Escolhida
44 Lembranças... Motivos e revelações. ( Parte 2)
Notas iniciais
Agora vamos a estória...
Pov Mikael.
Eu olho em direção ao som sofrido que era proferido dos lábios rubros da jovem bruxa ao leito de cama.
A bruxa chamada Greta se encontrava se contorcendo em cima da cama em sua fase de transição para vampiro. Para minha frustração seu coração havia dado indícios de que iria parar em meu caminho ao fugir com ela em meus braços. E eu me vi com duas opções.
A primeira era esperar que ela sobrevivesse aos ferimentos graves e a perda extensiva de sangue, pois eu contava em usar seus poderes de bruxa para fortalecer meu pequeno exercito.
A segunda eu a transformaria em vampira assegurando sua vida, contudo, ela perderia seu poder e com isso ela só poderia me fornecer informações e conhecimentos sobre os feitiços que eu procurava.
Não foi preciso pensar muito sobre a escolha a ser feita, porém. Seu coração falhou um momento depois em minha corrida e eu mordo meu pulso enchendo sua boca com meu sangue e torço seu pescoço ouvindo um alto estalo.
Eu volto meu olhar à figura que se contorcia na cama de madeira.
Eu espero que você seja útil, para seu próprio bem. Eu penso sobriamente.
Suspiro, tombando minha cabeça na cadeira em que me encontro sentado, e deixo minha mente vagar a um passado distante.
Seriam três longos dias.
Flasch back on.
Eu saio de casa cedo, e olho curioso às pessoas que olham para cima do grande carvalho.
Eu franzi a testa quando ouvi uma risada insolente, vindo da parte superior da árvore do grande carvalho branco.
Eu bufo em frustração. Deus me livre do meu filho mais velho!
Niklaus foi o eterno espinho ao meu lado, ele não possuía um osso obediente em todo seu corpo.
Ele sempre me desafiava intencionalmente. Ele ignorava todas as regras que eu passava com um largo sorriso no rosto. Aos 12 anos de idade, meu filho de cabelo encaracolado já conseguiu irritar meus vizinhos permanentemente com suas brincadeiras elaborados e levou sua mãe para puxar mechas de cabelos todos os dias. E como adulto, ele não havia mudado em nada.
Eu balancei a cabeça em irritação ao vê-lo gracejar com seus irmãos em cima da árvore, rindo de suas próprias piadas, muitos que andavam ali perto pararam em volta da árvore escutando o que Niklaus falava, alguns riam abertamente de suas palhaçadas.
Não importava o que Niklaus fazia ou dizia, ele sempre se tornava o centro das atenções. Todos paravam para ouvi-lo. Ele era um orador nato e mesmo quando falava bobagens, as pessoas paravam para escutá-lo.
Niklaus tinha um grande potencial, eu mesmo podia ver o líder que ele podia ser, mas o mesmo parecia fazer questão de viver despreocupado, não levando nada a sério.
Só havia uma coisa que parecia fazê-lo ser responsável e cuidadoso, ou melhor, dizendo, uma única pessoa.
Rebekah.
Eu ficava sempre surpreendido em seu tratamento com sua irmã mais nova, ele sempre parecia atento a suas necessidades, não que ele fosse indiferente aos seus outros irmãos, mas Rebekah parecia fazê-lo mais atento... Mais maduro.
Meus olhos pousaram na figura de Rebekah que olhava o irmão com adoração.
Rebekah havia acabado de fazer dezesseis anos e estava se mostrando uma moça muito bonita e encantadora. Suas curvas eram suaves e proporcionais que a fazia olhar muito sensual e aliado a sua aparente inocência a tornava desejável para muitos rapazes.
Eu mesmo me vi desejando ela vez ou outra, mas quando tais pensamentos passavam pela minha cabeça, eu os afastava para longe. Eu podia não ser muito fiel a minha esposa, mas Rebekah era minha filha e eu não seria capaz de fazer algo nesse sentido. Devo confessar que em muitas ocasiões eu me vi mais do que tentado em esquecer sobre isso.
Eu visitei seu quarto em muitas ocasiões, no começo eu apenas olhava para ela. Seus cabelos dourados espalhados pelo travesseiro, as curvas suaves que mesmo a camisola modesta não conseguia esconder. Com o tempo apenas olhar não era suficiente e eu precisei tocar sua pele de porcelana. Ela era linda.
Em muitos momentos eu tentava ver traços nela para me lembrar de que ela era minha filha e o que eu estava fazendo era errado.
Ela lembrava tanto Niklaus.
