Escorpião Negro
15 Capítulo 14
Notas iniciais
— Capitão, olhe! — Kamus gritou e conseguiu a atenção de Milo. Apontando para o horizonte. — Aquilo é um navio se aproximando?
Milo olhou para onde seu amante apontou, e seu semblante tonou-se sombrio e duro. Ele se afastou de Kamus e chegou à borda do navio olhando melhor. Sem se virar gritou:
— Estamos sobre um possível ataque! Todos aos seus postos preparem as armas! Kanon no leme, Mask ao mastro averiguar a situação. Aioria e Shura ordenem o armamento e Shaka leve os três para o porão onde é seguro. Vai! — Gritou dando ordens, e sem pestanejar elas foram obedecidas.
Quando Milo virou-se para o príncipe, esse parecia aterrorizado.
— M-Milo... — Kamus gaguejou com visível medo.
Milo aproximou-se e tocou sua face com as duas mãos. — Tudo ficará bem! Quero que tome Mu e Dite e sigam Shaka, ele os colocará em segurança. Se acaso tivermos que lutar, preciso ter certeza que estará bem... — Falou suave.
— Mas e você?
— Estou acostumado, não morrerei hoje. Agora vá meu príncipe! — Mas antes de afastar-se do príncipe, tomou a boca dele em um beijo profundo e voraz, esquadrinhando toda sua cavidade bucal deixando-o aéreo.
Quando Shaka se aproximou, o capitão empurrou sutilmente o menor nos braços do loiro e deu um olhar que dizia tudo, deixando claro que era para protegê-lo. Shaka levou Kamus, Afrodite e Mu para um local seguro, mesmo que não totalmente, os demais se preparavam para uma possível batalha. Poderia não ser nada, mas como podia ser algo sério, todo cuidado era pouco.
Logo ele deu as ordens. Kanon foi para o leme e colocou o navio em posição de fuga se fosse necessário. Mesmo sendo piratas eram cientes do risco de vida, tinha plena conhecia que havia momento que era melhor fugir para lutar no outro dia.
Mask organizou os marinheiros, em colocar os canhões, pólvoras, armas e espadas a postos. Aioria alinhou com mais três as velas e cordas, e alguns piratas foi colocado nas entradas que davam para o interior do navio, pois a maior ordem era garantir a segurança dos menores.
Milo verificou se tudo achava se pronto, e colocou-se ao lado de Kanon, em um local que tinha total visão de seu navio, ao que ajeitou suas armas na cintura e vestiu sua expressão dura.
Quando o marinheiro no mastro gritou: “Piratas”. A tensão tornou-se maior. Mesmo que a marinha real tivesse mais recursos de armas, eles tinham criatividade e habilidades limitadas de quem seguiam regras, mas outro navio de bandeira negra era lidar com forças similares.
Os homens do Escorpião se moveram, e deixaram o medo escondido em seus interiores. Quando os dois navios achavam-se a poucos metros de distância, o som dos canhões começara a se fazer presente. Gritos e estrondos eram ouvidos. O escorpião balançou, mas manteve-se firme, e mesmo que o inimigo bombardeasse com força total, o seu estrago era maior.
Levaram-se bons minutos para que choque dos canhões amenizasse, e o outro navio pirata chegasse perto o suficiente do escorpião, para que as tábuas fossem estendidas, e por elas ou cordas, invadissem o negreiro.
Mask carregava um sorriso macabro no rosto enquanto movia suas duas espadas – uma em cada mão – e estraçalhava seu inimigo sem medo. Aioria lutava ao lado de Shura, ambos mostravam uma sintonia perfeita, como se tivessem lutado a vida inteira junto.
— Maldito Rivers! — Milo bradou ao identificar o outro navio. O pirata era inferior ao Escorpião, e por inveja sempre arrumava um meio de afrontá-los... Ou tentava roubar as cargas, os roubos ou afundar o navio. — Eu quero esse navio afundando! Atirem sem parar! — Ordenou raivoso.
Os marinheiros das armas começaram a bombardear o outro navio, os piratas do escorpião pareceram adquirir uma determinação descomunal. Aioria, Shura e Mask faziam uma verdadeira carnificina, e Milo lutava com força e graça contra aqueles que tentavam interferir no lema e percurso do Escorpião.
