Escolhas Erradas
1 Nate: A Bela Desaparecida
Notas iniciais
“Nate Evans?” Todos se voltaram a atenção para mim quando a deusa da beleza disse meu nome, o que por si só era uma espécie de milagre por que tirar a atenção de Afrodite era algo absolutamente impossível, mesmo pra mim, alias, eu ainda sou semi-mortal.
“E-e-eu.” Eu gaguejei quando Ian me empurrou e eu involuntariamente dei alguns passos a frente. Perai, eu estava na frente de Afrodite em pessoa, e eu não podia simplesmente gaguejar e babar. “Esse sou eu, milady.” Disse novamente juntando os últimos vestígios de confiança em mim mesmo que restavam pós aparição.
Era impossível não comparar a deusa com Kay. Eu não sabia exatamente se era por que Kay era filha de Afrodite, mas a deusa me lembrava ela de tal modo. Os traços finos, a maneira maliciosa e delicada de sorrir, os olhos azuis profundos como cristais, os mesmos cachos castanhos amendoados. Eu já tinha ouvido falar, que aqueles que encontraram a deusa diziam que ela era diferente para cada pessoa, que ela era aquilo que a pessoa achava que era mais bonito. E bem, Kay era realmente a garota mais linda que eu havia conhecido em 17 anos.
Claro que eu estava estupefato demais com a presença da deusa no meio do campo de treinamento de arco-e-flecha do acampamento. Você não recebia visita de deuses com frequência, ou seja, nunca. E de repente, lá estava ela, materializada me encarando.
“Oh, você é tão mais bonitinho de perto!” A deusa exclamou, em um gritinho. Felizmente ela estava reduzida ao tamanho mortal, por que seria estranho uma mulher de cinco metros saltitar e rebolar daquela forma ao se aproximar de mim. “Você deve estar sofrendo horrores com a ausência de Kaylee.”
Era estranho ouvir o nome de Kay em sua voz doce e infantil. Bom, antes que me pergunte, eu e Kay não somos namorados nem nada disso, quer dizer, a gente ficou na noite dos fogos do ano passado, e depois disso mais algumas vezes. Mas nunca oficializamos um namoro. Tentem me entender, não é que eu não queira namorar ela, é só que, sempre que eu toco no assunto ela foge! Decidi deixar por assim mesmo, somo bons amigos… Ou éramos. Até semana passada.
“Você sabe o que aconteceu com ela? Ela está bem?” Eu não queria usar a palavra viva. Eu não me permitia usar a palavra viva. É claro que ela estava! Fazia uma semana desde que Kaylee havia desaparecido misteriosamente de dentro do acampamento.
“Bem, saber exatamente o que aconteceu com ela eu não sei! O irresponsável do Apolo está por trás disso, ele ficou maluco, só pode, raptar o meu bebê!” Afrodite começou a falar desesperadamente. “Ele andava tendo essas ideias malucas! Então puff, sumiu com ela! Do nada! Ninguém faz ideia para onde ele pode ter ido.”
Afrodite estava delirando. Ela estava acusando meu pai de raptar Kaylee? Era isso? Aquilo não fazia o menor sentido!
“Você ta dizendo que meu pai raptou a Kay?” Ian falou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, seu tom de voz era de histérico, irritado a incrédulo. “Deuses também podem ficar malucos? Bom eu já vi o senhor D. bebado milhões de vezes, mas nunca esperaria algo de você Lady Afrodite.”
“Oh little angel, você é uma gracinha também, sempre tive um apreço pelas crias de apolo, são pequenos fofos. Eu não estou bêbada, nem louca. O que digo é verdade, vocês não podem duvidar da palavra de uma deusa. Apolo levou minha bebê. E eu não estou nenhum pouco de acordo com isso. Se ele quisesse conquistá-la, que fizesse como todo cavalheiro descente, a cortejasse. Esses raptos são para vilões, vilões nunca ficam com a mocinha.”
Era típico das filhas de afrodite dramatizarem tudo, fazerem tudo uma novela. — Kaylee não, ela era diferente das garotas normais. — Mas o modo que a própria deusa fazia aquilo, era como se você realmente estivesse dentro de um romance escrito por algum autor super viajado. Mas um bom livro de romance, tipo mulherzinha.
“Ela tem razão, não se pode duvidar da palavra de uma deusa, e se ela está dizendo… Não digo que seja verdade, mas vale a pena investigar. Quer dizer, essa história não tem lógica nenhuma, mas por que ela se daria ao trabalho de inventar isso?” Sophie falou. Sophie era a sub-conselheira chefe do chalé de Atena, e estava sob o comando enquanto a conselheira estava em missão. Ela era realmente inteligente.
“Crianças de Atena, sempre tão céticas. Podem investigar. Ou melhor, devem! É isso que eu vim aqui fazer.” Ela voltou a me encarar. “Nate, eu juro que esperava mais de você, que você fosse procurar por minha filha assim que ela desapareceu. Claro que imaginei que Quíron e o chato do Dionísio não iria entregá-lo uma missão, mas você bem que poderia sei lá. Fugir?”