Mas mesmo lembrando meu filho mais velho não esmorecia meu desejo por ela, mesmo não podendo deseja-la eu me vi desejando-a. E estava cada dia mais difícil de vê-la como minha filha.
Suspirei ao sentir a presença de Esther ao meu lado. Esther e eu havia nos casado em um acordo entre nossas famílias. Meu pai me dizia que ela seria uma boa esposa e mesmo já amando outra mulher eu obedeci a seus comandos e aceitei sua palavra. E em todos os anos que veio depois disso Esther havia provado ser uma boa esposa.
Mesmo quando eu não consegui ficar longe da minha amada, no qual passou a ser minha amante, Esther se manteve devota a mim. Eu sabia que eu não era o melhor marido, mesmo quando eu tentava, e se eu fosse sincero comigo mesmo, eu não queria ser. Tanto que viajei de encontro a minha amante, mesmo tendo Esther pronta a dar a luz a qualquer momento.
Meus pensamentos só tinha lugar para a mulher que meu coração havia escolhido, e que a qualquer minuto também poderia entrar em trabalho de parto e eu queria estar ao seu lado quando chegasse a hora.
Esther havia dado a luz a Rebekah, quando eu me encontrava em viagem.
Eu havia ficado surpreso ao voltar e ver como Niklaus havia se apegado ao bebê. Ele passava tanto ou mais tempo com ela do que a própria Esther. Eu mesmo não a peguei tanto como Niklaus pareceu pegá-la. Ele parecia encantado com tudo que dizia a seu respeito. E tal devoção não diminuiu conforme ela crescia.
Nesse meu retorno eu havia trazido Damon que estava com três anos e Edward com apenas alguns dias de vida. A mãe deles... a mulher que eu amava, havia morrido ao dar a luz e eu me vi tendo que leva-los até minha esposa oficial.
Tristeza e dor pela perda me consumiam.
Felizmente, Esther que já sabia de meus encontros furtivos, recebeu meus filhos como o seus próprios. Não que eu fosse lhe dar outra opção, mas eu fiquei aliviado em ver que ela dava a mesma atenção e o mesmo carinho a eles como ela dava aos nossos. Ela chegou até mesmo a amamentar Edward, da mesma forma que amamentava nossa filha Rebekah.
Pela primeira vez, eu concordei com meu falecido pai que Esther era uma escolha sensata para esposa. Ela era bonita, desejável e acima de tudo submissa. E como ele mesmo havia mencionado uma vez, ela seria uma boa mãe para meus filhos. Mesmo ao saber sobre meus encontros extraconjugais, ela nunca disse uma palavra sobre isso.
Eu volto meu olhar ao centro da comoção a minha frente. Niklaus agora contava uma história que pareceu prender ainda mais a atenção dos que passava.
Eu olhei algumas moças sorrirem em sua direção, mas mesmo seu sorriso faiscando em seus lábios em retorno, ele não era tão caloroso.
Havia muitos boatos das moças que ele ‘dormia’ em toda a aldeia, e era notório que ele não ficava com a mesma moça por mais de dois ou três dias. Era como se nenhuma delas o pudesse agradar por muito mais tempo.
Niklaus já havia completado vinte e nove anos e ao que parecia não estava pensando em se casar tão cedo.
Certamente queria se divertir um pouco mais, como se não tivesse se divertido o suficiente. Eu penso em desgosto.
Eu olho ao redor vendo meus outros filhos. Jasper na medida em que foi crescendo aderiu às mesmas formas insolentes de seu irmão mais velho. Damon que no momento sussurrava algo no ouvido de uma ruiva que exibia uma coloração em sua face semelhante a seus cabelos começara a dar os mesmo indícios. Somente Edward parecia obediente e fiel as minhas palavras, sem nunca retrucar... E Rebekah, era uma moça muito obediente, mesmo em sua alegria exuberante.
Eu queria poder dizer o mesmo de meus outros filhos. Eu dou um passo em direção à comoção, para dar fim nas palhaçadas, quando uma mão pousa em braço.
Eu olho surpreso para Esther.
– Deixe-os se divertirem um pouco Mikael. – ela suplica.
– Se divertir? Eles estão se fazendo de tolo para toda essa gente. – eu digo exasperado. Vendo seus olhos suplicantes, eu suspiro em derrota. – Eu vou sair para caçar, volto antes do fim do dia.
Flasch Back off.
Eu saio de meu devaneio, ao ouvir sons de choro. Eu queria tanto poder lembrar o nome de minha amada. Eu suspiro, antes de voltar a fechar meus olhos novamente, ignorando os pedidos de suplicas de Greta para mata-la e acabar com sua dor.
Flasch back on.