Kanon começou a mover-se para longe da outra embarcação, e a distância permitiu que os danos se tornassem maior contra a madeira. Enquanto o sangue do inimigo banhava o chão do negreiro, o navio inimigo começava a ceder aos ataques e afundar na imensidão de água.
Enquanto a batalha acontecia no convéns do navio, em um dos quartos do interior do navio, três jovens aparentavam estar bastante aflitos. Afrodite estava puxando os fios e os enrolando nos dedos... Mu sentado no colo de Shaka, e Kamus olhando para a porta em agonia.
— Está demorando! — Mu disse nervoso.
— É normal, tem lutas que podem durar horas. Mas acho que essa Milo finalizará rapidamente. — O loiro médico disse. Ele sabia que assim que a batalha terminasse, ele teria bastante trabalho em cuidar dos feridos, mas a parte que lamentava eram que as perdas eram inevitáveis.
— E se... Ele se ferir! — Afrodite disse sem denunciar nome, mas não precisava ser um gênio para saber. O ato de esperar era o pior de todos, pois a preocupação parecia correr as entranhas.
— Eu... — Kamus murmurou incerto. Ele sentia uma agonia crescente dentro de si, não sabia como explicar, mas sentia que Milo precisava dele. — Já volto! — Disse, e sem esperar por resposta ou ação de qualquer um outro, saiu correndo pelo corredor.
— Kamus! Volte... — Shaka gritou, mas Mu e Dite seguraram seu braço. Os menores tornaram-se cúmplices do príncipe, mesmo sabendo que Kamus se colocava em risco.
Kamus subiu as escadas e empurrou a porta parando na polpa do navio. Seus olhos captaram o caos. Corpos mutilados e estraçalhados no chão. Homens lutando com toda força. Gritos e estrondos de canhões. Por um segundo sua mente ficou paralisada, e quando finalmente acordou, saiu em busca de seu ‘homem’. Desviou de alguns piratas, quando outros tentaram atacá-los, os homens do escorpião o protegeram.
Kamus subiu as escadas rumo ao leme, e quando faltava poucos degraus encontrou Kanon e Milo lutando contra seis homens. O navio achava-se a deriva sem ninguém, e um pirata inimigo tentava assumi-lo.
Milo encarou o príncipe, e tal segundo de desatenção garantiu que a espada ferisse seu braço, não passou de um arranhão, mas funcionou como um aviso para não se descuidar. O capitão voltou a enfrentar seus combatentes, mas mantendo atenção em Kamus.
— Volta para dentro! — Ordenou maneando como mágica a espada.
Kanon ceifou a vida do homem que queria tomar o leme, porém não pode assumir por que teve que lidar com outro.
Kamus moveu-se desviando dos empecilhos, e tomou o leme de madeira grossa e grosseira. Sentiu dificuldade de controlar o mesmo. — Eu...
— Vire para o norte, a 180 graus. — Kanon gritou.
— Onde... — O príncipe ficou incerto.
— O sol nasce ao norte... Suas costas... Mas deixe declinando a sua esquerda. — Milo disse sem dar descanso ao seu inimigo.
Kamus colocou toda sua força para colocar o escorpião na posição sugerida. Não foi fácil, mas ele conseguiu colocar o navio dos eixos, fez esforço para manter a linha. Aos poucos o caos foi diminuindo. O príncipe deu um pulo quando braços o rodearam, e mãos pousaram no leme ajudando-o a navegar o navio.
— Se saiu muito bem, mas ainda vou castigar seu traseiro branco por me desobedecer. — Milo disse rente ao ouvido do menor, e fez questão de pairar seu corpo sobre ele.
Os piratas do Escorpião negro de longe foram os vitoriosos. Enquanto os homens trabalhavam para se livrar dos corpos dos inimigos mortos, separaram os dois amigos perdidos, e arrumaram a bagunça, Milo colocou o navio para longe dali, mas em momento algum deixou Kamus fora de seu enlaço. A vida no mar significava isso, lutas, perigosos e perdas, mas tinha suas vitórias.
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Seus pés doíam e sua mente latejava, mas buscava não reclamar. Por sua culpa os dois saíram correndo do lugar que era o lar deles, de perto das pessoas que conheciam, deixando para trás a paz vivenciada.
