ouvir nada... Estou indo descansar! — O capitão ditou e saiu os deixando ali. Ambos sorriram de canto, mas estavam preocupados. O que os esperava naquela ilha? Não sabiam, mas uma coisa era certa, não deixariam Milo sozinho nessa empreitada, não mesmo.
O navio seguia rapidamente para Orpheu e logo descobriram o que os aguardava. Quem era o mais esperto? Milo ou Minos? Qual deles sairia daquela ilha?! Parece que o coração do Escorpião não se deixa enganar, mas até que ponto?!
Continua...
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