Como se eu não tivesse pensado nisso! Eu tive vontade de gritar para a deusa, mas me contive. Eles estavam me vigiando 24 horas por dia a uma semana para ter certeza que eu permaneceria aqui dentro. “Eu faria tudo a meu alcance para encontrar Kay senhora.” Eu respondi.
“Bom, eu vim resolver alguns problemas então. Você precisa de uma missão para sair do acampamento, eu estou te dando essa missão. Você está recebendo uma missão da deusa Afrodite em pessoa, é uma honra para poucos. E isso significa que você não tem escolha. Você agora também sabe com quem Kaylee está, então é mais fácil para seguir as pistas, você deve seguir apolo, sua história.” Afrodite assumiu um estranho tom sério, que não cabia bem no rosto delicado parecido com o de Kay. “Eu não posso te dizer o que você vai encontrar e durante sua missão eu não vou poder ajudar em muita coisa então, você não vai enfrentar um monstro qualquer dessa vez Nate, você vai enfrentar um deus, que, por Urano, está insano.”
“Eu vou enfrentar meu pai…” Murmurei, o suficiente para ser ouvido. Eu nunca pensei que aquilo pudesse acontecer, eu devia estar em um pesadelo maluco, por que, cara, não fazia sentido. Eu sempre tive orgulho de ser filho de quem era!
Eu poderia recusar essa missão suicida, ficar na tranquilidade do acampamento treinando arco-e-flecha, mas no fundo eu já sabia que já tinha aceito. Eu faria qualquer coisa por Kaylee Benson, até mesmo enfrentar Apolo, ou mesmo o Olimpo inteiro. Mas algo estava muito errado, algo em minha cabeça dizia que isso tudo era loucura de mais.
“Eu sabia que você não ia me decepcionar pequeno Nate!” A deusa pulou de alegria. “Agora vamos a parte boa, os presentes de missão, acho que você precisa de armas de qualidade, nada que pode ser encontrado no velho arsenal do acampamento.”
A deusa materializou com uma aceno de mão um arco dourado, entalhados em padrões estranhos que parecia muito com florzinhas para mim. “Isso é muito feminino, eu não vou usar isso!” Eu disse, contrariado olhando o arco.
“Homens!” A deusa acenou e o arco mudou de forma, o dourado perdeu um pouco do brilho e o formato pareceu algo mais moderno, algo muito mais útil, era um excelente modelo. Eu segurei o arco em minha mão, era tão leve que eu mal o sentia na minha mão. E de alguma forma ele parecia me responder.
“Ele responde a você” A deusa respondeu ao meus pensamentos, eu esperava sinceramente que não literalmente, não queria alguém na minha cabeça. “A Aljava com setas é auto-reposta sempre que você usa uma delas, e bom, se você tiver excelente mira ajuda.”
“Sou o melhor arqueiro do acampamento milady.” Eu disse, sorrindo presunçosamente. “Sou bom no que eu faço.” O Arco em minhas mãos me fazia me sentir, com uma espécie de novo poder. E aquilo era bom, eu realmente tinha um dom com o arco.
“Há controvérsias maninho, há controvérsias.” Ian me falou tentando chegar perto do arco. Ele era um ótimo arqueiro também, mas sabia que ficava no segundo lugar. “Mas sem sombra de dúvidas o filho de Apolo mais modesto que há!” Ironizou.
“Modéstia é para aqueles que não possuem talento algum.” Afrodite declarou. “Nosso querido Nate, possui inúmeros deles, portanto não precisa ser modesto, tem mais que se vangloriar mesmo.”
Eu sorri para Ian com a fala da deusa, depois me senti um pouco estúpido por isso. Mas qual é, você tem a deusa da beleza te elogiando, você fica meio estúpido.
“Tenho mais presentes.” A deusa entregou-me um pequeno frasco de cristal contendo um líquido azul acinzentado. “Esse é um poderoso sonífero, o use com cuidado. E vou te dar uma de minhas adagas, caso você precise de uma arma extra.” A deusa pegou uma adaga prateada e me entregou, ela reluzia, outro item feminino, mas dessa vez não questionei, eu não usaria aquilo mesmo.
Eu analisei aquilo, o arco maravilhoso, a adaga e o sonífero. Então era isso, Afrodite chegava, me dava algumas coisinhas e me falava para sair em missão atrás do meu pai que tinha endoidado e raptado minha… Amiga. Isso não fazia sentido nenhum, mas eu tinha uma missão, e partiria agora mesmo se Quíron deixasse. Passo 2, falar com ele.
“Entregue isso a Quíron, ele entenderá, então a missão estará a caminho.” A deusa falou, e eu tive aquela horrível sensação de que ela estava na minha cabeça. Afrodite entregou seu lenço pink e uma rosa, e desapareceu, do mesmo jeito que havia aparecido a 30 minutos atrás.
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