Com a ameaça presente de seu irmão, os três juntaram tudo que conseguiram, e fugiram na calada da noite da casa. Tomaram o caminho mais difícil pelo bosque que rodava a cidade, e quando chegaram à estrada de terra, tiveram a sorte de conseguirem uma carona com ciganos viajantes que transitavam.
Dois dias na estrada, tendo pouca comida e dinheiro, eles contaram com a ajuda de muitos. Dos ciganos, e no navio mercante que partiu pelo estreito de Zurih. Segundo Kárdia iriam para sua cidade Natal, pois precisava colher informação necessárias para o próximo passo deles. Dégel não questionou, na verdade, tentou se mover o menor possível para não incomodar o homem.
— Estou cansada! — Shina disse.
— Estamos chegando! — Kárdia disse para a filha.
— Olha! — Dégel disse apontando para o vilarejo que ficava mais abaixo. Era bem humilde. As casas feitas de madeira, barro e palha. A pessoa com roupas degastada, mas de longe via-se que eram trabalhadoras. Agora fora das paredes do castelo, Dégel tinha outra visão do mundo.
— Sim! Chegamos! — Kárdia disse com um sorriso. Esse era o humilde vilarejo que cresceu com seus pais e irmão. Quando seus pais morreram nas mãos de bandidos, ele cuidou de seu pequeno irmão por anos, até que o pequeno tornou-se um jovem alegre e aventureiro e saiu pelo mundo em busca de seus sonhos. Kárdia conheceu sua esposa, casou-se e teve sua filha. Mesmo distantes, eles sempre arrumavam um jeito de entrar em contato, e agora, Kárdia sabia que poderia contar com ele.
— O que faremos aqui? Vamos ficar...
— Não! Apenas vim pegar uma informação! — Kárdia disse cortando o príncipe. Os três seguiram para o Vilarejo. O cansaço era visível em seus olhos. Ao chegar, os aldeões ficaram encarando-os. Alguns que conheciam Kárdia – sorriram — mas outros com receios mantinham as distâncias. Mas não estava ali para socializar.
Eles seguiram em frente sem ligar para nenhum, eles não tinham nada haver com suas vidas, e precisam agir rapidamente. Kárdia parou em frente a uma velha casa, e sem bater, entrou, mas antes ordenou que Shina e Dégel esperassem lá fora.
— O que ele vai fazer? — Dégel indagou.
— Pegar informação! — Shina disse sem dar grande importante.
— Que informação? — Para Dégel tudo era muito misterioso.
— Ele está procurando informação do paradeiro de seu irmão. Meu tio Milo! Ele é um pirata famoso é perigoso, e somente ele poderá nos proteger. — Shina disse. Dava para perceber o orgulho no tom da sua voz.
Dégel arregalou os olhos. Não podia acreditar nisso, que iriam recorrer a um criminoso por proteção. Se bem, que não podia questionar, quem era ele para julgar, Sendo que seu próprio irmão procurava sua morte?
Passaram-se alguns minutos, e quando Kárdia saiu parecia sério.
— E ai, papai? Onde tio Milo está?
— Vai ser difícil achá-lo! Na última informação que enviou, estava indo para Arryn. Mas foi a duas semanas! — Disse com pesar. Pelo visto o irmão estava em alguma missão, e isso dificultaria encontrá-lo.
— Ser soubermos o que ele procurar quem sabe o encontremos. — Shina disse.
— Não existe algum porto que os piratas sempre vão? Sei lá, para se abastecerem de armas, comidas ou algo do tipo! — Dégel perguntou. Bem, já que estava na chuva, pretendia se molhar.
— Isso! Gênio príncipe. Sim, a um porto secreto em Toyko aonde sempre vão para reabastecer. Podemos viajar para lá, e torcer que a sorte esteja ao nosso lado. — Kárdia disse um pouco mais animado.
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Os passos ecoaram pelos corredores agora escuros do castelo de Loutrec, logo o soldado se aproximou da sala do trono e ao entrar deparou-se com o rei. Radamanthys estava sentado no trono e um tanto entediado. Os olhos azuis do loiro mostravam frieza, e olharam o soldado de cima abaixo.
— Fale! — Ordenou frio.