Dois irresponsáveis.
Eu não podia acreditar que Niklaus e Jasper tiveram a audácia de chegarem atrasados em uma reunião convocada por mim. E para meu desgosto o meu filho insolente ainda tinha que proferir palavras tolas, instigando o povo contra mim.
Niklaus precisava de uma lição. Ele deveria mostrar respeito por mim, ao menos, na frente de outras pessoas, mas não, ele tinha que debater sobre minha conduta. Eu era um dos lideres dessa comunidade, eu sabia melhor como as coisas deveria ser feitas.
Eu esperei todos irem para sua casa e segui o caminho que eu tinha visto Esther e Niklaus seguirem. Eu caminho determinado, mas paro ao ouvir as palavras de Klaus.
– Não mãe. Eu me preocupo com Rebekah. Ela já está em idade de se casar e talvez seja hora de conversar sobre isso. O Rapaz Salvatore parece um bom partido e ela estaria segura com ele.
– Niklaus! Você fala como se ela não estivesse segura em nossa própria casa.
– Mas ela nã... – Eu vejo Niklaus passar a mãos nos cabelos em frustração antes de continuar. – Não é o que estou dizendo. – outra pausa. – Rebekah é minha filha e eu me preocupo com o seu futuro.
– Schschschsch... Fique quieto Niklaus, você nunca deveria dizer isso. É perigoso. Se alguém escuta...
Eu dou alguns passos para trás. Um frio se instalou em meu intimo.
Rebekah era filha de Klaus? Como?
Em meu choque eu não percebo quando Niklaus sai, deixando sua mãe sozinha. Antes mesmo que eu dou um passo em sua direção eu vejo Ayana se aproximando de Esther. Eu afasto meus pensamentos sobre Rebekah para uma analise posterior e me concentro ao desenrolar a minha frente.
– Você não pode fazer isso. – Ayana declara aflita.
– Você não pode me impedir Ayana.
– Mas você estará desiquilibrando todo o equilíbrio da natureza ao fazê-lo. E isso terá graves consequências.
– Eu não vou perder mais nenhum filho meu. – Esther diz fria.
Nesse momento eu deixo que elas percebam minha presença caminhando em sua direção fazendo barulho propositalmente.
– Qual é o problema?
Esther começa a dizer sobre um feitiço que ela estava determinada a fazer. Feitiço que garantiria força, velocidade e imortalidade para nossa família. Ayana por outro lado começa a dizer os perigos desse feitiço dizendo que teria um grande preço a pagar por fazê-lo. Esther nunca havia mencionado o feitiço antes, talvez ela não tivesse o conhecimento sobre ele antes, pois isso certamente teria evitado muitas mortes de nosso vilarejo diante de tantos ataques de lobisomens, ou pelo menos, teria nos dado uma chance de nos defender.
– Pense bem, Esther. Niklaus não pode tomar essa poção. – ela olha sugestivamente em direção a Esther e de volta para mim.
Antes que eu possa perguntar o motivo, ela praticamente corre nos deixando sozinhos em um silêncio profundo.
Nesse mesmo dia, eu ajudei Esther preparar a poção para que bebêssemos a fim de adquirir imortalidade.
Quando a poção estava feita as palavras de Ayana voltam a minha mente.
– O que Ayana quis dizer sobre Niklaus não poder beber a poção? O que isso quer dizer? – Eu pergunto duramente a vendo hesitar e estremecer visivelmente. Eu queria saber o que está incomodando ela tão grandemente, para torná-la com tanto medo de me dizer.
–Niklaus — ela diz tremula e faz uma pausa — não é seu filho, ele é filho de um dos homens que se transformam em lobisomem e isso pode afetar sua transformação.
Imediatamente, eu sinto meus olhos alargarem e eu olho para minha esposa em descrença. Seus olhos estão rasos de lagrimas e eu fecho meus olhos, tentando conter a fúria que corre através de mim.
– O que você quer dizer, ele não é meu filho? – Eu exclamo. Minha voz reverberando fora das paredes de nossa casa. Esther encolhe e involuntariamente dá um passo para trás. Ela já me viu assim antes e isso só piora a partir daqui. — Você-você-você-você vagabunda! — Eu grito em frustração, olhando furioso para ela.
Avanço em sua direção, enquanto ela dá passos incertos para trás até encostar-se à parede. Eu levanto a minha mão como se quisesse bater nela e ela fecha os olhos esperando o golpe. Rapidamente, eu descarto e olho para minha mão, surpreendido comigo mesmo. Eu sabia de muitos homens que batia em suas esposas, mas eu nunca havia batido em Esther e não iria começar agora.