O guarda tremia, mas tinha que dizer a verdade. — Meu senhor... O príncipe Dégel está vivo! — Nem teve coragem de levantar a cabeça e ver a expressão de desagrado em seu rei. Temia pela própria vida, mas tinha que dar aquela notícia.
Radamanthys levantou irado. Seus orbes agora faiscavam de puro ódio. Como podia ser?! Deixara-o lá no chão, em uma poça de sangue e sua espada fora cravada profundamente nele. Andou até o soldado e olhando com ira falou:
— Como assim vivo?! Explique isso melhor!
O soldado o olhou com certo pavor, mas fez o ordenado. — Meu senhor, majestade... Estávamos na feira cobrando os impostos e vimos quando o príncipe Dégel se aproximou de nós, tentamos pegá-lo, mas um aldeão, ele o ajudou a fugir! Já procuramos saber quem era e descobrimos que se chama Kárdia Bartinik, ele é viúvo e tem uma filha, mas eles fugiram e abandonaram tudo.
Irado, Radamanthys pegou sua espada e a enterrou no abdômen do homem. O soldado nem teve como se defender, apenas gemeu de dor e surpresa e inclinou-se sobre o rei e este o jogo com certo nojo no chão. Os orbes azuis do loiro estavam nublados, mas era da raiva que tomava conta de si.
Levado pela fúria o loiro saiu quebrando tudo puxou tapeçarias e derrubou pesadas armaduras e alguns castiçais. Mas parou ao ouvir a voz de seu conselheiro, ele o chamou pedindo para entrar. — Majestade?! Por favor...
O rei urrou mostrando o quanto aquilo o desagradava. —Aaaaaaa!!! Infernos! Isso não podia estar acontecendo! Vou matá-lo, vou arrancar o coração dele com as minhas próprias mãos. Pode correr Dégel... Não vai escapar de mim! Vou matá-lo!
Bateram a porta mais uma vez, o tirando de seu sossego.
— Senhor...
— Não vou receber ninguém!
— Mas meu senhor... Há aqui um jovem que diz saber do paradeiro do príncipe Kamus!
Radamanthys travou e sentiu os pelos eriçarem. — Kamus... — Falou baixo para si mesmo e olhou sombrio para a porta ainda fechada, ele respirou fundo e ajeitou os cabelos que estavam assanhados pelo momento de fúria que tivera e ajeitou a roupa e o manto, colocou de volta a coroa em sua cabeça e sentou-se em seu trono e só então ordenou. — Mande-o entrar!
Quando a porta se abriu um jovem loiro e de belos orbes azuis adentrou por ela. Ele tinha um jeito e uma aparência bem feminina o que deixou o atual rei um tanto atraído. Radamanthys avaliava o loiro do alto de seu trono. O rapaz se aproximou e se ajoelhou diante do rei. — Majestade...
O loiro no trono ergueu uma sobrancelha, o rapaz tinha uma voz firme e um tanto, sedutora, e altiva, não combinava com aquela aparência frágil dele. Radamanthys o olhou de olhos estreitos.
— Então veio falar sobre Kamus?! E por que deveria acreditar em você?! Quem é você?!
O loiro de joelhos então ergueu o olhar e deparou-se com o do rei e um calafrio percorreu sua espinha. Mas ainda assim ia falar, aquele principezinho de merda ia se arrepender de ter quase o matado. — Meu nome é Misty Fontaine, sou servo de Shion Llasa, e vi ele chegar na casa dele com seu irmão, o príncipe Kamus.
Radamathys ficou se ação por um momento.
— Shion?! — Perguntou, mas não esperou resposta, e bateu firme com a mão braço do trono, levantou e foi até o loiro. — Levante-se! — Ele falou e viu o jovem o obedecer, passou a andar em volta de Misty o que fez o rapaz estremecer. — Então Misty... Com que propósito veio aqui me trazer tais informações? Fale mais!
O jovem sorriu de canto e começou a falar sim, mas não o que o rei queria ouvir.
— Ora, ora senhor... Sabes que informações desse tipo são preciosas, ela não viria de graça... E nem mesmo só para cumprir meu dever, por que assim estaria com o mestre Shion, e nem diria nada.
Radamanthys não gostou nada daquele jeito de falar do jovem. — Certo! E o que teria valor suficiente para pagar suas informações?! — O mais velho falou rente ao ouvido do loiro ali em pé, seu tom era maldoso, e frio. E ao mesmo tempo tem cruel.
Misty mordeu o lábio inferior, mas agora não podia mais dar para trás. Respirou fundo e tremido, e fechou os olhos e as mãos a fim de se controlar diante do medo que agora sentia. — Bem meu senhor... Sei que não seria nada demais me ceder um pedaço de terra para que faça minha própria casa e possa viver em paz.
Radamathys sorriu. — É mesmo?! Interessante... É... Não será nenhum sacrifício... — Ele falou com desdém e desprezo. — Feito! Desembuche logo que não tenho muito tempo, preciso resolver algo urgente! — Ordenou e ficou ali esperando para ouvir o que o jovem tinha a dizer.
Misty então começou a falar: — O príncipe Kamus está a bordo do Escorpião Negro! Ele é o capitão do navio, o Escorpião esteve na casa de Shion e negociaram com ele! Porém, depois se foram quando a guarda chegou! Meu mestre escondeu o príncipe e a verdade de seus soldados, e há um padre com ele, Saga Caillet... Juntos estão tramando contra vós, majestade! — Misty falava sério, sabia de algumas coisas por ter falado com outros servos da mansão de Shion.
O rei sentiu o sangue ferveu. Odiava Saga e Shion, dois revolucionários, mas ia fazê-los pagar pela traição. Não falou nada a respeito, mas incentivou o jovem a continuar:
— Fale mais! O que mais sabe sobre meu irmão? — Radamanthys achava que Kamus já estava morto e saber ele vivo em poder de um pirata não era bom! Ainda mais sendo esse com fama de perverso.
O jovem Misty continuou:
— O mestre Shion disse para Kamus não voltar, por que aqui ele corria perigo... E mais, disse a Saga que o levasse para longe! E os dois tramam contra vossa majestade. E seu irmão... Humf, ele quase me matou...
Aquela última frase fez Radamanthys sorrir:
— Quase o matou?! Então não estamos falando da mesma pessoa! Kamus é um doente, mal conseguia andar pelo palácio sem adoecer... Não é ele! — O rei sentiu certo alívio, sabia que seu irmão não poderia resistir, não passava de um peso, um doente que não suportaria nem mesmo uma noite mais fria.
Misty não gostou de ser taxado como mentiroso, tão pouco daquela risada.
— Era seu irmão sim! Ele tinha os cabelos verdes e cumpridos e a face fina e elegante, os olhos verdes e bonitos, mas ele tem algo estranho... Ele não usou as mãos... Ele olhou para mim com raiva, acho até que com ciúmes, o escorpião é belo e forte, e aposto que eles são amantes, pela forma que o pirata o abraçou! Seu irmão tem poderes mágicos...
Radamanthys não gostou nada das coisas que ouviu. “Kamus amante de um pirata?! Não podia ser...”. O loiro pensou consigo e irado pegou Misty pelo pescoço e falou frio e cruel: — Que palhaçada é essa?! Como assim poderes mágicos?! Quem pensa que sou para vir aqui mentir para mim!? — Via o outro se debater e tentar sair das mãos dele, mas não se importava se ele iria morrer pela ousadia de tentar lhe ludibriar!
Misty ainda que roucamente falou:
— Não estou mentindo... — Sentiu o rei afrouxar um pouco. — Ele me olhou e senti como se mãos invisíveis estivessem apertando meu pescoço e quando o Escorpião foi me ajudar, ele bateu nele sem querer e quando o príncipe se desconcentrou, tudo parou. Ele tem poderes mágicos... Vi um diário... E tinha nele o selo real! E estava aberto... Eu li um pouco um paragrafo apenas, que dizia que o segundo filho... Esse nascerá como ela, podia parecer frágil... Mas era mais forte do que imaginava. Tentei ler mais... Mas ele fechou-se sozinho...
Radamanthys o soltou e o viu cair no chão.
— Um diário? — Perguntou e o viu assentir, lembrou-se que a mãe de Kamus realmente tinha um, já havia vista ela com ele, mas nunca pensou que tivesse nada demais. A ira e o ódio estavam lhe sufocando a garganta.