Eu fecho meus olhos, tentando me recompor.
– Quando? – Digo calmamente, meus olhos ainda fechados. Eu podia ouvi-la chorando silenciosamente na minha frente, mas eu não fiz nenhum movimento para confortá-la.
– Você es-estava viajando. – ela engasga, um soluço escapa antes de continuar. – Mikael, desculpe-me. Eu não consigo sequer expressar como eu me arrependo do que fiz.
Eu estava levemente chocado. Eu não esperava essa traição de Esther. Ela sempre era tão dócil e mesmo que a principio ela havia se casado comigo em um arranjo por entre nossos pais, ela pareceu crescer em amor comigo com a convivência, mesmo que eu não pudesse dizer o mesmo sobre mim.
Esther era bonita e até mesmo desejável, mas eu não a amava. Eu era grato que ela conseguiu me dar herdeiros que poderia levar meu legado... Mas um deles não era meu filho. Era um bastardo.
Ela ousou me trair. Eu balanço a cabeça, ainda em estado de choque.
– Como poderia fazer isso? Fazer isso comigo? A nossa família? Eu deveria jogá-la na rua! – Eu travo meu maxilar ao ouvir seu choro crescer mais alto. – Quantas vezes você me traiu com ele? – Eu praticamente cuspo as palavras com nojo do que ela havia feito.
Algumas lágrimas caem pelo seu rosto, e ela limpa-as furiosamente.
– Uma vez. Apenas uma vez. – Ela diz, e eu deixo de fora uma respiração profunda, nem mesmo eu sabia que estava segurando ele em primeiro lugar. Ela engole de volta um soluço e tenta acalmar-se. — Sinto muito pelo que fiz. Eu mesmo não sei por que fiz isso.
– Você fez, por que queria se vingar de mim. Por eu tê-la traído com...
– Não ouse falar o nome dela.
– Eu sabia. Você recebeu meus filhos com os braços abertos...
– Eles são nossos filhos. Damon e Edward são meus filhos também. Eu os amo como se os mesmo tivessem saído de dentro de mim, não importa se foi aquela vad...
– Não ouse você chamá-la de vadia, pois você não tem nenhuma moral para dizer isso dela. Você sabia que eu já amava outra mulher quando se casou comigo, eu nunca escondi.
O silencio na sala é alto e cheio de pensamentos não ditos. Eu sou o único a quebrá-lo. Tantas perguntas executando através de minha mente me enchendo de raiva e frustração.
– Você o ama? – eu pergunto incerto de querer saber a resposta. Ela me olha com dor em seus olhos e curva sua cabeça em culpa.
Eu dou um passo em sua direção e paro novamente.
– Rebekah não é minha filha, não é mesmo?
Ela me olha assustada, mas diante de meu olhar, ela é incapaz de mentir.
– Não. Ela é filha de Niklaus.
– Como?
Ela passa a narrar toda a história sobre o nascimento de nossa filha morta e de como Rebekah havia tomado seu lugar.
Eu fui enganado. Eu havia criado dois bastardos sobre o meu teto. Raiva foi crescendo em meu âmago em cada palavra que era proferida de seus lábios.
Eu me viro para a porta para sair incapaz de ficar mais um segundo em sua presença, quando sua mão repousa em meu braço.
– Aonde vai? O que pensa em fazer? – ela diz urgentemente.
– Eu preciso de ar fresco. – eu digo puxando meu braço de forma brusca.
– Mas é noite de lua cheia.
– Não importa. – eu digo fechando a porta ao passar.
Eu andei nas ruas que se encontravam vazia, tendo cada morador em suas receptivas casas. Os talismãs de proteção firmemente colocados em cada porta, para que assim impedisse os lobisomens de entrar, caso ele venham se aventurar em se aproximar de uma das casas, quando escuto uma risada melódica, uma risada que eu conhecia bem.
Rebekah.
Ela ria divertida de algo que um rapaz falava em sua orelha, antes de beijá-lo e correr em direção à casa de sua amiga Tatia, eu vejo o rapaz se afastando e com passadas rápidas eu chego até Rebekah que ao notar minha presença me olha assustada.
– Papai! Não é o que está pensando. – ela diz nervosa.
Eu sinto um som gutural se formar em meu peito. Mais uma mentirosa.
Eu a pego bruscamente pelo braço e a puxo em direção contrária que ela seguia a principio.
– Papai, onde está me levando? – ela pergunta receosa ao ver nos afastando da vila. – Papai?
Notas finais
AVISO: Meninas eu tenho que deixar de aviso que o próximo capítulo é bem tenso...Beijos e até o próximo capítulo.
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