— Matem-no, o quero morto! E que nenhuma informação saia daqui, ou matarei também, quem ousar me trair!
Misty arregalou os olhos e entrou em desespero.
— Espere! Eu lhe trouxe informações preciosas! Não pode me matar! — Ele gritava chorando. Os soldados o levaram dali e seus gritos eram ouvidos pelo salão. Agora sentia-se arrependido, mas não podia mais voltar atrás.
O rei virou-se para o homem que ficara e ditou firme. — Chame Siegfried! AGORA!! — Enquanto o homem saía, o loiro pensava em tudo que ouvira, “Não era possível que aqueles dois fossem atrapalhar sua vida!”.
Saiu dali e seguiu até as masmorras, o lugar era escuro e fétido, ouvia-se barulho de ratazanas correndo pelo local. As celas tinham correntes para tortura e um pouco de feno onde o prisioneiro pudesse deitar, a comida era colocada por uma portinha e não passava de uma sopa rala e um pedaço de pão duro e mofado.
A cela que ele queria era a última e mais fétida e fria que as outras, o guarda abriu a mesma e o rei entrou olhando para o homem que estava ali deitado com aquela mascará de ferro, ele o puxou do chão e jogou contra a parede o segurando:
— Que aberração o Kamus é?! Em?! Então era por isso que o queria de volta?! Quem é ele?! O que a aquela vadia da mãe dele era?!
Hades o olhava estarrecido, aqueles olhos denunciavam a loucura pelo poder, mas não diria nada sobre Kamus.
— Não sei do que está falando! Kamus é meu filho! E eu me preocupo com ele como me preocupo com Dégel e com você! Seu desnaturado! — A voz do verdadeiro rei saía abafada, ele estava tentando, mas estava entrando em paranoia com aquela mascara e naquele lugar, estava mais magro e agora sim doente.
Radamanthys puxou o pai e o jogou contra o feno:
— Vai morrer ai... Apodrecer... E seu querido filho... EU VOU MATAR! Seu mentiroso! — Ele ditou e saiu dali furioso. Hades chorou em desespero, sabia que fora duro, mas era para protegê-los, principalmente Kamus! Ele era sim especial e precisava ser protegido. Chorou sem consolo e o guarda que via aquilo sentiu pelo seu rei e fechou a porta.
O loiro chegou à sala do trono e logo foi anunciada a chegada de Siegfried. Quando o homem entrou e viu o quanto Radamanthys parecia nervoso.
— O que houve?! — Ele perguntou sem se aproximar muito. Sabia que aquele homem era um ser cruel e louco e num acesso de raiva podia tentar matá-lo. — Quero que vá até Arryn e prenda Shion Llasa, ele é um traidor... Escondeu Kamus de nós... E algo há mais sobre meu “querido” irmão que ainda não sei! E quero que mande alguém atrás do Escorpião Negro... Kamus está nele, parece que é puta do pirata! Mas ele não perde por esperar... Quero que o traga vivo! E só ele! Quanto aos outros... Mate todos!
Siegfried não pode crer. Como ele podia saber? A expressão dele era de quem estava surpreso, mas não exatamente com a notícia.
— Kamus é meu noivo Radamanthys, espero que se lembre disso! — Falou antes de se retirar e seguir para fora do castelo a fim de cumprir as ordens do seu rei.
Andava a passos largos e queria muito alcançar Kamus, ele tinha que ser seu... Não fora a toa que falara com Hades, se fizera de santo e bom para poder ter o rapaz em suas mãos. Sabia bem quem mandaria atrás do Escorpião... E ele não falharia, não depois do preço que iria pagar!
No castelo Radamanthys notara a expressão de Siegfried, entendera que ele já sabia e essa história de casamento era por isso.
— Não se preocupe meu amigo... Traga-o para mim... E depois disso, lhe darei o prêmio que merece por tentar me enganar!
O rei estava possesso, tudo que tramara agora estava indo por água abaixo! Mas não deixaria que tomassem seu trono! Não... Nem que tivesse que matar a todos!
Os tempos mostravam-se obscuros, a vida de todos corria perigo, mas seria mesmo tão fácil assim de vencê-los?! Com certeza muitas coisas ainda estão por vir, Kamus e Milo precisam ser espertos... E unidos, será que conseguem?!
Continua...
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